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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

A crise, a mídia e os efeitos psicológicos!

   Paulo Henrique Amorim (1942-2019), popularizou a expressão “PIG” (Partido da Imprensa Golpista), que segundo ele, é formado pelos grandes grupos midiáticos que abandonaram o jornalismo sério e passaram a fazer o papel que caberia aos partidos de oposição aos governos de esquerda que dirigem o país desde 2003. 
        Não por acaso, o apresentador de TV e blogueiro publicou recentemente o livro “O Quarto Poder”. O sugestivo título do livro remete à imprensa, assim considerada, e cujo maior poder não está naquilo que divulga, mesmo carregado da ideologia que lhe é própria, mas, sobretudo aquilo que intencionalmente omite, ou seja, além de levar o telespectador, ouvinte ou leitor a pensar de acordo com um estratagema, também omite as informações consideradas prejudiciais aos interesses da classe social/grupos econômicos que a Grande Mídia representa. 
        Penso que se você estiver angustiado pela violência do “mundo cão” em que vivemos, ajuda muito no aspecto psicológico, não assistir aos programas policiais, que em muitos países desenvolvidos já foram proibidos, isso não irá frear a violência, mas, certamente fará com que você tenha menos probabilidade de desenvolver doenças psicológicas ou alterações comportamentais. 
    Da mesma forma, se você deixar de assistir demasiadamente certos canais que repetem exaustivamente o tema crise, e, passar a olhar para os aspectos palpáveis da crise econômica se tornará mais otimista, pois verá que já passamos por crises mais graves e sobrevivemos, pois, o que temos é uma mídia parcial que adotou a agenda negativa, ou seja, divulga somente notícias que causam desgaste ao Governo e evita a divulgação de notícias benéficas para que o PT perca seu capital eleitoral perante a população. 
        Tanto é assim, que se você perguntar à pessoas leigas, qual é o partido mais corrupto do país, há grande chance de estes afirmarem ser o PT, quando este se encontra na nona posição num ranking liderado respectivamente pelo DEM, PMDB e PSDB. 
        Já observei que as pessoas que se submetem excessivamente à audiência de telejornais são os mais angustiados com a situação econômica pela qual passa o país sendo, que houve quem me falasse que o país entrou numa crise econômica da qual “jamais” terá forças para sair. Na realidade atual do capitalismo global, não há céu de brigadeiro para ninguém, nem mesmo para a poderosa China, maior credora individual dos Estados Unidos. 
        Nós brasileiros, vivemos um momento de turbulência, mas que não se compara ao governo FHC, em que uma turbina estava falhando e a outra pegando fogo, pois, naquela ocasião, tínhamos apagão energético, balança comercial desfavorável, taxa de desemprego mais alta, forte arrocho salarial, inflação mais elevada e reservas cambiais minúsculas se comparadas ao montante atual e por três vezes imploramos de joelhos o socorro do FMI, ao qual, não se cogita em hipótese alguma recorrer, até porque o Brasil é credor do FMI e também o quarto maior credor dos Estados Unidos.
     Não me preocupa que a suspeitíssima agência de avaliação de riscos Standard & Poor’s tenha rebaixado a nota do Brasil, pois, na avaliação de riscos, o país ainda se encontra quatro notas acima do Governo FHC e também porque essa agência por incompetência ou má-fé, jogou muita gente na miséria ao avaliar positivamente o falimentar banco Lehman Brothers. 
    Não me preocupo com os jovens, que não conheceram o Brasil da hiperinflação (Deus o tenha, Itamar Franco, Pai do Plano Real), mas, preocupa-me ver gente calejada que cresceu convivendo com crises maiores desanimando. A verdadeira nota de confiança no país quem dá somos nós, pois, o nosso desânimo é a energia dos especuladores e a alegria dos políticos oportunistas e é sandice torcer pela queda do avião em que estamos embarcados!

