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sábado, 7 de novembro de 2026

Max Robert: um anjo de quatro patas - crônica de um Golden Retriever que ensinou uma família a desacelerar

 

        Quando meu filho foi ao primeiro dia de aula (pré-escola), minha esposa ficou aflita e vigiou por alguns minutos se ele ficaria bem. Naquele ano, a professora entregou um pintainho para que ficasse um dia na casa de cada um de seus alunos. Foi o suficiente para que meu filho começasse a pedir um pet. Não éramos adeptos dessa ideia, mas pensei que um aquário com alguns peixinhos ornamentais seria fácil de cuidar e atenderia ao seu desejo.

            Ledo engano: peixes ornamentais são vidas cujo cuidado é muito melindroso. É necessário conhecer as espécies e não se deixar levar pela beleza, pois há incompatibilidades em um mesmo aquário. Há que se cuidar do pH da água, trocá-la, sempre retirando previamente o cloro, manter uma temperatura controlada e, mesmo assim, mortes ocorriam, com enterros em caixinhas funerárias e muito choro.

            Decidimos não repor os peixinhos e, ao morrer o último, com a costumeira explicação do "Céu dos peixinhos", acordamos que não teríamos mais pets. No entanto, o padrinho de meu filho lhe deu um casal de periquitos australianos. Não gostamos, mas disfarçamos. Apesar dos cuidados e pássaros dão trabalho, ocorreu de morrer um deles. Assim, novos enterros com caixinhas funerárias e falas sobre o "Céu dos passarinhos". Ao ver o periquito restante triste, novas idas ao petshop com meu filho e a escolha de um novo parceiro (ou parceira), escolhido por ele pela beleza.

            Vieram então os filhotes, e todos os periquitos tinham nomes. Já não era mais uma gaiola, mas três. As mortes ocorriam, e decidimos que não mais buscaríamos novos exemplares no petshop, pois nos causava aflição ver as aves presas sem nunca conhecer a liberdade. Várias vezes pensamos em soltá-las, mas nunca o fizemos, pois sabíamos que as condenaríamos à morte.

            Quando o último periquito morreu, coloquei as gaiolas na frente de casa e alguém as levou. Não teríamos mais pets. Não queríamos mais ver o sofrimento deles quando um pet morria. Resistimos por alguns anos aos pedidos de minha filha caçula de um cachorrinho. Isso foi até o dia em que ela disse: "Não adianta, eu vou ficar adulta e vocês nunca vão deixar eu ter um cachorrinho". Meu coração de pai não resistiu, e falei com a minha esposa que eu não gostaria que ela, quando adulta, cobrasse isso de nós. Minha esposa aquiesceu.

            Comecei a ler e estudar sobre as raças, pois queria encontrar uma raça de cão que se mantivesse com espírito brincalhão mesmo depois de adulto, enfim, que fosse companhia de brincadeiras para ela; não queria um cão de guarda. Entre as raças estava o Golden Retriever. Era uma das três raças selecionadas e buscadas na Internet.

            A escolha recaiu sobre um Golden Retriever de 60 dias que não me deu nenhuma atenção (no local havia outras raças que vieram até mim); continuava escavando o chão. Solicitei que lhe dessem banho e, com minha filha, busquei-o: era véspera do Dia da Criança. Quando cheguei ao carro (em que minha filha, meu filho e minha esposa esperavam), eles ficaram deslumbrados com aquela bola de pelos dourados que eu trazia no colo.

            Minha filha não cabia em si de alegria; passava horas com ele. Fizemos muitas fotografias e vídeos lindos. Todos, sem exceção, se apegaram ao "Max Robert Vailati", o nome que minha filha deu para ele. Em nossa casa havia cercas de pingo de ouro; Max arrancou cada pé. Eu tinha um bonsai da idade de meu filho; esqueci-o fora de casa tomando sol, e o Max o destruiu.

