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sexta-feira, 23 de março de 2018

Em tempos de pós-verdade


            Raul Seixas foi um fenômeno do rock nacional, tanto que muitos jovens nascidos após sua morte apreciam suas músicas, muitas feitas em sentido figurado para passar pelo crivo do nem sempre inteligente censor para assim poder ser gravada e passar seu recado às ruas. Em Cowboy fora-da-lei, no entanto, ele foi direto, pois a democracia havia sido restabelecida após 21 anos de ditadura. Na letra o cantor e compositor afirma [...] eu não preciso ler jornais, mentir sozinho eu sou capaz! E este é o drama da sociedade que vivemos em que os grandes grupos de comunicação televisiva e escrita culpam a Internet pela disseminação de notícias falsas, no que estão parcialmente corretos. Pois, considerar que apenas com o advento da Internet, as notícias falsas começaram a atrapalhar a vida de quem busca informação de qualidade é uma mentira ainda maior, basta lembrar as campanhas eleitorais passadas em que candidatos lançaram mão de boatos como verdadeiras bombas atômicas para anular seu adversário sem que este tivesse tempo hábil para desmentir ou acionar a justiça eleitoral tendo em vista ser véspera da eleição. O ex-ceo da Globo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (o Boni) admitiu que a Globo trabalhou ativamente para eleger Collor. Conta que manipulou o último debate entre Collor e Lula ocorrido durante a madrugada e levado ao ar no dia seguinte editando os melhores momentos de Collor e os piores momentos de Lula. Nesta eleição, o último programa de Collor na antevéspera da eleição lançou mão de um boato acerca de Lurian (filha de Lula). E Collor ganhou a eleição que muitos já apontavam a vitória de Lula.
            O saudoso Umberto Eco afirmou: “a Internet deu voz a uma legião de imbecis”, mas, acreditar que a mídia tradicional é imparcial, incolor, insípida, inodora, portanto desprovida dos interesses da classe dominante que ao fim e ao cabo representa, inclusive por dela fazer parte, é ser mais imbecil ainda. O intelectual estadunidense Noam Chomsky que possui várias dezenas de livros publicados e inúmeros prêmios internacionais, afirma com exatidão “o papel da mídia não é informar o que acontece, mas moldar a opinião pública de acordo com a vontade do poder corporativo dominante”. A palavra “pós-verdade” surgida em 1992 tem em 2016 seu boom. Passa a ser citada em artigos e palestras de pesquisadores renomados, bem como se torna tema de livros. A expressão pós-verdade não se refere à mentira em si, mas, a ilações que obscurecem a verdade tornando-a desimportante ou indiferente. “Não importa o que seja a verdade, opinião por opinião eu tenho a minha ou escolho aquela que mais me agrada”. Não há a busca, a leitura, a investigação reflexiva. O sujeito vai à prateleira do “supermercado midiático” e escolhe o produto que mais lhe agrada sem analisar se aquele produto é falso ou original, se cumpre o que promete, ou vai lhe fazer ter vergonha de um dia tê-lo comprado mesmo que num mea culpa solitário e que a sociedade jamais vai saber tê-lo feito, pois, caráter segundo alguns é nunca reconhecer o erro, mesmo que isso se torne evidente. Embora a pós-verdade seja utilizada também pela esquerda, é na direita o campo fértil da boataria, da indiferença à realidade dos fatos, até porque o público da direita não é muito afeito à leitura, à reflexão. Os boatos envolvendo o filho de Lula que seria o dono da JBS-Friboi, da Havan, etc. estão aí para comprovar e muitos acreditam, não por serem ingênuos, mas, de má-fé mesmo, lhes faz bem pensar maldosamente e propagar a maldade. São almas tortas e de suas bocas sai apenas o ódio, a maldade.
            Em momento oportuno, o livro “Ética e Pós-verdade” que conta com artigos de Christian Dunker, Cristovão Tezza, Julián Fuks, Marcia Tiburi e Vladimir Safatle lançado em 2017 pela editora Dublinense aprofunda a discussão sobre a pós-verdade e temas conexos. Trata-se de uma obra essencial para entender a sociedade pós-moderna, principalmente para pessoas como eu, que possuem as raízes firmemente plantadas no século XX e em tudo o que ele representou e representa na ordem atual do mundo. Li e recomendo!

