Powered By Blogger

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Jornalismo chapa-branca ou de secos e molhados!

É impressionante e deprimente como a grande mídia trata mal o jornalismo em nosso país. Isso é algo que ficou evidente durante o processo de Impeachment contra Dilma Rousseff quando a atenção internacional se voltou para o Brasil e grandes meios de comunicação estrangeiros perceberam que precisavam colocar correspondentes no país, pois, a grande mídia nacional não constituía fonte confiável para obter as informações necessárias para bem informar a população de seus países sobre o que ocorria nestas terras. A grosseira manipulação da opinião pública por meio da distorção e deturpação das notícias publicadas por gigantescas empresas de comunicação constituiu uma poderosa ferramenta a serviço do golpe e da interrupção da democracia em nosso país. Vivemos num estado de exceção e como é comum nesses períodos, a plutocracia e a mídia reacionária irmanadas no golpe pretendem conquistar a hegemonia do discurso. O governo golpista busca a aceitação tácita da população e a grande mídia deseja colher os frutos resultantes de seu “trabalho” prestado em favor dos golpistas e em desserviço à nação. Durante os governos de Lula e Dilma, a publicidade do governo federal foi realizada por meio de um processo de relativa desconcentração de veículos midiáticos. O governo buscava interiorizar a publicidade governamental e isso favoreceu pequenas e médias empresas de comunicação situadas no interior do país que a receberam. Nos governos anteriores, principalmente na gestão FHC, poucos veículos de comunicação, notadamente os maiores e mais poderosos abocanhavam quase toda a publicidade do governo federal. É interessante observar que essa política dos governos petistas não foi bem recebida pelos mais poderosos meios de comunicação que não pouparam esforços para desestabilizar o governo perante a sociedade, mesmo que para isso os jornalistas chegassem ao ponto de metaforicamente rasgar seus diplomas ao esquecer a teoria aprendida nos bancos universitários sobre o bom jornalismo. Ao assumir a presidência do Brasil, Michel Temer o fez marcado pela ilegitimidade de um processo que manchou ainda mais o país perante as nações democráticas do mundo. O Congresso Nacional manobrou, manipulou e desobedeceu a Constituição Federal ao levar adiante um processo que deveria ter sido sustado por não conter provas de culpabilidade contra a Presidenta. O Supremo Tribunal Federal ao permitir e avalizar o golpismo travestido de Impeachment “rasgou” a Constituição Federal e legitimou o governo plutocrata ao extinguir o Estado de Direito e colocar em seu lugar, o Estado de Juristas, cuja prática do “decisionismo” com suas interpretações bipolares da lei de acordo com o momento e as cores partidárias envolvidas jogou o país numa nova e triste realidade, a da insegurança jurídica. A revista Carta Capital em seu artigo “O golpe será televisionado” (de 26/10/2016) destaca a reconcentração das verbas publicitárias por meio do aumento dos valores percentuais destinados aos mais poderosos grupos de comunicação nacionais e que são justamente aqueles que mais batiam/batem em Lula e Dilma. Tais grupos passaram a amenizar as críticas ao momento de crise econômica pela qual passa o país dando a impressão que a crise acabou, quando na verdade ela está se aprofundando. As notícias desfavoráveis ao governo são tanto quanto possível, evitadas, e há um esforço em dar notícias “neutras” ou positivas ao governo ilegítimo. Há uma frase bastante emblemática de Millor Fernandes: “jornalismo é de oposição, o resto é armazém de secos e molhados”. Ricardo Noblat, um dos figurões do jornalismo nacional citou essa frase ao justificar seus artigos em oposição aos governos petistas. No programa Roda Viva cujo entrevistado foi Temer, o referido jornalista por sua ação evidenciou a posição da grande mídia golpista que se tornou chapa-branca, ou se preferir, um grande “armazém de secos e molhados” ao fazer com Temer um programa que segundo os críticos mais parecia uma conversa de amigos leais num churrasco. O ativista estadunidense pelos direitos dos negros Malcom X fez uma declaração que deve ser objeto da reflexão de todos e com ela encerro este artigo: “A imprensa é tão poderosa no seu papel de construção de imagem que pode fazer um criminoso parecer que ele é a vítima e fazer a vítima parecer que ela é a criminosa. Esta é a imprensa, uma imprensa irresponsável. Se você não for cuidadoso, os jornais farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas e amar as pessoas que estão fazendo a opressão”.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

A classe média brasileira na luta pela manutenção do status quo!

