Lançado
pela Editora Expressão Popular, Marco Rubio, um mitômano
incontrolável chega ao leitor brasileiro em meio ao debate sobre o papel
dos Estados Unidos na desestabilização de democracias latino-americanas. O
jornalista cubano Hedelberto López Blanch propõe-se a dissecar a trajetória e o
ideário de um dos nomes mais influentes do governo Trump: o secretário de
Estado Marco Rubio.
Com 144 páginas, a obra alterna
biografia, escândalos de corrupção, análise de lobby e geopolítica. O tom é
panfletário, mas lastreado em recortes de imprensa, documentos públicos e
declarações do próprio Rubio.
Filho de cubanos que imigraram
durante o governo de Fulgêncio Batista (aliado histórico de Washington), Rubio
construiu uma narrativa pessoal marcada por contradições. Em campanhas, afirmou
que os pais haviam deixado Cuba por causa do regime castrista, versão
desmentida por registros históricos. Formado em Direito graças a uma bolsa de
atleta, disputou as primárias republicanas de 2016 contra Jeb Bush e Donald
Trump. Derrotado, tornou-se aliado de Trump e foi nomeado secretário de Estado
no atual mandato.
Um dos eixos centrais do livro é a
relação entre políticos cubano-americanos e o crime organizado na Flórida.
Blanch documenta casos de corrupção e aponta que Rubio teria sido alvo de
denúncias por tráfico de influência e enriquecimento ilícito, embora sem
condenações formais. O autor também destaca a dependência de Rubio em relação
ao capital financeiro e ao lobby sionista, principais doadores de suas
campanhas. No plano doméstico, defende o livre porte de armas, opõe-se à
anistia para imigrantes e rejeita o aumento de impostos sobre grandes fortunas.
No campo internacional, Rubio
articula pressão máxima contra Cuba, Nicarágua e Venezuela, além de propor
aliança energética com Canadá, México, Colômbia e Brasil para deslocar o
protagonismo do Oriente Médio e da Rússia. O livro sustenta que ele atua como
mentor intelectual de grande parte das iniciativas desestabilizadoras do
governo Trump, comparando sua influência à de Joseph Goebbels no Terceiro Reich
pela habilidade em manipular narrativas e justificar violações do Direito
Internacional.
Marco Rubio, um mitômano
incontrolável não é uma biografia neutra, tampouco um ensaio acadêmico
isento. Trata-se de um livro escrito para municiar militantes como explicita a
própria orelha. Do ponto de vista jornalístico, a obra peca pela ausência de
fontes primárias inéditas e pela escassez de entrevistas, baseando-se em
compilações de notícias já publicadas. Sua virtude é organizar informações
dispersas em uma narrativa coerente e acessível.
O livro cumpre o que promete:
oferecer um retrato crítico e documentado de Rubio, expondo contradições entre
discurso e prática. Recomenda-se a leitura a militantes, jornalistas e
pesquisadores, desde que cientes do viés
assumido. Como ferramenta de debate, é valiosa; como fonte única, requer
contraponto.
Sugestão de boa leitura:
Título:
Marco Rubio, um mitômano incontrolável.
Autor: Hedelberto López Blanch.
Editora:
Expressão Popular,
2026, 144 p.