Sugestão de boa leitura:
Ética e pós-verdade. Christian Dunker [et all], Ed. Dublinense, 2017.

quinta-feira, 15 de março de 2018

O país da desfaçatez




            Não é tarefa fácil escrever acerca destes “tristes trópicos” como foi batizado nosso país por Claude Lévi-Strauss, especialmente nestes tempos turbulentos que vivemos. Nos idos de 1970, o General Presidente Emílio Garrastazu Médici (cujo governo foi marcado pela massiva violação aos direitos humanos), acerca do Jornal Nacional da TV Globo disse: “Sinto-me feliz todas as noites quando ligo a televisão para assistir ao jornal. Enquanto as notícias dão conta de greves, agitações, atentados e conflitos em várias partes do mundo, o Brasil marcha em paz, rumo ao desenvolvimento. É como se eu tomasse um tranquilizante após um dia de trabalho”. E enquanto a Rede Globo aperfeiçoou suas habilidades em omitir e manipular as notícias desinformando a população e assim prestando um desserviço à nação e à democracia apesar de sua concessão ser pública, há cidadãos que se prestam ao papel de analfabetos políticos, parte de forma ingênua, parte por gostar de viver numa bolha incolor, inodora e insípida de ilusão televisiva. Costumo dizer aos meus educandos que ao ligar a TV é obrigatório ligar também o cérebro e isso não é diferente com relação a qualquer mídia.
            No país da desfaçatez, grande parte da imprensa age como um partido político e redobra seus esforços na manutenção da hegemonia do discurso da Casa Grande, e seus esforços têm sido profícuos. Temos em nosso país uma grande quantidade de trabalhadores assalariados que votam de acordo com os interesses das oligarquias que representam o regime plutocrata e corruptocrata em que vivemos, o qual, obviamente governa e legisla em prejuízo aos interesses imediatos e futuros da parcela de trabalhadores. Na Europa, a classe média tem ojeriza à alta burguesia, pois são cônscios de que a ganância acumulativa destes vai à contramão do desenvolvimento econômico e social, e assim sendo se unem às classes mais populares nas eleições e nas manifestações. No Brasil, a classe alta terceiriza o ódio, e é a classe média que faz manifestações ruidosas para defender os interesses daqueles cujos privilégios jamais compartilharão e que nunca lhes convidarão a sentar-se à suas mesas. Os pobres de direita (classe média) não se sentem injustiçados por isso, o que lhes apavora é ver pobre em aeroporto, utilizando perfume importado, adquirindo automóveis e “atravancando” as vias públicas, e o horror do horror, pobre se recusando a trabalhar por salário mínimo.
 Durante os governos Lula e Dilma ficou evidente quão estúpida e fascista é a nossa elite. Ela não convive bem com a democracia, tanto que operou o seu fim com o golpe de 2016 a guisa de 1964. A classe média novamente apoiou. E isso é algo surreal para os cidadãos esclarecidos dos países desenvolvidos, mas, aqui considerado normal desde Nelson Rodrigues que já havia tipificado como um comportamento vira-latas de parcela dos brasileiros.  Os pobres de direita se mantêm calados com a destruição do incipiente projeto de país soberano, herança de Vargas e Lula reduzido à ruínas por Temer (MDB) e asseclas do PSDB/DEM com a clara intenção de posicionar o Brasil na condição de colônia fornecedora de matérias-primas e produtos agrícolas e mão de obra semi-escrava em atendimento aos interesses do grande capital internacional. O saudoso Darcy Ribeiro, que merecia ter sido presidente do Brasil, embora, o Brasil nunca mereceu ter Darcy Ribeiro como presidente, certa vez afirmou: "O Brasil tem uma classe dominante ranzinza, azeda, medíocre, cobiçosa, que não deixa o país ir pra frente!".  Talvez alguns dos leitores pensem que as palavras que digo são mágoas de perdedor, e como resposta deixo outra frase de Darcy Ribeiro: “Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”!

quinta-feira, 8 de março de 2018

Pedro Celestino: "Sem Embraer, acaba emprego, acaba tudo"


Pedro Celestino: "Sem Embraer, acaba emprego, acaba tudo"
Por Eleonora Lucena e Rodolfo Lucena