No momento atual não são poucos ideólogos que tentam passar a ideia (que nada tem de ingênua) de que as ideologias deixaram de existir com a queda do Muro de Berlim (infelizmente, para o lado errado) e o fim do Mundo Socialista. Porém, não sou nascido na era pós-moderna e abomino a ideologia que a sustenta. Entendo que a sociedade ontem, hoje, e sempre, será o resultado da luta de classes, e que não ter consciência disso apenas amplia a larga vantagem daqueles que defendem uma sociedade desigual visando manter os privilégios concedidos à minoria que representam. Privilégios que são frutos do suor da classe trabalhadora e dela obtidos por meio de fórceps, ou se preferir da apropriação de mais-valia. O Brasil é um país em que o Poder sempre foi monopolizado pela direita desde 1500 por ocasião da invasão portuguesa ao território até então pertencente aos indígenas, e, desde então o Brasil foi construído pela elite e para a elite como uma legítima sesmaria repassada hereditariamente do Senhor de escravos, para os Sinhozinhos e Sinhazinhas (seus descendentes). Esse fato é observado ao se analisar historicamente a repetição dos sobrenomes de políticos nas casas legislativas estaduais e federais e também aqueles concernentes às grandes fortunas empresariais, pois, a “meritocracia parece funcionar melhor com os indivíduos nascidos em berço de ouro que tendem a permanecerem ricos ou avançarem mais na escala social tornando-se até mesmo bilionários”. Parte do sucesso meritocrático dos Sinhozinhos e Sinhazinhas está no sistema político e econômico nacional cujos governantes em sua quase totalidade governaram para preservar e ampliar os privilégios da elite à custa do sacrifício dos trabalhadores e, isso ocorre por meio de renúncias fiscais e reduções de impostos para os mais ricos e a adoção de tributação regressiva (que penaliza os mais pobres) o que deu origem a um “gigante” cuja economia figura entre as dez maiores do planeta, mas, cujo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e Índice de Gini (que mede a desigualdade social) o põe com os “pés” cimentados entre os países mais atrasados do planeta no que concerne à qualidade de vida de sua população haja vista a miséria que assola seu povo e a imensa desigualdade social que constitui um abismo imensurável entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos. Nenhum país cuja desigualdade social seja extremada pode-se proclamar uma democracia, o conceito de democracia não se encerra com o fato de seu povo poder participar de eleições periódicas e de seu voto não ser cassado ilegalmente (aqui nem isso). A mobilidade social é importante e embora esta venha sendo reduzida quase no mundo todo como um dos múltiplos efeitos colaterais do neoliberalismo, nos governos progressistas de Lula e Dilma houve uma pequena melhoria, porém, isso foi o bastante para enraivecer parte da sociedade formada por Senhores da Casa Grande, Sinhozinhos e Sinhazinhas e principalmente feitores de escravos (a pequena burguesia) e escravos de confiança (os trabalhadores alienados) que trabalharam com afinco em apoio à concretização do golpe cujo presidente ilegítimo (Temer) adota medidas que aprofundarão a desigualdade social para o aplauso de pessoas pouco inteligentes e sem valores humanitários. É importante que se diga que a classe média não empobreceu nos governos petistas, mas, a sensação de que a distância em relação aos mais pobres encurtou ao vê-los nos aeroportos, frequentando shoppings, financiando automóveis, etc. foi o suficiente para encolerizá-la e ver nisto perda de status social, pois, não lhe basta que viva confortavelmente, a miséria dos demais é necessária para que se sinta especial. Parece-lhe que o prato vazio dos pobres torna seu alimento mais saboroso. Parece exagero, mas, não é! A essência da maldade humana costuma se travestir no falso discurso da meritocracia!

