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domingo, 28 de outubro de 2018

Um canalha à porta do Planalto


Um canalha à porta do Planalto

POR FRANCISCO ASSIS - EURODEPUTADO DO PS PARA O JORNAL PÚBLICO (PORTUGAL)

Carlos Alberto Brilhante Ustra foi um dos maiores, senão mesmo o maior torcionário, no tempo da ditadura militar que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985. Em 2008 foi o primeiro oficial condenado por sequestro e tortura. Comprovadamente, maltratou física e psicologicamente centenas de pessoas e chegou ao limite de obrigar crianças a presenciarem o dilacerante espectáculo do espancamento dos respectivos progenitores. Nunca reconheceu os seus crimes nem manifestou o mais leve arrependimento pelos seus actos desumanos. Era um canalha. Morreu em 2015, em Brasília, na cama de um hospital. Foi precisamente este torcionário miserável que o então deputado federal Jair Bolsonaro homenageou no momento em que votou a favor do impeachment da Presidente Dilma Rousseff. Nessa ocasião, Bolsonaro pronunciou uma declaração que o define integralmente: dedicou o seu voto à “memória do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff”. É impossível imaginar, naquele contexto, uma afirmação mais vil, um comportamento mais indigno, uma atitude mais asquerosa. Bolsonaro revelou-se ali o que ele verdadeiramente é: um canalha em estado puro.
O que é um canalha em estado puro? É alguém que contraria qualquer tipo de critério moral e se coloca num plano comportamental pré ou anticivilizacional. Quem elogia o torturador de uma jovem mulher absolutamente indefesa atribui-se a si próprio um estatuto praticamente sub-humano. Bolsonaro é dessa estirpe, desse rol de gente que leva à interrogação sobre o que subsiste de humano no homem que literalmente se desumaniza. [...] A barbárie tem muitos rostos: é estúpida, boçal, intolerante, sectária, fanática, simplista, racista, xenófoba, homofóbica, sexista, classista, irremediavelmente preconceituosa, inevitavelmente primária. Jair Bolsonaro é um dos rostos perfeitos dessa barbárie em versão actual. Tudo nele aponta para a pequenez: é um ser intelectualmente medíocre, eticamente execrável, politicamente vulgar. Nele observa-se uma prodigiosa ausência de qualquer tipo de grandeza e uma assustadora presença de tudo quanto invalida um cidadão para o desempenho da mais humilde função pública. Por isso mesmo ele é extraordinariamente perigoso: é a expressão quase exemplar do homem sem qualidades subitamente erigido a um papel de liderança.
[...] Alguns analistas políticos, uns por ignorância, outros por má-fé, tentam convencer-nos que os brasileiros terão de escolher nas eleições presidenciais entre a cólera e a peste. Isso não corresponde minimamente à verdade. Equiparar Haddad a Bolsonaro constitui um acto moral e politicamente inqualificável. Quem o faz torna-se cúmplice de Bolsonaro, da sua vertigem proto-fascista, da sua propensão para o culto da violência. É por isso que não pode haver hesitações neste momento da história do Brasil e, de uma certa maneira, da própria história da Humanidade. Haddad é um intelectual sofisticado, um democrata respeitador dos princípios fundamentais das sociedades abertas e pluralistas, um homem de reconhecida integridade cívica e moral.
[...] Uma vitória de Bolsonaro significaria um retrocesso civilizacional para o Brasil e para o mundo. Não estamos, por isso, a falar de um confronto político e ideológico normal. Estamos perante um verdadeiro confronto entre a civilização, por mais ténue que esta seja, e a barbárie. Haddad é hoje mais do que Haddad, é mais do que o PT, é mesmo mais do que o Brasil. Haddad é o símbolo da luta da razão crítica contra o obscurantismo, da liberdade face ao despotismo, da aspiração igualitária diante do culto das hierarquias de base biológica ou social. É por isso que este combate nos interpela a todos. Estamos perante um momento de divisão clara entre o que no Homem há de apelo à razão, ao culto da liberdade, ao sentido da fraternidade, e o que no mesmo Homem há de impulso básico para o autoritarismo, a servidão e a anulação da inteligência crítica. Há horas na história em que tudo se reconduz a uma dicotomia simples que é ela própria o oposto de uma redução ao simplismo. Sejamos claros, no Brasil, hoje, a opção é evidente: Haddad significa a civilização, Bolsonaro representa a barbárie [...].

