Powered By Blogger

quinta-feira, 27 de março de 2014

Uma ferida que nunca cicatriza

       No dia 22 de março houve nas capitais brasileiras uma tentativa de reeditar a marcha da família com Deus pela liberdade a qual originalmente foi levada a cabo no ano de 1964 e de cuja participação boa parte das pessoas se arrependeu, pois, embora não tivessem a intenção contribuíram para chocar o ovo da serpente, ou seja, deram suporte à implantação do regime sanguinário que se instalou no país no dia 01 de abril de 1964. 
         Naquele tempo, a Guerra Fria estava em seu auge, e a estratégia da extrema direita era amedrontar a população usando o senso comum para convencer dos riscos da “ameaça comunista”. Hoje, sabe-se que a Igreja apoiou fortemente o golpe militar e que houve religiosos cooptados pela Central de Inteligência Americana (CIA) para desempenhar o importante papel de levar o povo às manifestações em apoio aos militares e opondo-se ao governo democraticamente eleito de João Goulart que sucedeu o renunciante Janio Quadros.
             A verdade é que desde o tempo de Getúlio Vargas, os militares golpistas espreitavam o Poder, o suicídio de Getúlio adiou a sanha golpista, mas não a impediu. Os Estados Unidos da América não gostavam de ver o Brasil governado por líderes esquerdistas e temiam que a União soviética exercesse influência nos destinos do país e após a derrota que sofreram em Cuba (1959) não hesitaram em colocar sua esquadra no mar territorial brasileiro, pois, na eventualidade de que os militares amotinados não obtivessem êxito na execução do golpe o braço armado de “Tio Sam” invadiria o país para completar o serviço, no entanto, a não resistência do Presidente João Goulart para evitar um banho de sangue tornou as coisas mais fáceis para os golpistas e para “Tio Sam” que tratou de disfarçar as evidências que tinha contra si, mas o banho de sangue foi apenas postergado, pois, instalou-se no país uma ditadura que acabou com as liberdades civis na qual, políticos progressistas, professores, estudantes, artistas e intelectuais que defendiam a democracia passaram a ser perseguidos e milhares foram presos, torturados e mortos. 
                É uma ingenuidade pensar que o golpe se deu unicamente pelo medo da implantação de um regime socialista no país, pois, pesquisas mostraram que embora Jango tivesse a pretensão de fazer as famosas reformas de base, até hoje não realizadas, os verdadeiros motivos eram o tabuleiro de xadrez jogado por Estados Unidos e União Soviética na disputa da hegemonia mundial e os interesses econômicos estadunidenses contrariados pelo governo nacionalista de Jango, e principalmente a estreita amizade entre os militares brasileiros e estadunidenses cujos laços atados por ocasião da Segunda Guerra Mundial permitiram uma conversa franca e sem rodeios sobre qualquer tema, inclusive, o oferecimento de certas vantagens para alguns personagens militares de alto escalão. Sim, malas de dólares foram entregues para alguns líderes militares, que ao se venderem, venderam também o futuro do país.
                 A direita representante da classe social privilegiada não apenas apoiou o golpe, como atuou para que ele ocorresse, pois, não admitia reformas que acabassem com os privilégios da minoria que representavam em benefício da população de maioria pobre. A marcha de 22 de março de 2014 foi um fiasco, mas a vergonha não é pela pouca adesão ao movimento que pedia o retorno da ditadura militar, mas pelo fato de que em pleno século XXI existam pessoas com um pensamento tão retrógrado, alienado, fascista e sem nenhum senso de justiça social e com um total desconhecimento da história nacional que não a contada por aqueles que defendiam o regime e dele se beneficiaram, sejam políticos da direita, empresários e mesmo alguns jornalistas que hoje atuam na Grande Mídia (Redes de TV e grandes jornais e revistas) que insolentes chamam a ditadura de “ditabranda”, pois é próprio de pessoas fascistas além da desqualificação de quem pensa diferente jamais reconhecer erros cometidos. 
                A ditadura militar infligiu na alma do povo brasileiro uma ferida que nunca cicatriza.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Oito de março dia da “mea culpa” masculina