Se a Embraer for vendida para a Boeing, “acaba a indústria, vai embora emprego, vai embora tudo”. O alerta é de Pedro Celestino, presidente do Clube de Engenharia. Para ele, a proposta de venda da empresa brasileira aos norte-americanos demonstra mais uma vez que o governo Temer quer “destruir o que se construiu neste país nos últimos 80 anos”.
Na sua visão, essa sanha destruidora ocorre porque “o governo Temer foi capturado pelo mercado financeiro”. Ele pergunta: “Cadê a indústria, cadê a agricultura, cadê o comércio que não reagem à destruição? O que me faz pensar que o umbigo deles já tenha passado para Miami. Eles não terão condição de produzir com tudo na mão de estrangeiros”, afirma. Outro motivo para a falta de reação é a ausência de debate dessas questões na sociedade: “O mundo inteiro hoje assiste ao que eu chamo de goebbelização da mídia. Se nós formos a qualquer lugar do planeta, o que a mídia publica é a mesma versão dos fatos, a mesma versão”, assinala. De acordo com ele, há um “monopólio da mídia capturada pelo capital financeiro internacional”, que não abre espaço para discussão dos assuntos econômicos. “É esse monopólio da desinformação que dificulta a formação de consciências que resistam a esse processo de alienação”. Celestino afirma essa questão passou a ser muito presente no Brasil em razão da transformação do país em protagonista. “Essa crise decorre não das nossas debilidades, mas do que nós conseguimos fazer”. Ele lembra do salto que o país deu nos últimos 80 anos, deixando de ser um mero exportador de café e se tornando uma economia industrial complexa. Foi a partir dos anos 1930, com Getúlio Vargas, que o país se transformou, com a criação da Companhia Siderúrgica Nacional, a Petrobras, a Eletrobrás, o BNDES.
Nessa trajetória, diz, “o Brasil enfrentou muitos interesses contrariados. A visão contrária aos interesses nacionais esteve presente na crise que levou ao suicídio de Getúlio, na instalação do regime militar em 64”. Na década de 1960, o país era a 56ª economia mundial; hoje é uma das 10 maiores. Naquela época, o café representava 70% das receitas cambiais; hoje significa 2% – e o país segue liderando o mercado. “Esse processo tem um corte a partir da ascensão de Temer ao poder. É uma ruptura com o que se fez no Brasil dos anos 30 até agora. É uma ruptura traumática e dramática. Porque está destruindo todas as conquistas da nossa sociedade, do ponto de vista econômico, social, ao longo de oito décadas. O Brasil está em processo de destruição de seu sistema econômico, nos tornando mais uma vez dependentes da importação de produtos industrializados e exportadores de produtos primários”, declara. Essa destruição atinge a Petrobras, o BNDES, a Eletrobrás, a Embraer – todos os ícones do desenvolvimento brasileiro construídos por oito décadas graças à atuação forte do Estado. “A Petrobras está sendo esfolhada como se fosse uma alcachofra”, resume Celestino. Ele ressalta que a estatal é a âncora do desenvolvimento industrial brasileiro, responsável por uma cadeia de mais de cinco mil empresas nacionais e estrangeiras, 800 mil empregos especializados. Para ele, caso a esfolhação continue, dentro de três anos, no máximo, a Petrobras será apenas uma pequena produtora de petróleo.
O caso da Eletrobras também é dramático. O engenheiro lembra-se da construção do inovador sistema hidrelétrico no país. Único no mundo, ao interligar amplas regiões e administrar regimes hídricos diferentes, proporcionou um modelo seguro de energia barata, o que é vital para o desenvolvimento industrial, entre tantos outros benefícios à população. “Hoje, temos uma das maiores tarifas de energia elétrica no mundo. E o governo pensa em privatizar a Eletrobrás, que é responsável pela integração de todas as nossas bacias hidrográficas, tirando partido de nossa dimensão continental. Hoje está sendo proposto destruir, privatizar, para que passemos a consumir energia como se fosse mercadoria qualquer. Essa visão satânica de querer privatizar tudo chega à água”. Celestino afirma que a decisão de Temer vai à contramão da tendência mundial. “Todas as experiências de décadas de privatização de serviços de abastecimento estão sendo revertidas. Porque os grandes grupos que se apossam não têm compromisso com tarifa módica, com a universalização do serviço e com qualidade”. O presidente do Clube de engenharia coloca o debate sobre a venda da Embraer para a Boeing na mesma quadra de destruição promovido por Temer. Enfatiza a base tecnológica da empresa sediada em São José dos Campos: dos seus 18 mil funcionários, 7 mil são engenheiros. E recorda seu crescimento em vários setores da aviação, “fruto da dedicação e idealismo de gerações de oficiais da aeronáutica”.
No contexto mundial de hoje, com a compra da divisão de aeronáutica da canadense Bombardier pela Airbus, “o adversário da Embraer passou a ser a Airbus. É David e Golias. A Embraer tem que buscar uma parceria com algum gigante para poder enfrentar a Airbus. Ou com a Boeing, ou com uma empresa russa ou com uma chinesa. EUA, Rússia e China são três países que tem mercado interno, e indústria aeronáutica forte”, declara. Celestino diz não ter “nada contra buscar entendimento com um gigante. O que não pode é ter participação acionária. Se tiver participação, o gigante come”. Ele lembra que a Dassault teve participação minoritária na Embraer (20%), o que foi suficiente para impedir que a companhia brasileira se desenvolvesse na área de aviação executiva. “Não pode ser sócio, mas pode ser parceiro”, diz Celestino. Para ele, sem mexer na composição acionária, a Embraer poderia discutir acordos de parceria com a Boeing que seriam vantajosos para as duas companhias. Por exemplo, ele sugere acordos de comercialização de aviões da Embraer pela Boeing, de utilização de bases de manutenção  etc. “Se tiver um governo sério, vai conduzir negociação dessa maneira. E a Boeing vai topar, porque ela não tem outro jeito. Ou ela vai levar 10 anos para substituir o Hércules”. A Embraer já desenvolveu o KC-390 para entrar nesse mercado de transporte militar.
Celestino enfatiza que mesmo com parcerias, que seriam bem-vindas, é necessário manter como está a estrutura da Embraer. “A área militar só sobrevive com os ganhos da área civil; se separar, mata”. Ele advoga que o BNDES tenha uma política para financiar jatos para o mercado interno. E informa que no entorno da Embraer existem outras 100 empresas de base tecnológica. A defesa que Celestino faz do setor industrial não implica crítica à agropecuária. “Não tenho nada contra o Brasil ser o celeiro do mundo”, diz. Para ele, o essencial é que “a comercialização seja controlada por nós”. Na sua análise, o grande objetivo em afetar a JBS era justamente atingir “o único setor do agronegócio em que a formação de preços era feita no Brasil”, pois ela controlava os mercados brasileiro, argentino, australiano, norte-americano.“Tinha que se quebrar essa estrutura, para que nosso produtor de carne passasse a depender da Bolsa de Chicago. No dia em que Brasil e Argentina decidirem comandar a política de formação de preços da soja e do milho, muda a relação de poder no mundo”.
O presidente do Clube de Engenharia lamenta, nesta entrevista ao TUTAMÉIA, a falta que fazem grandes industriais do passado, como Roberto Simonsen, José Mindlin, Antônio Ermírio de Moraes. Einar Kok. “Eram expoentes do interesse nacional, pensavam o país, iam além do seu faturamento. Hoje esse empresariado se encontra acuado”, declara.Celestino salienta também a importância vital do BNDES para o desenvolvimento do país nessas oito décadas. Agora, sem falar em privatização, o governo Temer esvazia o papel do banco público. “Estão liquidando com o BNDES. Não é privatizar o BNDES. É deixar definhar”, aponta.Com a toda essa destruição atingindo os pilares da economia brasileira, Celestino teme pelo pior:“Estamos quebrando as cadeias produtivas, o que faz de nosso pais novamente uma colônia. Uma nação com mais de 200 milhões de pessoas não sobrevive se não tiver um projeto de desenvolvimento. Que é o que assegura a paz social. Sem um projeto de desenvolvimento, explode o pais. Tenho medo de nós nos mantermos como país sem um projeto de desenvolvimento. A Nigéria é um barril de pólvora, explodiu. Não há polícia, Exército que dê conta da revolta popular. Nós corremos o risco decorrente de não haver no país uma proposta de desenvolvimento. O caminho é eleição, buscar apoiar candidatos que tenham compromisso com o desenvolvimento. É o que assegura a paz social”.
 