Leia o artigo completo acessando o link abaixo:

FONTE: Disponível em: https://www.publico.pt/2018/10/11/mundo/opiniao/um-canalha-a-porta-do-planalto-1847097 - Acesso em 14 de outubro de 2018.


quinta-feira, 18 de outubro de 2018

A democracia acima de tudo!





        Há algumas semanas publiquei neste espaço o artigo “o pior dos mundos” afirmando ser um (improvável) confronto entre Alckmin (PSDB) x Bolsonaro (PSL). Reitero que há muito tempo sou opositor ferrenho ao que o PSDB representa na política brasileira. Porém, as leituras e o tempo de reflexão me esclareceram sobre o que faria neste embate que não se realizou. No Rio, ferrenhos opositores de Eduardo Paes (DEM) estão declarando voto nele, pois consideram Wilson Witzel (PSC) ainda pior. Eu, mesmo que a contragosto, votaria em Alckmin para evitar que um político fascista e tudo o que ele representa suba a rampa do Palácio do Planalto.
    Logicamente faria isso por não haver alternativa, com Alckmin perderíamos os anéis (aprofundamento do neoliberalismo, desmonte de direitos trabalhistas, reforma previdenciária, privatizações entreguistas, corte de gastos sociais, aumento da desigualdade social, etc.), mas, manteríamos os dedos (a democracia). Com Bolsonaro perderíamos os anéis e também os dedos, basta verificar todas as suas falas fascistas que evidenciam o seu pensamento, que infelizmente seduz milhões de seguidores que se vêm nele representados.
        Apesar das orientações de que era necessário dialogar com os bolsonaristas, esclarecer o perigo que Bolsonaro representa para a nação, excluí mais de duzentos seguidores de Bolsonaro da minha rede de amigos virtuais do Facebook. Porém, nem isso me livra da decepção que com eles tive, pois, não se trata de mera divergência ideológica, mas, moral. Na Alemanha, berço do nazismo, há um adágio que explica o que penso: “se em uma mesa estão sentadas dez pessoas, e nela um nazista vem se sentar. Se as dez pessoas não se retirarem, na mesa estarão onze nazistas”.
        Sei que nada demove os bolsonaristas de sua intenção, o fascismo está em seu DNA. De igual forma, na Alemanha pré-nazista, nada foi capaz de mudar a opinião dos judeus que pretendiam votar em Hitler, apesar dos esforços dos judeus opositores do líder nazista em esclarecer o perigo que ele representava para o povo judeu. Sempre disse que sou avesso a qualquer tipo de ditadura seja de direita ou de esquerda e defendo sempre a democracia, que pode não ser perfeita, mas ainda é o que há de melhor.
        A história demonstra que temos uma tradição autocrática, a democracia ocorre nos intervalos de períodos autoritários. Esse apego de grande parcela do povo brasileiro aos regimes autoritários tem sua raiz no sistema escravagista, que em nosso país persistiu por tanto tempo que fez dele o último a extinguí-lo.
        Li que na época da escravidão, havia uma parcela de trabalhadores livres (imigrantes europeus) que eram contrários à libertação dos escravos. Sentiam-se superiores, pois, embora miseráveis, não eram escravos. Da mesma forma, há na atualidade, trabalhadores que se dizem de classe média (equívoco conceitual) que são opositores de qualquer programa que vise melhorar a situação da parcela miserável da sociedade. Gostam de se sentir especiais devido às qualidades pseudo meritocráticas que atribuem a si próprios.
        O único lado positivo do Golpe de Estado de 2016 e de tudo que se seguiu a ele foi o fato de desnudar a sociedade brasileira evidenciando perante o mundo que se Deus é brasileiro, não é muito popular nestas bandas. Aqui há grande possibilidade de um político que já afirmou ser defensor da tortura e da morte se eleger com o apoio de religiosos cristãos que esquecem que Cristo foi torturado e morto. Estes religiosos apóiam a “política do bandido bom é bandido morto” tal como os religiosos que pediram a morte de Cristo.
        Enfim, o Brasil demonstra não ser um pais sério como diz a célebre frase. A eleição está sendo e poderá ser decidida por fake news em grupos de Whatsapp. Será por vontade do povo se Bolsonaro for eleito, mas, não sem importantíssima contribuição da Mídia, do Poder Legislativo e Judiciário que chocaram o ovo da serpente desde 2013 (guerra híbrida). Resta pedir ao eleitor indeciso que reflita sobre qual Brasil quer para si, seus filhos e netos, pois, a arma (Bolsonaro) que muitos desejam ver liberada pode se voltar contra você e sua descendência! A democracia pode não ser perfeita, mas, ainda não se criou nada melhor! A democracia acima de tudo!