    Se um extraterrestre viesse a Terra no dia 8 de Março e observasse as tantas e tão belas homenagens pela passagem do Dia Internacional da Mulher, na TV, nas revistas, nos jornais, etc., julgaria que a Terra era certamente o paraíso para elas e aos homens só restaria lamentar não terem nascido mulheres. 
        Nas ruas, homens carregando presentes e também mulheres sorridentes empunhando buquês de rosas. Se o extraterrestre ligasse algumas estações de rádio e observasse as letras das músicas tocadas neste dia se encantaria com as demonstrações de reconhecimento da importância da mulher, feitas de forma tão generosa e, sobretudo poética. 
       Constataria que nascer mulher neste planeta era sem dúvida uma sorte muito grande, principalmente quando movido pela curiosidade fizesse uma pesquisa numa “primitiva” rede conectiva de computadores denominada pelos terráqueos como Internet e numa rápida contagem constataria que a mulher é central na letra da maioria das músicas, sendo que centenas destas têm como títulos nomes femininos tais como Anna Júlia, Iolanda, Camila, etc.. 
         Mas, o dia 8 de março é tal como o conto de Cinderela, o encanto termina à meia-noite, e, a mulher de centro das atenções volta à dura realidade da vida real, pois, em todo o planeta, dos países subdesenvolvidos aos países desenvolvidos, as mulheres são discriminadas no mercado de trabalho e recebem salários menores mesmo exercendo a mesma atividade que colegas do sexo masculino. As progressões na carreira são mais arduamente conquistadas e isto nada tem a ver com a capacidade delas e sim com questões culturais de um mundo machista. 
         O desrespeito aos direitos humanos desconhece gênero, mas é mais grave quando a pessoa atingida é do sexo feminino, em muitas culturas o direito à educação formal, o acesso ao mercado de trabalho, enfim, o reconhecimento necessário da igualdade entre homens e mulheres é algo ainda muito distante. 
            Em pleno século XXI, a realidade das mulheres em alguns países é a da mutilação de seus genitais (clitóris), pois, a “cultura” de certas sociedades não permite às mulheres obter o prazer sexual, então, ainda meninas têm seus corpos profanados por mentes insanas “castrando” não somente o corpo, mas sua alma de mulher, afinal, sexo é vida, faz parte da realização humana e a mulher, tal como o homem tem todo o direito a desfrutar desse prazer conforme desejar e sua consciência permitir. A mulher é tida como objeto e os relacionamentos amorosos infrutíferos e companheiros/ex-companheiros violentos muitas vezes contribuem para aumentar as estatísticas do feminicídio (assassinato de mulheres em virtude de seu sexo), uma chaga existente em todo o mundo. 
             Caso o extraterrestre a que me referi no início desse artigo, tivesse ficado em nosso planeta apenas durante o dia 8 de março ao voltar para seu planeta de origem levaria ótimas referências sobre os seres humanos do sexo masculino e de como é bom ser mulher neste planeta. No entanto, uma análise mais acurada da realidade, ou a permanência por apenas mais um dia mostraria ao suposto ET que oito de Março é na verdade um dia simbólico da luta das mulheres por seus direitos e também uma data que foi corrompida pelo Capitalismo ávido por lucros e usada para o ato de “mea culpa” pelos homens que no restante do ano tratam-nas como serviçais. 

P.S. 1. Até hoje não se comprovou cientificamente a existência de extraterrestres e os cientistas se dividem quanto a tal possibilidade; 2. Esse artigo não está atrasado, pois “oito de março” para as mulheres é todo dia; 3. Não sou perfeito, também faço “mea culpa” no dia 8 de Março; 4. As mulheres trocariam as homenagens do dia 8 de março pelo seu engajamento na luta pela conquista e reconhecimento aos direitos delas.

sábado, 15 de março de 2014

Nem tudo que reluz é ouro!

