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sábado, 27 de setembro de 2025

Os adultos responsáveis e as molecagens do atual Congresso Nacional

             Em nosso recente artigo "Um pequeno passo para o STF, um grande salto para o Brasil" de 20/09/2025, afirmamos que a democracia é tal como um bebê humano, que se não cuidado por adultos responsáveis, perece. Bastou sair o resultado do julgamento de Bolsonaro com sua justíssima condenação, para que a Câmara dos deputados acenasse com o inconstitucional projeto de anistia para todos os envolvidos na recente tentativa de Golpe de Estado.

            Várias vezes, em nossa história, a anistia foi concedida com vistas a pacificação dos espíritos. O resultado é que várias lideranças golpistas anistiadas, incorreram em novas tentativas de golpe, algumas vezes bem sucedidas. A Carta Constitucional (1988) proíbe a anistia a golpistas, mesmo assim, os parlamentares insistem nela, pois desejam o embate com o STF, guardião da Constituição Federal pois, no mínimo, reforçam o discurso da suposta "ditadura  do STF", perante seu fanático eleitorado.

            Ocorre que o Congresso Nacional, em especial, a Câmara dos Deputados, não raras vezes, rasga a Constituição, forçando os "adultos responsáveis" (Ministros do STF), a defendê-la, condenando projetos de leis inconstitucionais, resultantes da molecagem de parlamentares da extrema-direita. Algumas lideranças golpistas e, até advogados de defesa dos réus disseram aos Ministros, durante o julgamento do Golpe de Estado, que o povo não suporta mais a "ditadura do STF".

            Na realidade, o povo, em especial, o esclarecido e afeito à democracia, não suporta mais, o uso de fake news para desinformação e os constantes ataques à democracia e à soberania nacional por parte de políticos, que deviam zelar pela Constituição Federal, e consequentemente, pelo Estado Democrático de Direito. A nação brasileira não suporta mais, políticos que buscam no Congresso Nacional, uma fortaleza inexpugnável de proteção, produzindo uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para blindá-los contra crimes de quaisquer natureza por eles praticados.

            O atual Congresso Nacional é tão horroroso que, não teme demonstrar, por suas falas e ações, o conteúdo deletério de seu "trabalho" legislativo, produzindo excrescências históricas na forma de projetos de leis inconstitucionais, como a anistia de golpistas, a proteção de criminosos para livrá-los da ação da Justiça tal como a famigerada PEC da blindagem/bandidagem que  transformaria o Congresso Nacional num refúgio seguro para  o crime institucionalizado.

            O Brasil precisa virar essa página da história! O Brasil não pode continuar refém de uma famíglia e de seus seguidores sectários.  

sábado, 20 de setembro de 2025

Um pequeno passo para o STF, um grande salto para o Brasil

 

              A chegada do homem à Lua em 20 de Julho de 1969, simbolizada pela famosa frase de Neil Armstrong (1930-2012) "Um pequeno passo para um homem, um grande salto para a humanidade" foi celebrada como uma vitória de toda a humanidade, uma conquista do intelecto humano que transcendia nacionalidades.

            Neste espaço, em várias oportunidades, destacamos ser a democracia brasileira, breves hiatos entre períodos ditatoriais. Afinal, o Brasil teve em sua história, sete golpes de Estado bem sucedidos e sete tentativas de golpe de Estado frustradas. Temos nas Forças Armadas, em especial, no Exército, uma histórica tradição golpista. Também temos uma elite econômica egoísta, mesquinha e antipatriótica, a qual jamais quis fazer parte da construção de um verdadeiro projeto de nação para o Brasil. Também pesa contra a democracia brasileira, a apatia e a alienação de grande parcela do povo brasileiro, que assistiu de camarote os vários atentados à democracia, sem nada fazer.

            A condenação de Jair Messias Bolsonaro e dos militares e civis partícipes da tentativa de golpe de Estado é histórica e também pedagógica. A história nos mostra que a anistia concedida às lideranças militares encorajaram-nas a novas tentativas de golpes de Estado. O STF cumpriu seu papel, tal como na conquista da Lua pelos EUA, o mundo democrático comemora, pois a democracia é frágil, tal como um bebê humano, se não cuidado por adultos responsáveis, perece. Quando se salva a democracia em um país, ela se fortalece nos demais.