P.S. A frase “o Brasil acima de tudo” denota a origem, pois, na Alemanha Nazista se utilizava a expressão: “Deutschland über alles”, ou seja, A Alemanha acima de tudo!

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Não aprendemos!



            Costumamos criticar o quadro atual da política brasileira como se este não tivesse nenhuma relação conosco enquanto sociedade. A verdade é que não encaramos a política com a seriedade e o bom senso necessário. O ato de votar consiste em passar uma procuração para o representante escolhido pelo eleitor, mas, parece que muitos eleitores disso não têm consciência. Você passaria uma procuração para que alguém o representasse inclusive com o poder de negociar seus direitos sem conhecer bem as intenções, o caráter e o passado desta pessoa? Você, por uma paixão extremada indicaria como seu procurador uma pessoa de caráter duvidoso, cujas intenções constituem uma grande incógnita, preterindo dessa forma o outro procurador possível, o qual ostenta credenciais claramente superiores apenas por que ele torce pelo clube de futebol que você aprendeu a detestar e a se opor? O leitor poderia dizer que futebol e política não têm nada a ver, porém, em se tratando do Brasil, digo que está equivocado. Tratamos a política tal como ao futebol, paixão e ódio se misturam. O mundo sabe que nosso futebol está em decadência, como também a nossa democracia, aliás, estamos em franca decadência como sociedade.
            Nas eleições de 2014 elegemos o pior parlamento desde o fim da ditadura militar (grande parte com pendências judiciais). Em 2018, elegemos um ainda pior. Em um momento em que o Brasil figura novamente no mapa da fome da ONU, os eleitores brasileiros ampliaram as representações da Bancada do Boi, da Bala e da Bíblia que representam o que há de mais conservador e avesso ao avanço do país rumo a uma sociedade menos injusta, tendo em vista que figura entre as mais desiguais do planeta. A eleição do ator pornô Alexandre Frota (PSL) e a reeleição de Tiririca (PR) e de Aécio Neves (PSDB) demonstram que a culpa talvez não seja dos políticos, mas, do eleitor, pois, já não é possível falar que foi enganado pela lábia dos candidatos e que não conhecia o passado dos mesmos. Falta seriedade ao eleitor brasileiro, que age como se a política fosse o confronto entre agremiações adversárias num jogo de futebol, porém, quando o jogo de futebol acaba, não traz consequências práticas para a vida dos torcedores, o que não é o caso da política. Com a expansão da bancada da Bíblia no parlamento, o Estado laico, símbolo das sociedades democráticas encontra-se cada vez mais ameaçado. A mistura de religião e política no seio do Estado, sempre gerou historicamente sociedades pouco democráticas, nas quais os fundamentos religiosos de um grupo se impuseram até mesmo às pessoas que deles não compartilhavam tolhendo-lhes seus direitos individuais.
            A eleição também demonstrou que o eleitor brasileiro reelegeu figuras envolvidas em corrupção. Isso demonstra que a corrupção é seletiva. Para muitos eleitores somente é corrupto o político da agremiação adversária. Dessa forma, políticos que tiveram forte atuação favorável ao Golpe de Estado de 2016 foram reeleitos, por sua vez, políticos que tiveram grande destaque na defesa da legalidade, dos direitos trabalhistas e da soberania nacional ante o entreguismo instalado pelo governo golpista foram rejeitados nas urnas. É o caso de Roberto Requião (MDB), um dos parlamentares mais cultos, patriotas e preparados do Parlamento. Em seu lugar assume o Professor Oriovisto Guimarães (Podemos), cuja trajetória, ideologia e classe de origem indica que tomará rumo diverso ao de Requião. Flávio Arns (Rede), por sua vez, carece de capacidade combativa e de constância ideológica. Requião é uma voz em defesa da legalidade, da soberania nacional e dos diretos dos trabalhadores cuja falta se ressentirá a nação e a classe trabalhadora. Outra falta no Senado será a do também legalista e defensor da classe trabalhadora Lindbergh Farias (PT). Eduardo Suplicy e Dilma Rousseff ambos do PT também poderiam contribuir muito com a pauta da classe trabalhadora num parlamento majoritariamente ocupado por representantes da classe dominante. A classe dominante é majoritária na política brasileira com grande ajuda do pobre de direita que constitui o mais importante produto fabricado pelo capitalismo brasileiro. Enquanto houver pobre de direita que por odiar pobres (que ao fim e ao cabo também é) vota sempre contra os seus próprios interesses, a elite agradece e a miséria permanece!