            Quando queria atenção, ele pegava algum calçado, e era necessário um tempo de negociação para reavê-lo. Como minha filha era pequena e meu filho demorou um pouco mais a se apegar a ele (embora depois fosse quem mais fizesse caminhadas com ele), no início eu fazia tal tarefa. Tentava fazer com que ele fosse por caminhos que eu desejava; ele então deitava no chão. Falava, então, para ele que iríamos por onde ele quisesse, e ele levantava rapidamente e ia pelo caminho por ele desejado; afinal, o passeio era dele, não meu. Ele entendia tudo, só não falava.

            Nos passeios, algumas vezes, cães ferozes tentavam atacá-lo. Lembro que uma vez ele saiu em disparada, arrastando-me, e eu, já inclinado, inacreditavelmente consegui manter o equilíbrio. Depois, ele passou a ter confiança em mim, quando afastei alguns cães bravos.

            Quando saía às ruas, pais chamavam seus filhos pequenos para vê-lo, e até algumas pessoas nos paravam para conversar e acariciá-lo. Meu filho tomou para si a tarefa dos passeios, agora feitos pela manhã e à tarde. Nos finais de semana, a família toda passeava com ele; era o momento em que ele caminhava mais.

            Aprendi com suas estripulias a ser mais calmo. Eu me surpreendia que, justo quando estava emocionalmente exausto, com problemas que tive no meu trabalho como professor, o Max estivesse mais carente e colocasse a pata na minha perna para que eu o acariciasse; e, sempre que eu parava, ele colocava novamente a pata, pedindo nova carícia.

            Com todos apegados, eu me preocupava com a saúde dele. Sabia que um Golden vive entre 10 e 12 anos, e Max estava visivelmente acima do peso. A ordem foi: caminhadas, regime e dieta com a melhor ração para controle de peso.

            Quando Max tinha sete anos, ele adoeceu de um dia para o outro, apesar de todas as vacinações em dia e com as melhores vacinas (importadas). Na impossibilidade de tratamento em nossa cidade, levamo-lo a Guarapuava. Exames foram feitos, nada foi encontrado. Não havia tumores; os órgãos estavam normais. Não havia indícios de envenenamento. Ficamos com a suspeita de cinomose, apesar de ele ser vacinado: a vacina não garante 100% de proteção, e ele teve contato com uma cachorrinha que estava doente (que felizmente se curou), porém Max não.

            O que eu sempre temi aconteceu, mas a tristeza não ficou restrita aos meus dois filhos. Max morreu há um ano (3 de novembro de 2025). A pedido dos meus filhos, ele foi cremado em Guarapuava, e suas cinzas encontram-se conosco e também um molde de sua pata. Meus filhos não pediram outro pet. Pensam que ele é insubstituível.

            Eu sempre tive vontade de escrever sobre ele, mas, nos primeiros meses, não conseguiria, pois sequer conseguia falar sobre a morte dele. Talvez o leitor seja crítico ao que aqui escrevo; afinal, para muitas pessoas, animais são apenas animais. Em minha família, não pensamos assim, e passamos a não desejar a visita de pessoas cheias de "não me toque", pois nossa casa era também dele. Max amava qualquer ser humano e era capaz de fazer amizade até com um assaltante que, por ventura, invadisse nossa casa.

            Há alguns dias, li/assisti que os cães sentem o cheiro do hormônio do estresse quando não estamos bem. Agora sei que, naqueles dias em que eu chegava destruído da escola, não era Max precisando de mim, mas ele sabendo que eu precisava dele, pois a ciência já comprovou que acariciar um pet libera ocitocina, um hormônio que causa bem-estar. Temos a convicção do bem que ele fez a todos nós e acreditamos que foi um anjo com quem convivemos e aprendemos a ser mais pacientes, a parar um pouco com a correria da rotina e a buscar uma leveza no viver. Nós (eu inclusive) passamos a acreditar no "céu dos animais", e isso não está em discussão: é, para nós, um dogma. Sua opinião quanto a isso é meramente acessória. Só entende quem já teve e foi tocado por um anjo como Max Robert.

 

 




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