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Os iranianos


    
    Sempre que me refiro ao Ayatollah Ruhollah Khomeini, os alunos reagem com grande espanto ante ao estranho nome do grande líder da Revolução Islâmica de 1979 que destituiu o Xá Reza Pahlevi que havia modernizado, ou melhor, ocidentalizado o Irã e feito deste, aliado dos Estados Unidos e também seu fornecedor de petróleo. 
        Nós ocidentais temos uma visão muito distorcida acerca do país persa (o Irã não é um país árabe como muitos pensam!) declarado pelo ex-presidente George W. Bush como pertencente ao “eixo do mal” e isto se deve a uma imprensa fortemente engajada à estratégia geopolítica estadunidense que como sabemos para fazer valer seus interesses lança mão dos artifícios mais sórdidos possíveis, nada de se estranhar em se tratando da única nação na história que teve a coragem, ou melhor, a covardia de utilizar bombas atômicas contra uma população civil indefesa (Hiroshima e Nagasaki - Japão, respectivamente em 06 e 09 de Agosto de 1945) configurando, portanto, crime contra a humanidade e pelo qual jamais foi julgado. Certa vez li que “o grande poder da imprensa não está no que ela noticia, mas sim no que ela omite” e isto evidencia porque a imprensa é considerada o quarto poder, pois, se além de poder escolher o que o povo deve ou não saber, ainda induz o raciocínio de seus leitores e telespectadores. 
        Durante a Guerra Irã-Iraque (1980-1988) Saddam Hussein era o “bom” aliado dos Estados Unidos da América que tinha sido preparado e incentivado a lançar-se contra o Irã diante da impossibilidade estadunidense da obtenção de apoio doméstico a uma nova guerra para a derrubada do regime dos aiatolás (Os EUA haviam perdido a guerra do Vietnã e com ela milhares de vidas), nesta época, todo avanço iraquiano era noticiado com regozijo pela mídia ocidental e todo revés frente às tropas iranianas era visto com preocupação ante à suposta ideia de dominação e islamização do mundo pelos ditos fanáticos aiatolás. A Guerra Irã-Iraque terminou sem vencedor, mas, resultou como o engenheiro leitor bem sabe na primeira Guerra do Golfo, na criação da Al-Qaeda e nos freqüentes ataques terroristas a alvos estadunidenses e na invasão ao Iraque (2003). 
        Samy Adghirni publicou um livro sobre o país persa e nele mostra um Irã mais complexo e atraente do que a imprensa ocidental costuma mostrar, relata que é uma nação com alto IDH (superior ao brasileiro), quase nenhum analfabetismo e grande parcela da população formada no Ensino Superior, a qual conta com o hábito da leitura (Paulo Coelho é muito famoso por lá). Os iranianos adoram ler e recitar poesia em suas falas, e, têm acesso mesmo que por meio da pirataria aos filmes hollywoodianos. O povo iraniano tem com o Ocidente uma relação de amor e ódio, amor porque há muita coisa que admira e ódio porque é justamente o ocidente liderado pelos EUA que torna suas vidas mais difíceis com o embargo econômico. 
       O autor deixa claro que a busca do conhecimento nuclear pelo Irã tem como intenção fins pacíficos ao contrário do que pregam Israel e Estados Unidos. As regras islâmicas são duras, mas, boa parte da população comete alguns “pecados” no recôndito de seus lares quando os jovens fazem festas ao som de músicas românticas regadas a bebidas contrabandeadas. Nestas ocasiões, as jovens levam roupas mais descoladas na bolsa para vestir no local e roupas sóbrias para seu deslocamento na rua. No Irã, se uma mulher estiver realmente interessada num homem, não é surpresa para os locais, ela tomar a iniciativa e ao contrário do que pensam os ocidentais, elas namoram antes do casamento. 
        A obra de Adghirni encanta pelo deslumbramento ante um país e um povo surrealmente belos. Os iranianos costumam tratar quaisquer pessoas que querem reverenciar como engenheiros devido ao grande apreço que têm pela engenharia. Deixo para você, caro engenheiro, a dica! 