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

A falência das instituições – o Poder Judiciário!




Quando um Ministro do Supremo Tribunal Federal (Barroso) sente a necessidade de informar que as instituições estão funcionando normalmente, e de que não estamos em um estado de exceção, torna ainda mais evidente o contrário. É da percepção de toda e qualquer pessoa honesta, e bem informada, que vivemos um momento de anormalidade democrática. A história demonstra que não possuímos tradição democrática. A democracia (de baixa intensidade) ocorre nos intervalos entre os golpes de Estado, sempre praticados por forças conservadoras, portanto, da direita. O colega do Ministro Barroso, Ricardo Lewandoski definiu à Revista Exame a situação em que o país se encontra ao afirmar: “o impeachment de Dilma foi um tropeço na democracia, os quais, o país costuma ter a cada 25 ou 30 anos”.
Para quem já leu Kafka, especialmente a obra “O Processo”, sabe que não há nada de mais kafkiano (absurdo, ilógico, etc.) que a forma como foram conduzidos os processos contra Dilma e Lula. A forma como o Judiciário tem se comportado, é traduzida na frase de François Guizot: “Quando a política penetra o recinto dos tribunais a Justiça se retira por alguma porta”. O Ministro Marco Aurélio de Mello (STF) comentou: “vivemos tempos estranhos” ao se referir a algumas atitudes do Juiz Sergio Moro responsável pela Lava-jato. O Judiciário impôs várias chicanes à defesa do ex-presidente Lula, o qual segundo juristas renomados, não teve direito a um processo legal, imparcial e em absoluta conformidade com a Constituição Federal e a legislação. Ciente disso, a ONU concedeu liminar em favor de Lula, a qual foi desobedecida pelos togados ensimesmados e pouco patriotas que parecem não enxergar (ou são anuentes) o desmonte da nação levado a cabo por um governo ilegítimo em benefício do Grande Capital nacional e estrangeiro, e impuseram ao país o status de nação pária (grupo de nações que  desobedecem a ONU).
Uma juristocracia se implantou no país. A qual em consórcio com a Grande Mídia e setores corruptos da classe política e empresarial pôs abaixo o edifício da democracia. O Ministro Marco Aurélio Mello ao definir o atual momento citou Ruy Barbosa: “A pior ditadura é a ditadura do Poder Judiciário, contra ela não há a quem recorrer” e reiterou: “o país está desprovido de segurança jurídica para a quadra delicada que o país atravessa”. Temos em nosso país um dos poderes Judiciários mais caros do mundo, nem por isso mais eficiente. As regalias concedidas e autoconcedidas aos magistrados coram de vergonha seus pares na Suécia, os quais não poupam críticas aos magistrados brasileiros questionando a moralidade destas. 