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Um país inteiro para as Excelências e as mordomias!

Claudia Wallin escreveu um livro intitulado “Um país sem excelências e mordomias” que deveria ser leitura obrigatória de cada brasileiro, obra capaz de ruborizar a face de todas as pessoas dignas deste país, falo daquelas que ainda apresentam o rubor facial da vergonha, característica atualmente tão rara a grande parte da classe dirigente do Brasil, especialmente nestes tempos sombrios que vivemos definidos pelo intelectual português Boaventura de Souza Santos como um momento de baixíssima intensidade democrática. Penso que o famoso escritor português foi generoso, pois, um Estado com baixíssima intensidade democrática o Brasil se apresentava antes de 2014, porém, com a quarta derrota consecutiva, a Casa-Grande (a grande burguesia nacional e internacional) apoiada pelos sempre fiéis feitores de escravos (a baixa burguesia) e os escravos de confiança (os trabalhadores alienados) iniciaram um golpe que deu fim à insipiente democracia existente no país e fez do Brasil uma República das Bananas. Após o golpe de 2016, que alguns escritores coxinhas tentam em vão dizer que foi constitucional, apelando apenas para o fato de que a Constituição Federal prevê o Impeachment, mas, nada dizem quanto ao fato de que esta também afirma que o Impeachment somente deve ocorrer com a comprovação de crime praticado pelo (a) Presidente (a) e isto jamais se comprovou e gravações mostraram que as razões para se fazer o Impeachment/golpe era para salvaguardar o grupo criminoso contra a Operação Lava-Jato. Com o golpe, o Brasil abandonou o protagonismo que vinha tendo ao lado do BRICS, da UNASUL, do G-20, das relações Sul-Sul para voltar a ser aquele primo pobre, indesejável e pidão que os Estados Unidos e demais potências do G-7 se acostumaram a ignorar. É que embora os Estados Unidos digam defender a democracia, preferem uma ditadura amiga em países estratégicos do que uma democracia soberana e independente que não se curve às suas vontades e caprichos. O país está quebrado, dizem os golpistas, e, no entanto o supremo mandatário concedeu 41,5% de reajuste (somente em 2016) aos Magistrados cujos salários anabolizados e turbinados com adicionais eleva-os além do teto salarial constitucional, (numa manobra considerada legal, pois, este é o país do “jeitinho”) fazendo corar de vergonha os magistrados suecos, que não possuem carros oficiais e nem motoristas particulares, nem auxílios-moradia, etc. ou qualquer outro tipo de privilégio e seus salários tal qual os dos políticos são pouco acima daquele recebido por um professor. Na Suécia, Deputados regionais (equivalente aos nossos Deputados Estaduais) recebem apenas ajuda de custo e, de forma geral, os parlamentares não possuem assessores particulares, estes são fornecidos pelos partidos políticos e cada assessor presta auxílio a três ou quatro parlamentares da legenda. Dessa forma, cada parlamentar organiza sua agenda, prepara os seus discursos e reserva suas passagens para os eventos oficiais sempre tendo o cuidado de utilizar o meio de transporte mais barato para não onerar o Estado. Os parlamentares suecos não aumentam o próprio salário como fazem os parlamentares brasileiros que há muito perderam a vergonha e o fazem até em momentos de corte de investimentos para a Educação, a Saúde, a Assistência Social em atitude de total escárnio com a sociedade. Em Estocolmo é fato comum encontrar parlamentares e magistrados indo para o trabalho ou para casa por meio do transporte coletivo. Houve até o caso de um Ministro milionário que adquiriu uma mansão e teve que pedir demissão por isso, pois, embora a aquisição da casa se fizesse com recursos comprovadamente próprios, a população escandalizada não se julgou representada por um político que não vivesse com o estilo de vida da maioria da população. Na Suécia, a política não é considerada um lugar para se fazer fortunas e nem viver nababescamente inversamente ao Brasil. Outro caso relatado no livro foi de uma Ministra que precisou pedir demissão do cargo, porque a imprensa descobriu e divulgou que ela não havia feito o registro trabalhista formal de sua babá e outra sofreu sério processo judicial que atrapalhou sua carreira política porque comprou um chocolate com dinheiro público. Enfim, a Suécia é do outro lado do mundo, mas, não é em outro mundo, saber que ela existe nos anima a acreditar, e lutar, para que a decência no trato da coisa pública ocorra também aqui, nestes até o momento “tristes trópicos”! 