            Os Estados Unidos que se arvoram, a maior democracia do planeta e, sabemos, não são mais, têm muito a aprender com o Brasil. Nós fizemos a lição de casa, estamos punindo os golpistas de 08/01/2023. Os EUA terão que arcar com o castigo pedagógico pela falta de coragem de enfrentar os seus monstros do 06/01/2021. Fosse os Estados Unidos, o país democrático, que sempre afirmaram ser, não estariam em conluio com traidores da pátria brasileira, impondo sanções econômicas e fazendo ameaças do uso de força militar contra o Brasil e, sim elogiando a consolidação da democracia brasileira.

            Enquanto o povo estadunidense, devido à fraqueza de suas instituições e à escolha equivocada de seu presidente, somente podem olhar pelo retrovisor, para lembrar dias democráticos e mais promissores. Nós brasileiros, vislumbramos na estrada à nossa frente, um futuro democrático e de dias melhores para o país!

sábado, 13 de setembro de 2025

A falência

 

Mais do que o simples relato de uma ruína financeira, "A Falência" é um mergulho profundo na alma humana, um retrato sensível e crítico de uma época e de seus paradoxos. Escrita por Júlia Lopes de Almeida (1862-1934), uma das vozes mais importantes e, injustamente, mais esquecidas do Brasil do século XIX.

A história nos apresenta a família Teodoro, um microcosmo da elite carioca pós-abolição. Francisco, o patriarca imigrante português, construiu um império do café com suas próprias mãos. Sua esposa, Camila, é a bela matriarca que gravita um mundo de aparências, futilidades e segredos. Seus filhos, o bonvivant irresponsável Mário, a sonhadora Ruth e as gêmeas Lia e Raquel desfrutam de uma opulência nababesca, alheios às bases frágeis sobre as quais a vida é construída.

A narrativa tece com maestria os fios da traição, da hipocrisia e dos desejos reprimidos. Camila mantém um caso com o médico da família, Gervásio, um segredo conhecido por todos menos pelo marido, mas que corrói a dinâmica familiar, especialmente o ressentimento do filho Mário.

Contudo, o grande triunfo de Júlia não é apenas narrar a decadência moral, mas conectá-la à queda material. A "falência" do título é muito mais que um evento econômico, é o colapso de um mundo. Quando Francisco perde toda a sua fortuna em especulações na bolsa, a família é brutalmente arrancada de seu universo de sedas e festas e obrigada a confrontar uma realidade brutal para a qual não estava preparada.

Júlia, com sua escrita realista e afiada, não poupa críticas. Ela expõe a frivolidade dos ricos, o preconceito racial latente e a exploração dos trabalhadores recém libertos, mostrando os dois lados de um Brasil em transformação. A genialidade da autora está em nos fazer sentir, primeiro, um certo asco pela futilidade daquela família e, depois, uma comovente compaixão por sua fragilidade exposta.

"A Falência" é a obra-prima de uma mulher à frente de seu tempo, uma autora que viveu da pena e que, apesar de ter sido excluída da Academia Brasileira de Letras por ser mulher, legou à literatura brasileira um romance poderoso, humano e eternamente relevante.




Sugestão de boa leitura:

Título: A falência.

Autor: Júlia Lopes de Almeida.

Editora: Penguin-Companhia, 2019, 304 p.

sábado, 6 de setembro de 2025

Comunista! Eu?

 

         Há algum tempo, no auge do radicalismo extremista de direita (perdoem a redundância, ela é necessária), representado pela ascensão de Jair Bolsonaro ao poder, muitos dele simpatizantes, se sentiam representados/empoderados com a ascensão de seu "mito", e espumavam ódio a todas as pessoas que tinham uma visão/compreensão de mundo diferente.

            Sabedor que mesmo a noite mais escura passaria e, haveria de novamente nascer o sol, assimilei o golpe, era necessário fazer a resistência democrática. Não foi tranquilo, havia entre nós simpatizantes e militantes da esquerda, o receio de ataques perpetrados por integrantes ensandecidos das fileiras extremistas do bolsonarismo que, em várias oportunidades e locais do país, infelizmente ocorreram.