O país vive um momento de grave crise política e econômica, mas, os magistrados insensíveis à situação de penúria com que vive grande parte da população, não se fizeram de rogados e aumentaram os seus já nababescos salários, turbinados que são por gratificações e auxílios imorais como o auxílio-moradia. Os aumentos concedidos aos vencimentos dos Ministros do STF provocam efeito cascata sobre o funcionalismo público de alto escalão, algo catastrófico para um país em crise, mas, o Ministro Tofolli (STF) encontrou a solução, propôs desvincular o salário de Ministro do STF das demais categorias, assim, o efeito cascata não mais ocorreria. Dessa forma, o salário dos togados poderia aumentar livremente, talvez, no modelo “o céu é o limite”. O momento de ilegitimidade por que passa o país é campo aberto para a colheita dos magistrados (56% de reajuste desde o golpe). Em 2015, Dilma negou reajuste ao Judiciário. Negar reajuste ao Judiciário é algo que somente faz quem tem legitimidade e nada a esconder.
O poder Judiciário perdeu a credibilidade (que não era muita) perante a população. O Ministro Barroso afirmou que os juízes estão do lado certo da história. Parece que ele não foi um estudante aplicado de história, pois, os Juízes não estavam do lado certo ao dar suporte ao regime escravagista no Brasil e ao Apartheid na República da África do Sul. Na Alemanha, Hitler falou: “que teríamos feito sem os nossos juristas?”, os quais foram essenciais para o suporte do nazismo. Em 1936, a Corte Suprema (atual STF) deu anuência para que Olga Benário (esposa de Luís Carlos Prestes) fosse entregue ao regime nazista de Hitler que a assassinou. O STF deu suporte à ditadura militar (1964-1985), apenas para citar alguns exemplos. 
Enfim, o Poder Judiciário é uma instituição que não só se amolda às forças dominantes e conservadoras da sociedade como também muitas vezes é protagonista. Romantismo é pensar que o Poder Judiciário tem como fim precípuo a observação e aplicação inflexivelmente fiel do Direito “sem olhar a quem”. Quando magistrados são flagrados e condenados por  atividades ilícitas (raramente, pois, há muito corporativismo) geralmente são aposentados com vencimentos integrais. Os privilégios que os magistrados desfrutam, além de imorais constituem um entrave para o avanço da democracia, pois, não os tornam símbolos a serem seguidos na busca de uma sociedade ideal, sem privilégios e com justiça social para todos. Na Suécia, as pessoas acham estranho quando se pergunta sobre corrupção no Poder Judiciário do país, pois, não existe. Precisamos de um Judiciário ao estilo sueco, impoluto e sem privilégios imorais, ou seja, à altura do país que queremos e iremos construir!

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

A falência das instituições - a mídia!