 Sugestão de boa leitura: 

 Um país sem excelências e mordomias. Claudia Wallin. Geração Editorial, 2014.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

A ascensão do resto!

O cientista político Fareed Zakaria nasceu em 1964 na Índia, estudou em Yale e doutorou-se em Ciência Política em Harvard. Na orelha de sua obra “O mundo pós-americano” consta que é editor da Newsweek International e que nesta revista mantém uma coluna semanal sobre assuntos internacionais, além de ter um programa da Rede CNN de Televisão. Zakaria seguiu os passos de vários de seus conterrâneos, pois, na Índia como em vários países do mundo subdesenvolvido, a “fuga de cérebros”, ou seja, a ida de jovens promissores dos países pobres para estudar em importantes instituições do mundo desenvolvido, especialmente nos Estados Unidos, e dentre estes, os mais talentosos acabam recrutados a permanecer e desta forma contribuir para o engrandecimento daquela nação que chama a atenção mundial, por vezes, pelo que há de mais odioso e repugnante, noutras, pelo brilhantismo inovador. Zakaria nasceu no país, cuja população à exceção da estadunidense é que mais admira o país iankee. Em nenhum outro país os ideais estadunidenses impostos pelo Big Brother Sam foram tão bem recebidos e assimilados. O sonho de grande parte dos jovens indianos é conseguir uma bolsa de estudos numa grande e famosa instituição estadunidense de Ensino Superior para fazer a graduação ou a pós-graduação. A maior parcela destes jovens retorna à Índia e aplica os conhecimentos adquiridos em benefício do país que juntamente com o Brasil, a Rússia, a China e a África do Sul formam o grupo de países emergentes conhecidos como BRICS. Apesar do título “O mundo pós-americano”, Zakaria, logo na primeira linha à página 11, esclarece: “este livro não é sobre o declínio dos Estados Unidos da América, mas, sobre a ascensão de todos os outros países”. E em toda a obra o autor, apesar de indiano de nascimento demonstra grande assimilação da cultura e modo de pensar estadunidense e, por vezes, tem-se a impressão de que pensa e escreve como um indiano, noutras, como um estadunidense de nascimento. Como exemplo, e fortemente discordando de sua opinião, Fareed menospreza o poder bélico da China, talvez, pela dupla influência cultural indo-estadunidense ao afirmar que a China não teria poder suficiente para bombardear com artefatos nucleares mais do que a costa estadunidense e que o país asiático teria apenas cerca de 50 mísseis nucleares, esquecendo-se que a China já colocou um astronauta no espaço e que possui submarinos nucleares nas proximidades daquela potência que dispensam os mísseis de longo alcance, porém, mesmo estes, são estimados pelos especialistas em geopolítica em um número entre mil e dois mil mísseis armados com ogivas nucleares de alto poder, quantidade suficiente para riscar a vida humana do planeta. Zakaria também possui uma interpretação nitidamente estadunidense dos fatos acerca da Venezuela e do Irã e coloca ambos os países no status de pária, no entanto, quem conhece a história e a estudou com distanciamento científico entende a razão destas nações nos seus posicionamentos e concorda com a maioria das opções por elas adotadas, mas, isso é algo que não está acessível na Grande Mídia, que nada mais é do que um forte instrumento a serviço do Imperialismo. Fareed evidencia o grande crescimento econômico de várias nações do planeta nas duas últimas décadas e dá especial atenção aos países emergentes que constituem o grupo de países subdesenvolvidos cujo resgate do anonimato e ascensão ao protagonismo no palco dos debates da governança global se deu pela crescente importância econômica e política, pois, já não é mais possível gerir o planeta