Powered By Blogger

domingo, 29 de abril de 2012

Casa Grande e Senzala

No final do ano de 2011 o PIB do Brasil superou o PIB da Toda Poderosa Inglaterra e alcançou, portanto o sexto lugar entre as nações que mais produzem riquezas. O PIB é o Produto Interno Bruto, ou seja, a soma monetária dos bens e serviços finais produzidos por um país num prazo determinado que pode ser como no caso, anual (o ano de 2011). Não sabemos se o país manterá a posição conquistada, e nem mesmo se as projeções de que o Brasil futuramente se tornará a quinta potência econômica se confirmarão. No entanto, sabermos que o país no IDH 2011 (Índice de Desenvolvimento Humano) da ONU encontra-se apenas no 84º lugar atrás de países muito mais pobres faz com que coremos de vergonha. Seria melhor que não constássemos entre os 10 maiores PIB’s e estivéssemos entre os 10 países melhor colocados na lista de desenvolvimento humano. É o que acontece com a Noruega, o melhor país do mundo em IDH e cujo PIB (1/5 do PIB Brasileiro) encontra-se no 24º lugar (FMI 2011). Se acrescentarmos à análise a posição brasileira no Índice de Gini cujo coeficiente verifica a desigualdade na distribuição da renda de países, estados e municípios e os classifica num ranking, chegamos à constatação de que vivemos num país extremamente desigual, portanto, perversamente injusto. Somos o terceiro pior colocado segundo a ONU (2010). Há no Brasil um Apartheid¹ social, uma diminuta parcela da população (os 10% mais ricos) com nível de vida e renda que supera em apropriação da riqueza nacional a parcela correspondente nos demais países desenvolvidos e na outra ponta da corda, os 10% mais pobres, fadados à miséria e ao não recebimento de sua justa fatia no bolo da riqueza nacional e que não lhe permite uma sobrevivência digna. Durante a Ditadura Militar se tornou famosa a frase de um Ministro da Fazenda que sempre ao ser questionado sobre a desigualdade social afirmava: “É necessário fazer o bolo crescer para depois dividir!”, pois bem, o bolo cresceu, mas a divisão não ocorreu, pois, aos verdadeiros ricos (os 10%) no período se destinou aproximadamente a metade do bolo e migalhas aos 10% mais pobres. Após a criação do Plano Real e, sobretudo a partir do Governo Lula (2003 -2010) a desigualdade social começa a declinar lentamente, através da política de Estado de aumento real do poder aquisitivo do salário mínimo e de programas de transferência de renda, porém, continua sendo destinado uma fatia gigantesca da renda nacional (42%) para os mais aquinhoados tupiniquins. Os programas sociais de transferência de renda e a política de valorização do salário mínimo fazem com que haja uma percepção pela sociedade de que parcela da população (os mais pobres) avança mais rapidamente na participação na renda nacional como se tivessem índices de crescimento do PIB comparáveis aos da China e índices oficiais para os demais. A parcela mediana da sociedade fica então com a impressão de que seu status social se encontra em queda ao entrar no avião e verificar nele embarcados pessoas de classes sociais mais baixas. Sim, as classes C e D estão em ascensão e entraram para valer no mercado de consumo e isso é ótimo para toda a população, pois, a economia de um país é como um organismo, se um órgão está doente, todo o organismo funciona mal. Se observarmos a distribuição da renda nos países desenvolvidos, verificamos que a desigualdade social é muito menor, como também menor é a mendicância, a violência, o analfabetismo, a mortalidade infantil, etc. Precisamos entender que há uma grande diferença entre ser uma potência econômica e um país desenvolvido, o Brasil caminha a passos largos consolidando cada vez mais sua posição como uma das nações mais importantes do mundo no que tange à economia, porém, se queremos ser um país desenvolvido devemos refletir seriamente sobre uma frase de Augusto Cury que afirma: “No meu mundo os mais fortes servem os mais fracos, diferentemente do seu mundo onde os mais fracos servem aos mais fortes. Qual é o mais justo?” *1. Foi um regime de segregação racial adotado de 1948 a 1994 pelos sucessivos governos do Partido Nacional na África do Sul, no qual os direitos da grande maioria dos habitantes foram cerceados pelo governo formado pela minoria branca. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Apartheid - acesso em21/04/2012.

domingo, 22 de abril de 2012

Arcabouço ou calabouço teórico?