            Em um final de tarde qualquer, praticava a minha caminhada diária, quando uma picape acelerada passou por mim, sendo que seu motorista gritou: comunista!!! Eu não o reconheci e sequer tive tempo de agradecer o elogio. Em outra oportunidade, na mesma época, em um carro rebaixado, um jovem motorista, gritou de igual forma, no exato momento, em que lembrei que havia sido cancelado o evento semanal para o qual ia, fiz o retorno imediatamente, tomando o rumo de casa, então após notar que o seguia (não intencionalmente), o rapaz acelerou. Para não desobedecer as regras de trânsito, também não pude lhe agradecer o elogio.

            A limitação cognitiva de ambos não lhes permitiu entender, que ser chamado de comunista, é para nós da esquerda um elogio, que poucos de nós merecemos. No meu caso, em um breve exame de consciência, me falta leitura, meu embasamento teórico é incipiente e, me falta militância, eu precisaria ser mais atuante nas lutas sociais.

            Lembro que também fui chamado de vagabundo, por algumas pessoas que, em seus veículos, passaram por mim, não me ofendi, sei que eles não aguentariam a minha carga de trabalho semanal, nem teriam capacidade intelectual e a responsabilidade necessária para lecionar para mais de trezentos estudantes, nas péssimas condições de trabalho ofertadas aos docentes. E se tivessem, teriam a polidez e a inteligência que não demonstraram possuir.

            Sei por algumas pessoas próximas, que afirmaram ter ouvido de outras que sou comunista. Minha honestidade intelectual impede que assim me considere, pois precisaria ser uma pessoa muito melhor do que em realidade sou. No entanto, se estas pessoas assim me consideram, pois me promovem, não serei eu a me rebaixar!  Se você diz e, apenas porque você diz, comunista eu sou!

P.S. Parcela significativa das pessoas ignora o que de fato é o comunismo, inclusive seus detratores. Em outra oportunidade abordarei o tema neste espaço.

sábado, 30 de agosto de 2025

As mentiras que os homens contam

 

Luis Fernando Veríssimo (1936) é um escritor, humorista, cartunista, tradutor, roteirista, dramaturgo e romancista brasileiro. É ainda músico, tendo tocado saxofone em alguns conjuntos. Com mais de oitenta títulos publicados, é um dos mais populares escritores brasileiros contemporâneos (Wikipédia).

            Tenho centenas de livros não lidos em casa, mas, sempre faço olho gordo a algum livro de minha esposa ou que algum(a) colega professor(a) está lendo e, após ver por dias seguidos, abandonado em uma mesa na sala de professores de minha escola, o livro que dá título a esse artigo, convidando à leitura, tomei-o emprestado sem saber de quem, ao me ver lendo-o, uma professora revelou ser a dona e autorizou o empréstimo, que já estava em curso.

            A época era propícia, fechamento de trimestre escolar, dado o agigantamento do trabalho característico desse momento, em que os professores deixam de viver e apenas sobrevivem. Uma leitura leve e com o bom humor e a sagacidade de Luis Fernando Veríssimo, vinha mesmo a calhar.

            Lembro que, o escritor que nunca se omitiu em posicionar-se politicamente e sempre defendeu a pauta progressista, desferiu críticas ao governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), que as sentiu fortemente e, em resposta, afirmou que Luis Fernando era escritor menor que seu pai Érico Veríssimo (1905-1975).

            Eu duvido que Luís Fernando tenha tomado como crítica a fala de FHC. Para ele deve ter soado algo assim: "Lionel Messi joga mais futebol do que você"! e ele,  diria: óbvio!!! Quem em sã consciência, sendo filho ou não, teria a pretensão de superar o gigante literato Érico Veríssimo?

            Meu primeiro contato com a obra do autor foi com o livro "todas as histórias do Analista de Bagé", com as histórias absurdas e muito divertidas da famosa e impagável personagem. Muito atarefado e estressado, foi aos poucos que a leitura da obra "As mentiras que os homens contam" me ganhou, aliviou meu estresse e pude rir um pouco com as quarenta histórias bem humoradas e criativas.

            Deixo a dica e, também o registro da minha concordância com o autor, em gênero, número e grau de que "nós homens, não mentimos, apenas inventamos histórias para proteger as mulheres".

            Muita força Luis Fernando Veríssimo!!!

Sugestão de boa leitura:

Título:  As mentiras que os homens contam.

Autor: Luis Fernando Veríssimo

Editora: Objetiva, 2001, 166 p.