sem consultá-los. O autor em sua obra relata feitos grandiosos de tais países na área da educação, da inclusão social, do avanço tecnológico e na construção de uma infraestrutura interna mais elaborada e funcional. Afirma que a história humana é marcada por três mudanças: A ocidentalização do mundo; a ascensão dos Estados Unidos; e, a ascensão do resto. O livro discorre sobre o que esperar deste mundo em gestação e o que esperar dos Estados Unidos e ao se referir à história, aponta que os Estados Unidos podem agir como a Inglaterra que tentou minar o desenvolvimento de novas potências na Europa e reinar absoluta, iniciativa em que fracassou, ou agir como o chanceler alemão Bismarck e fazer alianças e estreitar laços de cooperação. O autor aponta caminhos para a governança estadunidense nesse novo tempo. Penso que somente o tempo dirá, mas, a impressão até aqui (2016) é que os governantes daquele país têm bastante sangue inglês nas veias. Sugestão de boa leitura: O mundo pós-americano. Fareed Zakaria. Editora Companhia das Letras, 2008.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A primavera estudantil paranaense – Parte 2

Os estudantes que ocuparam as escolas estão tendo um aprendizado quanto ao exercício da cidadania maior do que qualquer aula dada pelo mais brilhante professor, pois, como sabemos a teoria sem a prática de nada vale, e, os estudantes nas ocupações conjugam ambas. Os estudantes sabem pelo que estão lutando, ou seja, as falas de indivíduos reacionários da sociedade (políticos ou não) que afirmam o contrário demonstram apenas que não visitaram uma escola ocupada e desejam apenas confundir/manipular a opinião pública. Estranhamente, as pessoas que criticam o exercício da cidadania que os jovens estudantes praticam ao ocupar escolas em protesto contra a arbitrária e autoritária medida provisória 746 que reforma o Ensino Médio e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) Nº 241 foram favoráveis aos protestos de Junho de 2013, parecem entender que democracia é apenas quando os protestos beneficiam os interesses ou a ideologia que defendem. Penso que as pessoas que se opõem a ocupação das escolas não estão suficientemente esclarecidas sobre a gravidade de tais ações governamentais, pois, se estivessem estariam apoiando os estudantes em sua luta por uma educação pública gratuita e de qualidade evitando o retrocesso que a reforma do Ensino Médio apresenta, ou, então são pessoas que apoiam as medidas governamentais e tudo o que elas implicam, pois, não precisam da Educação e da Saúde Pública e talvez desejem que o governo reduza impostos ou os direcionem para o setor rentista. O Estatuto da Criança e do Adolescente defende o protagonismo dos jovens na participação na vida política da sociedade em causas de seus interesses garantindo-lhe a manifestação política, neste sentido a lei ampara os estudantes em suas reivindicações contra as famigeradas medidas adotadas pelo ilegítimo governo Temer. E nas escolas ocupadas que visitei atendendo às solicitações dos estudantes para fazer falas de esclarecimento para a comunidade escolar sobre a MP 746 e a PEC 241 encontrei escolas limpas e bem cuidadas. Os estudantes fazem escalas para a realização das atividades e cuidam da limpeza, preparam a alimentação, cuidam das hortas escolares, molham as plantas, estabelecem regras em assembléia que são seguidas pelos ocupantes, e, demonstram ter conhecimento da causa pela qual lutam. Dentre os ocupantes, há líderes que se sobressaem, com falas articuladas que demonstram surpreendente maturidade. Também li que em algumas escolas paranaenses, estudantes estão trocando portas e fechaduras que se encontravam quebradas e também fazendo pinturas em alguns ambientes que se