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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Literatura Cult

Franz Kafka nasceu aos três de junho de 1883 em Praga (atual capital da República Tcheca) em terras do então Império Austro-Húngaro. Viveu apenas 40 anos, pois faleceu em três de junho de 1924. Uma existência curta, em que teve várias namoradas, noivou algumas vezes, porém jamais se casou. Em seu leito de morte solicitou que seus manuscritos fossem destruídos, mas, graças ao bom senso da pessoa encarregada, seu último desejo não foi atendido. Os escritos literários de Kafka influenciaram vários pensadores entre eles: Jean Paul Sartre, Gabriel Garcia Marquez, Albert Camus, entre outros. A originalidade de sua obra deu origem ao termo kafkiano, empregado sempre que alguém descreve algo como surreal ou que confunde o real com a ficção. Também é utilizado tal termo quando a imaginação deste sobre si ou da sociedade sobre o indivíduo, se sobrepõe à realidade atormentando-o. Dentre as várias obras de Kafka, “A Metamorfose” (1912) conta a história de um caixeiro viajante solteiro, cujo trabalho exaustivo quase não lhe possibilita tempo para passar com a família. É do fruto de sua labuta que vive o pai, a mãe e a irmã. E todos o valorizam muito, reconhecem seu empenho e lhe são gratos até o momento em que Gregor Samsa sofre uma estranha metamorfose transformando-se num animal medonho. A sua família, esconde-o da sociedade confinando-o ao seu quarto, alimenta-o por algum tempo, e, como a situação não se resolve vêm-se forçados a procurar emprego (eles que eram sustentados por Gregor). Começam a falar mal do animal em que Gregor se transformou sem saber que este preservou sua capacidade de audição apesar da perda da capacidade de comunicação. O autor mostra por meio desta obra como as pessoas são amistosas com outrem enquanto podem desfrutar de alguma vantagem material oferecida. Alterada esta situação vantajosa, afastam-se buscando substituir a pessoa por outra que lhe dê um melhor retorno. Ler Kafka é adentrar o mundo do surreal para entender melhor as relações humanas que permeiam a realidade societária.*1



Raduan Nasser (escritor, jornalista e agricultor) nasceu em Pindorama (SP) em 1935, tem uma obra considerada pequena se considerada a quantidade de seus escritos. Porém, essa obra pequena agiganta-se tendo em vista a qualidade literária que apresenta. O autor foi várias vezes premiado, inclusive com o prêmio Camões, o mais importante da língua portuguesa concedido por Portugal e Brasil. A cerimônia de premiação foi motivo de vergonha nacional, pois, o Ministro da Cultura Roberto Freire (PPS) descontrolou-se emocionalmente ao ouvir o discurso de Raduan Nasser, que denunciava o golpe de Estado de 2016 ao mundo. Na verdade, Roberto Freire agiu de forma premeditada, e quebrando o protocolo pediu para falar depois de Raduan e o resultado foi um discurso de ódio, combatido pela platéia que buscava dar a Raduan o seu merecido dia de homenagem ante o desequilíbrio do Ministro da Cultura. Enquanto a situação vexaminosa se desenrolava, Raduan serenamente assistia ao triste espetáculo de horror protagonizado por Freire. A obra “Lavoura Arcaica” (1975) chama a atenção pelo sentido poético e pela descrição minuciosa dos fatos vividos pela personagem André que ora, apresenta-se quase como um narrador, noutras como o protagonista de uma história que mostra uma família presa a tradições culturais arraigadas no tempo, e a contestação adolescente a esta. A ansiedade como este busca seu lugar na vida saindo de casa, e a ela retornando, com a não resolução de um problema crucial: o amor recíproco que alimenta por sua própria irmã. Há quem considere a leitura de Lavoura Arcaica, difícil e até mesmo cansativa, pois, a escrita de Raduan foge do lugar-comum, cada palavra foi pelo autor meticulosamente escolhida para deslumbrar o leitor. Eis um “tira-gosto”: “Os olhos no teto, a nudez dentro do quarto; róseo, azul, violáceo, o quarto é inviolável; o quarto é individual, é um mundo, o quarto catedral, onde nos intervalos da angústia, se colhe, de um áspero caule, na palma da mão, a rosa branca do desespero, pois entre os objetos que o quarto consagra estão primeiro os objetos do corpo”.*2 

Sugestão de boa leitura: 

1. KAFKA, Franz. A Metamorfose. Companhia das Letras. 
2. NASSAR, Raduan. Lavoura arcaica. Companhia das Letras.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Reclame ao Bispo!

