sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
Para começo de conversa!
Após passar alguns dias de descanso no litoral em que a todo o momento me questionei sobre a surrealidade da crise, pois, vi rodovias congestionadas, filas para abastecimento nos postos de combustíveis e supermercados cheios de gente enchendo cestas e carrinhos. Na areia, a crise passou longe, comentei com uma pessoa que disse que as pessoas conseguiram ir para a praia “apesar da crise” por que fizeram uma reserva para isso, ora, se é possível fazer uma provisão para tirar férias, então, a crise não é aquela pintada pelas redes de TV, pois, crise mesmo é o que vivemos no governo militar com a hiperinflação e a explosão da concentração da renda, além do aumento galopante da dívida externa. Crise mesmo é a que vivemos durante o governo FHC em que o país passou o boné para o FMI pedindo socorro financeiro quatro vezes e não era para socorrer as 290 pessoas que morriam de fome por dia no país, mas, para patrocinar o programa “bolsa-banqueiro”.
É verdade que o ano de 2015 foi o de pior desempenho da economia no período dos governos petistas, e que neste início de 2016 a situação econômica exige cuidados, mas, nada que se compare ao que já vivemos no passado e se compararmos com outros países, mesmo no grupo de países desenvolvidos encontramos vários com endividamento em relação ao PIB muito superior ao Brasil. Quanto ao desemprego, a Espanha possui 26% (Brasil 7,9%). Há ainda um forte aumento de novos moradores de rua na Europa, no Japão e nos EUA sendo que neste último país há um aumento vertiginoso de pessoas que passaram a viver em barracas, por não mais conseguirem pagar a hipoteca de suas casas devido ao desemprego e a perda de poder aquisitivo, pois, a renda está migrando ainda mais para os bolsos dos mais afortunados.
O petróleo com a cotação baixa arrasa a economia de muitos países que dele dependem e como sabemos os países produtores de petróleo para garantir sua autonomia e organizar o mercado de petróleo criaram a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e a pergunta que fica é porque esta entidade não faz uma intervenção no mercado e segura a produção para estabilizar os preços em valores mais aceitáveis aos países produtores? Não o fazem porque a OPEP na prática não funciona, não há união entre os países e sim muitos jogos de interesses, além, disso, o petróleo da Arábia Saudita é controlado pela EXXON e também a Arábia Saudita que detém um dos mais baixos custos de extração deseja prejudicar o Irã em parceria com seu tradicional aliado Estados Unidos da América que também visa atingir a Venezuela e a Rússia, mesmo, que para isso, os lucros com o petróleo sejam menores e provoquem a falência das empresas estadunidenses que exploram gás de xisto pelo sistema de fraturamento hidráulico naquele país. Nas bolsas de valores do mundo todo, inclusive aqui no Brasil, a parte da oposição alienada descobriu nos últimos dias que a crise é global e é um desdobramento da crise de 2008 que agora atinge a economia chinesa que carregou nas costas o mundo durante o auge da crise nos EUA. Para nós brasileiros, a desaceleração chinesa preocupa imensamente mais que a marcha lenta da economia dos EUA, pais é com a China que mantivemos balanças comerciais superavitárias e inversamente com os EUA.
Não posso deixar de registrar minha indignação com o preço das tarifas dos pedágios paranaenses, simplesmente, não há explicação plausível para autoridades da época (Governos Jaime Lerner e FHC) terem realizado a concessão de tais rodovias de forma tão danosa à população e à economia paranaenses, pois, a impressão que fica é que a principal preocupação foi a de garantir lucros escorchantes para as empresas. Já li que as rodovias são diferentes e que não cabem comparações, no entanto, um estudo comparativo com as concessões recentes (Lula e Dilma) demonstra que os pedágios realizados no governo Lerner deveriam ter as tarifas reduzidas à metade e as obras de melhoramentos duplicadas.
sábado, 23 de janeiro de 2016
Férias, ler e relaxar!