Fonte: Tutaméia – disponível em http://tutameia.jor.br/sem-embraer-acaba-emprego-acaba-tudo-diz-celestino/ - acesso em 06 de março de 2018.


domingo, 4 de março de 2018

Ler e pensar é só começar!


Resultado de imagem para vamos pensar um pouco


            Um momento constrangedor para mim é quando uma pessoa pede um livro emprestado. Tenho grande ciúme de meus livros. Já emprestei livros que nunca recebi de volta, e, outros me foram devolvidos com manchas de café, amassados e com “orelhas de burro”. Como tenho consciência da importância do livro no aperfeiçoamento do ser humano, tornei-me um leitor voraz. Tenho uma leitura eclética: história, geopolítica, sociologia, filosofia, geografia, economia, política, psicologia, psiquiatria, biologia, literatura, etc. Tenho dois filhos e professor que sou, há muito observo que apesar dos esforços dos (as) professores (as) em estimular o apego à leitura, as chances de sucesso se tornam ainda maiores quando há incentivo dos pais. Sempre que compro livros, e devido a pouca oferta de títulos em minha cidade, geralmente o faço por sites da Internet, adquiro também livros para meus filhos. Recentemente adquiri um livro para minha filha de sete anos, o qual minha esposa que habitualmente lê histórias para ela no momento de dormir contou-me o quanto o livro era bom, mas, com a ressalva de que precisava do acompanhamento de um adulto para explicar à criança as lições de forma que esta as compreendesse. Logo pensei em emprestar o livro de minha filha, e, após as minhas reflexões acerca do mesmo, indicá-lo para os pais e mães que se preocupam com que seus filhos e filhas adquiram o hábito da boa leitura. Minha surpresa foi quando ela me disse “Não! eu tenho ciúmes de meus livros. Eu puxei você”. Não pude ficar irritado, apenas ri! E após uma longa conversa, com a intermediação da mãe, e um tempo para pensar de dois dias, ela enfim concordou desde que devolvesse o livro até o fim da tarde daquele domingo.
            A obra possui ilustrações da Turma da Mônica e é uma parceria entre o famoso professor e palestrista Mario Sergio Cortella e o desenhista Mauricio de Sousa. As lições são curtas, uma página e acompanhadas de ilustrações pertinentes. Grandes pensadores são citados nas lições destinadas às crianças e não se trata de textos maçantes, mas, alguns aforismos discutidos e direcionados a estimular o ato da reflexão entre os/as pensadores (as) mirins. Logo de início o autor mostra que a palavra “um” faz toda diferença entre pensar pouco e pensar um pouco. E que é sinal de grande sabedoria buscar o conhecimento mesmo sabendo que jamais se saberá tudo. Afirma também que mudar de opinião é algo razoável e não denota com isso submissividade. Cortella diz: “há quatro espécies de pessoas: as que sabem que sabem, são sábias e podes consultá-las; as que sabem e não sabem que sabem, faze as se lembrarem e ajuda-as a não esquecerem; as que não sabem que não sabem, ensina-as; e as que não sabem e proclamam que sabem, evita-as”! Mario Sergio ensina que as pessoas não devem ter medo de livro grande, pois, desde que não tratemos como tarefa, muitas páginas podem significar mais tempo de prazer na leitura. Numa das lições o autor cita um professor de filosofia numa escola dos Estados Unidos que solicitou aos educandos que fizessem uma redação de forma a retratar verdadeiramente a coragem. Uma menina, um minuto depois de começada a avaliação entregou-a ao professor e nela estava escrito somente: “coragem é isto”! O professor foi obrigado a reconhecer que ela havia retratado muito bem a coragem, ao correr tão grande risco e deu-lhe a nota máxima!
            Cortella também evidencia a sabedoria estradeira quando cita uma frase de pára-choque de caminhão: “na subida “cê” aperta, na descida “nóis” acerta” e discorre sobre a humildade na fase de status elevado da pessoa, pois, a vida tem altos e baixos. Explica também que a origem do termo “puxa-saco” deve-se ao marinheiro encarregado de carregar o saco de roupas do comandante do navio e que o termo bajular vem de “bajulus” que era o carregador de objetos e de pessoas na época do imperador romano Otávio Augusto”. Enfim, é impossível escrever neste limitado espaço, a variedade e a profundidade das lições retratadas de forma leve na obra. Fica a dica!