            O livro “Um país sem excelências e mordomias” de Claudia Wallin deveria ser o livro de cabeceira de qualquer brasileiro realmente disposto a lutar por um novo país, portanto, livre de seus vícios e parasitismos. 
            Sobre este livro já tratei neste espaço com o título: “Um país inteiro para as Excelências e as mordomias”. O título do livro já demonstra a verdadeira face da luta a ser empreendida pelos brasileiros realmente democratas. 
             Somos um país rico e temos uma das piores distribuições de renda do planeta. Em nossas terras morrem assassinadas mais pessoas em tempos de “paz” do que em várias outras plagas em tempos de guerra. 
        O país forma uma das maiores extensões agricultáveis do planeta, no entanto, centenas de milhares de famílias não têm acesso a terra, e anualmente no campo, a violência faz com que várias pessoas tombem assassinadas. Apesar de ser uma das maiores potências agrícolas do planeta, a produtividade brasileira é baixa, e, países com menores extensões de terra agricultáveis superam a produção brasileira.         Desde 1500 até os dias atuais, estas terras foram administradas sempre de forma a beneficiar os interesses externos e os das oligarquias. Nem mesmo nos breves momentos de governos nacionalistas de nossa história houve uma ruptura com a política dos privilégios concedidos a esta elite, que é pelos intelectuais considerada a mais cruel, fascista e ignorante. Não há no seio da intelligentsia burguesa, um projeto patriota de desenvolvimento nacional, mas, sim a pretensa vontade de eternizar os privilégios em seu favor concedidos.
         Ao ler o referido livro, o leitor irá se espantar com o abismo que separa a Suécia do Brasil, pois, esta faz parte dos países escandinavos, considerados a região de melhor qualidade de vida do mundo. O segredo: a política do Welfare-State ou Estado de Bem-Estar Social. Projeto que no Brasil foi abortado em 2016, tão logo a Classe Alta verificou que as demandas da sociedade lhe impediriam de encher ainda mais as burras com o dinheiro público, e, a Classe Média desprovida de patrimônio significativo, mas, na defesa do capital cultural que sempre permitiu o privilégio de seus descendentes ao acesso às melhores universidades, e cargos públicos via concurso público, serem ameaçados por uma gente vinda dos andares de baixo. 
       Enquanto na Suécia, parlamentares e magistrados em seus deslocamentos diários utilizam o transporte público juntamente com a população, cuja desigualdade social é das menores do planeta, no Brasil, parlamentares e magistrados têm privilégios jamais sonhados por seus pares suecos. Quando sondados sobre terem os privilégios de parlamentares e magistrados brasileiros, os colegas suecos rebatem categoricamente considerando serem absurdas e imorais tais regalias, e que isto constitui corrupção. 
        O Poder Judiciário brasileiro é seis vezes mais caro que o dos Estados Unidos da América, nem por isso é mais eficiente, pelo contrário, a maior parte dos gastos com o Poder Judiciário não são investidos pelo Estado Brasileiro no sentido de dotá-lo de estrutura que lhe possibilite maior eficiência, mas, para garantir rendimentos nababescos aos magistrados, tornando-os uma casta de privilegiados, algo característico de países subdesenvolvidos. 
        Penso que os bons integrantes do Poder Judiciário, ou seja, aqueles que não se corromperam em meio ao sistema, e que procuram aplicar retamente o Direito e os preceitos constitucionais têm cada vez menos esperança de que o ideal que alimentaram nos bancos universitários em contribuir com o protagonismo do país no concerto das nações se torne realidade. Hoje, muitos, certamente apresentam um olhar acabrunhado ante ao status do judiciário mergulhado na pocilga por alguns de seus maiores protagonistas (Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Sergio Moro, etc.). Famosos, mas, nem por isso, os melhores e mais bem intencionados, tendo em vista atitudes bipolares e a não observância plena do Código de Ética da Magistratura Nacional, da Constituição Federal e do Direito Processual Penal.
         O que pode ser também explicitado na frase de François Guizot: “Quando a política penetra no recinto dos Tribunais, a Justiça se retira por alguma porta”. Com o Poder Legislativo que temos, considerado o pior desde o fim da ditadura militar em 1985. Um governo ilegítimo e cujo mandatário em um país sério estaria preso. Um Judiciário mergulhado na pocilga e considerado suspeito por grande parte da população. E somando a isso, a existência da pior e mais antipatriótica Mídia de Massa do Mundo. Só resta reclamar ao Bispo! 

P.S. No passado, era comum a pessoa reclamar ao Bispo quando se sentia injustiçado, pois a Igreja se imiscuía nos assuntos de Estado. Hoje, na maioria das nações, o Estado é laico, mas, o dizer permanece na forma de desdém: “pode reclamar até para o Bispo”! Este é o sentido do título, precisamos abandonar a habitual apatia e praticar a cidadania. Reclamar ao Bispo não irá resolver!