Neste momento em que professores e alunos, e também outros profissionais curtem suas merecidas férias como costumeiramente faço indico livros, porém, o estilo que aprecio, algumas colegas de profissão com quem conversei afirmaram que tais obras não trazem o relaxamento que buscam, em resposta, afirmei que tais leituras me trazem prazer e que não consigo ler romances, mesmo, sabedor da importância literária de tal segmento. Lembro de ter lido romances na escola, por exigência do famoso diário de leitura da disciplina de Língua Portuguesa, porém, após ingressar na Universidade, com raras exceções, me acostumei a ler os chamados livros técnicos. Ocorre que há romances que extrapolam a ficção e que permitem uma melhor compreensão da história e da geografia de algumas regiões e, ao ouvir colegas citando grandes autores e títulos reconhecidos nacional e internacionalmente sempre me senti meio que analfabeto. Decidi então comprar e ler os ditos romances, mas, confesso, realmente não é a minha praia, além do fato de que alguns autores teem uma escrita prazerosa ao ler, outros nem tanto. Encontrei então uma alternativa, assistir a filmes e séries baseados em obras famosas, porém, nem toda obra famosa vira filme ou série o que nos deixa dependentes da boa vontade de Hollywood ou da Rede Globo. Acredito que o fundamento da nossa existência seja o de nos aperfeiçoarmos sempre mais a cada novo dia, então estou insistindo em sanar a minha dificuldade nesse campo. Neste sentido, no período das férias, decidi abandonar as tradicionais obras que exigem grande reflexão para buscar um relaxamento prazeroso com leituras leves.
Sendo assim, a primeira obra que indico, certamente já lida por grande parte dos leitores trata-se de “A Cabana” que trata da história de um pai que viveu muito tempo amargurado com o seqüestro e morte de sua pequena filha por ocasião das férias que passavam numa área de reserva natural e ao salvar alguns de seus filhos que haviam caído no rio deixa sua filha menor na margem junto ao trailer e ao voltar não mais a encontra, após as buscas, a polícia é acionada, encontram a roupa dela e sangue, mas, não o corpo. Anos depois, o pai sempre amargurado recebe um bilhete de sua falecida filha o convidando a voltar à cabana onde ocorreu o fato e desejando saber se aquilo era uma brincadeira de mau gosto, para lá se dirige sem contar à esposa e naquele local tem um encontro com Deus que o possibilita rever toda a sua vida e frustrações. Deus o leva até o local onde estava o corpo de sua filha, porém, o pai acorda numa cama de hospital, e fica sabendo que naquele período jamais esteve na cabana, pois estava em coma. Mesmo assim leva a polícia até o local e encontram o corpo da menina tal como Deus o tinha mostrado no período em que estava em coma e a polícia acaba descobrindo e prendendo mais tarde o criminoso que confessa o assassinato da menina e de várias outras.
Também comprei livros em espanhol do saudoso Gabriel García Márquez, famoso literato colombiano, Nobel de Literatura de 1982. O truque é o seguinte, leio para treinar o espanhol utilizando sempre que necessário o dicionário espanhol-português e assim tomo conhecimento da obra. Dessa forma, engano o cérebro e uno o útil ao agradável. A obra “Memoria de mis putas tristes” trata de um colunista de jornal que jamais se casou e que passou a vida de bordel em bordel e sempre pagando pelas suas companhias amorosas, que ao chegar aos 90 anos resolveu presentear-se com uma noite de amor com uma virgem. O livro, apesar da temática é de bom gosto, como não deixaria de ser qualquer obra de Gabriel García Márquez.
Sugestões de boa leitura:
YOUNG, William P. - A cabana. Editora Sextante.
MÁRQUEZ, Gabriel G. –Memoria de mis putas tristes (memórias de minhas putas tristes) – Ed. Debolsillo.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
Afinal, quem paga o pato?
