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sábado, 26 de abril de 2014

A direita envergonhada

      Um estudo realizado por acadêmicos da Universidade Brock (Canadá) afirma serem mais inteligentes as pessoas com ideologias de esquerda do que as pessoas com visões de mundo de direita. A pesquisa foi realizada visando a medição do grau de inteligência de 15 mil pessoas com idades entre 10 e 11 anos de idade e que voltaram a ser analisadas aos 33 anos de idade no Reino Unido. Os autores da pesquisa concluíram que as crianças com os menores níveis de inteligência tornaram-se adultos com posicionamento ideológico de direita e também portadores de preconceitos (racismo, homofobia, etc.).
               Evidentemente trata-se de uma pesquisa polêmica, mas, que não deve ser de todo descartada, pois, penso que para ser capitalista não é preciso grande esforço intelectual, o mundo é capitalista, as pessoas são bombardeadas a todo o momento pelo capitalismo, respiram o capitalismo, o DNA de grande parte das pessoas está impregnado pelo capitalismo. 
            O que estou querendo dizer é que ser capitalista é o normal, não há outra possibilidade no momento, assim, as virtudes e os defeitos do capitalismo são incorporados pelas pessoas como algo extremamente natural. Dessa forma, estupefato vejo pessoas que não possuem fábricas, fazendas e nem mesmo exploram a mais-valia de ninguém estufar o peito para orgulhosamente dizer que são capitalistas, apesar de toda a contradição que isso implica, pois, não são mais que proletários alienados.
                 Apesar da megacrise global de 2008 ter sido considerada pelos pensadores da esquerda como a morte do neoliberalismo e de poucos serem os economistas que ainda fazem a defesa de tal fundamentalismo capitalista, a vida não se tornou mais fácil para os seres humanos que sonham com uma sociedade justa, solidária e fraterna, algo que é por natureza incompatível com o capitalismo, pois, tal sistema é concentrador da renda, portanto produtor de exclusão social. 
        A direita tem um grande e poderoso aparato de convencimento que inclui os meios de comunicação de massa que, desinformam e omitem tudo que não lhes é conveniente e informam aquilo que convém à elite. Grande parte das pessoas não é culta e politizada o suficiente para entender que os grandes canais de TV, jornais e revistas agem como partidos políticos com a intenção de defender os interesses econômicos e políticos da classe social à qual pertencem e da qual desejam ter o seu representante a conduzir os destinos do país. 
              O comodismo da classe trabalhadora é outro fator que constitui grande obstáculo para o avanço das ideologias de esquerda de forma tal que Lênin afirmou ser a classe proletária portadora de vocação reformista e não revolucionária, sendo dessa forma necessária uma vanguarda revolucionária, ou seja, um grupo de intelectuais para conduzir os trabalhadores no rumo da revolução. Mas, a tarefa não é fácil, pois grande parte dos trabalhadores pensa de forma burguesa, o que torna proféticas as palavras de Aldous Huxley: “A ditadura perfeita terá as aparências da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão”. 
         Não sei dizer se a referida pesquisa que deixou o pessoal da direita revoltado tem caráter científico indubitável ou não, o que posso dizer é que ao contrário do capitalismo, ninguém na base do senso comum defende o socialismo, pois, o senso comum é contrário ao socialismo tendo em vista as intensas campanhas difamatórias promovidas no mundo ocidental contra tal sistema. As pessoas com ideologias de esquerda estudam Marx por anos ou décadas e vivem angustiadas que seus estudos não lhes permita vislumbrar a transformação do status quo da sociedade cuja hegemonia capitalista parece indestrutível. 
            No entanto, se observarmos a lista dos grandes líderes e intelectuais com projeção mundial (falecidos ou não) verificamos claramente que a maioria esmagadora destes pertenceu/pertencem aos quadros da esquerda, pois, pessoas com grande intelectualidade tendem a não aceitar a ordem/desordem que governa o mundo e concluem que tal como é impossível curar intoxicações com mais veneno, não se combate problemas capitalistas com mais capitalismo. 