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Em busca da essência!

Karl Marx afirmou que: “Se toda a essência coincidisse com a aparência, a ciência seria desnecessária”. Sobre essa frase não há contestação nem à direita, nem à esquerda, nem ao centro do espectro ideológico da política. Se as intenções por trás das atitudes fossem equivalentes aos discursos que as apresentam, não haveria necessidade sequer de discuti-las, pois, a verdade profunda seria tal qual se apresenta superficialmente, sem meias verdades, sem informações e intenções ocultas. Mas a realidade, não é essa. A realidade se apresenta tal qual uma cebola. Alguns vêm a cebola, outros retiram sua primeira camada para vê-la além da casca superficial. Outros retiram ainda mais cascas para vê-la de forma mais interna. A vida é assim. A imensa maioria da população não consegue ver além da realidade rasa, ou seja, como ela se apresenta, sem um grande esforço dialético de ver o conjunto, desconstruí-lo para entender como funciona em suas individualidades e como as individualidades interagem em sua integração com o todo. E uma minoria forma o grupo que, entende a realidade, e as individualidades, e o papel das individualidades na integração com o todo, e sabe como reconstruir essa realidade, em algo diferente. Sabe, mas não têm as condições para tal. Estou lendo um livro intitulado “a radiografia do golpe: entenda como e por que você foi enganado” cujo autor, Jessé Souza, dispensa apresentação. O primeiro capítulo do livro tem como título: “Os golpes sempre foram por mais dinheiro para poucos, e nunca para combater a corrupção”. Não pretendo discorrer sobre o livro, faço apenas o registro de que as linhas que escrevo vão em consonância com a ideia de tal autor. O que são o Poder Executivo, o Poder Legislativo, o Poder Judiciário, a Grande Mídia de Massa, as empresas estatais, as empresas nacionais e as empresas transnacionais, as bolsas de valores, o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial, a ONU, a OTAN, os poderosos exércitos nacionais e os blocos econômicos supranacionais? Senão ( metaforicamente falando): “cascas da cebola” do capitalismo mundial. Possuem propriedades individuais, mas, interagem formando o todo. Há uma definição da Internet como sendo um iceberg, pois, sua maior parte (a deep Internet) não é acessada pela maioria de seus internautas. Tal definição pode ser utilizada para o sistema capitalista monopolista ou financeiro que sob a insígnia do Neoliberalismo destrói democracias e joga populações na miséria para encher os bolsos da elite do dinheiro que forma não mais que 1% da população mundial e nacional. No entanto, as pessoas não entendem como o capitalismo funciona, e sequer sabem que os organismos citados anteriormente são estruturas de sustentação do maior sistema de corrupção mundial: o capitalismo. O grande capital nacional e estrangeiro sequestrou o Estado Nacional, e isso vale para o Brasil, como vale também para os Estados Unidos da América. A democracia tem se revelado um estorvo para a ampliação da remuneração do capital rentista. O povo quer direitos trabalhistas, quer ter acesso a uma aposentadoria digna. Mas, o capital rentista nacional e estrangeiro, glutão que é, quer mais dinheiro público e se impõe sobre o Estado para que este realize as suas vontades. Caso os candidatos que defendem os interesses dessa elite do dinheiro (o 1%) tentassem disputar uma eleição com tal pauta, seriam severamente derrotados. Por isso, há os políticos e partidos que fazem discurso de esquerda e pautam sua prática de forma totalmente neoliberal. Há aqueles que ziguezagueiam entre as políticas populares e as do mercado. E há também aqueles que por seu discurso ortodoxo, jamais alcançarão o poder, e, mesmo que chegassem ao poder, nas condições dadas atualmente, nele não se manteriam. Mas, há outro grupo ortodoxo, que atualmente está no poder. E que nele chegou por meio de um golpe de Estado, que envergonha os cidadãos brasileiros, e que diminui a estatura da Nação ante as demais. O golpe de Estado do qual o Brasil foi vítima ceifou cerca de 54 milhões de votos e retirou do poder uma presidenta honesta, pois, nada contra ela foi provado, e colocou no poder a escória da política nacional. Há eleitores que, mesmo sendo da esquerda, não lamentam o golpe de Estado, a retirada ilegal de Dilma e do PT do Poder. Há também aqueles do campo ideológico da direita que comemoraram a queda de Dilma e do PT. Mas, democracia não é isso. Democracia é defender a legalidade, não importa em benefício de qual segmento político. Não basta dizer que condena o estupro por considerá-lo um crime hediondo, é necessário desejar justiça para qualquer vítima, mesmo para aquela com a qual não se tem muita simpatia. Ter o espírito democrático vai nessa mesma direção. P.S. Sim! O golpe de 2016 não foi por causa da corrupção, mas, para tirar quem estava atrapalhando o livre fluxo do dinheiro público para os bolsos da elite do 1%.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Sob o regime da corruptocracia