       Neste espaço, em várias oportunidades comentei sobre a desinformação reinante e afirmei ser no mínimo uma ironia isto acontecer em plena época da sociedade da informação. Conheço pessoas que desencantadas abandonaram as redes sociais na Internet, pois suas expectativas foram frustradas por causa do baixo nível das discussões que nelas se realizam. 
         Não sou tão radical, mas, sou obrigado a concordar que nas redes sociais e nas conversas informais, considerável parte do discurso das pessoas não vai além do senso comum, ou seja, o conhecimento nele embutido não é suficientemente refletido e não possui aprofundamento teórico. 
             No entanto, vivemos na sociedade da informação, estamos conectados com o mundo e o mundo conosco. Somos bombardeados por tanta informação que já não damos conta de mantermo-nos atualizados, os acontecimentos socioeconômicos e políticos ocorrem de forma cada vez mais célere e a nossa reflexão devido ao escasso tempo já não consegue acompanhar. 
            A sociedade atual é viciada em informação e não faltam fontes para suprir a necessidade humana da busca da “luz”, no entanto, informação não necessariamente se traduz em conhecimento, pois, depende do “modus operandi” que cada pessoa faz dos terabytes de dados com os quais é bombardeado a todo momento e do garimpo que faz para entre o cascalho achar os diamantes. 
        Não faltam diamantes, porém, é necessário lapidar a informação, aparar arestas, descobrir o verdadeiro teor que se esconde por trás daquilo que a leitura superficial revelou ou que o filtro ideológico omitiu, pois, nem tudo é o que aparenta ser, “nem tudo que reluz é ouro”, diz o famoso adágio popular que serve para nos lembrar da possibilidade do equívoco ou da indução ao erro pela não reflexão, afinal, todos (articulistas, editoriais, meios de comunicação) têm sua ideologia e intencionalidade implícita, e, isto é algo que precisa ser desvelado. 
            Importa saber que há grande diferença entre informação e conhecimento, qualquer pessoa pode ter em sua memória uma grande bagagem de dados, no entanto, o verdadeiro conhecimento se produz com o tratamento dado a estas informações, ou seja, ler bastante pode tornar uma pessoa muito informada, mas isso não necessariamente se traduz em conhecimento. Não é raro encontrar pessoas capazes de memorizar cada palavra de um artigo ou até mesmo um livro inteiro sem grande esforço, porém, quando lhes é exigida uma transposição filosófica da literatura para a realidade concreta e/ou uma reflexão crítica as dificuldades se agigantam.
             Pensar é uma atividade difícil, por isso tão pouca gente se dedica a tal ato já afirmava Einstein, talvez por isso, ou por mero comodismo, as pessoas deixam de assistir programas de TV que levam seus telespectadores a reflexão e se recusam a ler qualquer texto que tenha mais que os 140 caracteres do padrão Twitter. Todos sabemos que uma boa reflexão crítica exige espaço e também a disposição dos leitores, no entanto, enquanto para alguns a leitura é uma atividade prazerosa, para outros é um ato penoso. 
            Se para muitos ler é difícil, e quanto a pensar? Aí já é um ato que beira um ritual de tortura para muita gente. As pessoas parecem ter prazer em consumir o que bestializa, embrutece, insensibiliza, de tal forma que o conhecimento, verdadeiro alimento natural para a alma é substituído pelo senso comum, pela futilidade, pela pornografia, pela violência, etc. que acaba tornando os consumidores tão semelhantes entre si quanto os produtos a eles ofertados, pois toda pessoa é aquilo que consome.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Os Hitlernautas e os inocentes úteis no ano D – Parte 3