            Sócrates, famoso filósofo grego, real ou criado por Platão, não importa, “vive” ainda hoje, através de seus inestimáveis ensinamentos e certa vez enunciou: "A vida não examinada não vale a pena ser vivida", nada mais verdadeiro, pois sabemos, o conhecimento amadurecido e bem utilizado pode libertar uma pessoa e inversamente torná-lo seu prisioneiro.
         Durante nossa efêmera existência, na escola, na coletividade e na individualidade estamos o tempo todo construindo um arcabouço teórico que dita a forma como pensamos e agimos em sociedade. Este conjunto de valores, crenças e idéias nos dão a individualidade que ora nos aproxima, ora nos afasta de outros indivíduos da sociedade. 
      Esta individualidade tem um caráter enriquecedor quando agrega à coletividade valores que auxiliam a dar ao grupo majoritário a definição de um rumo na busca da evolução societária, portanto, um indivíduo pode mudar toda a forma de pensar e agir de uma coletividade, mas nem sempre a coletividade pode mudar a forma de pensar e agir de um indivíduo, principalmente quando este se arraigou ao conhecimento que desenvolveu de tal forma que transformou seu arcabouço teórico num calabouço teórico. 
         O arcabouço teórico de um indivíduo é construído através da experiência de vida e principalmente das inúmeras leituras realizadas sobre os ensinamentos deixados por grandes pensadores e que possibilita ao mesmo conseguir analisar o mundo e a sociedade de uma forma racional, compreendendo a realidade em suas particularidades, superando dessa forma o senso comum. 
       No entanto, o arcabouço teórico de um estudioso não é algo imutável, pois o mundo está em constante evolução e as informações se acumulam de forma titânica e delas não damos mais conta, se ontem estávamos atualizados, hoje, podemos estar defasados perante a capacidade do mundo e da sociedade de se reinventar, porém, precisamos manter um Norte, não podemos ser tragados pela evolução dos acontecimentos que nem sempre levam ao melhor, é necessário que preservemos um conjunto de idéias, valores e crenças para sabermos se os rumos tomados pela coletividade levam a algum lugar ou a lugar nenhum. 
     Vivemos um momento em que as ideologias caem por chão, a atual sociedade neoliberal, globalizada e pós-moderna nivela a todos por baixo e não há teoria para sustentar o arranha-céu de cartas que se construiu, dentro desse cenário é muito difícil para um indivíduo abandonar idéias, valores ou crenças que por muito tempo considerou corretas, mas, que aparentemente não correspondem mais à realidade diante da mutação societária em curso, este se vê algemado a um conjunto de pensamentos que se tornaram seu calabouço. Não poucas pessoas encontram-se neste estágio, penso que evoluir não significa abandonar a sua causa e abraçar a bandeira do momento, isso é alienação, mas também, não é algemar-se a uma estratégia, que com o tempo, mostrou-se ineficaz, infrutífera.
         Como o conhecimento verdadeiro é libertador, há que se pensar a realidade com as ferramentas necessárias para tal. Preservar sua individualidade, ou seja, aquilo que lhe dá identidade e que o torna único numa sociedade doente como a que vemos tornou-se uma atitude heróica, pois, pensar a realidade é fazer o que nem todos desejam. 
           Para grande parte da sociedade, seguir o curso do rio causa menos exaustão, remar contra o rumo dos acontecimentos para quê? E eu fico aqui pensando se tudo aquilo em que acredito constitui um arcabouço teórico para a minha libertação ou se estou preso em um calabouço de idéias que jamais me levarão a lugar algum.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Com que livro eu vou?