Sugestão de boa leitura: 
Título: Os Iranianos.
Autor: Samy Adghirni.
Editora:  Contexto, 2014, 224 p.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Comprando gato por lebre!

Há quem diga que tenho a mania de querer ter sempre razão, penso que isso não corresponde à verdade, pois, jamais assumi compromisso de fidelidade com o erro, desta forma, não tenho problemas em reconhecer equívocos na minha reflexão ou ação. Sempre que passo por uma cancela de pedágio paranaense, e, depois de, em conformidade com a lei, ter sido devidamente assaltado, penso que sou em parte culpado por essa situação. Sim, eu votei em Jaime Lerner em 1994! Errei, reconheço e me cobro muito por isso. Queria evitar um mal que pensava ser maior, a eleição de Álvaro Dias, o autor do massacre dos professores em 1988. Também estava empolgado com o famoso urbanista, que criou soluções geniais para Curitiba, e, que em campanha soube utilizar imagens do massacre de 1988 para barrar as pretensões de retorno de Dias para o Palácio Iguaçu. Penso que naquele momento (1994) estava entre a Cruz e a Espada, mas, em 1998 votei contra a sua reeleição, porém, o povo paranaense deu mais quatro anos para Lerner que aprofundou o neoliberalismo no Estado (FHC fazia o mesmo no governo federal) e o afundou numa crise financeira com atrasos de pagamentos do funcionalismo e mais endividamento público. Percebi que fui vítima da idealização que fiz desse político e que não correspondia à realidade, mas, apenas à construção por meio de marketing midiático. Em 1989 assisti o discurso de Fernando Collor de Mello (na época, um jovem herdeiro do cacife político e financeiro de uma conhecida oligarquia alagoana) na praça central de minha cidade e ouvi o bastante para perceber que estava certo na minha convicção de em hipótese alguma votar nele, que vinha a galope no obscuro e nanico Partido da Reconstrução Nacional (PRN) com o tradicional discurso anticorrupção e com forte apoio da Grande Mídia. Passado algum tempo, o dito “Caçador de Marajás” sofreu um processo de impeachment por corrupção. Conheço fervorosos eleitores de Collor em 1989 e que atualmente se referem maldosamente à Lula alterando a grafia para “Lulla”. Acho curioso e penso que tem mais de Collor nessas pessoas do que de Collor em Lula. Em 2002 votei em Flávio Arns e o ajudei a se eleger Senador da República pelo PT, um partido de esquerda (hoje está mais para centro-esquerda) e o fiz, por ele ser candidato pela esquerda ideológica, ser irmão da saudosa Zilda Arns e por sua atuação junto à APAE. Senti-me profundamente enganado e traído quando Flávio Arns deixou a esquerda e foi militar na direita (PSDB) levando consigo o mandato a ele confiado por pessoas idealistas, porém, ingênuas como eu. Não o perdôo por isso e jamais votaria nele novamente. O que há em comum entre Fernando Collor de Mello, Jaime Lerner e Flávio Arns? Os dois primeiros foram eleitos por meio do voto personalista, pois, estavam acima das bandeiras de seus partidos políticos e Flávio Arns aproveitou-se da maré vermelha de 2002 e elegeu-se Senador pelo PT e a sua falta de coerência ideológica ou oportunismo o levou a mudar-se para a direita traindo os eleitores que votaram guiados pela consciência ideológica. Tenho ouvido muita gente falar em anti-partidarismo, em fim dos partidos políticos e em votos personalistas, ou seja, votos somente nas pessoas dos candidatos. Penso que não há ideia mais fascista, pois, na história mundial já houve muitas ditaduras anti-partidárias (o nazismo, o fascismo italiano, etc.). E a extinção dos partidos políticos favoreceria as elites econômicas representadas pelas oligarquias que governam este país desde sempre em detrimento dos líderes trabalhistas. Penso que deveria ser feita uma reforma política (isso é assunto para outro artigo) contando entre outros itens com a redução do número de partidos políticos, o fortalecimento dos mesmos e a posse do mandato em nome do partido político para que o eleitor “não compre gato por lebre”.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Somente no Brasil!