O poeta, ator e dramaturgo inglês William Shakespeare (1564-1616), é o mais importante escritor da língua inglesa e um dos maiores da dramaturgia mundial. Em sua obra Hamlet, Shakespeare cunhou em bronze na história da literatura universal a frase: “há algo de podre no Reino da Dinamarca”. O dramaturgo se referia a traições e assassinatos que ocorriam na trama. Ficção a parte, a Dinamarca é considerada o país menos corrupto do mundo desde a primeira edição do ranking da percepção da corrupção criada pela Organização Não Governamental Transparência Internacional. E o que é a corrupção senão a maior das traições executadas por um indivíduo ou um grupo de pessoas em relação ao povo de seu país? E o que é a corrupção senão o assassinato de pessoas por conta do desvio de recursos financeiros que não chegam ao seu destino? O dinheiro que não chega ao estudante que tem seu futuro comprometido. Ou que não chega aos hospitais, postos de saúde e com isso compromete a saúde ou leva a óbito milhares de pessoas. O dinheiro desviado para fins espúrios mata os motoristas e pedestres pela falta de conservação das estradas e das obras públicas. O dramaturgo e poeta alemão Bertolt Brecht, classificou acertadamente o político vigarista, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais como o pior de todos os bandidos. O Reino da Dinamarca de Hamlet é o Brasil do golpe de estado que vivemos. Aqui, uma mídia de massa que por meio de concessões públicas explora o espectro eletromagnético pertencente ao povo brasileiro, porém, o trata como uma tropa de animais irracionais a serem adestrados. Há muito tempo, grandes grupos de comunicação esqueceram o que é o jornalismo sério. Que tenham sua ideologia é natural. Mas usar concessões públicas para doutrinar mentes e ditar o que é ou não a verdade, passa longe da intenção para a qual as concessões públicas foram concedidas. Apenas, agora, em maio de 2017, a Rede Globo “descobriu” que Michel Temer e Aécio Neves são exemplares da versão brasileira do político vigarista entre centenas de outros. No Congresso Nacional, três centenas de políticos vigaristas confortavelmente instalados em suas cadeiras estofadas num ambiente climatizado trabalham para retirar direitos trabalhistas e previdenciários da população. Eles contam com a memória curta do eleitor brasileiro, e têm certeza de que são eleitos pelo dinheiro que investem nas campanhas, e que comprarão os votos necessários às suas reeleições. E o pior, é que eles têm razão. Grandes grupos empresariais elegeram a maioria dos congressistas e não o fizeram porque apreciam a democracia, pelo contrário, a detestam, pois, um regime verdadeiramente democrático atrapalha os negócios, ou seria melhor dizer, a suruba, que os grandes capitalistas buscam junto aos cofres do tesouro nacional. Há no seio do Poder Judiciário, agentes que de forma corrupta e indecorosa, utilizam o cargo para favorecer determinados partidos ou políticos, e, também prejudicar outros visando influir e desequilibrar a balança da política, que nos regimes democráticos, deve pender para onde a maioria de sua população, em sufrágios universais, julgar melhor. Traidores da nação são os agentes togados que em busca de fama e reconhecimento pessoal junto aos holofotes e câmeras de TV, não pautam suas ações em profunda observância ao Código de Ética da Magistratura Nacional, e não aplicam retamente o Direito Constitucional e Penal quando estes contrariam interesses de poderosos grupos políticos, empresariais, nacionais ou estrangeiros, e assim, aplicam o vergonhoso sistema de “dois pesos e duas medidas”. Não representa os anseios da nação, um Judiciário que condena severamente a pessoa pobre que rouba ovos de páscoa e peito de frango para ofertar aos filhos, mas, absolve a pessoa rica, culta, inteligente, e plenamente capaz de saber a origem ilícita da fortuna de seu cônjuge, da qual usufrui sem parcimônia. Traidores da nação são os hipócritas que fazem o discurso seletivo contra a corrupção. Que bateram panelas contra Dilma e o PT, mas, não batem panelas contra o PMDB de Temer e Jucá, ou o PSDB de Serra e Aloysio Nunes, ou ainda, o DEM de Rodrigo Maia e Mendonça Filho. Traidores da nação são aqueles que não se dão ao trabalho de informar-se sobre a política nacional e agindo como analfabetos políticos votam sob critérios esdrúxulos como: a beleza, a origem familiar (oligarquias), ou a riqueza, etc. ou a total falta de critérios e desconhecimento dos candidatos e de suas propostas, e, instalam no poder, os políticos vigaristas que nada mais são do que “laranjas” ou “capitães do mato” do grande capital nacional e estrangeiro, que na calada da noite, ou na luz do dia, legislam ou executam ações a fim de garantir aos maiores privilegiados da nação (a elite), o assalto aos cofres públicos, retirando a possibilidade mínima, e cada vez mais remota, de uma vida digna para o conjunto da população brasileira.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