Há alguns dias soube que algumas pessoas se demonstraram interessadas no livro “A Arte da Guerra” após lerem o artigo “Leia antes que seja tarde” veiculado por este jornal no qual teço comentários sobre a obra de Sun Tzu. Porém, fiquei particularmente feliz ao conversar com uma Professora de Educação Física que é também minha amiga que afirmou ter adorado o referido livro, e, que dele estava extraindo importantes ensinamentos para a prática desportiva. Disse que comprou o livro após dele tomar conhecimento através desta coluna. Segundo a professora algumas vezes ela quer ler algo diferente daquilo que está na onda do momento, os tradicionais Best Sellers (livros mais vendidos) ou da área específica e gosta de minhas sugestões. Então sempre que gostar muito de uma obra vou indicá-la aqui como “Sugestão de Boa Leitura”.
Lembrei-me de Noel Rosa quando compôs o famoso samba “Com que roupa?” no qual entoava: (...) “E eu pergunto: com que roupa? Com que roupa que eu vou?” e, parafraseando-o criei o título do presente artigo, pois, saber que livro comprar é algo muitas vezes difícil, é necessário ver se o livro em questão agradará ao seu “paladar literário”, e, mesmo agradando existe a questão do momento, eu sou muito atento a isso, compro muitos livros, sem ligar para a classificação dos mais vendidos, mas apenas aqueles que  tenho real interesse, algo não muito difícil, pois, sou bastante eclético, leio sobre quase tudo e não apenas obras da minha área de formação, costumo ler ao mesmo tempo dois e até três livros, intercalando-os conforme meu estado de espírito, sublinho e faço anotações naquilo que acho importante e que possa me ser útil noutro momento.
No entanto, ter vários livros empilhados para ler, não te dispensa da tarefa de analisar seu momento para escolher a leitura adequada, nesse instante penso no dilema das mulheres para escolher a roupa e tento decidir o  livro que vou ler. Penso tal como Monteiro Lobato que “um país se faz com homens e livros”, infelizmente nós brasileiros lemos muito pouco, e, esta é a causa para o preço “salgado” do livro, eterna reclamação de muitos leitores e também nem tão leitores assim. Segundo pesquisa que fiz, mais uma vez a explicação está no Capitalismo, como o mercado é pequeno, a produção se realiza numa pequena escala o que encarece o exemplar, se a procura fosse grande a escala de produção seria maior e o preço por exemplar seria mais baixo.
Para mim livros são como troféus, leio-os e talvez não os releia, mas adoro vê-los em minha estante, emprestar somente sobre juramento (de tratá-lo bem, com lealdade, retidão de caráter, gratidão, etc.) com a mão sobre a Bíblia e com entrega de cópia autenticada em cartório da certidão de bons antecedentes (criminais)... (risos), sou realmente ciumento, já perdi livros que não me foram devolvidos e tive de readquirir e também já recebi livros com manchas que inexistiam. Não gosto de fotocópias e até o momento resisto ao modelo digital, sei das vantagens do e-book (livro digital) e das desvantagens da versão tradicional, porém, penso que a alma do livro está nas folhas de papel que manuseio.  Ao ler sinto grande prazer, esqueço dos problemas, das chateações e viajo nas linhas e entrelinhas que vislumbro a cada página virada, fazendo as inter-relações do que leio com leituras anteriores e ao concluir a leitura de um livro jamais sou o mesmo de antes e a satisfação é tal como se conquistasse mais um troféu e estivesse diante de um novo amigo de cuja amizade sempre vou poder contar, pois, livros são amigos eternos.
     Nesta semana, 14/15 de Abril ocorre o centenário do choque com iceberg/naufrágio do famoso transatlântico Titanic, aproveitando o ensejo, deixo a dica:

Sugestão de Boa Leitura:
FARACO, S. O Crepúsculo da arrogância, RMS TITANIC minuto a minuto. L&PM editores, Porto Alegre, 2006.
         