Sugestão de boa leitura:
Vamos pensar um pouco? Mauricio de Sousa & Mario Sergio Cortella. Ed.Cortez, 2017.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Tempos de ódio


            Vivemos tempos de ódio. E isto me lembrou a lenda da “batalha dos lobos” a qual relato: “Uma noite, um velho índio falou ao seu neto sobre o combate que acontece dentro das pessoas. Ele disse: A batalha é entre os dois lobos que vivem dentro de todos nós. Um é Mau. É a raiva, a inveja, o ciúme, a tristeza, o desgosto, a cobiça, a arrogância, a pena de si mesmo, a culpa, o ressentimento, a inferioridade, as mentiras, o orgulho falso, a superioridade e o ego. O outro é Bom. É alegria, fraternidade, paz, esperança, serenidade, humildade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé. O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô: Qual lobo vence? O velho índio respondeu: Aquele que você alimenta”! Nestes tempos de fundamentalismo neoliberal imposto pela elite financeira mundial (a parcela do 1% mais rico e que detém a metade da riqueza do planeta), a democracia se tornou um obstáculo para o avanço da acumulação capitalista e no ver desta elite convém eliminá-la. O pensamento único não admite contestação: a fé inquebrantável na infalibilidade do Deus Mercado. A história não é linear dizem os mestres. O Mercado prova isso ao avançar na contramão do desenvolvimento econômico e social, reconvertendo em colônias, países que pretensamente ousaram se julgar soberanos e mandando de volta para a senzala os trabalhadores que pensaram ser perenes seus direitos trabalhistas e sociais. Estavam enganados, e distraídos, não perceberam, apesar dos avisos que o inimigo viria na calada da noite e também no clarão do dia para roubar-lhes a dignidade. Simone de Beauvoir acertadamente afirmou: “o opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os oprimidos”. Os algozes confiam o trabalho sujo aos cúmplices, e há muitos cúmplices, vários são conscientes disso, outros sequer suspeitam que agem em prejuízo próprio e de seus iguais na luta de classes. Ajuda também a bondade ingênua da parcela de Abel (is) que facilita o trabalho sujo da parcela de Caim (s) da sociedade.
            O ódio na população, tal como o Lobo Mau que existe em cada um, pode ser alimentado e isso não constitui novidade. Os meios de comunicação que segundo Noam Chomsky visam muito mais a moldar a opinião pública do que a ela informar, disso há muito têm consciência. Joseph Goebells fez escola, ensinou a elite como utilizar a mídia para propagar o ódio com o intuito de dividir a sociedade para fazer prevalecer seus interesses escusos. A Alemanha Nazista ensinou a odiar os judeus, os ciganos, os negros, os deficientes físicos, os comunistas, os sindicalistas e tais ensinamentos continuam a ser divulgados seja de forma subliminar, quando não de forma escancarada. Há alguns dias li que “as pessoas costumam acreditar que os amigos verdadeiros são aqueles que permanecem quando elas se encontram nos seus piores momentos. Porém, isso é um equívoco, pois, os verdadeiros amigos são aqueles que permanecem quando elas se encontram no auge do sucesso. Somente a amizade verdadeira suporta o sucesso do outro”. Em nosso país, sempre houve desinformação e manipulação grosseira acerca do sindicalismo e do socialismo, mas, foi a ascensão ao poder de Lula e Dilma (ambos do PT), e principalmente o seu sucesso, que fizeram com que o ódio antes oculto reverberasse na sociedade. Contribuiu fortemente para isso, a falta de espírito democrático de Aécio Neves (PSDB) e seus correligionários que preferiram incendiar o país, a esperar 2018, ocasião em que democraticamente poderiam, talvez, conquistar o poder nas urnas.

