Powered By Blogger

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

A educação dos filhos: Missão im possível! – Parte II

Educar os filhos é e sempre foi uma tarefa árdua, com certeza, a missão mais difícil confiada ao ser humano na caminhada por este planeta. Essa dificuldade torna-se ainda maior nos tempos atuais, em que a sociedade “doente” oferece um número infindável de ameaças à pretensa colheita de bons valores por parte de nossos rebentos. Os maus valores propagados por agentes diversos se contrapõem aos ensinamentos de pais e professores, não raro sendo os primeiros mais considerados por muitos adolescentes. Os pais hoje não podem mais deixar os filhos brincarem na rua, ir à casa de colegas sem que tenham preocupação sobre a segurança dos mesmos. Nem mesmo a escola é mais um refúgio seguro. Lembro que quando criança brincava de carrinho de rolimã ou bicicleta nas ruas, o tráfego de veículos era menor e os motoristas eram menos estressados e mais cuidadosos, então, o risco embora existente, era menor. A escola, então um local seguro em que não havia espaço para a bagunça, pois, ali se buscava adquirir o conhecimento. Indisciplinas havia, mas num número muito inferior ao que se observa atualmente e eram punidas. Desrespeito ao professor era raro, tínhamos por eles profundo respeito pela sua autoridade e até certo temor. Quando criança havia em nosso país, a ditadura militar e a característica principal desse período, a falta de democracia marcou a nossa geração. Muitas pessoas que viveram sua adolescência nesta época tiveram suas vidas marcadas por uma educação repressora no lar e uma escola cuja obediência às regras era a tônica. Estes adolescentes cresceram, tornaram-se adultos e pais, com as lembranças daquilo que acharam ruim na forma como foram educados, buscaram dar aos filhos uma educação diferente, temendo serem autoritários perderam a autoridade e tornaram-se pais permissivos, não dando aos filhos limites, acabaram por ajudar a desenvolver uma geração que não respeita regras, não reconhece a autoridade dos próprios pais, quiçá dos professores. Nas palavras de Içami Tiba citado pelo jornal “Gazeta do Povo” tornaram-se pais “pés de galinha” ou pais “asa e pescoço”. Içami Tiba comenta que no passado os pais comiam as partes nobres do frango e deixavam pés, asas e pescoço para os filhos. Estas crianças cresceram e tornaram-se pais e continuam comendo pés, asas e pescoço, desta vez para reservar as partes nobres para seus rebentos. Claro, trata-se de uma parábola para explicar que no passado os pais não se esforçavam tanto para meramente agradar seus filhos e que atualmente se sacrificam para atender aos caprichos como, por exemplo, adiar o essencial para adquirir o tênis ou a roupa de marca que os adolescentes insistem em pedir sem a menor consideração pelas necessidades mais urgentes da casa ou dos próprios pais, que muitas vezes andam maltrapilhos e seus rebentos com roupas de grife. Ao pretender que seus filhos não tenham dissabores, os pais acabam por não prepará-los para a vida, que sabemos, não é feita apenas de rosas, espinhos existem e os nossos jovens precisam algumas vezes espetar os dedos para saber lidar com os mesmos. Também por não dar aos mesmos limites, passa aos filhos a impressão que não se interessam por eles, ao não se impor como autoridade para a qual não é preciso autoritarismo, acaba por formar pessoas despreparadas para a vida, que além de não respeitarem a autoridade dos professores, não se sujeitarão às ordens dos patrões tendo dificuldades em permanecer nos empregos. Muitos pais ao assim agirem, criam jovens sem iniciativa, incapazes de construir seu futuro, pois os pais tudo aprovisionam. A sociedade está doente e o berço da doença está nas famílias, contagiadas pela falta de autoridade, de carinho e amor entre os seus pares, pela falta de tempo destinado àquilo que é a maior missão de qualquer progenitor. Há ainda os pais que se sentindo culpados pela falta de atenção e de tempo dedicados aos seus filhos enchem-nos de presentes e esquecem de fazê-los assimilar e vivenciar os valores necessários para uma sociedade saudável. Quando adolescente, não me recordo de ter presenciado nas escolas em que estudei tantos professores doentes. Pesquisas já comprovaram que a maior parte dos mesmos tem doenças ocasionadas pelo desgaste que o trabalho lhes impõe, originado, sobretudo pela indisciplina e desrespeito com que são tratados pelos alunos e que se explica pelo fato de que como em casa não têm limites ou regras chocam-se com os professores que as tentam impor. Pais que apóiam atitudes erradas de seus filhos pensam estar fazendo o melhor por eles, mas o tempo e a vida acabam por mostrar o contrário. Converso com adolescentes e muitos deles, reclamam do controle que seus pais fazem, mas questionados se gostariam que seus pais não se importassem sobre onde estão e que hora vão voltar, acabam por reconhecer que é uma atitude de cuidado, própria de quem por eles sente amor. Educar é administrar “sims” com parcimônia e “nãos” tanto quanto necessário. Ser pai é sempre buscar aprender para acertar, é nunca desistir de guiar seus filhos pelos caminhos da vida com o objetivo de que os mesmos possam se tornar árvores que dêm frutos saudáveis para a sociedade e não se tornem meras ervas daninhas!

Referência:


Nenhum comentário:

Postar um comentário