O sistema de tributação brasileiro é complexo. Há muitos impostos diferentes, o que complica a vida dos cidadãos e das empresas na hora de calcular e fazer os devidos pagamentos. O maior problema da tributação brasileira não é a suposta e alardeada cobrança abusiva, pois, muitas nações possuem cargas tributárias superiores, porém, em contrapartida ofertam melhores serviços públicos de saúde, educação, infra-estrutura, etc. ou até excelentes como nos países escandinavos.
Há um modismo que consiste na vilanização dos impostos e que somente serve aos ricos que desejam pagar menos, justamente num país em que os estudos já demonstraram fartamente que a tributação (regressiva) se dá principalmente sobre o consumo (51,3%) e a folha de salários (25%) o que por si só já mostra que a classe trabalhadora (classe baixa e classe média baixa ou se preferir classes E, D e C) é a mais penalizada.
É importante que se diga que os impostos são instrumentos para a realização da justiça social, mas, como falar em justiça social quando os estudos científicos provam que a alta burguesia paga menos impostos que a classe trabalhadora e que esta é que de fato sustenta os Estados, os Municípios e a União?
A tributação sobre a renda que, deveria ser a principal fonte de recursos da União, foi apenas da ordem de 18,1% e os impostos sobre a propriedade em nosso país são baixos, principalmente os que incidem sobre as propriedades rurais, são irrisórios quando comparados aos países desenvolvidos. A lei brasileira também é muito camarada com relação à anexação de patrimônio por herança.
Além disso, desde 1995 (Governo FHC) os dividendos ou lucros amealhados por empresários por meio de suas empresas, são isentos de tributação, o que favorece a elite econômica, aumenta a concentração da renda e faz do Brasil juntamente com a Estônia, exceções à regra, pois, isso não ocorre nos demais países do G-20 (nações mais importantes do capitalismo mundial).
Desde 1986 encontra-se parado no Congresso Nacional, o projeto do imposto sobre grandes fortunas (IGF), que inversamente é realidade nos países desenvolvidos e até em alguns países subdesenvolvidos. E enquanto o povo brasileiro formado majoritariamente por trabalhadores continuar elegendo principalmente representantes da alta burguesia, não se espera que ocorram mudanças.
Alguns deputados do Partido dos Trabalhadores apresentaram uma proposta de isenção do IR para as pessoas físicas que ganham menos de R$3390,00 e a taxação de 40% para as pessoas físicas que recebem acima de R$108000,00. É um começo, porém, defendo a taxação progressiva com no mínimo 10 faixas de renda na razão de cinco pontos percentuais até um máximo de 45%, além de forte redução tributária sobre o consumo, que atualmente recai pesadamente sobre a classe trabalhadora.
O Brasil precisa fazer uma reforma tributária, porém, o que não se fala é que a discussão sobre a carga tributária traz em seu bojo o tamanho do Estado Brasileiro, os ricos o querem mínimo e, portanto socialmente injusto, pois, se queremos serviços públicos de saúde, educação, segurança e infra-estrutura, pode ser que não convenha reduzir a carga tributária, porém, se faz urgente melhorar a qualidade da tributação tornando-a mais simples e socialmente justa. O país tem um altíssimo nível de sonegação e evasão fiscal que precisam ser duramente combatidos, talvez com isso seja possível aliviar a carga tributária.
Concluindo, precisamos ter o foco na qualidade da tributação que precisa ser socialmente justa e na cobrança de melhores serviços públicos, pois, até aqui quem pagou e paga em dobro o pato que está na frente da FIESP não é o empresariado e sim o trabalhador brasileiro que arca com uma pesada carga tributária e não tem os serviços públicos com a qualidade que precisa.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
O Poder de fato!