P.S. Infelizmente, na data da publicação desse artigo, Luis Fernando Veríssimo deixou esse plano! Obrigado Luis Fernando Veríssimo por sua contribuição à literatura brasileira e por seu posicionamento político sempre a favor dos mais humildes!

domingo, 24 de agosto de 2025

A Rússia na Guerra Fria 2.0 - Parte 6

 

           

        O presidente Donald Trump (1946) e o seu homônimo russo Vladimir Putin (1952) realizaram no dia 15 de agosto de 2025, um encontro carregado de simbolismo na base americana Elmendorf-Richardson em Anchorage, no Alaska (EUA). O Ministro das Relações Exteriores russo Sergey Lavrov chegou ao território americano com uma camiseta com as iniciais da União Soviética como que a dizer: "a URSS e seu poder militar ainda habita na pátria russa".

        A reunião tinha como pauta, mas não obviamente a única e, para Putin, talvez, nem mesmo a principal, a questão da guerra entre Ucrânia e Rússia, embora essa pauta fosse importante para Trump, que adoraria encontrar uma solução para tirar os EUA e a OTAN da enrascada de apoiar uma guerra cara e, cuja possibilidade de vitória é inexistente (pois, traria a hecatombe nuclear) e, de quebra, quem sabe, ganhar um prêmio Nobel da Paz, algo em nosso ver, absurdo, mas, que Obama provou não ser impossível.

        Na pauta de Putin, além dos termos já conhecidos para a paz, considerados inaceitáveis pela Ucrânia, certamente está a redução ou o fim das sanções econômicas e políticas contra a Rússia, a reintegração da Rússia no G-8, o início do esboço ou redesenho da Ordem Mundial, na qual os papeis de cada potência precisam ser delimitados para evitar embates perigosos, sendo que na visão de Trump, os EUA não podem enfrentar russos e chineses ao mesmo tempo, como pensavam os democratas da gestão Biden, para Trump, a China representa o maior perigo para os Estados Unidos.

        A frase na camiseta de Lavrov é justificada com o desenrolar atual da referida guerra que, em seu início, acreditava-se que a vitória russa seria questão de poucas semanas, porém com a forte entrada da OTAN (liderada pelos EUA) fornecendo equipamento bélico, inteligência e, a imposição de fortíssimas sanções econômicas e políticas do ocidente contra a Rússia, o prognóstico passou a ser de que a Rússia desabaria economicamente, a guerra perderia apoio interno e Putin seria derrubado.

        Ledo engano, a Rússia resistiu, avança na tomada de territórios ucranianos e sua economia cresceu estimulada pelo esforço de guerra, Putin tem apoio popular, pois a população entende que o ocidente faz uma cruzada (via OTAN) para cercá-la e enfraquecê-la e o espírito russo é conhecido: o de lutar até o último homem e, a Rússia tem mais população para defender sua pátria do que a Ucrânia.

        Os líderes das nações se encontraram e, enquanto Putin, um ex-agente da KGB e talvez, o mais brilhante estrategista geopolítico dentre os líderes das grandes nações, caminhava no tapete vermelho com seu característico "andar do pistoleiro" ao lado do magnata e apresentador de reality shows Donald Trump, agora no papel de presidente da nação mais rica do planeta, numa demonstração de força pensada para o evento, um bombardeiro B-2 escoltado por quatro f-35, todos com capacidade stealth, fizeram um voo baixo nesse exato momento.

        Os Estados Unidos mostravam seus músculos, visando intimidar, mas, o oponente pareceu estar, à vontade no encontro, falou de tempos de união contra o inimigo nazista, da preservação de nomes russos em lugares do Alaska e elogiou a escolha do local, pois, as nações distam apenas quatro quilômetros (limites entre ilhas no Estreito de Bering). Putin pisou firme em solo estadunidense, Trump é que não parecia estar à vontade, afirmou que não houve acordo, que se tratavam de conversas iniciais e de que outras deverão ser feitas com o presidente da Ucrânia e com os líderes da OTAN.

        O caminho para a paz é sempre longo e envolve muitas negociações. Um bom acordo de paz é aquele que as partes envolvidas, saem com alguma frustração, pois não podem ter tudo, afinal, é necessário também ceder alguma coisa. Os EUA e a Europa erraram ao não envidar maiores esforços para evitar a guerra na Ucrânia e, ante a resistência heróica do povo ucraniano, se iludiram com a possibilidade de levar a Rússia à derrocada e assim enfraquecer a tentativa sino-russa da construção de uma Nova Ordem Mundial Multipolar. Essa Nova Ordem é algo inevitável, salvo uma guerra direta, cujo resultado mais previsível é apocalíptico.