                  Li no editorial de um importante jornal que “somente num país como o Brasil um partido social democrata como o PSDB pode ser tratado como um partido de direita”, ora, penso que somente no Brasil um partido que tem a denominação “Partido da Social Democracia Brasileira” é tudo, menos social democrata, pois, li que em recente reforma estatutária o PSDB abandonou o princípio da social democracia e estabeleceu o antagônico princípio do liberalismo econômico. Faz sentido, deveria mudar também o nome, pois, soa contraditório um partido social democrata (pelo menos na denominação) ser a ponta-de-lança do neoliberalismo no país. 
                  Os cientistas políticos estrangeiros que estudam nosso país certamente estranham que o dito Partido da Social Democracia Brasileira, que deveria ser um partido à esquerda, e, representante dos anseios populares por mais presença do Estado, quando esteve no poder com o “sociólogo” FHC tenha se notabilizado por torná-lo mínimo, pois, ao invés de construir o Estado de Bem-Estar Social, objetivo primordial de todo partido social democrata partiu para um agressivo programa neoliberal alinhado ao Consenso de Washington (via submissão ao FMI) e perseguiu sindicatos e movimentos sociais. 
                   O grande capital nacional e estrangeiro tem ojeriza à implantação de Estados de Bem-Estar Social, pois, estes têm um custo econômico e para serem bem efetivados a contribuição financeira por meio de impostos deve ser justa, portanto, as pessoas mais aquinhoadas devem pagar mais impostos que as pessoas de menor renda, ou seja, os impostos precisam ser progressivos e não regressivos como é praxe no Brasil. 
                Também li que os movimentos sociais agem de forma antidemocrática ao fazer manifestações visando impedir a derrubada da presidenta. Ora, fazer manifestações é mostra da maturidade de nossa democracia, pois, se hoje vemos até gente tresloucada pedindo a volta da ditadura militar é porque vivemos num regime democrático.
                 Note-se que ao contrário do ocorrido no Paraná em 29 de Abril de 2015, quando educadores foram massacrados e feridos numa manifestação contra a perda de direitos no governo Beto Richa (PSDB), os manifestantes de 16 de Agosto que pediam o Impeachment da Presidenta Dilma (PT) não foram agredidos, pois, sendo a presidenta uma vítima da ditadura e tendo sido ela torturada nos anos de chumbo ao lutar pela democracia, não seria ela a impedir a manifestação do povo, mesmo que estes manifestantes tenham interesses que vão à contramão da democracia, pois, lutam pela preservação de privilégios de uma classe e não para a manutenção de uma política que retirou quarenta milhões de pessoas da miséria, cujo sucesso é flagrante com a divulgação do mapa mundial da fome pela ONU em que pela primeira vez o Brasil não figura entre as nações atingidas por tal flagelo.
                 Os movimentos sociais lutam pela não ruptura da ordem democrática, afinal, o Impeachment não é um instrumento a ser utilizado em caso de derrota eleitoral do candidato dos manifestantes, mas, uma salvaguarda da democracia após amplo processo de investigação e constatação da culpabilidade direta do governante e que deve ser levado a cabo somente após a concessão de amplo direito de defesa e evidente fracasso desta. 
                   Penso que a alienação, o baixo nível cultural, a má qualidade da informação, a pouca prática da reflexão fundamentada leva a absurdos em que pessoas atendem ao aceno de políticos ficha-suja cujo grupo a qual pertencem quando no governo esteve nada fez no combate à corrupção e governou o país, tal e qual há 500 anos, pelas elites e para as elites, dessa forma é um paradoxo que defendam mais saúde, educação, democracia e o fim da corrupção combatendo o grupo que mais realizou nessa matéria. 