O surreal é que grande parte dessa população se diz cristã, porém destila o ódio. Quando penso em Jesus, o vejo entre os trabalhadores sem-terras; entre os favelados; entre os sem tetos; entre os desempregados; entre os trabalhadores explorados; entre os pobres; entre os famintos; entre os injustiçados! Jesus era um revolucionário; Era um contestador do sistema injusto que encontrou na Terra e por isso foi condenado injustamente, torturado e morto! Hoje há muitos que se dizem cristãos, mas, que a julgar pelas suas atitudes também estariam entre os que pediriam e comemorariam a condenação de Jesus!

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

O fim do homem soviético



           
A história costuma ser contada a partir da versão dos vencedores. Por isso, muita informação se produz de forma incompleta ou manipulada. E isso não é algo à toa, pois, há uma clara intencionalidade, a conquista da hegemonia do discurso. 
            A história oficial (com claro viés ocidental) registra que o dia da virada dos rumos da Segunda Guerra Mundial foi 06 de Junho de 1944 (o dia “D”) quando ocorreu a invasão da Normandia por tropas aliadas que cruzaram o Canal da Mancha e adentraram em território francês ocupado pelas tropas nazistas. A história oficial concede aos Estados Unidos da América o papel principal na derrocada do regime nazista, mas, a história está sendo revisada, e sabe-se que o início do fim do regime nazista, foi a derrota alemã para tropas soviéticas na batalha de Stalingrado. 
        A União Soviética teve a maior perda de vidas humanas de toda a Segunda Guerra Mundial, estima-se que para cada soldado alemão morto em combate morreram dois soldados soviéticos. A União Soviética após ter parte de seu território ocupado por tropas alemãs que chegaram às cercanias de Moscou retomou o fôlego e expulsou as tropas nazistas de seu território e de todo o leste europeu, libertando inclusive os prisioneiros dos famigerados campos de concentração até a conquista do bunker nazista em Berlim. 
            Antes disso, Stalin implorava para que os Estados Unidos abrisse outro front contra a Alemanha, pois, esta concentrava a maior parte de seu arsenal contra a URSS e caso fosse atacada em dois flancos, teria que dividir suas forças, mas, os EUA hesitavam (o que irritava Stalin). Mais tarde, quando viram que havia a possibilidade de a URSS sozinha dar conta da Alemanha apressaram-se em desembarcar na Normandia com o receio de que o destino da Europa ficasse sob a influência soviética.
            A escritora e jornalista bielorrussa Svetlana Aleksiévitch (1948) se insere nesse grupo de pesquisadores que tem revisitado a história na busca de relatos que fogem ao habitual. Ao invés de buscar as fontes oficiais de informação e os personagens de alta graduação, ela vai ao encontro do andar de baixo para buscar no meio do povo a história não contada da superpotência soviética. 
            Svetlana ganhou o Prêmio Nobel de Literatura de 2015 e entre suas principais obras estão “Vozes de Chernobyl”, “A guerra não tem rosto de mulher” e “O fim do homem soviético”. Este escriba, após a indicação de uma amiga virtual, tratou de comprar e ler a obra “O fim do homem soviético”. Nesta obra Svetlana, com seu gravador e bloco de anotações visita as cozinhas de várias residências, pois, é nestas segundo o antigo costume soviético que se recebia as pessoas e onde ocorriam as acaloradas discussões acerca da vida naqueles tempos.
            Svetlana Aleksiévitch buscou memórias de pessoas da sociedade sobre como elas viram a história passar diante delas. A autora priorizou as pessoas que viveram os tempos de Stalin, Krushev, Brejnev, Gorbatchev e Ieltsin. Procurou deixar as pessoas à vontade, pois, queria apenas as impressões das pessoas sobre os tempos passados e atuais. 
            O livro é excelente e nele há todo tipo de relato, desde mulheres lindas que se casam com homens machistas, beberrões e violentos aos fatos envolvendo o período de grandes transformações da superpotência soviética e seus personagens principais. Há relatos de dificuldades na sobrevivência diária, a falta de produtos, bem como, declarações acerca da camaradagem entre as pessoas que na visão delas com o advento do capitalismo se extinguiu. 
               Há depoimentos de pessoas desiludidas com o capitalismo, pois, tinham uma esperança acerca dele que não se concretizou e que afirmaram que os proprietários de grandes fortunas são criminosos que se apossaram das riquezas nacionais. Há também depoimentos de pessoas que se sentiram traídas, pois, apoiaram Gorbatchev e Ieltsin pensando que o socialismo seria reformado e não extinto. Ler a obra de Svetlana é mergulhar na história não contada ou que não se quer contar!