Vivi um momento memorável na data de 25 de Setembro de 2015, nesta ocasião, na sede da APP-Sindicato em Curitiba, assisti à palestra do jornalista, apresentador, blogueiro e escritor Paulo Henrique Amorim, cujo convite foi intermediado pelo escritor e intelectual Emir Sader, que o lembrou se tratar do sindicato de educadores públicos que se posicionou contra as medidas autoritárias do Governador Beto Richa (PSDB) e cujos integrantes foram covardemente massacrados em 29 de Abril. Ao tomar ciência disso, Paulo Henrique não apenas aceitou o convite como estabeleceu que nada cobraria. A palestra ocorreu à noite após um dia todo de curso, mesmo assim com o auditório lotado a platéia acompanhou a brilhante palestra de lançamento de seu livro intitulado: “O Quarto Poder” em cuja capa há um expediente gráfico em que o número quatro se transforma no número um, ou seja, o grande poder, que a tudo e a todos influencia e dita os rumos da política e da economia! Paulo Henrique fez uma fala breve, nem por isso, menos brilhante, talvez prevendo o longo tempo que teria de destinar aos autógrafos e dedicatórias nos livros que naquele espaço foram vendidos às centenas. Eu digo sempre que jamais enfrentaria uma fila para pegar autógrafo de um artista da TV, mas, sempre que posso enfrento filas para pedir autógrafo a autores de livros, tanto mais, quanto mais admiro a obra ou o conjunto da obra e assim tratei de reservar meu livro e após algum tempo na fila consegui que autografasse o livro que adquiri.
Amorim contou que não confiava em gravadores (temia perder informações) e adotou como hábito registrar os fatos anotando em papel as falas das personalidades com quem teve a oportunidade de conversar, seja informalmente ou em entrevistas reunindo um vasto material que conta a própria história da imprensa nacional, principalmente, a televisiva, e que traz em seu bojo a história da construção e desconstrução nacional. PHA - é dessa forma que autografa seu livro conta que estava na esquina do Palácio do Catete e ao saber da morte de Getúlio para lá acorreu onde ficou junto ao cordão de isolamento, mais tarde veio a trabalhar com o jornalista e golpista Carlos Lacerda, e passou por várias redes de TV, inclusive a poderosa Rede Globo, à qual não poupa críticas, resultantes de sua convivência com os poderosos chefões e a política editorial com a qual discordava pela manipulação da opinião pública e excessiva e ilegal interferência na política governamental.
No livro, Paulo Henrique relata a convivência e o apoio recíproco entre a ditadura militar e a Rede Globo, pois, a Globo deu suporte à ditadura militar e esta empenhou muito dinheiro público que ajudou na construção desse império midiático muito criticado pelo autor do livro por ir contra dispositivo constitucional que impede a propriedade cruzada de empresas de comunicação (rádio, TV e Jornais), e a Rede Globo é uma gigantesca concentração midiática (rádios AM/FM, jornais, revistas, TV aberta e por assinatura, etc.) o que lhe atribui o poder de ditar a “verdade” para a população, seja ela o que seus chefes entenderem e desejarem que a população assim a assimile, a ponto de se dizer: “Não passou na Rede Globo, então não aconteceu”! Roberto Marinho, já falecido, afirmava: “o maior poder da Rede Globo não está no que ela noticia, mas, no que ela não noticia”, nesse sentido, dá para entender porque na “Retrospectiva 2015” não passou imagens do massacre de professores no Paraná e de estudantes em São Paulo que faziam a heróica ocupação de escolas públicas em oposição ao governo paulista de Alckmin (PSDB) que pretendia fechá-las, mesmo com a imensa repercussão nacional e internacional, o que demonstra não ter sido “mero esquecimento”.
Sugestão de boa leitura:
O Quarto Poder – Paulo Henrique Amorim – Editora Hedra.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
O feitiço do tempo ou eterno “mimimi”!