        Uma polêmica se instalou em nosso país por conta da vinda dos médicos estrangeiros, tal polêmica em parte foi alimentada pela grande imprensa, que sabemos, tem lado e não é aquele representado pela esquerda. Como o Governo Federal representa a esquerda no Poder, a grande mídia tomou para si a tarefa de fazer oposição, uma vez que os principais partidos de oposição acostumados a deleitarem-se no Poder, têm sido ineficientes em captar o apoio popular. 
            A oposição se irrita com as comparações de dados estatísticos sobre os governos de Lula e Dilma com o governo de Fernando Henrique Cardoso, penso que não há nada mais natural, compreensível e necessário, pois, na política brasileira existem dois projetos para o país, o projeto da direita representado pelo PSDB e cujo ícone foi FHC quando de seus oitos anos no Poder (1995-2002) e o projeto da esquerda representado pelos Governos petistas de Lula (2003-2010) e Dilma (2011-2014).
             A choradeira da oposição se deve ao fato que comparar dados estatísticos das duas formas de governar é extremamente prejudicial às pretensões eleitorais dos tucanos. De minha parte sempre considerei extremamente útil a comparação dos dados estatísticos, pois, sua análise revela a prática ao governar, o que está além do mero discurso. A oposição critica os dados do atual governo, mas jamais o faz citando seus próprios dados enquanto governo, pois, estes eram piores aos dos Governos Lula e Dilma, assim, preferem afirmar que este ou aquele país está fazendo melhor, ou que o resultado poderia ser melhor, embora não fizessem melhor quando governaram. 
             Quando FHC era o presidente trouxe ao país médicos cubanos, a revista Veja o aplaudiu e não houve nenhum estardalhaço, como o governante era da direita, a parte da massa popular que corresponde a tal segmento político o apoiou, ou pelo menos não lhe condenou, pois, nenhum discurso contrário foi realizado. A oposição obviamente também não criticou a vinda dos médicos cubanos considerando-a necessária. No entanto, os tempos são outros e a direita acostumada ao Poder encontra-se no limbo da oposição, dessa forma, procura capitalizar qualquer ato administrativo do Governo Federal que possa render polêmica objetivando desgastá-lo, mesmo que isso coloque a oposição numa contradição, ou seja, criticar aquilo que um dia foi favorável. 
         É importante observar que a vinda de médicos ao país é necessária tendo em vista a falta e principalmente a má distribuição destes profissionais pelo território nacional. Ser contra, é não ter uma atitude racional e menos ainda humanitária. Existem médicos que são contrários ao programa “Mais Médicos”, dessa forma, agem de forma corporativista buscando preservar o mercado de trabalho para os profissionais brasileiros, quase sempre oriundos de sua própria classe social (média e alta). Ao tomarem tal atitude esquecem o juramento de Hipócrates e fazem desdém ao sentido humanitário de tal profissão. 
            O Governo Federal tem a obrigação de prover os mais diversos rincões deste país de médicos e se necessário contratar profissionais estrangeiros para aqueles lugares onde os médicos brasileiros não desejarem ir, pois a população não pode ficar desassistida. A verdade por trás dessa polêmica não diz respeito a todos os profissionais estrangeiros que chegam ao país, pois, se refere na verdade, à maior parcela deles e que é vinda de Cuba, cuja qualidade da medicina é reconhecida internacionalmente inclusive por seus excelentes dados estatísticos. 
            Há em nossa sociedade pessoas que ainda vivem no período da Guerra Fria, da divisão bipolar do mundo entre Capitalismo e Socialismo, são pessoas que pararam no tempo e de posse de “discursos senso comum” vêm em cada médico cubano um potencial “Che Guevara” e temem a implantação da revolução no país, e estão certos, os médicos cubanos estão contribuindo para uma revolução no país, mas, esta diz respeito ao tratamento humanitário dispensado aos pacientes, o restante é paranóia de gente com transtorno bipolar revelado por seu comportamento contraditório conforme o governante de plantão.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Os Hitlernautas e os inocentes úteis no ano D - Parte 2

        Mauro Santayana escreveu um artigo importantíssimo para Carta Maior com o título “Pearl Harbor e Mariel”, sabemos que Pearl Harbor era a base estadunidense que foi bombardeada pelo Japão na Segunda Guerra Mundial, por sua vez, Mariel é um porto que está sendo construído com apoio financeiro do BNDES em Cuba. Santayana afirma que a vontade de uma pequena parcela da população brasileira seria bombardear Mariel, pois, entende que o BNDES deveria financiar apenas obras no Brasil, penso que esse pessoal matou as aulas de Geografia para assistir algum enlatado americano.
         No referido artigo, o autor mostra que tais empreendimentos são financiados, ou seja, o BNDES recebe juros e exige em contrapartida que produtos sejam adquiridos no Brasil e empresas brasileiras sejam contratadas para tocar as obras. Assim, o empréstimo é triplamente lucrativo, pois, rende lucros via juros, gera empregos no Brasil e garante vendas nacionais ao estrangeiro e nos alça um degrau acima na geopolítica mundial (aumenta o nosso poder de influência junto à outras nações) o que pode nos render bons negócios no presente e no futuro. 
         Não se trata da primeira obra realizada no estrangeiro com financiamento nacional, isto é feito desde a época da Ditadura Militar quando dentre outras houve a parceria com o Iraque do ditador Sadam Hussein. Tais financiamentos também ocorreram no Governo FHC quando houve a concessão de empréstimo via BNDES para Cuba (isso mesmo, Cuba) visando a aquisição de ônibus fabricados em solo nacional, lembro que no Governo Lula o BNDES emprestou dinheiro para a construção de uma usina hidrelétrica no Equador. Neste caso, estavam errados os governantes militares, FHC e Lula? Absolutamente, não, e nem a Presidente Dilma está. 
           Como já afirmei, financiar países aliados é reforçar nossos laços de influência, gerar empregos no país e trazer de volta o dinheiro através da venda de produtos e/ou fornecimento de mão de obra nacional, sem falar nos juros a receber. Lembro que em determinada ocasião durante o Governo Lula, o Papa João Paulo II solicitou que os países ricos perdoassem as dívidas das nações mais pobres do planeta, sendo quase todas africanas. Paupérrimas, tais nações não conseguiam e ainda não conseguem garantir o básico para as suas populações (alimentação, saneamento básico, acesso à medicina, educação, etc.), desta forma, a fome quando não mata, deixa sequelas para a vida toda e grande parte das doenças poderia ser evitada se houvesse o tratamento da água e sua oferta à população.
        Doenças que no Brasil já não matam, em muitos países africanos ceifam a vida de grandes contingentes de crianças. Em grande parte desses países, o analfabetismo é altíssimo, o motivo, a falta de recursos para a universalização do acesso à educação, na prática, o sistema educacional em tais países é extremamente precário além de não chegar onde o aluno está. Nestes países, a AIDS está fora de controle e reduz a expectativa de vida de suas populações. 
            João Paulo II ciente disso, fez tal pedido e ouviu uma negativa dos EUA de George W. Bush, por sua vez, Lula, acatou a solicitação do Papa, talvez em grande parte sensibilizado por sua própria história de vida onde a pobreza o acompanhou durante toda a sua infância. Pois bem, Lula perdoou a dívida de alguns países africanos paupérrimos, e isso é algo que alguns cidadãos brasileiros nascidos em berço de ouro e que jamais experimentaram ter como companhia diária a insegurança alimentar nunca perdoaram, são cidadãos do próprio umbigo e não do mundo.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Os Hitlernautas e os inocentes úteis no ano D - Parte 1