P.S. 1. Concordo com a pesquisa que pessoas preconceituosas costumam ter baixo nível intelectual, mas não que toda pessoa com baixo nível intelectual é preconceituosa; 
     2. Fernando Henrique Cardoso (FHC) recentemente se declarou de esquerda provocando além de risos da esquerda, constrangimentos da direita que tem nele um ídolo. Tal fato levou o autor dessas linhas a pensar que FHC leu a referida pesquisa e está tentando convencer a todos que a sua intelectualidade não pode ser questionada levando em conta a forma como governou o país.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

A pauta que me pauta

           Há alguns dias li uma frase de autoria do escritor e jornalista Paulo Mendes Campos (1922-1991) que me deixou intrigado, a frase: “escritor é quem tem dificuldade para escrever, quem tem facilidade para escrever é orador”. 
             Ao refletir sobre a frase vi que nela não me encaixo, pois tenho grande facilidade para escrever, no que sou melhor do que ao manejar o microfone, pois tenho uma relação mais íntima e prazerosa com o computador e o papel no trabalho solitário de trazer uma ideia ou reflexão ao mundo. 
          Ao dar certidão de nascimento a um novo artigo o faço sempre pautado pela coerência com a minha história de vida e os ideais que norteiam a minha personalidade, não escrevo para agradar ninguém, pois, poderia incorrer em desonestidade para comigo mesmo. 
         Também não escrevo com a intenção de mudar a forma de pensar de ninguém, escrevo defendendo as coisas em que acredito e para que as pessoas que pensam de igual forma saibam não estarem sozinhas.
                Sei que minhas linhas agradam alguns e desagradam outros, da mesma forma leio muita coisa que me desagrada e fico feliz que vivamos num país democrático que possibilita a coexistência da pluralidade de ideias. 
            Sei também que a leitura dos temas e textos longos que escrevo é desprezada por muitas pessoas, isso não me incomoda ou entristece, porque escrevo primeiro para mim e reparto com aqueles que buscam subsídios para livremente pensar, não importa que sejam poucos, importa que sejam como são: seres pensantes. 
                O mundo seria muito triste e vazio se todos pensassem da mesma forma, lamentável é saber que nem todo mundo pense assim, pois o pensamento único não é fermento da democracia, mas, sustentáculo da ditadura. 
                Em nossa prática devemos fazer-nos acompanhar da coerência que deve ser a pedra basilar de nosso pensamento e ação, mas não pode ser uma coerência paralisante que nos torne indiferentes e incapazes de agir quando o momento nos pede que nos posicionemos. A coerência não significa que nos tornemos insípidos para agradarmos às pessoas, pois isso tem nome chama-se oportunismo. 
            Os oportunistas trilham os caminhos da vida sem rumo certo conforme os ventos do momento lhes mostra onde se encontram as maiores possibilidades de satisfação pessoal, dessa forma buscam não “queimar o filme” se posicionando sobre temas espinhosos e nem mesmo fazer parte de causas que não tragam algum benefício, razão pela qual costumam se posicionar junto ao grupo mais poderoso vendendo a este, a alma. 
             Na vida é preciso tomar partido, já afirmava o grande pensador italiano Antonio Gramsci (1891-1937) “Odeio os indiferentes. Acredito que viver significa tomar partido. Indiferença é apatia, parasitismo, covardia. Não é vida. [...]”. 
            O leitor pode até não gostar do que escrevo, mas jamais poderá dizer que não tomo partido, pois, ao deixar claro meu posicionamento ideológico, agrado uns e desagrado outros, mas evidencio que o oportunismo é um traço de personalidade lamentável em qualquer pessoa. 
             Ser coerente não é acenar com a cabeça concordando com a maioria, pois a maioria nem sempre representa as causas mais justas e as ideias mais elaboradas, a coerência não é um lugar e nem um tempo, ela é a nossa própria essência quando não estamos perdidos de nós mesmos. 
                Somente encontramos a essência daquilo que conhecemos bem e a maioria das pessoas é para si própria, um estranho. Escrever é para mim uma possibilidade de a cada texto conhecer-me um pouco mais e a pauta que me pauta é a essência do meu próprio ser.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Cuspindo para o alto