O ano de 2015 será lembrado por ser o mais tumultuado da era Lula e Dilma, pois, após uma eleição que contou com a trágica morte do forte candidato Eduardo Campos (PSB) e o naufrágio da candidata Marina Silva (PSB), a parcela da sociedade refratária à Dilma (PT) jogou todas as suas fichas em Aécio Neves (PSDB) e em grande parte da apuração Aécio liderava com folga, tanto que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) tomou um helicóptero para comemorar a vitória junto a seu pupilo, mas, numa virada cinematográfica ao estilo de Hollywood, Dilma venceu a eleição, quando da chegada dos votos da região Nordeste, cuja pobreza a faz conhecida além fronteiras e que nos governos Lula e Dilma receberam uma atenção nunca antes a ela dispensada. Foi a água no chope de uma oposição incoerente, irresponsável que antes mesmo da vitória da presidente, já havia afirmado “Dilma não pode se eleger. Se eleita, não pode governar”. A oposição procurou impor uma derrota ao Governo elegendo Presidente da Câmara Federal o corrupto Eduardo Cunha que vem lesando o país desde os tempos de PC Farias e Collor. A oposição também pediu a anulação da chapa Dilma – Temer, pedido rejeitado pela Justiça Eleitoral. Houve suspeição às urnas eletrônicas pela oposição que desconversava quando confrontada ao fato de que essas mesmas urnas mantêm os tucanos no poder em São Paulo há duas décadas.
Aécio mostrou-se antidemocrata ao não aceitar o resultado das urnas e ao questionar o índice de 47% de rejeição a ele atribuída recebeu como resposta do presidente do IBOPE de que apenas 15% dos votos eram de seus fieis eleitores e 33% representavam os votos da parcela da sociedade que é “anti-PT” e que votaria em qualquer outro candidato que tivesse chances contra Dilma. A rejeição a Aécio se confirma nas ruas, pois, muita gente afirma que nele não votaria mais. FHC, inconformado chamou os eleitores de Dilma de desinformados e ignorantes e em resposta, nas redes sociais proliferaram intelectuais e artistas declarando ter votado em Dilma. FHC é uma figura estranha, no exterior, tem o hábito de falar mal do Brasil e dos brasileiros desde quando era presidente e apesar de gostar de cultivar o status de intelectual esporadicamente demonstra grande insensatez ao proferir falas ignóbeis que somente agradam os vira-latas de plantão dos quais é líder. Dilma ganhou a eleição, mas, até o momento não teve paz para governar, pois, a oposição e a mídia corrupta e manipuladora não tiveram receios em queimar o pouco capital de credibilidade que dispunham para atear mais fogo à crise econômica jogando gasolina na crise política, como bem afirmou o intelectual Emir Sader: “triste o país, cuja oposição precisa que o país vá mal para que ela possa ir bem”. Como demonstrou Aloysio Nunes (PSDB) ao afirmar: “Quero ver Dilma (o governo) sangrar”, a oposição visando seus intuitos políticos não tem escrúpulos em trabalhar contra o país.
Lembro do filme intitulado “Feitiço do Tempo” em que um jornalista especializado em meteorologia ficava preso ao mesmo dia, de forma que todo novo dia, as notícias eram as mesmas, os fatos, os mesmos, e embora carente de lógica, o filme mostrava que cada novo “mesmo dia” era uma nova oportunidade para que o personagem melhorasse sua conduta. Oxalá, que em 2016 não estejamos presos ao feitiço do tempo, pois, ninguém aguenta mais esse eterno “mimimi” de uma oposição burra que trabalha contra o país e quer desrespeitosamente anular o resultado de uma eleição democrática. A oposição tem o direito e o dever de fazer o debate ideológico, mas, fazer oposição não significa agir contra o país, isso é insanidade, o Brasil precisa unir forças para sair da crise, e isso é o que povo deseja de seus representantes, pois, os interesses partidários e particulares não podem sobrepor-se aos interesses nacionais.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
O ocaso de uma legenda!