República Federativa Plutocleptocrata do Brasil

        Há alguns dias um professor veio contar-me as novidades acerca da triste e vexaminosa realidade política nacional. Chamou-me a atenção o fato de ele afirmar que o fazia porque eu “quase não gostava de política” dando a entender haver certo exagero de minha parte no interesse que tenho por esta.
               Vivemos um momento em que não conseguimos olhar para nossos países vizinhos da América Latina sem um olhar acabrunhado, que dirá para as grandes nações democráticas do Norte. O gigante da América Latina se tornou um anão. 
          É bom que se diga que nunca tivemos uma democracia consolidada em nosso país. A desigualdade social, uma das maiores do planeta somada a uma elite arcaica, ignorante e violenta não permitem que a democracia floresça nesta terra. 
               Contribui para a falta de democracia em solo pátrio a extrema concentração da mídia nas mãos de apenas seis famílias. Estas seis famílias, por meio de seus comandados, selecionam, editam, manipulam e ocultam as notícias de acordo com os interesses do grupo empresarial ou da classe dominante que representam e fazem do povo, uma multidão de teleguiados. Não há em nenhum país do mundo, um grupo de mídia de massa com o poder da Rede Globo. E isso ocorre porque é indecente e ultrajante demais para qualquer país que se pretenda democrático. 
          O Brasil, um país de mais de duzentos milhões de habitantes, constitui uma população gigantesca de subcidadãos, pessoas que não exercem sua cidadania plena porque não são suficientemente conscientizados e politizados para tal, e isto ocorre provavelmente pelo baixo nível instrucional formal, e pelas carências programadas da educação pública, que não consegue desenvolver no educando, o espírito crítico e cidadão tão necessário a que deixemos de ser uma republiqueta de bananas. 
         Não somos um país com tradição democrata. Em nossa história, apenas três presidentes no regime democrático conseguiram levar a cabo seus mandatos: JK, FHC e Lula. Temos uma grande desigualdade social, e o número de desempregados e subempregados não para de crescer. Além de pobre, nossa população tem um grande número de analfabetos funcionais que apesar de portarem diplomas de graduação são incapazes de fazer uma interpretação crítica e contextualizada de artigos mais densos.
         Pretender então que essas pessoas consigam fazer uma leitura crítica da realidade em seus âmbitos local, estadual, nacional ou mundial e nele saibam compreender o papel que desempenham e o que deveriam representar é esperar demais. Tanto é assim, que nesse país rico, cuja maior parcela do povo é pobre, o trabalhador defende encarniçadamente o patrão que lhe explora, e vota nos candidatos da direita que uma vez instalados no poder, defendem os interesses da plutocracia, da qual fazem parte. E o resultado está na composição do parlamento federal em que 90% dos integrantes são latifundiários, empresários, banqueiros, etc. São oriundos da Casa Grande e dela são verdadeiros representantes, e, portanto jamais defenderão os interesses antagônicos da Senzala, da qual 90% da população brasileira faz parte, embora muitos disso ignorem, voluntariamente ou não. 
     A baixa escolaridade e o analfabetismo funcional, salvo raras e valiosas exceções, geram o analfabetismo político, e este cobra um alto preço da sociedade. Isso se observa quando constatamos que um país gigantesco, com uma população igualmente gigantesca é refém desde sempre de oligarquias antipatrióticas que confundem, também desde sempre, o interesse público com o interesse privado agindo geralmente em benefício do último.
     No poder, instalada por boa parcela da classe trabalhadora e da pequena burguesia, a plutocracia cleptocrata age retirando direitos da população (reforma da Previdência, Reforma Trabalhista, etc.) para beneficiar 1% das famílias brasileiras que formam a verdadeira elite nacional, da qual a classe média (pequena burguesia) sonha utopicamente fazer parte e, portanto a defende, e cujo maior pesadelo é tornar-se parte da classe baixa. Unidos, pequena burguesia e classe trabalhadora poderiam virar o jogo, elegendo políticos comprometidos com os setores populares do qual a classe média é também parte, embora prefira ignorar essa realidade. 
        Enquanto o analfabetismo político impera, as oligarquias se perpetuam e a Casa Grande irriga seus interesses privados com recursos públicos. O povo e o país empobrecem a custa de uma elite que parasita o país, e suga a real possibilidade de sermos uma grande nação, e não apenas uma nação grande. 
        Voltando ao início do artigo: Se soa estranho gostar de política na realidade que vivemos em nosso país, esse interesse pela política nunca foi tão necessário. O marinheiro gosta do mar, apesar de suas tempestades e é nelas que precisa mostrar o seu valor. Nesses tempos de exceção e de triunfo da elite parasitária, ousemos lutar. Ousemos construir a democracia. Ousemos construir a nação que sonhamos!