        Há um campeonato em disputa neste momento e o leitor se engana ao pensar que me refiro aos estaduais ou à Taça Libertadores do meu clube de coração, o Imortal Grêmio, falo acerca do campeonato de cuspe para o alto empreendido pelos políticos oposicionistas e seus simpatizantes, pois, apesar dos avisos da Pátria-Mãe Portugal, cujo conhecido provérbio vaticina para todos aqueles que têm ouvidos para ouvir e olhos para ler: “Quem cospe para cima, na cara lhe cai”, nem todo mundo quer ouvir provérbios e muito menos ler, mas deveriam. 
            Li e ouvi muito que o Produto Interno Bruto (PIB) de 2013 da ordem de 2,3%, era um “pibinho”, portanto, insignificante. A turma do “quanto pior, melhor” estava ainda comemorando o fracasso brasileiro quando veio o balde de água fria, o “pibinho” brasileiro era o terceiro maior de um grupo de treze grandes economias mundiais ficando atrás apenas do “planeta China” e da Coréia do Sul e superando o todo poderoso Estados Unidos da América, o Japão, a Alemanha, o Reino Unido, a França, etc. O “pibinho” não era assim tão “pibinho” principalmente levando em conta o momento atual resultante dos desdobramentos da crise internacional de 2008. 
                 É preciso enfatizar que crescer como a China somente é possível para a própria China, por isso a denominei “Planeta China”, explica-se, um crescimento muito acelerado tal como um crescimento pequeno traz problemas, pois, para crescer a taxas chinesas é necessário estar preparado para tal (infraestrutura, geração de energia, etc.) ou o sonho desmorona como num castelo de cartas.
                 O Brasil é um país cuja infraestrutura começou a ser ampliada e modernizada nos últimos dez anos, pois, o que havia era herança do período militar, uma vez que Sarney, Collor e Itamar pouco fizeram e o Governo FHC além de investir pouco, se preocupou mais em vender as “Joias da Coroa”, ou seja, as estatais, principalmente as mais lucrativas a preços para lá de camaradas (privataria tucana).
             Mas, toda aquela fala sobre “pibinho” me despertou a curiosidade, afinal, de quanto foi o crescimento do PIB no período (1995-2002) quando FHC(PSDB) governava o país? Fiz então uma pesquisa e descobri que as taxas no período foram: 1995: 4,2%; 1996: 2,2%; 1997: 3,4%; 1998: 0,0%; 1999: 0,3%; 2000: 4,3%; 2001: 1,3% e 2002: 2,7%. Então me perguntei qual a média de crescimento do período FHC? Para saber somei as taxas de crescimento e dividi pelos oito anos em que esteve na “gerência” do país e descobri que a média de crescimento da Era FHC foi..., pasmem... 2,3%, ou seja, “pibinho”... O PIB de FHC foi um “pibinho”!
                 Caso o leitor duvide pegue a calculadora e faça as contas. E FHC conseguiu o índice de 0,0% num período em que não houve uma crise da proporção daquela registrada em 2008 com hipocentro nos EUA e sim crises de menor impacto (a crise mexicana 1995, a crise russa salvo engano em 1998). Li e ouvi que a inflação estava preocupante no Governo Dilma, decidi então pesquisar a média de inflação do período FHC(PSDB) e descobri que ela foi de 9,1% ao ano para o período (1995-2002), com Lula (PT) no período (2003-2010) os preços subiram numa média anual de 5,8% e o Governo Dilma (PT) em seus três primeiros anos (2011-2013) cravou uma média anual de 6,1%, índice próximo ao de Lula, ou seja, a esquerda no Poder não tornou o Brasil um paraíso, porém, a direita quando no Poder esteve jamais fez melhor e ao criticar o governo Dilma, a oposição uma vez mais cuspiu para o alto e o cuspe caiu em seus olhos, é o que dá fazer piada de nossos irmãos portugueses e não dar crédito aos seus provérbios simples, porém, sábios.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Uma ferida que nunca cicatriza – Parte 2