segunda-feira, 19 de março de 2012

Os caminhos da Educação brasileira

Os caminhos da Educação brasileira

            Há alguns dias fiz uma fala para os novos professores PDE do NRE de Laranjeiras do Sul e lhes desejei que o caminho que leva ao sucesso fosse mal sinalizado e também com muitos buracos e pedras, mas, não se espantem, não estou adotando o estilo de alguns oradores estrangeiros que falam mal do Brasil e depois são contratados a peso de ouro por alguns mega-empresários conterrâneos para palestrar em terras “tupiniquins” sobre o infortúnio de não termos as competências que conduzem celeremente ao desenvolvimento de que estes julgam serem portadores, esquivando-se de fazer uma auto-análise crítica das atitudes historicamente tomadas e que os conduziram ao centro do sistema e relegaram à periferia os demais.
            Acredito que a estrada que conduz ao sucesso e, portanto ao crescimento, não é uma pista duplicada, bem sinalizada e com paisagens de tirar o fôlego; pelo contrário, é um caminho daqueles que muitas vezes parece levar do nada ao lugar nenhum e com paisagens que não parecem na maior parte do tempo nenhum pouco animadora, é preciso ter perseverança. Não há entre os professores um que  durante sua graduação ambicionasse um elevado padrão de vida e excelentes condições de trabalho; porém, a maioria costuma encontrar dificuldades no transcurso de sua carreira bem maiores do que esperava, sem no entanto desistir do ideal de vida abraçado. Ao contrário do que alguns pensam, professores não gostam de fazer paralisações, greves, etc. se o fazem é por necessidade, pois, como sabemos desde que o capitalismo é capitalismo, professores não podem trabalhar apenas “por amor”            como o afirmou certo político de outro estado, eles também precisam pagar suas contas, sim, aquela da farmácia (do remédio para combater a depressão) o magistério segundo pesquisa recente está entre as profissões mais estressantes, juntamente com policiais, médicos, etc. e disso resultam doenças psicológicas, psicossomáticas e físicas (LER – Lesão por Esforço Repetitivo).
            Dos professores se cobra que sejam pensantes, mas ao mesmo tempo, que não ousem pensar por conta própria algo que destoe daquilo que lhes foi reservado como classe trabalhadora de país subdesenvolvido. Mas, professores pensam e ainda acreditam em utopias de uma sociedade mais justa e em ver a Educação ser tratada como I-N-V-E-S-T-I-M-E-N-T-O e não como despesa obrigatória por conta de uma lei que “amarra” os recursos. Nada do que os professores digam terá valor se não comprovado pelos seus próprios exemplos, não poderá, por exemplo, ensinar aos educandos a serem verdadeiros cidadãos se ele próprio não for um cidadão, consciente de seus deveres, mas incansável lutador por seus direitos e nesse sentido ir à luta em busca de melhores dias para a educação brasileira.
            A Educação é algo tão importante para o desenvolvimento de uma nação, que sem um projeto sério de Educação, não há um projeto de país, pois pela sala de aula passam os cientistas, os inventores de novas tecnologias, os médicos, os advogados, os professores, etc. Todos tiveram a ajuda do professor, inclusive os políticos, e estes, se dividem em duas categorias os que apóiam a Educação (conscientes da importância da mesma para a sociedade e país) e aqueles que votam contra projetos para a melhoria da mesma (provavelmente levaram “bomba”, repetiram a série e querem mostrar que ninguém precisa da  Educação de qualidade, como o afirmou o ex-presidente George W. Bush “Vocês que tiveram desempenho fraco como alunos também podem ser presidentes (dos EUA)”. Isaac Newton afirmou certa vez “gigantes são os mestres nos ombros dos quais me elevei”, entre o exemplo de Bush e o de Isaac Newton, fico com Newton, pois este humilde escriba nas horas vagas e professor na maior parte do tempo, nada seria sem os mestres que teve.
            Educação... teus caminhos sempre foram poeirentos ou lamacentos, buracos e pedras ferem os pés no caminhar, mas como acreditar em utopias é a nossa profissão de fé, que a sinalização de dias melhores venha na forma de 10%  do PIB para a Educação, Piso Salarial cumprido, 1/3 de hora-atividade, fim das salas superlotadas e o principal, o reconhecimento justo do professor por parte da sociedade como “pedreiro” da grande construção chamada BRASIL!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

"Mas será o Benedito?"