            A credibilidade é para as empresas de comunicação tão importante quanto o capital de giro. A credibilidade, sinônimo de respeito ao público e de bom jornalismo, dá ao meio de comunicação, a audiência (emissoras de TV e rádio), e a venda de exemplares de revistas e jornais cujo maior alcance de leitores, traz em seu bojo, maior quantidade de anunciantes. Assim, se costuma dizer que a credibilidade é o principal ativo de uma empresa de mídia.
            Em nosso país, devido à falta de capacidade da direita que se mostrou acéfala e incapaz de fazer uma oposição política competente, a Grande Mídia tomou para si o papel de oposição aos governos progressistas de Lula e Dilma. Ao renunciar ao jornalismo sério, se tornou uma poderosa usina de fake news. A regra imposta e denunciada por vários jornalistas demitidos era pauta negativa para os governos petistas e ignorar o resto. A manipulação se tornou tão absurda, que, para ter acesso à informação de boa qualidade sobre o Brasil, a mídia europeia, enviou mais correspondentes ao país, pois, constatou que a Grande Mídia nacional não era fonte confiável para levar ao seu público a noção do que realmente se passava no país quanto aos processos kafkianos contra Dilma, e, mais recentemente contra Lula.
            Há alguns dias, soube que Bolsonaro havia se reunido com os herdeiros do grupo Globo para a costumeira sabatina privada (em minha opinião, algo reprovável e que possui um ranço coronelístico). Dias depois, tomei conhecimento de que o candidato sofrera um atentado, o qual teve ampla cobertura da TV Globo. Logo pensei: começaram as armações! Não fui o único a cometer tal equívoco! Muita gente ainda põe em dúvida o atentado. É um equívoco compreensível! Afinal, todos se lembram da edição do debate de 1989, em que a Globo operou a favor de Collor e contra Lula. Todos lembram também do fake news sobre Lurian, filha de Lula, no último programa eleitoral de Collor. Também teve o episódio em que arremessaram um objeto na cabeça do candidato Serra e ele fez até tomografia com ampla divulgação, que obviamente nada acusou, e peritos ao analisar os vídeos constataram se tratar de uma “perigosa” bolinha de papel. São apenas alguns exemplos de um rol que remonta há décadas.
Pela Grande Mídia, o brasileiro é muito informado sobre a crise na Venezuela (governo de esquerda), mas, pouquíssima informação recebe sobre o caos econômico da Argentina do direitista Macri. A Grande Mídia apostou todas as suas fichas no liberalismo daquele país e perdeu. A Argentina está afundando tal qual o Titanic, sendo o iceberg da vez, o neoliberalismo. E tal como em 1912, não há botes salva-vidas para a terceira classe. O cidadão brasileiro foi informado de que a quarta eleição consecutiva do esquerdista Evo Morales na Bolívia era algo péssimo para a democracia, pois, a não alternância de governo resultava na prática em uma ditadura. No entanto, essa mesma crítica não foi veiculada quando da quarta eleição consecutiva da direitista Angela Merkel na Alemanha. 
A Grande Mídia costuma impor aos partidos e regimes à esquerda a pecha de antidemocráticos, mas, não informa à população que todos os golpes contra a democracia brasileira foram realizados pela direita. A Grande Mídia critica os programas sociais (que beneficiam os pobres), mas, não mantém o mesmo tom quanto aos recursos, isenções fiscais e perdões de dívidas costumeiramente concedidos pelo Estado em benefício de grandes capitalistas, sejam eles, industriais e/ou latifundiários. A Grande Mídia demoniza o Estado e divulga a corrupção de agentes, mas, pouco ou nada faz para mostrar que o grosso da corrupção é realizado no Mercado (setor privado). A Grande Mídia luta para que o Estado seja mínimo (para a população), o que libera mais recursos para o grande capital no qual ela se insere, mas, isso ela não divulga.
Em nenhum país há o que aqui temos. Em contrariedade à Constituição Federal, seis famílias possuem o monopólio da informação ao deter a propriedade cruzada de jornais e revistas; emissoras de rádio; e, emissoras de TV. O Brasil necessita urgentemente da regulação econômica dos meios de comunicação. A qual não visa censurar ou regular conteúdo, mas, impedir a propriedade cruzada dos meios de comunicação e acabar com esse danoso monopólio. A democratização da mídia é condição imprescindível para o florescimento de uma verdadeira democracia no país!


sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Golpe de Estado 2.0

       Dilma Rousseff avisou em 2016 que o golpe travestido de impeachment (golpeachment) em curso era contra os trabalhadores e a soberania nacional, pois, o que se pretendia era retirar direitos trabalhistas e realizar o entreguismo das riquezas nacionais para o capital estrangeiro. Tudo se confirmou. A terceirização irrestrita foi aprovada. Houve o fim da política de valorização real do salário mínimo, a redução/extinção de programas sociais. 
        A crise fabricada não dá tréguas. A classe trabalhadora não mais suporta, mas, é obrigada a pagar por ela. Crise que não afeta o andar de cima ocupado pela elite escravocrata que sorri, mesmo que à custa da destruição nacional e do retorno da miséria traduzida nas barrigas vazias de crianças.
        O bilhete premiado que o Brasil conquistou com investimentos da Petrobrás na procura de petróleo no Pré-Sal, inclusive nos mesmos locais que companhias estrangeiras falharam, não vai mais para a Educação, a Saúde e para o Fundo Soberano das futuras gerações. Vai para o exterior, pois, está sendo recebido pela Shell, Chevron, Total, Statoil, Sinopec, etc. 
       O governo golpista concedeu vinte anos de isenção tributária para as petroleiras estrangeiras e trabalha para retirar o que puder da Petrobras para repassar a estas. Tudo dentro da normalidade de um governo que carece de legitimidade e busca apoio de potências imperialistas colocando o país em posição de submissão.
     Crise não é algo ruim para todos. O grande capital nacional e estrangeiro adora fabricar crises em países vulneráveis, e tal como piratas, saqueiam nações periféricas e transportam o butim para alimentar o centro do sistema. A crise é o momento em que se pode chamar a classe baixa e média para pagar a conta da jogatina do cassino em que se transformou o capitalismo global.
  O neoliberalismo que é a atual forma do capitalismo global constitui uma das mais acabadas formas de fundamentalismo. O neoliberalismo é segundo seus defensores a única opção possível, a ditadura do discurso único. O radicalismo neoliberal é tal que seus agentes constituídos pela parcela do 1% mais rico do mundo não têm escrúpulos em destruir democracias e vidas. 
 A democracia é para o neoliberalismo um obstáculo e precisa ser eliminada.  O mercado se tornou “Deus” e o capitalismo sua religião. Ninguém pode questionar o “Deus” Mercado sob pena de cometer heresia, e ser queimado na fogueira da ignorância que ocupa a parcela formada por mentes vazias de criticidade, porém, repletas de alienação diariamente alimentadas por TV Globo, revista Veja, etc. 
O golpe de 2016 está sendo muito bom para o grande capital nacional e estrangeiro, afinal, tal como abutres adoram uma carniça. Os ricos (eu disse ricos!) ganharam, mas, ganharam graças ao que os trabalhadores perderam. Os banqueiros que devoram quase 50% do orçamento nacional querem mais, desejam a reforma da Previdência que uma auditoria e uma tese de doutorado desmentiram ser deficitária. Triste é observar trabalhadores sem consciência de classe defendendo a reforma da previdência cujo objetivo é que mais recursos legalmente captados para esta passem a ser dirigidos para os bolsos dos abastados (1% mais rico).
  Eduardo Cunha (PMDB), importante operador do golpe em 2016, numa atitude de vingança contra Dilma e o PT, que não o defenderam de processos que contra ele pipocavam, ao declarar seu voto contra Dilma, tal como o carrasco ao lançar o machado sobre o pescoço da vítima, proferiu: “Que Deus tenha misericórdia dessa nação”. E “Deus” não teve misericórdia do Brasil, pois, “Deus” agora é o Mercado, e o Capitalismo a sua religião!


P.S. Recebo a notícia de que o golpe avança para o nível 2.0. O TSE indeferiu a candidatura Lula contrariando liminar da ONU. Agora o Brasil é uma nação pária. A gente sempre tem esperança de que o golpe acabe, mas, não devia, afinal, como disse Jucá trata-se de “um grande acordo nacional, com Supremo, com tudo”! E como nos ensinou o mestre Paulo Freire, a gente se frustra na espera, porque não conjuga a esperança na forma correta cujo verbo é esperançar! Fazer acontecer!


            

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Engana-me que eu gosto!