                De forma surreal há quem goste de se sentir parte da elite, mesmo sendo esta, o símbolo maior de todo o atraso deste país, pois, como já dizia Chico Anysio “No Brasil tem até pobre de direita”.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Sua Excelência: o Corrupto!

O Juiz de Direito Márlon Reis publicou um livro indispensável para todos aqueles que de fato, se indignam com a corrupção existente em nosso país e não fazem desta, mera retórica. Digo isso porque vejo pessoas que denunciam os fatos envolvendo políticos da esquerda, mas, se calam perante a corrupção de importantes figuras da direita. De forma surreal, existem críticos da corrupção política que praticam pequenas corrupções cotidianas, furando filas, subornando policiais ou agentes públicos, sonegando impostos, colando na prova, plagiando artigos científicos ou trabalhos escolares, vendendo o voto em troca de benefícios particulares, ou, fazendo “gato” para ter acesso gratuito à TV por assinatura. Alguns poderão dizer que isso é nada se comparado ao que fazem os políticos, porém, a natureza é a mesma, pois, corrupto é todo aquele que se desvia da ética, não importa se com pouco, ou com muito. Guimarães Rosa genialmente afirmou: “Eu quase nada sei, mas desconfio de muita coisa” e foi com este pensamento que iniciei a leitura do pequeno livro e ao ler coisas que a bem da verdade não constituem novidades senti profunda decepção ao confirmar minhas suspeitas. Márlon Reis entrevistou deputados federais e estaduais de diversas unidades federativas aos quais se comprometeu mantê-los em anonimato. Os deputados depoentes esclareceram o modus operandi da corrupção inclusive afirmando que “a pessoa que entra na política precisa entrar no sistema ou dele será cuspido fora”. Há relatos de que as eleições são decididas pelo montante de dinheiro empregado e que é o voto comprado e não o voto idealista que decide quem será eleito. Os deputados são caracterizados como vaidosos e que gostam de afirmar serem trabalhadores a serviço do povo, mas, na realidade não é assim que veem de fato a situação. O autor afirma também que há deputados que lutam ferozmente por emendas para obras públicas para os seus redutos eleitorais, pois, além de fortalecerem-se perante o eleitorado para a próxima campanha levam uma porcentagem em torno de 20% referente ao butim de praxe. Relatou que muitas vezes, as obras são feitas com materiais de pior qualidade visando economizar para que seja possível fazer os repasses da comissão do deputado que conseguiu a verba, e, um maior lucro para o empresário “parceiro” sem esquecer-se dos fiscais cujo parecer favorável é necessário para a entrega da obra. As campanhas são realizadas com o reforço do Caixa 2, que é constituído por dinheiro público (via corrupção) ou de doações ilegais de empresários que “financiam não somente o potencial vencedor como o possível perdedor, pois, o perdedor de hoje é o vencedor de amanhã”. E, além disso, no caso de uma traição do vencedor, o perdedor ficará na oposição e poderá vir a ser muito útil. Após as eleições, o empresário doador de campanha cobra a fatura e esta é paga na forma de licitações viciadas com participantes e orçamentos combinados cujo vencedor está predeterminado. O preço é superfaturado, e, quando o valor alcançado não é considerado suficiente a solução é a economia de materiais (baixa qualidade) para propiciar o pagamento das comissões. Apesar da frustração de ver confirmadas no pequeno livro tudo aquilo que o leitor abomina, a obra é imprescindível para entender melhor os meandros da política por cujos labirintos o dinheiro público se esvai na forma de corrupção. Também é importante afirmar que não podemos desistir de interessarmo-nos pela política pensando que nesta seara tudo é joio, pois, há também o trigo, portanto, importa retirar o joio, que não é pouco, mas, do esforço de todos virá o pão que sacia a fome de desenvolvimento da população. Sugestão de boa leitura: O Nobre Deputado – Relato chocante (e verdadeiro) de como nasce, cresce e se perpetua um corrupto na política brasileira. Editora LeYa, 2014.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Democracia: a minha, a tua e a deles!