            A expressão “mas será o Benedito”? É utilizada por muitas pessoas, no entanto, boa parte delas sequer sabe a origem da mesma, que costuma surgir em momentos nos quais alguma surpresa lhes é desagradável, e, mesmo naqueles em que a indignação é a tônica. Na verdade, não há uma certeza absoluta, mas a hipótese mais provável é a de que o então Presidente Getúlio Vargas precisava nomear um interventor para o Estado de Minas Gerais e um dos postulantes ao cargo tinha o nome de Benedito Valadares. Com a demora de Getúlio em fazer a dita nomeação, os opositores de Valadares começaram a perguntar “será o Benedito”? E, foi! E mais tarde até se tornou nome de cidade, Governador Valadares¹.
            Existem outras hipóteses, mas esta é a mais aceita para uma expressão que faz parte do convívio social de qualquer brasileiro, afinal, quem num momento de contrariedade, não disse ou pensou: “mas será o Benedito”? Nesse ofício de escrever ou de lecionar, muitas vezes passei por tal situação, pois há pessoas que não aceitam que outras tenham sua própria leitura de mundo e de sociedade, as quais não necessariamente coincidem com as suas e às vezes de forma ferina nos criticam ou tiram satisfações como se fossem autores da verdade suprema, sendo que nem sempre o contrário de uma verdade é a mentira, algumas vezes há a questão ideológica, em que não se pode falar de certo ou errado, mas sim, do mais justo, correto, moral e ético.
Essa coluna possui o nome “A Vista de Meu Ponto!”, pois é a forma como eu vejo o mundo e nem por isso penso ser o dono da verdade suprema, tenho um único objetivo que é instigar a reflexão, no entanto, apenas forneço subsídios para o seu pensar. Como Nelson Rodrigues já o afirmou: “toda a unanimidade é burra”!² Assim é no confronto de idéias que há o crescimento, não se trata de uma ou várias disputas interpessoais, até por que não considero cultas as pessoas que competem para ser mais que o(s) outro(s) e sim, aquelas que buscam a cada dia serem melhores do que o foram no dia anterior. Uma pessoa sábia é aquela que sorve do outro tudo aquilo que pode para crescer mais e vê nos argumentos contrários uma possibilidade de crescimento intelectual, espiritual, moral e ético.
A interpretação é algo por si só muito complexo, não raras vezes, num grupo de pessoas, cada um chega a uma conclusão diferente de um mesmo texto ou fala, o que somente é esclarecido com várias releituras e discussões. Algumas vezes escrevo algo e alguém me interpela contrariado afirmando o mesmo que eu dissera, ou ainda algo que jamais intencionei fazê-lo e eu em silêncio recapitulo minha fala ou releio o texto procurando entrelinhas que jamais planejei e penso: “Mas será o Benedito”? 
                         
REFERÊNCIAS:
2.    http://livroseafins.com/toda-unanimidade-e-burra/ - acesso em 21 de fevereiro de 2012.

Leia antes que seja tarde! Parte 2

            No passado filósofos e reis faziam distinção entre guerras corretas e guerras incorretas e estas ocorriam conforme o clima, assim, no frio intenso ou no verão não havia combates. Sun Tzu ensinou que o verdadeiro objetivo da guerra é a paz e que uma guerra deveria ser rápida, pois, caso fosse longa haveria grande desgaste físico e emocional que baixaria o moral da tropa. Também ensinou que estratégia e informação são de suma importância numa guerra e que além de conhecer e examinar os pontos fortes e fracos do inimigo, o general devia fazer a mesma coisa com seu exército. O general também alertou que uma guerra somente deve ser iniciada depois de esgotadas todas as possibilidades justas de acordos de paz.

           Na guerra como em qualquer atividade humana, ética, estratégia e informação detalhada fazem a diferença entre triunfar e sucumbir, pois, como enunciara, a invencibilidade repousa na defesa e a vulnerabilidade no ataque, portanto, antes de marchar é necessário calcular lucidamente o custo a pagar pela empreitada e a recompensa advinda da mesma, assim, as tropas somente devem ser postas para marchar caso haja muito a ganhar e a vitória seja rápida. Mesmo conhecendo detalhadamente seu adversário, devem-se guardar essas informações num cofre, como sabemos o segredo é a alma de qualquer negócio inclusive da guerra, assim, enquanto o adversário acredita que você ou seu exército é despreparado, você o surpreende.

            Segundo Sun Tzu, a arte de melhor utilizar o tempo é estar um passo a frente do adversário e isso vale mais que a superioridade numérica do adversário. O general afirma que a melhor estratégia é atacar as estratégias dos inimigos, suas alianças e seus soldados em seu próprio campo. Antes de atacar o adversário deve-se garantir primeiro a tranqüilidade das cidades do seu próprio país, evitando semear a desordem nas próprias fileiras o que levaria à vitória do inimigo. Sun Tzu afirmou que um grande general não é arrastado ao combate, ao contrário, sabe impô-lo ao adversário, e, caso desejasse evitar o confronto, o inimigo não poderá obrigá-lo a lutar, pois poderá evitar que venha ao seu encontro. Uma grande estratégia é confundir o adversário, porém, não se deve pressionar um inimigo acuado e ao cercá-lo busque deixar uma saída para ele, caso contrário, ele lutará até a morte. Não se deve encarniçar contra um inimigo derrotado, pois isso faz parte da arte da guerra.