        Estamos em ano de Copa do Mundo no Brasil o que coloca o país sob os holofotes internacionais. É também ano de eleições majoritárias e embora muito se tenha discutido a influência do futebol nas eleições, nunca se chegou a nenhuma comprovação científica, mas nessa hora a oposição lembra da frase de Miguel de Cervantes Saavedra em Dom Quixote: “Yo no creo em brujas, pero que las hay, las hay”. Dessa forma, certamente haverá fanáticos torcedores pelo fracasso da seleção brasileira e da Copa, pois, desejam que a Copa seja o maior fiasco de todas já realizadas. Pensam que o sucesso da Copa torna mais distante o retorno ao Poder e não têm pudor em torcer contra o Brasil se isto os beneficiar. 
        Já discorremos várias vezes neste espaço sobre aqueles cidadãos que pensam: “quanto pior, melhor”! São pessoas que não conseguem se acostumar com o processo democrático, aliás, democracia é uma palavra que lhes tira o sono, afinal, devem pensar: “como pode quem nasceu na Senzala querer dar opinião? Como pode esse povo da Senzala se achando gente como a gente? Como permitimos que a situação chegasse a esse ponto? Volta Ditadura! Pois enquanto o AI-5 vigorava eu sabia que se alguém falasse ou escrevesse alguma coisa sobre a desumanidade de minha alma e de minhas ações, e, se, (eu disse se) isto tirasse a minha paz de espírito, bastava dar uma “informaçãozinha” para alguns amigos estratégicos que essa pessoa não falaria mais, ou, “não falaria mais””. 
          Penso que será um ano em que os “Hitlernautas” (extrema direita munida de um PC), aqueles que têm como ofício pregar o ódio, o rancor, o desprezo pelo próximo, ou seja, por aquele que não possui os mesmos valores depositados na conta bancária, que não nasceu no mesmo berço de ouro, que não compartilha dos mesmos ideais, buscarão intensificar campanhas de desinformação objetivando confundir a opinião pública para fazer o país retornar aos trilhos do atraso, da injustiça, da desigualdade social sempre crescente, do entreguismo das empresas e das riquezas nacionais, da volta do arrocho do salário mínimo para atender parte do empresariado descontente com a atual política de valorização do salário mínimo, que, apesar de ter sido reajustado sempre acima da inflação nos últimos dez anos ainda não cumpre o artigo constitucional que dele trata.
        Como os indicadores mostram que atualmente o país é muito melhor do que quando a direita estava no poder resta aos mesmos, desinformar, difamar, mentir e muitos de tanto mentir chegam a acreditar nas próprias mentiras, parte destes são “Hitlernautas” cujo lema deve ser: “O fracasso do país é o nosso sucesso”! Lançam campanhas na Internet (redes sociais) solicitando às pessoas para que não abasteçam nos Postos BR e não comprem ações da Petrobras de forma que se a Petrobras quebrasse teriam orgasmos múltiplos! O maior sonho dessa gente é que a Petrobras fosse vendida nos moldes da privataria tucana para os Yankees. 
        Os “Hitlernautas” têm uma personalidade que lembra Hitler. Sabemos que Hitler era um artista frustrado e os “Hitlernautas” carregam a frustração de não terem nascido em outro país, pois este eles não amam. Há uma parcela da população que se ilude com o discurso dos “Hitlernautas” são os “inocentes úteis”, ou seja, gente que movida pelo senso comum “compra” discursos falsos e não averigua se os fatos correspondem à verdade, pois, se nem todos entendem de Geopolítica ou de História, deviam lembrar sempre dos discos de vinil em que ouviam o lado A, mas também o lado B, para depois tirar as conclusões sobre qual lado tem a melhor melodia. Essa parcela da população (inocentes úteis) é massa de manobra, correm para onde os outros estão correndo, e como não pensam são pensados pelos outros.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Uma questão de cultura ou de sua falta – Parte 2