    Lembro que adolescente, em 1984, lamentei a não aprovação da emenda Dante de Oliveira que instituiria a volta das eleições diretas para a Presidência da República, pois, a ditadura numa derradeira demonstração de força mobilizou sua base e decidiu que a escolha do primeiro presidente civil pós-ditadura seria por meio do colégio eleitoral. 
        A maioria do povo ansiava pela democracia, mas, jamais a unanimidade. Ainda hoje, há quem defenda a volta da ditadura militar e sinta profundo ódio à democracia e tudo o que ela representa, ainda mais, num momento em que a democracia brasileira demonstra sua maturidade com a eleição de um presidente metalúrgico, ex-flagelado da seca, e, como tal, retirante do sertão no tradicional “pau de arara” e a primeira mulher a governar o país, uma ex-presa política torturada nos porões da ditadura militar. 
        O machismo e a misoginia não dão trégua à Presidenta Dilma e a velha questão do berço, herança dos tempos oligárquicos, que nunca se foram, jamais poupou Lula, pois, ao não ser oriundo da elite e nem amealhado fortuna por herança, não podia nunca ter sido alçado ao cargo de presidente do Brasil.         Enganam-se todos que pensam que o sistema representativo surgiu devido ao crescimento populacional e à consequente inviabilidade de consultar a grande população, nem mesmo na Grécia Antiga todos eram cidadãos e tinham poder de decisão. A democracia representativa e o sistema republicano flertam e sempre flertaram com as oligarquias e atualmente com a intelligentsia, ou seja, os especialistas na área da economia, da administração, etc. 
       As elites sempre se consideraram as únicas qualificadas para conduzir o cego rebanho que no entender delas é ignorante e não sabe dirigir o destino do país, e, assim, o “gado” faria melhor aceitando seu papel predeterminado pelo berço. 
        Não causa estranheza, que uma gente caucasiana bem nascida e que jamais passou a incerteza de ter ou não o que comer no dia seguinte, bata panelas e peça por mais democracia, quando na verdade deseja o oposto dela, ou seja, que a fome volte a reinar nos lares dos “incompetentes”, pois, no entender dessas pessoas, o país era melhor quando era de poucos, pois, hoje, essa “gente sem pedigree” congestiona as rodovias com seus carros populares financiados, e, pior, lota até mesmo os aeroportos.         Para esse pessoal, todo político que atua no sentido de atenuar as injustiças sociais é populista e quem nele vota é ignorante, apegado ao passado de ideais revolucionários, que há muito se mostraram equivocados ante a única verdade universal, a do “deus mercado”. 
     No mundo todo, o que existe são sistemas mistos que integram oligarquias estatais e econômicas e tentam reduzir o apetite insaciável destas, por meio da participação do povo, que não é mera vítima, mas, responsável pelo sistema global de dominação, por meio do fetiche da mercadoria e do consumismo. 
       Se a democracia fosse plena, os mandatários não poderiam se perpetuar no Poder, os mandatos seriam curtos, não renováveis e a ingerência do capital financeiro sobre o processo eletivo não se faria presente. 
        O que temos é justamente o contrário, um sistema que beneficia as elites e dá a impressão ao povo de que tem no voto, o poder de decidir quem governará. Isso é ilusório, pois, mudam os nomes, mas as oligarquias permanecem com o apoio da conservadora classe média e da juventude que afirma querer mais democracia, mas, fortalecem as oligarquias que a combate e obtém assim, não o que declara, mas, o que intimamente deseja, uma sociedade excludente e que concede aos mesmos tão somente a liberdade de consumir. 

Sugestão de boa leitura: 

Título: O ódio à democracia.
Autor: Jacques Rancière. 