Sugestão de boa leitura:

Título: O fim do homem soviético. 
Autora: Svetlana Aleksiévitch.
Editora: Companhia das Letras, 2016, 600 p.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Quando o foda-se era a Lei


         A Espada era a Lei é um filme baseado no livro de mesmo título publicado em 1938 pelo escritor estadunidense T.H. White. De acordo com a história quem retirasse a espada do Rei Arthur que se encontrava encravada numa pedra seria Rei. 
        Nos tempos atuais, penso que a Constituição Federal encontra-se encravada numa pedra e quem a retirar de lá será o quê? Ora, nada! Afinal, a Constituição Federal não vale mais que o seu peso em papel. Nossas autoridades não disfarçam mais, despem-se de quaisquer escrúpulos e tocam o foda-se. O foda-se foi institucionalizado. O foda-se virou a Lei. Diante das evidências, assim pensam nossas autoridades: “O povo? Foda-se o povo! O povo pensa ser importante, mas, sua importância restringe-se ao voto e voto pode ser comprado e até mesmo caçado”! 
        As Instituições estão podres. Parcela significativa dos integrantes do Poder Legislativo faz parte do crime organizado ou vive à sua sombra. O Poder Executivo tem em seu representante máximo uma figura soturna (Michel Temer) que parece ter saído do caixão após nele descansar por milhares de anos e faminto quer o sangue da classe baixa e média, pois é sobre estas que recai todo o peso de seu desgoverno e de sua submissão ao capital rentista nacional e estrangeiro. 
        O Grande Capital nacional e estrangeiro sabe que esse governo é ilegítimo e que as aquisições das riquezas nacionais a preço de banana, os perdões e as isenções fiscais constituem frutos de pilhagens, pois, jamais seriam conquistadas junto a um governo legítimo, democrático e patriota. Mas, o Grande Capital não têm consciência e não é patriota. É um estuprador que age com o consentimento da nossa elite vira-lata e rouba do povo e das futuras gerações a possibilidade de uma vida digna. 
        O que dizer quanto ao Poder Judiciário que tenha escapado ao cidadão atento e intelectualmente  honesto? Sempre tivemos uma Justiça que nas palavras do Ministro Barroso: “é dura com os pobres, e mansa com os ricos”. Nos últimos tempos o Judiciário tem aperfeiçoado suas funções.
Fui a favor da PEC 37, fiz modestamente meu papel ao tentar explicar nas redes sociais o monstro da insegurança jurídica que viria de sua não aprovação. Mas, ela acabou rejeitada no Congresso Nacional em grande parte pela força da Grande Mídia que cooptou os midiotas e sob cuja pressão os parlamentares sucumbiram. Num país verdadeiramente democrático, a Polícia, o Ministério Público e a Magistratura exercem suas funções de forma independente e limitadas ao âmbito de seu papel. 
No Brasil atual, não é mais possível distinguir a separação das funções, e, consequentemente o Braço da Lei é conduzido a pesar menos ou mais de acordo com as simpatias e antipatias envolvidas no caso, ou seja, pode-se determinar a sentença antes mesmo do veredicto. Vivemos uma Juristocracia. A ditadura dos sem votos. A ditadura que o notável intelectual e jurista Ruy Barbosa que assombrou o mundo com sua sabedoria tanto temia: “A ditadura do Poder Judiciário, por ele considerada a pior de todas, pois, contra ela não há a quem recorrer”. 
Há uma grande diferença entre fazer justiça e aplicar fielmente o Direito. Fazer justiça é coisa de justiceiros que agem à margem da lei ou manipulando-a (lawfare), portanto, coisa de criminosos. Aplicar o Direito é observar fielmente o código de leis, a Constituição Federal, a Declaração Universal dos Direitos Humanos sem observar a quem (independentemente de classe social, etnia ou ideologia). As pessoas costumam romantizar o Poder Judiciário, mas, ele é a expressão de seu tempo, inclusive de suas contradições, e, tem lado, o lado da classe dominante. 
Nem sempre o que é legal é moral, ou mesmo justo. No passado, escravizar seres humanos era legal e a lei dava ao senhor de escravos o poder de vida e morte sobre seus escravos. O Holocausto Judeu foi amparado em leis vigentes na então Alemanha Nazista. E o Poder Judiciário ao adotar a Teoria do Domínio do Fato acaba por fazer sua adesão ao nazismo mesmo que tardiamente. Vivemos uma época de insegurança jurídica. Agora imagine você, o que isso pode significar na sua vida e na de qualquer cidadão quando o ônus da prova é invertido. Não basta não praticar nenhum crime. Você não está a salvo das convicções do Ministério Público, ou de um Magistrado, que no caso da interpretação brasileira da Teoria do Domínio do Fato prescinde das provas.
No ano passado, fiquei sabendo que uma aluna lia um livro de 300 páginas em três horas, eu que me achava o máximo em ler o mesmo livro em três dias. Abismado fiquei quando ao ler comentário do intelectual Emir Sader que o desembargador Leandro Paulsen do TRF-4 leu as 250 mil páginas do processo de Lula em seis dias (você não leu errado, seis dias) o que o coloca como um fenômeno da leitura dinâmica, pois leu quase duas mil páginas por hora, o que deve ter feito privando-se do sono. Eu não consigo sequer folhar esse processo com essa rapidez sem me atrapalhar. O resultado do julgamento no TRF-4 foi antecipado em sete horas pela Band. Imagina que eu antecipo o resultado de um jogo em 3 x 0, e afirmo que determinado jogador vai receber o cartão vermelho. Você vai achar no mínimo estranho não é? Pois é! O Brasil anda muito estranho! 
O Juiz Moro costuma ir a eventos com integrantes de uma ala política embora se diga imparcial. Por assim agir, no mínimo desconhece ou não respeita o código de Ética da Magistratura. A República de Curitiba, ou se preferir República da Casa Grande fez tanto bem (e o mesmo bem) à classe trabalhadora e ao país quanto o feitor de escravos fez aos escravos e a escravidão fez ao Brasil. Note-se que os prejuízos advindos ao país pela Operação Lava-Jato são imensamente superiores aos benefícios. E o Brasil não se tornará um país menos corrupto até porque é da percepção de qualquer pessoa atenta e intelectualmente honesta de que a Justiça no Brasil tem lado e esse lado é o do conservadorismo proveniente do DNA da Casa Grande que costuma estar no organismo da maioria dos magistrados brasileiros.
 Há até uma piada entre a população: “uma parte dos juízes acha que é Deus. A outra tem certeza”. Lembro que ante a rara notícia da condenação de um magistrado que foi “severa e exemplarmente” punido com uma precoce aposentadoria compulsória com vencimentos integrais, o mesmo se encontrava indignado. Perguntei a um colega professor: “Foi comprovada a culpa dele e ele mesmo assim está sendo premiado com a aposentadoria com vencimentos integrais. E está reclamando do quê? E esse professor me disse: mais importante do que o salário é a sensação de ser Deus, e é isso que ele não quer perder”!