Ouço muito que a esquerda está em crise, que o PT está em crise, que o governo Dilma está em crise, no entanto, penso que, obviamente, o Muro de Berlim caiu para o lado errado, dessa forma, toda pessoa com pensamento progressista e, portanto contrário à ditadura do pensamento único conhecido por neoliberalismo se sente um tanto quanto órfã. Porém, inversamente, penso que a direita é que se encontra em crise, pois, está desalojada do poder federal há quatro pleitos, mesmo contando com o apoio maciço de uma mídia parcial que usa seus microfones e câmeras para fazer com que o povo pense o que convém ao grupo a qual pertence, a elite representante dos interesses estrangeiros nestas plagas e que o PSDB é seu representante. Que crise é essa que desmancha-se quando a comparamos com as crises do Governo FHC? Que crise é essa cujos dados socioeconômicos são largamente superiores aos do governo tucano (1994-2002)? A direita vive um martírio de ideias, de proposições e principalmente vive uma aridez intelectual, vai longe o tempo em que propunha ideias, (em meu ver equivocadas), mas, com argumentação, hoje, o que resta ao PSDB é o discurso do ódio e tal como os nazistas na Alemanha culparam indevidamente os judeus por todo azar ao povo alemão, da mesma forma, líderes tucanos e aliados se esforçam em criar no subconsciente coletivo, a inculpação do PT por todos os males de uma crise econômica mundial, retroalimentada por essa mesma direita antipatriótica, que prefere jogar gasolina na fogueira da crise a colaborar na extinção do incêndio, pois, não tem um projeto para o país, mas, um projeto de poder que vai muito além da partilha de cargos políticos, pois, o golpe cuja orquestra aqui toca tem como maestro Wall Street.
Todos sabem que um autêntico discurso de direita não ganha eleição, e, como ganharia prometendo: mais arrocho salarial; menos recursos para a Educação; mais superlotação de salas de aula; mais fechamento de escolas e menos dinheiro para a Saúde? Lógico, tem aquele bonito e demagógico discurso de que é possível fazer mais com menos dinheiro, “é preciso racionalização” dizem! O que eles não dizem é que a economia de recursos em gastos (investimentos) sociais tem por objetivo ter mais dinheiro para obras realizadas de forma terceirizada, por meio de licitações vencidas, de forma nem sempre legítima, pelos empreiteiros patrocinadores de campanha! Se o discurso de direita não ganha eleição, os políticos neoliberais fazem como o Diabo citado por Shakespeare, que: “não tem dúvidas em recitar a Sagrada Escritura quando lhe convém”, e, faz discursos dúbios, e, se confrontados, dão a impressão que irão trilhar no caminho do Estado de Bem-Estar Social, justamente o que depois de eleitos buscam destruir. A maioria do povo possui uma pauta de esquerda para o país, mas, muitos votam com a direita, porque não sabem realmente o que é ser de esquerda ou de direita. Na falta de ideias, de liderança intelectual, o PSDB líder da oposição se apequenou e despiu-se de seus preceitos morais e éticos e lançou-se na aventura inconseqüente do golpismo visando devolver o Brasil ao posto de mais uma “República das Bananas”, posto conquistado durante o golpe militar de 1964.
O PSDB é um partido estranho, tem a social democracia em seu nome, porém, a combate, pois, é neoliberal, critica a corrupção, mas, se une ao golpismo de Eduardo Cunha, comprovadamente corrupto. O mesmo PSDB que afirma defender a educação iniciou o ano batendo em professores no Paraná e terminou o ano em São Paulo agredindo estudantes que defendiam o funcionamento de suas escolas! O PSDB atual empalidece de vergonha (ou deveria) ante ao idealismo de alguns de seus saudosos fundadores, tais como José Richa e também daqueles que vivem tais como Bresser Pereira, para desapontados, verem o ocaso de sua utopia.
sábado, 12 de dezembro de 2015
O Brasil é um país sério?