            Qualquer pessoa que tenha um razoável conhecimento da história nacional acerca do período militar (1964-1985) e que faça uma breve leitura da Declaração Universal dos Direitos do Homem irá constatar que vários artigos foram desrespeitados naquele período e concluirá que os governantes brasileiros praticavam o Terrorismo de Estado e que a ONU nada fez de concreto para impedir a violação sistemática dos direitos humanos no país. 
            Os Estados Unidos, apoiador da ditadura brasileira jamais se submeteu à ONU e, sempre exerceu forte pressão sobre os países membros fazendo uso do enorme poder de influência, política, militar e principalmente financeira de que dispõem. É sempre bom ter a amizade e a boa vontade de “Tio Sam”, assim pensam muitos representantes de países do mundo que ao colocar o comércio acima dos direitos humanos e mesmo do Direito Internacional de certa forma se prostituem. 
            O leitor jamais verá um presidente estadunidense julgado por crimes contra a humanidade, não que eles não cometam tais crimes (milhares são as vítimas inocentes), mas porque jamais a ONU terá poder e coragem suficiente para levar tal presidente a julgamento e os EUA não consentiria. Mas quem somos nós para fazer tal afirmação? Acaso os ditadores militares brasileiros mereciam destino diverso que não o Tribunal Internacional de Justiça? 
        “Tio Sam” apoiou ditaduras sanguinárias no continente americano, foi assim no Brasil, na Argentina, no Chile, no Uruguai, no Paraguai, etc., é que para o “Big Brother Yankee” uma ditadura se torna palatável se os ditadores em questão seguem a cartilha yankee, e os militares brasileiros seguiram sua cartilha à risca, garantiram os interesses estadunidenses no país, colocaram o Brasil de joelhos perante o FMI, reprimiram as lideranças de esquerda e para tal tiveram importante auxílio de oficiais estadunidenses que elevaram as técnicas de tortura do regime militar brasileiro para o nível científico e os militares brasileiros como bons aprendizes tornaram-se multiplicadores de tais conhecimentos para os países vizinhos também governados por ditaduras. 
            As técnicas de torturas utilizadas pelos militares cujo know-how “Made in USA/Brazil” era variado (pau-de-arara, cadeira do dragão, choques elétricos, balé no pedregulho, telefone, afogamento na calda da verdade, afogamento com capuz, mamadeira de subversivo, soro da verdade, massagem, geladeira, etc.). O Brasil é um país membro fundador da ONU, entidade supranacional que promulgou a Declaração Universal dos Direitos do Homem em 10 de Dezembro de 1948. Trata-se de uma carta de princípios que estabelece os direitos fundamentais, civis, políticos e sociais de todos os seres humanos sem discriminação de raça, cor, sexo, língua, nacionalidade, religião, opinião política, origem nacional ou social, fortuna, nascimento ou outro estatuto. Imagino que os representantes brasileiros enrubesciam de vergonha ao pensar sobre as atrocidades aqui cometidas e terem que acobertar tal assunto, mesmo que sob a aquiescência tácita da ONU. 
            Penso que as Forças Armadas deveriam pedir perdão ao povo brasileiro e o mesmo deveriam fazer os EUA por terem promovido e apoiado a ditadura que aqui se implantou em 1964, porém, não tenho ilusões, reconhecer erros cometidos pelo Estado é próprio de grandes estadistas dotados de grande senso humanitário e de justiça e os Estados Unidos não tem sido pródigos na geração de tais lideranças e suas ações não constituem mais que estratégias para perpetuar o seu domínio imperialista sobre o planeta. 
           Os EUA não se redimem e ocultam sua participação no golpe e os fascistas brasileiros continuam a defender a carnificina que promoveram desdenhando da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que o Brasil aclamou e acatou na Assembleia Geral da ONU e da qual deixo alguns artigos para a apreciação do leitor. Artigo III - Todas as pessoas têm direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal; Artigo V - Ninguém será submetido à tortura, nem a punição ou a tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes; Artigo IX - Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado. Artigo XIX - Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Uma ferida que nunca cicatriza