A Ministra Carmem Lúcia, presidenta do STF, disse que se os brasileiros soubessem o que ela sabe não dormiriam à noite! Minha maior preocupação é se ela e os outros ministros continuam dormindo à noite. Maus exemplos no STF não faltam. Recentemente Carmem Lúcia jantou com representantes da Shell, uma das maiores beneficiárias do Golpe de Estado de 2016. Golpe que devido à omissão ou ação do STF parece ter sido chancelado por esta instituição. 
Mino Carta acerta ao dizer: “os heróis de hoje serão os vilões de amanhã”. A história será revisada, a verdade certamente aparecerá, e a nossa geração terá que explicar como deixou que uma minoria acabasse com o país e eliminasse as possibilidades de bem-estar das gerações futuras. O mico do ano 2017 foi o filme: “A lei é para todos”, com um título tão farsesco (que o digam os Jucás, os Serras, os Aécios, etc.) e a impossibilidade de atrair para seu público pessoas inteligentes, o fracasso era inevitável. Aliás, quem financiou esse filme? Quais seus interesses ante a parcialidade grotesca da versão filmada? 
Também não pegou bem, o imoral auxílio-moradia defendido por suas excelências, num país em que a parcela dos que comem bem criticam e pedem a extinção do programa bolsa-família dos que passam fome. Receber vencimentos que superam o teto legal é dar um foda-se à população. População esta que vem sendo imensamente prejudicada com o corte de direitos trabalhistas e previdenciários. Defender o auxílio-moradia dos que já ganham nababescamente é dar uma banana para a população, pois, como casta privilegiada, não precisam de votos, e juntamente com os políticos e os militares não terão seus direitos previdenciários tolhidos. Moro disse que pega o auxílio-moradia porque desde 2015 não tem reajuste de salário, ora, então que se faça uma lei assegurando o auxílio-moradia a todos que não tiveram reajuste.
 É vergonhoso o auxílio-moradia para juízes, parlamentares, etc. ainda mais com os altos salários que recebem, mesmo que brechas da lei o permitam. Ainda mais quando sabemos que o auxílio-moradia é superior ao salário de 92% da população do Brasil. Alguém poderá dizer que eles estudaram muito, mas, se estudar muito é o critério, por que professores não têm o mesmo direito? Precisamos seguir o exemplo da Suécia, lá juízes e parlamentares andam de transporte coletivo ou de bicicleta e ganham pouco mais do que um professor. O serviço público não deve ser lugar para enriquecer. Quem quer enriquecer que vá para a iniciativa privada!