Retornei em janeiro de mais uma viagem de cunho cultural que levei a cabo de forma solitária na companhia da minha velha e boa motocicleta e tive a oportunidade de conhecer o Parque Histórico de Carambeí (que apresenta maquete da vila histórica em 1911 e também uma reprodução dessa mesma vila em tamanho real, além do museu do trator, etc.), pude conhecer através dos objetos de uso rotineiro, um pouco da saga dos pioneiros colonizadores holandeses que acabaram por fundar a Batavo que atualmente pertence a Brasil Foods e o Memorial De Immigrant em Castrolanda que se localiza no interior daquele que é o maior moinho de vento construído fora da Holanda. Os moinhos de vento representam o símbolo maior da Holanda, pois, suas imagens lembram automaticamente aquele país. Dentro do moinho de vento de Castrolanda encontram-se objetos e documentos históricos referentes aos pioneiros colonizadores daquela localidade. Na continuidade da viagem, além de visitar o Parque Estadual do Guartelá que constituía o ápice da mesma, estabeleci-me em Tibagi e conheci o casario preservado do centro histórico e passei momentos muito agradáveis conhecendo o Museu Histórico que possui várias alas como a de som e imagem (expõe uma coleção de rádios e TVs antigos), a ala indígena e seus pertences característicos; a ala dedicada à presença da Igreja Católica na localidade com a exposição de objetos utilizados pelos religiosos. A ala que mais tempo fiquei foi a que diz respeito à mineração de diamantes no Rio Tibagi onde fortunas foram retiradas e poucos mineradores enriqueceram, pois, o dinheiro ganho por estes, tal como a água, escorreu dentre seus dedos através das festas que contavam sempre com muita bebida e a presença de mulheres agraciadas com diamantes em troca de seus préstimos amorosos. Em maio de 2008 escrevi um artigo neste espaço com o título “Uma questão de cultura ou de sua falta” em que discorri sobre o estado deplorável do antigo correio que para os mais íntimos da história de Laranjeiras do Sul sabem se tratar da casa do Secretário Geral do Território Federal do Iguaçu (segundo cargo em importância na hierarquia iguaçuana). Naquela ocasião comentei sobre o cuidado com que outros municípios têm com a preservação do patrimônio histórico, algo que por aqui sempre foi pouco valorizado tendo em vista que inúmeras edificações históricas já ruíram ou vieram abaixo para dar lugar a novos prédios. Naquele artigo comentei sobre o gosto que tenho por visitar casarios históricos preservados e museus que resgatam a história do local e afirmei que “de nada adiantava os visitantes saberem através do portal de entrada do município que Laranjeiras do Sul foi capital do Território Federal do Iguaçu, se o pouco que resta desse período histórico estava sendo tratado com descaso”, mais tarde, mesmo essa inscrição foi retirada e substituída por outra em alusão ao campus da UFFS. Penso que a preservação da história local é a maior demonstração de cultura de um município e a não preservação de edifícios e monumentos históricos a maior prova da pobreza cultural de sua gente. Porém, há alguns dias ao passar pela velha casa em questão tive a grata satisfação de ler cartazes anunciando que a Prefeitura Municipal irá em breve começar a sua restauração, o que me deixou exultante, pois, enquanto visitava museus nas cidades que percorri lembrava sempre da casa histórica em ruínas e da inexistência de um espaço adequado para o resgate histórico da ocupação territorial de nossa querida terrinha. No artigo que escrevi em 2008 receava que um dia tivesse que comentar o desabamento ou a desmontagem da casa em questão, agora aliviado, parabenizo a administração municipal e como cidadão laranjeirense agradeço a cada pessoa que se empenhou para que o projeto de restauração se fizesse viável!