encontravam em estado precário de conservação. Eu tive a oportunidade de conversar com professores e diretores de escolas públicas de municípios maiores, e, estes me contaram que nas ocasiões em que as escolas realizam belíssimas atividades educacionais ou culturais, as solicitações feitas pelos diretores para que os canais de TV fossem até as escolas para divulgar os eventos por elas realizados mostraram-se infrutíferas, pois, as equipes de TV somente vão às escolas para fazer reportagens pautando aspectos negativos, tais como a violência na escola, drogas, ou as greves, quando contra a vontade dos trabalhadores em educação e também dos educandos as aulas são suspensas, pois, os profissionais da educação precisam lutar por melhores condições de trabalho. Os estudantes estão ocupando escolas há quase duas semanas, e, mesmo tendo ultrapassado a marca de mil escolas ocupadas, a Grande Mídia se mantém praticamente calada quanto ao belíssimo movimento dos estudantes já comparado a outros grandes fatos históricos como as “Diretas Já” ou os “caras-pintadas” que saíram às ruas para protestar contra a corrupção do Governo Collor e tiveram importante papel no desencadeamento das ações que levaram ao Impeachment de Fernando Collor de Mello. Os jovens estavam muito preocupados em manter a ordem e bons comportamentos nas ocupações, pois, sabiam que com quaisquer atitudes indisciplinadas de alguns de seus integrantes seriam recriminados pela sociedade. Ao analisar a preocupação deles quanto à disciplina dos integrantes dou-lhes razão, pois, quem nunca se interessou pela disciplina e bom comportamento dos estudantes durante as aulas ou, mesmo quem nunca deu o devido valor à escola pública agora está vigilante e caso excessos ocorram nas ocupações certamente se tornarão manchetes nos jornais. Os livros daqui a algum tempo, no entanto, retratarão o belíssimo protagonismo desta juventude que é semente de uma sociedade mais humana e menos injusta, cuja palavra cidadania deixará de ser uma palavra exótica do dicionário e se tornará prática inalienável de todos.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A primavera estudantil paranaense – Parte 1

Em meio à escuridão imposta à sociedade, surge uma luz a trazer esperança de tempos futuros melhores para a tão maltratada nação brasileira, trata-se do movimento estudantil secundarista que está ocupando escolas em protesto contra a MP 746, que promove a reforma do Ensino Médio sem o necessário debate e construção desta junto à comunidade escolar (pais, estudantes, professores e trabalhadores em Educação). Trata-se de uma medida provisória, um instrumento de força, autoritário e arbitrário, resquício da ditadura militar utilizado por poucos países e que dá ao governante poder excessivo. Todo projeto para a Educação tem em seu bojo, o projeto de sociedade e de país pensado para a nação e essa reforma acentua as desigualdades sociais e cimenta o futuro do Brasil junto ao grupo de países subdesenvolvidos. Ao flexibilizar o currículo e empobrecer a Base Nacional Comum dá ênfase à formação para o Mercado de Trabalho e retira o foco na formação humana integral, como demonstra a retirada da obrigatoriedade das disciplinas de Artes, Educação Física, Filosofia e Sociologia. A proposta nas entrelinhas objetiva formar mão-de-obra barata, alienada e adestrada para o mercado de trabalho, e, precariza o Ensino Fundamental, ao retirar deste, os recursos adicionais necessários para o Ensino Médio, na prática, se “descobre um santo para cobrir outro”. Trata-se de uma proposta que não contribui para o desenvolvimento científico, tecnológico e socioeconômico nacional. Outra reivindicação dos estudantes é a retirada da Proposta de Emenda Constitucional nº 241 (PEC 