            A temporada de caça ao eleitor está aberta, e candidatos que pouco ou nada fizeram em benefício do povo, ou pior, pautaram suas ações em detrimento deste ao endossar a política do Governo Temer de redução de investimentos sociais, e em benefício do grande capital nacional e estrangeiro procuram convencer o eleitor de suas boas intenções, em que pese seu passado reprovador.
            O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) há muito abandonou suas raízes (a social democracia) e, deslocou-se para a direita. Isso ocorreu, talvez, devido ao avanço do Partido dos Trabalhadores (PT) nesta área do espectro político. O PT há muito deixou de fazer a defesa inegociável do socialismo, e, na atualidade é um partido social-democrata. Grande parte da população brasileira não sabe a diferença entre esquerda e direita no campo político. Não há como culpá-la por isso, sem leitura e observação atenta, a distinção é mesmo difícil. Há unanimidade no seio da população de que a vida piorou após o golpe de 2016. O fisiologismo reinou solto durante o golpe quando vários políticos deram sustentação ao governo ilegítimo de Temer cuja popularidade é igual à margem de erro das pesquisas. Como estamos no divisor de águas que a proximidade das eleições sempre representa, há candidatos que arrependidos, pedem “desculpas” aos seus eleitores, pois, afirmam terem sido “enganados” por Temer & Cia. Alguns estão desistindo de serem candidatos, pois, embarcaram no trem da alegria golpista, traíram suas bases, mas, não conseguiram apoio eleitoral em seus novos ninhos. É o caso dentre outros, de Marta Suplicy (MDB).
            Uma estratégia malandra é a do chamado “centrão”, que aposta na desinformação da população, pois, procura colocar no PT a marca da extrema-esquerda (coisa que há décadas deixou de ser) em contraposição à extrema-direita de Bolsonaro (PSC). Os políticos do “centrão” apresentam-se como limpinhos, inodoros, insípidos, simpáticos, amáveis, desideologizados, pois, não vestem as cores do radicalismo do PT e Bolsonaro. Buscam conquistar o eleitor incauto que se cansou da polarização entre esquerda e direita. Ledo engano, um exame acurado do “centrão” mostra que não faltam raposas velhas se habilitando a cuidar do galinheiro. O “centrão” é um reduto do que há de mais conservador, portanto, de direita deste país. Também notei que nas propagandas políticas os candidatos por partidos que apoiaram o golpe de 2016 inserem o número, mas, não as referidas siglas partidárias (o golpe está cobrando a fatura). O PMDB que nunca elegeu um presidente, mas, jamais deixou o poder desde o fim da ditadura militar (1964-1985) mudou a sigla para MDB, denominação utilizada durante a ditadura militar. O MDB combateu a ditadura, mas, também foi o partido criado e tolerado pela ditadura para dar “ares de democracia” ao regime do país perante o mundo. A ARENA (Aliança Renovadora Nacional), o partido que dava sustentação à ditadura militar é a origem histórica dos atuais DEM e PP. A mudança de sigla de partidos com imagem desgastada é comum para enganar o povo, mas, na prática, não costuma constituir nenhuma mudança de atitude do partido ou de seus integrantes.
            Os políticos estão visitando seus redutos eleitorais, prometendo a valorização do trabalhador, mais investimentos em saúde, educação, segurança, etc. e muitos fazem isso com a maior desfaçatez. Refiro-me àqueles ligados à direita que em sua quase totalidade votou favoravelmente à reforma trabalhista que precarizou as condições de trabalho do povo brasileiro para beneficiar o patronato, e, que também votou favorável à “PEC do fim do Mundo” (PEC 55/241), que congelou os investimentos em Educação, Saúde, Segurança, etc. e que trará graves prejuízos para a população. Muitos desses políticos virão até você eleitor e prometerão fazer caso reeleitos o contrário do que fizeram até aqui, cabe a você repelir a sua conversa barata, ou acatá-la. Concluo com um provérbio árabe: “Se você é enganado uma vez, a culpa é de quem o enganou. Mas, se você é enganado novamente pela mesma pessoa, a culpa é sua”!