Quando meu filho foi ao
primeiro dia de aula (pré-escola), minha esposa ficou aflita e vigiou por
alguns minutos se ele ficaria bem. Naquele ano, a professora entregou um
pintainho para que ficasse um dia na casa de cada um de seus alunos. Foi o
suficiente para que meu filho começasse a pedir um pet. Não éramos adeptos
dessa ideia, mas pensei que um aquário com alguns peixinhos ornamentais seria
fácil de cuidar e atenderia ao seu desejo.
Ledo engano: peixes ornamentais são vidas cujo cuidado é
muito melindroso. É necessário conhecer as espécies e não se deixar levar pela
beleza, pois há incompatibilidades em um mesmo aquário. Há que se cuidar do pH
da água, trocá-la, sempre retirando previamente o cloro, manter uma temperatura
controlada e, mesmo assim, mortes ocorriam, com enterros em caixinhas
funerárias e muito choro.
Decidimos não repor os peixinhos e, ao morrer o último,
com a costumeira explicação do "Céu dos peixinhos", acordamos que não
teríamos mais pets. No entanto, o padrinho de meu filho lhe deu um casal de
periquitos australianos. Não gostamos, mas disfarçamos. Apesar dos cuidados e
pássaros dão trabalho, ocorreu de morrer um deles. Assim, novos enterros com
caixinhas funerárias e falas sobre o "Céu dos passarinhos". Ao ver o
periquito restante triste, novas idas ao petshop com meu filho e a escolha de
um novo parceiro (ou parceira), escolhido por ele pela beleza.
Vieram então os filhotes, e todos os periquitos tinham
nomes. Já não era mais uma gaiola, mas três. As mortes ocorriam, e decidimos
que não mais buscaríamos novos exemplares no petshop, pois nos causava aflição
ver as aves presas sem nunca conhecer a liberdade. Várias vezes pensamos em
soltá-las, mas nunca o fizemos, pois sabíamos que as condenaríamos à morte.
Quando o último periquito morreu, coloquei as gaiolas na
frente de casa e alguém as levou. Não teríamos mais pets. Não queríamos mais
ver o sofrimento deles quando um pet morria. Resistimos por alguns anos aos
pedidos de minha filha caçula de um cachorrinho. Isso foi até o dia em que ela
disse: "Não adianta, eu vou ficar adulta e vocês nunca vão deixar eu ter
um cachorrinho". Meu coração de pai não resistiu, e falei com a minha
esposa que eu não gostaria que ela, quando adulta, cobrasse isso de nós. Minha
esposa aquiesceu.
Comecei a ler e estudar sobre as raças, pois queria
encontrar uma raça de cão que se mantivesse com espírito brincalhão mesmo
depois de adulto, enfim, que fosse companhia de brincadeiras para ela; não
queria um cão de guarda. Entre as raças estava o Golden Retriever. Era uma das
três raças selecionadas e buscadas na Internet.
A escolha recaiu sobre um Golden Retriever de 60 dias que
não me deu nenhuma atenção (no local havia outras raças que vieram até mim);
continuava escavando o chão. Solicitei que lhe dessem banho e, com minha filha,
busquei-o: era véspera do Dia da Criança. Quando cheguei ao carro (em que minha
filha, meu filho e minha esposa esperavam), eles ficaram deslumbrados com
aquela bola de pelos dourados que eu trazia no colo.
Minha filha não cabia em si de alegria; passava horas com
ele. Fizemos muitas fotografias e vídeos lindos. Todos, sem exceção, se
apegaram ao "Max Robert Vailati", o nome que minha filha deu para
ele. Em nossa casa havia cercas de pingo de ouro; Max arrancou cada pé. Eu
tinha um bonsai da idade de meu filho; esqueci-o fora de casa tomando sol, e o
Max o destruiu.