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Sobre condecorações em tempos de exceção

Há alguns dias encontrava-me em uma grande livraria na capital de nosso estado, quando solicitei o auxílio de uma atendente afirmando-lhe estar procurando um livro cujo autor, Raduan Nassar, foi duramente criticado pelo Ministro da Cultura Roberto Freire (PPS), o que me dava razões de sobra para acreditar que sua obra era excelente. Freire demonstra nada entender do conteúdo de sua pasta, menos ainda de socialismo, democracia e ética na política, uma vez que se uniu ao grupo que representa o que há de maior atraso e indecência na política brasileira, junto ao qual promoveu um estupro à jovem democracia brasileira ao levar a cabo o golpe de Estado de 2016. Roberto Freire que se acostumou a agir como um coronel em sua carreira política, de forma premeditada, e quebrando o protocolo, pediu para falar após o discurso do premiado escritor que acusou o golpe patrocinado no Brasil. Em sua fala, Freire agiu com profunda descompostura pensando que o microfone em suas mãos lhe dava o poder de calar a platéia e colocar Nassar em seu lugar. Raduan, educadamente assistiu o Ministro mostrar a sua pequenez de espírito e a sua pouca cultura. Porém, a platéia reagiu em defesa do homenageado e da necessidade de preservar aquele momento, afinal, o prêmio Camões era dos países de língua portuguesa e não exclusivo do Brasil do golpe, e Raduan Nassar era o homenageado. O Ministro golpista da Cultura Roberto Freire foi calado pela platéia, e não conseguiu terminar seu discurso de ódio, mas, teve tempo suficiente para envergonhar o país aos olhos do mundo. No entanto, Raduan deve ter conquistado inúmeros novos leitores, como eu, que saí da livraria com sua obra mais conhecida internacionalmente: “Lavoura arcaica”. Também há alguns dias o presidente golpista Michel Temer (PMDB) que tem imposto ao país uma política econômica e social promotora do retrocesso por meio do projeto “ponte para o futuro”, mas, que deveria se chamar ponte para o atraso fez uma cerimônia de entrega de condecorações. Na ocasião, Beto Richa (PSDB), governador do Paraná, cuja imagem sofre o inevitável desgaste resultante das investigações promovidas pelo Grupo de Atuação Especial de combate ao Crime Organizado (GAECO) contra a corrupção pela operação Publicano (acerca da corrupção no âmbito da Receita Estadual) e a Operação Quadro Negro (concernente à corrupção em obras públicas na construção de prédios escolares), sem falar que foi delatado na operação Lava-Jato com dois apelidos “brigão” e “piloto”, foi um dos homenageados com a comenda Ordem de Rio Branco (pobre José Maria da Silva Paranhos Júnior!). Beto Richa é o governador que em 29 de Abril de 2015, por ação e/ou omissão, patrocinou um dos mais tristes e lamentáveis episódios da história nacional, ocasião em que educadores foram massacrados num ataque brutal das forças policiais quando protestavam e tentavam impedir que o governo lhes retirasse direitos e também se apoderasse de seu bilionário fundo de aposentadoria. No episódio, centenas de trabalhadores da educação sofreram lesões, porém, a agressão moral, dada a humilhação imposta, atingiu a todos os profissionais da Educação do estado, do país e do mundo. No Brasil do golpe, faz todo sentido que Temer condecore aliados como Beto Richa. É que homenagear quem de fato merece sem olhar suas cores ideológicas pode ser um “tiro no pé”, afinal, homenageados têm direito a aparecer ante os holofotes das redes de TV e pronunciar seu breve discurso, que apesar de breve, pode ser interminável, além de indigesto para a plutocracia golpista. Beto Richa perante as câmeras de TV se gaba de sua excelente gestão, mas, esta não condiz com aquela da vida real, cujo ajuste fiscal foi realizado à custa do sacrifício do contribuinte paranaense que teve sua carga de imposto fortemente aumentada (ICMS, IPVA, etc.), e, também do funcionário público estadual cujo fundo previdenciário que visa garantir as aposentadorias, tem perdas estimadas em cerca de 3,5 bilhões com as retiradas feitas pelo executivo estadual. Num futuro não muito distante, o fundo irá se tornar insolvente. E o Paraná, falido, não terá como pagar a folha de pagamento do pessoal da ativa, a folha de aposentados, as parcelas da dívida pública e da realização de obras públicas, tal como hoje ocorre no Rio Grande do Sul. Beto Richa joga o problema para os futuros gestores. O eterno e saudoso John Lennon afirmou: “Não posso acreditar que me condecorem. Sempre pensei que para ser condecorado era necessário dirigir tanques e ganhar guerras”. Parafraseando Lennon, afirmo que faz sentido, Temer condecorar seus semelhantes, pois, em seu governo de exceção, faz jus a condecorações quem usa “rolos compressores” e vence batalhas passando por cima das vítimas que defendem seus direitos trabalhistas, civis e constitucionais, a democracia e a lisura na vida pública!