       No dia 22 de março houve nas capitais brasileiras uma tentativa de reeditar a marcha da família com Deus pela liberdade a qual originalmente foi levada a cabo no ano de 1964 e de cuja participação boa parte das pessoas se arrependeu, pois, embora não tivessem a intenção contribuíram para chocar o ovo da serpente, ou seja, deram suporte à implantação do regime sanguinário que se instalou no país no dia 01 de abril de 1964. 
         Naquele tempo, a Guerra Fria estava em seu auge, e a estratégia da extrema direita era amedrontar a população usando o senso comum para convencer dos riscos da “ameaça comunista”. Hoje, sabe-se que a Igreja apoiou fortemente o golpe militar e que houve religiosos cooptados pela Central de Inteligência Americana (CIA) para desempenhar o importante papel de levar o povo às manifestações em apoio aos militares e opondo-se ao governo democraticamente eleito de João Goulart que sucedeu o renunciante Janio Quadros.
             A verdade é que desde o tempo de Getúlio Vargas, os militares golpistas espreitavam o Poder, o suicídio de Getúlio adiou a sanha golpista, mas não a impediu. Os Estados Unidos da América não gostavam de ver o Brasil governado por líderes esquerdistas e temiam que a União soviética exercesse influência nos destinos do país e após a derrota que sofreram em Cuba (1959) não hesitaram em colocar sua esquadra no mar territorial brasileiro, pois, na eventualidade de que os militares amotinados não obtivessem êxito na execução do golpe o braço armado de “Tio Sam” invadiria o país para completar o serviço, no entanto, a não resistência do Presidente João Goulart para evitar um banho de sangue tornou as coisas mais fáceis para os golpistas e para “Tio Sam” que tratou de disfarçar as evidências que tinha contra si, mas o banho de sangue foi apenas postergado, pois, instalou-se no país uma ditadura que acabou com as liberdades civis na qual, políticos progressistas, professores, estudantes, artistas e intelectuais que defendiam a democracia passaram a ser perseguidos e milhares foram presos, torturados e mortos. 
                É uma ingenuidade pensar que o golpe se deu unicamente pelo medo da implantação de um regime socialista no país, pois, pesquisas mostraram que embora Jango tivesse a pretensão de fazer as famosas reformas de base, até hoje não realizadas, os verdadeiros motivos eram o tabuleiro de xadrez jogado por Estados Unidos e União Soviética na disputa da hegemonia mundial e os interesses econômicos estadunidenses contrariados pelo governo nacionalista de Jango, e principalmente a estreita amizade entre os militares brasileiros e estadunidenses cujos laços atados por ocasião da Segunda Guerra Mundial permitiram uma conversa franca e sem rodeios sobre qualquer tema, inclusive, o oferecimento de certas vantagens para alguns personagens militares de alto escalão. Sim, malas de dólares foram entregues para alguns líderes militares, que ao se venderem, venderam também o futuro do país.
                 A direita representante da classe social privilegiada não apenas apoiou o golpe, como atuou para que ele ocorresse, pois, não admitia reformas que acabassem com os privilégios da minoria que representavam em benefício da população de maioria pobre. A marcha de 22 de março de 2014 foi um fiasco, mas a vergonha não é pela pouca adesão ao movimento que pedia o retorno da ditadura militar, mas pelo fato de que em pleno século XXI existam pessoas com um pensamento tão retrógrado, alienado, fascista e sem nenhum senso de justiça social e com um total desconhecimento da história nacional que não a contada por aqueles que defendiam o regime e dele se beneficiaram, sejam políticos da direita, empresários e mesmo alguns jornalistas que hoje atuam na Grande Mídia (Redes de TV e grandes jornais e revistas) que insolentes chamam a ditadura de “ditabranda”, pois é próprio de pessoas fascistas além da desqualificação de quem pensa diferente jamais reconhecer erros cometidos. 
                A ditadura militar infligiu na alma do povo brasileiro uma ferida que nunca cicatriza.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Oito de março dia da “mea culpa” masculina

