Powered By Blogger

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Marco Rubio, um mitômano incontrolável

 

     Lançado pela Editora Expressão Popular, Marco Rubio, um mitômano incontrolável chega ao leitor brasileiro em meio ao debate sobre o papel dos Estados Unidos na desestabilização de democracias latino-americanas. O jornalista cubano Hedelberto López Blanch propõe-se a dissecar a trajetória e o ideário de um dos nomes mais influentes do governo Trump: o secretário de Estado Marco Rubio.

        Com 144 páginas, a obra alterna biografia, escândalos de corrupção, análise de lobby e geopolítica. O tom é panfletário, mas lastreado em recortes de imprensa, documentos públicos e declarações do próprio Rubio.

          Filho de cubanos que imigraram durante o governo de Fulgêncio Batista (aliado histórico de Washington), Rubio construiu uma narrativa pessoal marcada por contradições. Em campanhas, afirmou que os pais haviam deixado Cuba por causa do regime castrista, versão desmentida por registros históricos. Formado em Direito graças a uma bolsa de atleta, disputou as primárias republicanas de 2016 contra Jeb Bush e Donald Trump. Derrotado, tornou-se aliado de Trump e foi nomeado secretário de Estado no atual mandato.

            Um dos eixos centrais do livro é a relação entre políticos cubano-americanos e o crime organizado na Flórida. Blanch documenta casos de corrupção e aponta que Rubio teria sido alvo de denúncias por tráfico de influência e enriquecimento ilícito, embora sem condenações formais. O autor também destaca a dependência de Rubio em relação ao capital financeiro e ao lobby sionista, principais doadores de suas campanhas. No plano doméstico, defende o livre porte de armas, opõe-se à anistia para imigrantes e rejeita o aumento de impostos sobre grandes fortunas.

            No campo internacional, Rubio articula pressão máxima contra Cuba, Nicarágua e Venezuela, além de propor aliança energética com Canadá, México, Colômbia e Brasil para deslocar o protagonismo do Oriente Médio e da Rússia. O livro sustenta que ele atua como mentor intelectual de grande parte das iniciativas desestabilizadoras do governo Trump, comparando sua influência à de Joseph Goebbels no Terceiro Reich pela habilidade em manipular narrativas e justificar violações do Direito Internacional.

            Marco Rubio, um mitômano incontrolável não é uma biografia neutra, tampouco um ensaio acadêmico isento. Trata-se de um livro escrito para municiar militantes como explicita a própria orelha. Do ponto de vista jornalístico, a obra peca pela ausência de fontes primárias inéditas e pela escassez de entrevistas, baseando-se em compilações de notícias já publicadas. Sua virtude é organizar informações dispersas em uma narrativa coerente e acessível.

            O livro cumpre o que promete: oferecer um retrato crítico e documentado de Rubio, expondo contradições entre discurso e prática. Recomenda-se a leitura a militantes, jornalistas e pesquisadores,  desde que cientes do viés assumido. Como ferramenta de debate, é valiosa; como fonte única, requer contraponto.


Sugestão de boa leitura:

Título:  Marco Rubio, um mitômano incontrolável.

Autor:  Hedelberto López Blanch.

Editora: Expressão Popular, 2026, 144 p.

Nenhum comentário:

Postar um comentário