Há algum tempo lamentei a sorte do Paraguai ante ao golpe praticado contra o mandato legítimo de Lugo patrocinado pela elite reacionária daquele país em prejuízo das classes populares que tinham no ex-presidente seu representante. Apesar de saber por conta de minhas leituras e reflexões que para a elite tupiniquim, os fins justificam os meios, por mais inconfessáveis que eles sejam, vejo instalado em nosso país a estratégia para repetir nestas terras o golpe paraguaio embora alguns digam que o Brasil não é o Paraguai, a oposição jura que é. Há uma frase de Charles de Gaulle que sempre me causou indignação e que diz: “o Brasil não é um país sério”!
O que dizer de uma oposição com vários representantes citados ou investigados por corrupção e que almejam a vitória num processo de Impeachment contra uma presidenta para a qual nada foi encontrado para legitimar a sua cassação? Podemos chamar de séria e proba uma oposição que se une a um presidente da Câmara denunciado com farto material comprobatório de sua corrupção? Várias entidades internacionais e nacionais, dentre elas, a insuspeita OAB e vários juristas de renome afirmam não haver base legal para o Impeachment, mesmo assim num ato irracional e raivoso a direita prefere jogar o país no abismo, não se importando com os custos sociais e econômicos a serem pagos pelo povo. Justo uma direita que em matéria de combate à corrupção pouco ou nada fez quando esteve no governo? E que moral possuem o DEM, o PMDB e o PSDB para debater a ética na política quando lideram o ranking de políticos cassados por corrupção?
Nunca confiei em Temer, antes da primeira eleição de Lula era contra alianças com a direita, sempre temi pelo que agora se evidencia, reconheço, porém que sem tal aliança a esquerda jamais teria chegado ao Governo, pois, o Poder sempre esteve nas mãos dos banqueiros, que tomaram este país de refém com os juros pornográficos que exigem. O PMDB sempre desejou ser cabeça de chapa, mas, quando tentou falhou, porém, diante da necessária governabilidade e sempre cortejada sua grande bancada agiu como uma prostituta de luxo, sempre pronta a trabalhar para quem pagasse o valor exigido. O PSDB conhece a reputação do PMDB e já acena o apoio a um improvável governo Temer. Brasileiro e democrata que sou não posso acreditar na prosperidade disso, mesmo assim, reflito: Estará o PSDB disposto a se PMDBizar? Exercer papel secundário? Pois, o PMDB certamente desejará lançar o próximo candidato presidencial! Se o PSDB quiser lançar candidato próprio, o PMDB aceitará voltar para o papel secundário? E o fator Lula? Afinal, Lula já arranca com 30% das intenções de voto e sempre cresce! E o documento intitulado: “Uma ponte para o futuro” bem ao gosto da elite financeira nacional e internacional e pautada no Consenso de Washington que o PMDB ousou lançar agora, terá coragem de fazê-lo em campanha presidencial e justificar que pretende desmontar a CLT e estimular a livre negociação benéfica aos patrões e danosa aos trabalhadores? Terá coragem de afirmar que pretende desmontar a Petrobras e acabar com regime de partilha do petróleo do Pré-Sal e retirar os royalties que iriam para a Educação e a Saúde? E sobre o fim dos reajustes reais do salário mínimo e sua vinculação aos aposentados, defenderá que aposentados possam ganhar menos que salário mínimo? E sobre a Educação e a Saúde afirmará com todas as letras que deseja liberar os governantes dos investimentos mínimos nestas pastas para que eles possam gastar quanto desejarem, ou seja, menos?
O que está em jogo não é apenas o governante do país, pois, existem interesses internacionais na desestabilização do Brasil (a Petrobras, o petróleo nacional, a destruição do projeto de soberania nacional, o engate à ré nos projetos do MERCOSUL, da UNASUL e do BRICS). Políticos oposicionistas não revelam suas verdadeiras intenções e uma parcela alienada do povo não consegue pensar além do que a mídia pensa por ela.
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