    Se um extraterrestre viesse a Terra no dia 8 de Março e observasse as tantas e tão belas homenagens pela passagem do Dia Internacional da Mulher, na TV, nas revistas, nos jornais, etc., julgaria que a Terra era certamente o paraíso para elas e aos homens só restaria lamentar não terem nascido mulheres. 
        Nas ruas, homens carregando presentes e também mulheres sorridentes empunhando buquês de rosas. Se o extraterrestre ligasse algumas estações de rádio e observasse as letras das músicas tocadas neste dia se encantaria com as demonstrações de reconhecimento da importância da mulher, feitas de forma tão generosa e, sobretudo poética. 
       Constataria que nascer mulher neste planeta era sem dúvida uma sorte muito grande, principalmente quando movido pela curiosidade fizesse uma pesquisa numa “primitiva” rede conectiva de computadores denominada pelos terráqueos como Internet e numa rápida contagem constataria que a mulher é central na letra da maioria das músicas, sendo que centenas destas têm como títulos nomes femininos tais como Anna Júlia, Iolanda, Camila, etc.. 
         Mas, o dia 8 de março é tal como o conto de Cinderela, o encanto termina à meia-noite, e, a mulher de centro das atenções volta à dura realidade da vida real, pois, em todo o planeta, dos países subdesenvolvidos aos países desenvolvidos, as mulheres são discriminadas no mercado de trabalho e recebem salários menores mesmo exercendo a mesma atividade que colegas do sexo masculino. As progressões na carreira são mais arduamente conquistadas e isto nada tem a ver com a capacidade delas e sim com questões culturais de um mundo machista. 
         O desrespeito aos direitos humanos desconhece gênero, mas é mais grave quando a pessoa atingida é do sexo feminino, em muitas culturas o direito à educação formal, o acesso ao mercado de trabalho, enfim, o reconhecimento necessário da igualdade entre homens e mulheres é algo ainda muito distante. 
            Em pleno século XXI, a realidade das mulheres em alguns países é a da mutilação de seus genitais (clitóris), pois, a “cultura” de certas sociedades não permite às mulheres obter o prazer sexual, então, ainda meninas têm seus corpos profanados por mentes insanas “castrando” não somente o corpo, mas sua alma de mulher, afinal, sexo é vida, faz parte da realização humana e a mulher, tal como o homem tem todo o direito a desfrutar desse prazer conforme desejar e sua consciência permitir. A mulher é tida como objeto e os relacionamentos amorosos infrutíferos e companheiros/ex-companheiros violentos muitas vezes contribuem para aumentar as estatísticas do feminicídio (assassinato de mulheres em virtude de seu sexo), uma chaga existente em todo o mundo. 
             Caso o extraterrestre a que me referi no início desse artigo, tivesse ficado em nosso planeta apenas durante o dia 8 de março ao voltar para seu planeta de origem levaria ótimas referências sobre os seres humanos do sexo masculino e de como é bom ser mulher neste planeta. No entanto, uma análise mais acurada da realidade, ou a permanência por apenas mais um dia mostraria ao suposto ET que oito de Março é na verdade um dia simbólico da luta das mulheres por seus direitos e também uma data que foi corrompida pelo Capitalismo ávido por lucros e usada para o ato de “mea culpa” pelos homens que no restante do ano tratam-nas como serviçais. 

