Este escriba sempre teve um fascínio por montanhas, em especial as de origem vulcânica. Não por acaso, o primeiro livro emprestado na biblioteca da universidade, da qual se tornaria assíduo frequentador, foi "Os vulcões e a deriva dos continentes", de Haroun Tazieff.
Há alguns anos, o professor de Geografia (e escriba nas horas vagas) teve a felicidade de realizar um sonho de juventude quando guiando seu próprio carro, chegou à Cordilheira dos Andes e, no caminho, avistou vários vulcões. Em San Pedro de Atacama, no coração do deserto, hospedou-se numa pousada cuja rua, no horizonte, oferecia uma visão desimpedida do belíssimo vulcão Licancabur.
Foi com grata satisfação que pude ler a obra "Os últimos dias de Pompéia", do escritor, poeta, romancista, dramaturgo e político inglês Edward Bulwer-Lytton (1803–1873). Publicado originalmente em 1834, o livro é um romance histórico que transporta o leitor para os momentos finais de uma das cidades mais emblemáticas da Antiguidade.
No dia 24 de outubro de 79 d.C., o vulcão Vesúvio, na atual Itália, entrou em erupção e soterrou com cinzas e materiais piroclásticos as cidades de Oplonte, Herculano e Pompéia. Esse trágico evento, porém, preservou esses núcleos urbanos como verdadeiros diários de pedra, permitindo que arqueólogos conhecessem não apenas a arquitetura original de uma cidade romana não modernizada, mas também as complexas relações sociais de seu espaço urbano.
A trama de Bulwer-Lytton entrelaça intrigas políticas, tensões religiosas, conflitos culturais e a decadência moral de uma sociedade que vivia despreocupada aos pés de uma montanha que não lhes inspirava temor, afinal, a última erupção havia ocorrido quase dois mil anos antes. É verdade que um terremoto, dezessete anos antes, causara enorme destruição na cidade, que ainda se encontrava em reformas no dia de sua destruição final.
O enredo gira em torno do jovem e nobre ateniense Glauco, apaixonado pela bela grega Jonia. Arbaces, um rico sacerdote egípcio, surge como seu antagonista, também disputando o amor da moça. Nydia, uma jovem escrava cega, nutre uma paixão silenciosa por Glauco, enquanto Júlia, filha do rico comerciante Diomedes, também se interessa pelo herói. Olinto, por sua vez, representa a chegada de uma nova fé (Cristianismo) que desafia os cultos pagãos locais.
Com base no conhecimento obtido pelas escavações arqueológicas, o autor recria com minúcia o ambiente político (em vésperas de eleições), religioso (com a convivência de divindades romanas, gregas, egípcias e o surgimento dos primeiros cristãos) e cultural de Pompéia. A cidade comercial contrastava com Herculano, que funcionava como um balneário exclusivo para cidadãos ricos. Em Pompéia, trabalhadores livres e escravizados garantiam o funcionamento da vida cotidiana, mas nem todos estavam satisfeitos: alguns reclamavam da falta de espetáculos no anfiteatro, já que faltavam condenados para serem lançados às feras recém-chegadas (um leão e um tigre). Nesses eventos, combates de gladiadores frequentemente terminavam em morte, a menos que a plateia ou as autoridades concedessem clemência, o que nem sempre acontecia.
E, em meio a tudo isso, o vulcão Vesúvio acorda...
Sugestão
de boa leitura:
Título: Os últimos dias de Pompeia.
Autor: Edward Bulwer-Lytton.
Editora: Sétimo
Selo, 2026, 472 p.