           Somente marche com a certeza absoluta da vitória, pois, existem estradas que não devem ser percorridas e exércitos que não devem ser atacados, terras que não devem ser contestadas e ordens do governo que não devem ser obedecidas. A decisão por marchar para a guerra jamais deve ser feita no momento em que o soberano estiver dominado pelo ódio ou vingança, e,  um bom comandante não deve mobilizar suas tropas se tiver o coração tomado pelos mesmos sentimentos, ambos devem aguardar dias mais serenos para ponderar, quando estarão de posse novamente do bom humor e do equilíbrio. Sun Tzu vaticinou: em batalhas quaisquer que sejam os resultados o gosto será sempre amargo, mesmo para os vencedores.

Sugestão de boa leitura:
TZU, S.. A Arte da Guerra. Editora Ciranda Cultural, São Paulo, 2008.

 

Leia antes que seja tarde! Parte 1


 Dizem que os grandes conteúdos vêm em embalagens pequenas, nada mais verdadeiro em se tratando do livro “A Arte da Guerra” de Sun Tzu. Na verdade, trata-se de um pequeno livro, porém, de grande significância filosófica, escrito por um general chinês a cerca de 2500 anos atrás e que foi encontrada em 1972 por arqueólogos chineses. É uma obra cuja leitura era considerada obrigatória pela alta hierarquia militar soviética e, conforme a lenda, a chave do sucesso de Napoleão Bonaparte. Atualmente é uma das obras mais lidas por executivos de grandes empresas que procuram aplicar seus fundamentos no mundo dos negócios.
          O livro traz valiosos ensinamentos para a vida e, de minha parte, lamento não tê-lo lido na minha adolescência, pois, certamente entraria na juventude e na idade adulta com um melhor preparo para os reveses que a vida muitas vezes nos impõe, perante os quais muitas vezes sucumbimos pela nossa ingenuidade e falta de estratégia. Como os ensinamentos são muitos, escrever sobre eles talvez resultasse numa monografia, que definitivamente não é o nosso objetivo. Trata-se de um livro cujas minúcias não devem ser desprezadas, há a necessidade de tempo para a reflexão, não é o caso de uma leitura para descontração, mas para um estudo filosófico. Esse tipo de leitura não é do agrado de todos, mas, certamente é enriquecedor.
            Sun Tzu escreveu sua obra, a qual foi lida pelo Imperador, este então o desafiou para que provasse a validade de seus fundamentos na prática, propondo-lhe treinar militarmente uma tropa composta por mulheres. Sun Tzu começa a treinar duas mulheres que faziam parte do harém do Imperador com a promessa deste de que seria o comandante do exército nacional caso obtivesse sucesso. Após ensiná-las sobre como treinar a tropa, dá a elas um prazo  para que adestrem sozinhas a tropa feminina e findo este prazo, vai conferir os resultados, mas as mulheres comandadas erram as ações solicitadas e riem como se tratasse de uma brincadeira, Sun Tzu chama as “comandantes” lhes dá novas orientações e um novo prazo para a realização daquilo que lhes foi solicitado, adestrar a tropa. Mas, as mulheres recrutas não entendem os comandos e riem de seus erros e em meio aos risos destas Sun Tzu, afirma: “se as ordens do comando não foram suficientemente claras, se não foram, totalmente compreendidas, então a culpa é do general” e, com a espada golpeia e mata a comandante que fracassou, e, que era a esposa preferida do Imperador, feito isto, a tropa de mulheres entrou em desespero e um novo prazo foi dado a comandante que restou, e, desta vez perante o general Sun Tzu e o Imperador, as mulheres executaram as manobras à perfeição.
Sun Tzu cobrou então sua premiação, mas o Imperador amargando a perda de sua amada, não recompensou Sun Tzu conforme combinado e este lhe disse: “o rei ama palavras vazias. Não é capaz de juntar o gesto às palavras”. Mais tarde, no entanto, o reino estava ameaçado por tropas inimigas e o Imperador teve que chamá-lo para comandar as tropas e, então, a genialidade dos estudos estratégicos do general  fez toda a diferença.

Sugestão de boa leitura:
TZU, S.. A Arte da Guerra. Editora Ciranda Cultural, São Paulo, 2008.