Quando queria atenção, ele pegava algum calçado, e era
necessário um tempo de negociação para reavê-lo. Como minha filha era pequena e
meu filho demorou um pouco mais a se apegar a ele (embora depois fosse quem mais
fizesse caminhadas com ele), no início eu fazia tal tarefa. Tentava fazer com
que ele fosse por caminhos que eu desejava; ele então deitava no chão. Falava,
então, para ele que iríamos por onde ele quisesse, e ele levantava rapidamente
e ia pelo caminho por ele desejado; afinal, o passeio era dele, não meu. Ele
entendia tudo, só não falava.
Nos passeios, algumas vezes, cães ferozes tentavam
atacá-lo. Lembro que uma vez ele saiu em disparada, arrastando-me, e eu, já
inclinado, inacreditavelmente consegui manter o equilíbrio. Depois, ele passou
a ter confiança em mim, quando afastei alguns cães bravos.
Quando saía às ruas, pais chamavam seus filhos pequenos
para vê-lo, e até algumas pessoas nos paravam para conversar e acariciá-lo. Meu
filho tomou para si a tarefa dos passeios, agora feitos pela manhã e à tarde.
Nos finais de semana, a família toda passeava com ele; era o momento em que ele
caminhava mais.
Aprendi com suas estripulias a ser mais calmo. Eu me
surpreendia que, justo quando estava emocionalmente exausto, com problemas que
tive no meu trabalho como professor, o Max estivesse mais carente e colocasse a
pata na minha perna para que eu o acariciasse; e, sempre que eu parava, ele
colocava novamente a pata, pedindo nova carícia.
Com todos apegados, eu me preocupava com a saúde dele.
Sabia que um Golden vive entre 10 e 12 anos, e Max estava visivelmente acima do
peso. A ordem foi: caminhadas, regime e dieta com a melhor ração para controle
de peso.
Quando Max tinha sete anos, ele adoeceu de um dia para o
outro, apesar de todas as vacinações em dia e com as melhores vacinas
(importadas). Na impossibilidade de tratamento em nossa cidade, levamo-lo a
Guarapuava. Exames foram feitos, nada foi encontrado. Não havia tumores; os
órgãos estavam normais. Não havia indícios de envenenamento. Ficamos com a suspeita
de cinomose, apesar de ele ser vacinado: a vacina não garante 100% de proteção,
e ele teve contato com uma cachorrinha que estava doente (que felizmente se
curou), porém Max não.
O que eu sempre temi aconteceu, mas a tristeza não ficou
restrita aos meus dois filhos. Max morreu há um ano (3 de novembro de 2025). A
pedido dos meus filhos, ele foi cremado em Guarapuava, e suas cinzas
encontram-se conosco e também um molde de sua pata. Meus filhos não pediram
outro pet. Pensam que ele é insubstituível.
Eu sempre tive vontade de escrever sobre ele, mas, nos
primeiros meses, não conseguiria, pois sequer conseguia falar sobre a morte
dele. Talvez o leitor seja crítico ao que aqui escrevo; afinal, para muitas
pessoas, animais são apenas animais. Em minha família, não pensamos assim, e
passamos a não desejar a visita de pessoas cheias de "não me toque",
pois nossa casa era também dele. Max amava qualquer ser humano e era capaz de
fazer amizade até com um assaltante que, por ventura, invadisse nossa casa.
Há alguns dias, li/assisti que os cães sentem o cheiro do
hormônio do estresse quando não estamos bem. Agora sei que, naqueles dias em
que eu chegava destruído da escola, não era Max precisando de mim, mas ele
sabendo que eu precisava dele, pois a ciência já comprovou que acariciar um pet
libera ocitocina, um hormônio que causa bem-estar. Temos a convicção do bem que
ele fez a todos nós e acreditamos que foi um anjo com quem convivemos e
aprendemos a ser mais pacientes, a parar um pouco com a correria da rotina e a
buscar uma leveza no viver. Nós (eu inclusive) passamos a acreditar no
"céu dos animais", e isso não está em discussão: é, para nós, um
dogma. Sua opinião quanto a isso é meramente acessória. Só entende quem já teve
e foi tocado por um anjo como Max Robert.