Editora: Boitempo, 2014, 125 p.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Um país entre dois projetos e o homem que encolheu!

        “O Brasil é a potência do futuro” diz a famosa frase, motivo de ansiedade e angústia para os brasileiros, ansiedade por dias melhores e angústia pelo futuro que teima em não chegar. Vivemos uma brisa de esperança com os governos progressistas de Lula e Dilma, mas, reconheçamos nunca tivemos ventos favoráveis, quando houve fortes ventos, sopraram contra nós. 
        Vivemos uma crise, que, tenho convicção, não seria menor com Aécio, pelo contrário, seria pior, pois, Aécio é um político bem ao gosto do grande capital nacional e estrangeiro, e como tal rezaria a cartilha do Consenso de Washington aplicando doses cavalares do remédio (veneno) neoliberal.
         Aécio também afirmou que o salário mínimo está alto demais e, portanto, certamente encerraria o ciclo de reajustes com ganhos reais (acima da inflação). Aécio é um político que não vê graça na participação do Brasil no grupo do BRICS, e, certamente à política externa daria um cavalo de pau para redirecionar o país ao papel que os tucanos acreditam ser predestinado ao Brasil, o de coadjuvante no mundo globalizado capitaneado pelos EUA. 
      O projeto tucano representado pela oposição tem como expoente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e segundo alguns analistas econômicos nacionais e estrangeiros (inclusive ideólogos da direita), FHC em seu governo (1995-2002) abriu a economia nacional de forma célere e irresponsável, torrando o patrimônio público do contribuinte brasileiro num processo de privatizações eivado de vícios beneficiando o grande capital nacional e estrangeiro.
         O país ficou mais pobre e os propagandeados benefícios minguaram. Como exemplo disso, temos a insatisfação dos consumidores ante uma telefonia ineficiente e com tarifas (entre as mais caras do mundo), fruto de contratos assinados pela equipe de FHC e que garantem retornos fabulosos a empresários que muitas vezes adquiriram as estatais com moedas podres e/ou empréstimos a juros privilegiados do BNDES. 
        No período tucano de 1995 a 2002, 125 estatais foram privatizadas, apesar das ações judiciais e protestos de setores conscientes da população em meio a maioria alienada e desinformada/mal informada via Grande Mídia, tradicional aliada do Grande Capital nacional e estrangeiro. As privatizações de FHC ficaram conhecidas como Privataria Tucana e constituem o maior ato lesa-pátria da história nacional. 
        No outro extremo, temos o projeto dos Governos Lula/Dilma que fizeram com que o Brasil na condição de sétima economia mundial, se tornasse um importante “player” da política e economia global. Juntos, Lula e Dilma retiraram cerca de 30 milhões de pessoas da pobreza extrema e, mesmo que timidamente, ambos reduziram a desigualdade social, o que é um grande alento para um país cuja injustiça social se perpetua paradoxalmente ao fato de ser uma potência econômica. 
        A explicação para o sucesso eleitoral obtido por Lula e Dilma está na comparação que os eleitores fizeram do governo FHC e dos governos Lula e Dilma, e, a comparação óbvia, para o desespero da oposição é de que não há comparação, pois, os resultados socioeconômicos dos governos petistas foram mais consistentes, e, FHC prometeu mais do que de fato fez, e de concreto quebrou o país três vezes, e no que concerne à suas falas contra a corrupção, a mesma correu solta em seu governo, um exemplo disso é a compra de votos de parlamentares para a emenda da reeleição. 
        Nem mesmo o plano Real é criação de FHC, mas, de seu injustiçado antecessor Itamar Franco. FHC não perdoa Lula por ofuscar sua biografia ao receber mais prêmios internacionais e reconhecimento das grandes lideranças mundiais. FHC é um poço de vaidade, adora ser bajulado, tem seu nome garantido na história nacional, porém, a incoerência de suas atuais falas diminui a estatura política conquistada e o apequena cada vez mais.