241) que congela os investimentos sociais (Educação, Saúde, etc.) por vinte anos, sendo que neste período, mesmo, com a retomada futura da economia e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), os gastos em cada pasta não poderão superar o valor empenhado em 2016 e no máximo poderá ser acrescida a inflação anual. Ocorre que a população aumentará no período e haverá necessidade de mais recursos para estes setores, sendo que, mesmo com o crescimento do PIB, e, consequentemente da arrecadação, o investimento social (congelado) declinará percentualmente em relação ao PIB e ao orçamento da União. A PEC 241 é de uma sordidez tão grande que já está sendo chamada de “PEC da Morte”, pois, como atinge apenas o andar de baixo retira dos pobres para dar aos ricos. Para adequar a governança aos novos tempos de “austeridade” pregada pelo golpista Temer, o Sistema Único de Saúde (SUS) será sucateado ainda mais, com a redução no atendimento de procedimentos (exames, consultas, cirurgias, remédios gratuitos, etc.). Na Educação, a PEC inviabiliza o Plano Nacional de Educação que pretendia em 10 anos estabelecer 10% do PIB para a área e pretendia alocar 75% dos royalties do Pré-Sal para a Educação e 25% para a Saúde visando melhorar o desempenho dessas áreas vitais para a população, porém, a parcela antipatriótica do parlamento votou pela entrega do Pré-Sal às petroleiras estrangeiras, pondo fim ao sonho de uma nação soberana e desenvolvida. O Governo tinha outras opções, poderia fazer uma auditoria da dívida pública e, assim, cortar gastos nos pagamentos de juros e amortizações desta. Também poderia implantar o Imposto Sobre Grandes Fortunas que se encontra arquivado no Congresso Nacional desde 1986. Poderia também combater a sonegação fiscal, item no qual as grandes empresas contam com diversos mecanismos amparados em legislação elaborada por parlamentares cuja eleição foi por elas financiada para legislar em causas estranhas ao interesse nacional. O Governo ilegítimo de Temer prefere derramar o sangue do povo brasileiro a tocar no caviar da elite nacional e estrangeira. Os estudantes estão sendo acusados por integrantes conservadores da sociedade e da classe política de serem doutrinados pelos professores, tais acusadores agem de má-fé, por entender ser a população facilmente manipulável e pouco esclarecida para compreender o que está acontecendo. Em meio a uma sociedade desinformada pela Grande Mídia Nacional e com adultos doutrinados pela ditadura militar de 1964-1985 (que aprenderam que protestar é atitude feia, coisa de desordeiros e que manter-se neutro e apático é sinal de boa conduta), a juventude estudantil despertou e conscientizou-se que cidadania não é outorgada, mas, conquistada na prática, e, que a democracia não se encerra no ato de votar, mas, na vigilância constante e na ação cidadã de lutar por seus direitos, sempre tendo em mente que os políticos não são patrões, mas, funcionários do povo, e, a serviço do povo devem estar. Penso que se você considera perigosos, os professores, e como doutrinados, os estudantes que exercem a cidadania, cuidado: você foi doutrinado! E está subestimando a capacidade dos estudantes e superestimando o alcance das ações dos professores, em sua maioria, conservadores! O antídoto para esse mal é ler livros de História!

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Tempos sombrios!

        Vivemos tempos sombrios, todos os dias novos direitos trabalhistas e sociais são retirados pelo governo golpista de Temer, e, mesmo assim a população permanece apática. Penso que os militares fizeram um bom trabalho na doutrinação de direita, pois, em outros países, especialmente os desenvolvidos, toda a população estaria nas ruas protestando. 