        O estrategista prussiano Carl Von Clausewitz (1780-1831) afirmou: "A guerra é a continuidade da política por outros meios". Há uma frase na geopolítica que diz "é fácil prever como uma guerra iniciará, mas, jamais como terminará". O tarifaço de Trump, a mudança de parcerias comerciais entre os países, a desglobalização, a contestação à Ordem Mundial Unipolar, as questões geoestratégicas mundiais, o petróleo do Oriente Médio e da Venezuela, a cobiça estadunidense pelas terras raras groenlandesas (Dinamarca/União Europeia), chinesas e brasileiras, as guerras regionais pelo mundo, o genocídio em Gaza levado à cabo pelo segregacionista Estado de Israel, etc. Enquanto houver espaço para diálogo, a esperança persiste, no entanto, existem muitos atritos regionais no planeta e, o risco de uma faísca incendiar o mundo nunca foi tão grande.







sábado, 16 de agosto de 2025

Os Bórgias

 

Alexandre Dumas (1802-1870) foi um romancista e dramaturgo francês que, apesar de sua extensa e maravilhosa obra, é mais conhecido por ser o autor de Os Três Mosqueteiros e de O Conde de Monte Cristo. Dumas, cuja família tinha um pé na nobreza e outro na senzala, trafegou como ninguém, ao escrever obras retratando realidades tão díspares. Digo isso, pois Dumas teve ancestrais da nobreza francesa e teve como pais, um militar renomado, o General Dumas (Thomas Alexandre) e uma escrava liberta (Marie-Césette Dumas).

            A obra "Os Bórgias" pretende ser uma ficção histórica acerca da família de origem espanhola que, acumulou grande fortuna e poder na Itália. A família emplacou dois papas, Alfonso de Bórgia (Papa Calisto III) em 1455 e teve seu apogeu de riqueza e poder  com a ascensão de Rodrigo Bórgia (Papa Alexandre VI).

            O papado de Alexandre VI (1492-1503), foi marcado por escândalos, manipulações, corrupção, guerras e assassinatos. Sua eleição foi por meio da compra de votos de Cardeais. Tal estratégia custou ao Cardeal Rodrigo Bórgia, uma verdadeira fortuna. Bórgia via neste movimento, um investimento cujo retorno na forma de poder e dinheiro seria garantido.

            Rodrigo Bórgia teve várias amantes, sendo que com uma delas, teve quatro filhos (três homens e uma mulher). Foi um homem sempre à busca de alianças visando manter o poder para si e sua família. Com tal intento, utilizava-se de alianças matrimoniais, com a sua belíssima filha Lucrécia, cujos noivados/casamentos eram desfeitos, conforme a conjuntura política. À Lucrécia restava obedecer.

            O Papa Alexandre XI, foi provavelmente, o mais perverso e certamente, o mais polêmico Papa. Seu papado baseou-se na venda de simonia (cargos e benefícios eclesiásticos), e na prática de nepotismo. Como encaminhou algumas boas almas ou nem tão boas almas para o paraíso com vinho "batizado" (se é que vocês me entendem), cercou-se de familiares, pois não confiava em ninguém.

            Alexandre XI garantiu poder e patrimônio a seus filhos. Destes, César foi alçado a Cardeal, mas preferiu abandonar o cargo eclesiástico e assumir o posto militar de general, tornando-se o braço direito armado de Alexandre VI. Naquele período, o Vaticano mantinha um exército (na acepção da palavra) e pretendia unificar os Estados da Igreja. Á época, a Itália (moderna) ainda não existia, haviam vários Estados que, via de regra encontravam-se sempre às turras, com períodos de paz conforme as famílias que ascendiam ao poder.

            A obra, como dissemos, é classificada como ficção histórica, no entanto, dá a impressão de ser uma literatura-reportagem, não por seu conteúdo, mas pela característica de sua escrita, que carece do espírito romanesco. Fica a dica!

 

Sugestão de boa leitura:

Título: Os Bórgias.

Autor: Alexandre Dumas.

Editora: Principis, 2021, 256 p.