quinta-feira, 27 de abril de 2017

O jogo do pato amarelo

        No jornalismo é comum o furo de reportagem quando um meio de comunicação se antecipa aos demais. A agilidade é fundamental! Tão logo começou a divulgação do absurdo jogo da baleia azul que está fazendo vítimas entre os adolescentes e cujos responsáveis não podem ficar impunes, tive a ideia de escrever o presente artigo. Porém, antes de sua publicação tomei conhecimento que o internauta Brazilino Nunes criou um post com o título “cuidado com o jogo coxinha azul” que se popularizou nas redes sociais. 
           Apesar disso, resolvi não descartar o presente artigo que trata de um jogo já jogado e publicá-lo tal como havia escrito, apesar de não mais constituir uma ideia original. O pato amarelo neste texto obviamente constitui um bode expiatório para as atitudes predatórias das aves de rapina que costumam rondar os céus de Brasília desde que esta era recém nascida, quando não antes, e cujos estragos ao país e à sociedade brasileira são facilmente constatados pela profunda ferida aberta em nossa insipiente democracia, por ora extinta. 
 

O jogo do pato amarelo 


1. Vista a camisa amarela da ilibada CBF e convide todos os seus amigos a sair na rua protestar contra a corrupção no país; 
2. Assista o JN e saiba tudo sobre a corrupção do Petê; 
3. Coloque a bandeira brasileira na frente de sua casa para mostrar que você é contra a corrupção do Petê e que a bandeira brasileira nunca será vermelha! 
4. Leia a Veja e se informe sobre a destruição que Lula e Dilma causaram ao país; 
5. Assista o JN e saiba mais sobre a corrupção do Petê e saia nas ruas com seus amigos que compartilham dos mesmos ideais protestando contra o governo Dilma que enterrou o país numa crise já superada pelo resto do mundo; 
6. Entre no Facebook e curta a página do Bolsonaro, o candidato mais preparado e com o discurso mais consistente para ser presidente segundo o seu patrão; 
7. Leia a Veja e tome conhecimento das últimas falcatruas de Lula e do Petê; 
8. Entre no Facebook e mostre aos esquerdopatas que você tem argumentos melhores, caso não tenha, xingue-os! 
9. Saia na rua defendendo a democracia com faixas pedindo a volta da ditadura militar para acabar com a ditadura comunista do Petê; 
10. Assista o JN e fique sabendo os novos valores que o impostômetro atingiu e saia nas ruas protestando contra os “mais altos” impostos de todo o planeta. 
11. Leia a Istoé que furou a Veja com a matéria sobre o novo fim de Lula! 
12. Atenda ao pedido de seu líder religioso ou patrão e ore por Sérgio Moro que está fazendo uma cruzada que irá acabar com toda a corrupção no país e é injustiçado com calúnias afirmando ser parcial, seletivo e de fazer perseguição aos quadros do Petê e leniente com algumas lideranças da direita. Inclusive afirmam caluniosamente que ele fica muito à vontade com membros da direita acusados de corrupção em solenidades e festas. 
13. Assista a mais uma premiação de Sérgio Moro pelo combate imparcial à corrupção no país e pare de orar para Deus por Sérgio Moro. Ao invés disso ore para Sérgio Moro e diga ao final de toda oração: Sérgio Moro livrai-nos de todo o mal. Amém! 
14. Compareça na Paulista atendendo ao chamado do grupo de “intelectuais democratas” do MBL e mostre sua indignação com os governos do Petê que acabaram com o país; 
15. Critique qualquer pessoa que se vista de vermelho e diga: “nossa bandeira nunca será vermelha”!
16. Compareça em frente à sede da FIESP, ou da FIEP e tire uma foto com o pato amarelo, tenha consigo um cartaz com o dizer: Eu não vou pagar o pato! 
17. Sempre que encontrar postagens de petralhas, argumente e se for colocado contra a parede deixe-os no vácuo, não responda mais. Conte a seus colegas e ria disso; 
18. Quando encontrar um esquerdopata provoque para um debate, não o deixe falar, fale alto, não respire, não o deixe falar e se retire sem dar chance a ele de apresentar seus argumentos; 
19. Leia a Veja para estar atualizado sobre a corrupção do Petê e o novo fim de Lula; 