                A alta traição dos parlamentares, que em Brasília aprovaram em primeiro turno a famigerada Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 241, que, implantada sucateará de vez a Educação e a Saúde Pública em benefício de grupos empresariais que oferecem a Educação e Planos de Saúde privados, que não por acaso patrocinaram as campanhas de muitos deputados e senadores. Coincidentemente ou não, 366 parlamentares votaram contra o povo brasileiro e a aprovaram, e 367 foram os votos na Câmara dos Deputados a favor da cassação de Dilma (prosseguimento da ação), o voto que faltou é o do cassado mega-corrupto traidor da nação Eduardo Cunha (PMDB). 
             Há uma parte dos “paneleiros” que está feliz, me refiro aos que constituem o grupo de direita que efetivou o golpe de Estado travestido de Impeachment, estes são os reacionários da elite, os demais, constituem uma pseudo-elite, ou seja, são microempresários ou trabalhadores alienados, portanto, sem consciência de classe cujo analfabetismo político levou-os a agir favoravelmente a ascensão ao poder de um governo golpista que implanta a cartilha neoliberal, a qual aprofundará a crise econômica, as desigualdades sociais, a pobreza, o desemprego, o subemprego, o emprego informal e a perda de soberania nacional ao colocar o país de joelhos perante o imperialismo internacional, notadamente aos Estados Unidos. 
            O governo ditatorial de Temer está promovendo um ato lesa-pátria ainda maior do que o praticado por FHC (PSDB), quando levou a cabo a privataria tucana que empobreceu o país ao se desfazer de estatais estratégicas em troca de moedas podres, e, quase sempre com financiamento com prazo alongado via BNDES para pagamentos com juros de “Mãe” para filho”. O Brasil ficou mais pobre, a dívida externa aumentou e quanto ao dinheiro das privatizações, a nação não sabe, a nação não viu. Houve até um processo investigatório com a participação do Juiz Sergio Moro, e, apesar de 124 bilhões de dólares terem sido enviados ilegalmente ao exterior por meio de contas CC5 pelo Banestado concomitantemente com as privatizações Tucanas, a investigação foi anulada, pois, havia provas, mas, faltava “convicção” aos representantes do judiciário envolvidos na investigação, ou talvez, porque “não vinha ao caso”. 
             O trágico momento que vivemos, no qual a Constituição está sendo rasgada nos coloca no status de República das Bananas. Temos uma classe política no poder que a poucos representa, pois, lá se encontra sem votos, e o processo que lá o colocou é mundialmente reconhecido como golpista. Ninguém dentre as lideranças das grandes nações democráticas quer receber e tirar fotos com o golpista de plantão (Temer), nem mesmo os Estados Unidos, principal beneficiado, que, futuramente, talvez, daqui a uns cinquenta anos abrirá seus arquivos, como é próprio daquele país, e revelará sua participação no apoio a implantação da anomalia democrática que vivemos cujo motivo é frustrar a leve soberania e papel de pretensa potência regional brasileira, algo que o país ianque não conseguiu engolir.
          Lula e Dilma erraram ao pensar que podiam viver em Lua de Mel com a Elite arcaica e egocêntrica deste país, e, ao não fazer as reformas estruturais, quais seja a política, a bancária, a tributária, a urbana, a agrária, a universitária e, principalmente, a reforma ou regulação econômica dos meios de comunicação. 
            Também errou feio aquele pessoal da ultra-esquerda que foi tanto à esquerda que acabou na direita, e, que ao defender o “quanto pior, melhor”, hoje é vista pelas pessoas esclarecidas da sociedade como traidores da classe trabalhadora ao não defendê-la visando a revolução socialista, que caso ocorra, se fará talvez daqui a duzentos anos e somente pela força das armas. 
                Karl Marx (1818-1883), em vida, sempre deixou claro, que seus estudos deveriam ser sempre questionados e aprofundados e tinha ojeriza a dogmatismos, portanto, dogmatizar Marx é ser contrário ao que Marx defendia!