P.S. 1. Até hoje não se comprovou cientificamente a existência de extraterrestres e os cientistas se dividem quanto a tal possibilidade; 2. Esse artigo não está atrasado, pois “oito de março” para as mulheres é todo dia; 3. Não sou perfeito, também faço “mea culpa” no dia 8 de Março; 4. As mulheres trocariam as homenagens do dia 8 de março pelo seu engajamento na luta pela conquista e reconhecimento aos direitos delas.

sábado, 15 de março de 2014

Nem tudo que reluz é ouro!

       Neste espaço, em várias oportunidades comentei sobre a desinformação reinante e afirmei ser no mínimo uma ironia isto acontecer em plena época da sociedade da informação. Conheço pessoas que desencantadas abandonaram as redes sociais na Internet, pois suas expectativas foram frustradas por causa do baixo nível das discussões que nelas se realizam. 
         Não sou tão radical, mas, sou obrigado a concordar que nas redes sociais e nas conversas informais, considerável parte do discurso das pessoas não vai além do senso comum, ou seja, o conhecimento nele embutido não é suficientemente refletido e não possui aprofundamento teórico. 
             No entanto, vivemos na sociedade da informação, estamos conectados com o mundo e o mundo conosco. Somos bombardeados por tanta informação que já não damos conta de mantermo-nos atualizados, os acontecimentos socioeconômicos e políticos ocorrem de forma cada vez mais célere e a nossa reflexão devido ao escasso tempo já não consegue acompanhar. 
            A sociedade atual é viciada em informação e não faltam fontes para suprir a necessidade humana da busca da “luz”, no entanto, informação não necessariamente se traduz em conhecimento, pois, depende do “modus operandi” que cada pessoa faz dos terabytes de dados com os quais é bombardeado a todo momento e do garimpo que faz para entre o cascalho achar os diamantes. 
        Não faltam diamantes, porém, é necessário lapidar a informação, aparar arestas, descobrir o verdadeiro teor que se esconde por trás daquilo que a leitura superficial revelou ou que o filtro ideológico omitiu, pois, nem tudo é o que aparenta ser, “nem tudo que reluz é ouro”, diz o famoso adágio popular que serve para nos lembrar da possibilidade do equívoco ou da indução ao erro pela não reflexão, afinal, todos (articulistas, editoriais, meios de comunicação) têm sua ideologia e intencionalidade implícita, e, isto é algo que precisa ser desvelado. 
            Importa saber que há grande diferença entre informação e conhecimento, qualquer pessoa pode ter em sua memória uma grande bagagem de dados, no entanto, o verdadeiro conhecimento se produz com o tratamento dado a estas informações, ou seja, ler bastante pode tornar uma pessoa muito informada, mas isso não necessariamente se traduz em conhecimento. Não é raro encontrar pessoas capazes de memorizar cada palavra de um artigo ou até mesmo um livro inteiro sem grande esforço, porém, quando lhes é exigida uma transposição filosófica da literatura para a realidade concreta e/ou uma reflexão crítica as dificuldades se agigantam.
             Pensar é uma atividade difícil, por isso tão pouca gente se dedica a tal ato já afirmava Einstein, talvez por isso, ou por mero comodismo, as pessoas deixam de assistir programas de TV que levam seus telespectadores a reflexão e se recusam a ler qualquer texto que tenha mais que os 140 caracteres do padrão Twitter. Todos sabemos que uma boa reflexão crítica exige espaço e também a disposição dos leitores, no entanto, enquanto para alguns a leitura é uma atividade prazerosa, para outros é um ato penoso. 
            Se para muitos ler é difícil, e quanto a pensar? Aí já é um ato que beira um ritual de tortura para muita gente. As pessoas parecem ter prazer em consumir o que bestializa, embrutece, insensibiliza, de tal forma que o conhecimento, verdadeiro alimento natural para a alma é substituído pelo senso comum, pela futilidade, pela pornografia, pela violência, etc. que acaba tornando os consumidores tão semelhantes entre si quanto os produtos a eles ofertados, pois toda pessoa é aquilo que consome.