20. Saia às ruas e peça o impeachment de Dilma, pois impeachment não é golpe, está na Constituição e o Petê apoiou o impeachment de Collor e queria que fosse aberto processo de impeachment contra FHC; 
21. Quando um petralha falar que impeachment sem provas incriminatórias à presidente é golpe, responda que impeachment não é golpe, pois está previsto na Constituição; 
22. Assista à TV Globo que generosamente alterou a sua programação pelo bem do país para que você possa assistir o espetacular desempenho oratório dos parlamentares da Câmara Federal na aprovação do prosseguimento do processo de Impeachment para o Senado Federal; 
23. Assista os grandes canais de TV brasileiros e leia os grandes jornais impressos brasileiros. A Internet é um terreno dominado pelos petralhas e as grandes redes de TV e jornais do mundo foram comprados pelo Petê e não são confiáveis, portanto, mentem que o Brasil está sofrendo um golpe de Estado. 
24. Comemore, tome champagne (francês, claro, ou não é champagne), mas, pode ser um espumante ou até sidra, refrigerante também vale. O impeachment foi aprovado, e isso significa o fim da corrupção e da crise no Brasil. A mídia internacional fala que é golpe, mas, não esquente com isso. Ela é comprada pelo Petê;
25. O novo governo é cheio de integrantes investigados por corrupção. O novo ministério foi criticado internacionalmente. Autoridades estrangeiras não querem visitar o Brasil e nem mesmo sair em fotos com as novas autoridades governamentais brasileiras. Diga: Não tem problema, são amigos dos petralhas corruptos. Vão ter que nos engolir. Esse país não vai ter bandeira vermelha; 
26. Assista o JN, leia a Veja, a Istoé e a Época e constate como o país melhorou. Até o governo se comunica melhor. Os grandes jornais e revistas estão com mais publicidades do Governo. Diga: agora o país sai da crise; 
27. A crise se aprofunda... diga: o país vai melhorar, demora um pouco porque Lula e Dilma acabaram com o país! 
28. O desemprego aumenta... diga: isso é culpa de Lula e Dilma; 
29. O novo governo está retirando os direitos trabalhistas, destruindo a CLT e acabando com suas chances de se aposentar ainda com saúde para descansar e aproveitar seus últimos anos de vida. Diga: Culpa de Lula e Dilma que destruíram o país. 
30. Ore por Sérgio Moro e pela Operação Lava-jato que têm sido caluniados de sua parcialidade, seletividade e de ter como missão concentrar sua ação sobre o Petê e impedir Lula de ser candidato a presidente em 2018, pois, dizem que ele pode ganhar, afinal tem muita gente ignorante neste país que não sabe votar; 
31. Assista o JN para saber as últimas safadezas de Lula e do Petê. 
32. Leia a Veja e depois a Istoé e a Época. Sempre é bom ler “diferentes” pontos de vista para estar bem informado; 
33. Mande e-mails contra a corrupção do Petê e mostre como o Brasil era um paraíso livre de corrupção na ditadura militar (1964-1985) e nos governos de Collor, Itamar e FHC. 
34. Temer está fazendo um péssimo governo: diga para os petralhas que você não votou em Temer e que ele é a continuação do governo do Petê, e se eles falarem do PSDB e toda a oposição à Dilma no Governo Temer deixe-os no vácuo falando sozinhos; 
35. A crise se aprofunda; programas sociais e direitos trabalhistas são reduzidos ou extintos; bolsas auxílio a estudantes universitários são reduzidas; o FIES sofre cortes; o programa Ciências sem fronteiras é extinto; o desemprego aumenta; a classe baixa e a classe média são afetadas. Diga: isso é culpa do Petê!
36 a 49: O mundo inteiro afirma: o Brasil sofreu um golpe de Estado. O Papa não quer dar moral ao governo golpista com uma visita ao país. Os maiores corruptos do país estão no poder e estão doando as riquezas nacionais para empresas estrangeiras em atos lesa-pátria. Faça o seguinte: não use a camisa da CBF, a não ser em jogos. Tire a bandeira brasileira da sacada. Não discuta mais com os petralhas. Fique em silêncio ou tergiverse. 
50. Nunca, em hipótese alguma se mate! Se o que você leu é o que você fez, se una ao povo patriota desse país e ajude a consertar o desastre que você ajudou a se tornar realidade. O Brasil precisa de todos para voltar a ser um país de todos os brasileiros!