domingo, 24 de março de 2013
Você está sofrendo de normose?
Você está sofrendo de normose?
Desde seu surgimento na Terra, o homo sapiens tem como característica principal viver em grupos, e, durante todo o seu processo evolutivo cada indivíduo buscou se inserir na sociedade e ser por ela aceito. A humanidade sempre possuiu padrões estéticos e comportamentais, no passado, ser uma mulher com boa saúde e seios grandes era sinônimo de ser boa reprodutora e aos homens ter um corpo forte e um espírito corajoso era sinônimo de ser um bom caçador para alimentar outras bocas, além de protegê-las. O tempo passou, a humanidade evoluiu, os padrões de normalidade permaneceram, embora tenham se modificado. Na atualidade, para atingir o padrão de “normalidade” a pessoa precisa ser magra, alegre, bela, sociável e bem sucedida. Tal padrão (normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos de pensar ou agir, etc.) imposto pela sociedade é muito difícil de ser alcançado e leva não raras pessoas à normose, ou seja, um sofrimento mental que leva à depressão e em situações extremas ao suicídio. Perguntamo-nos: quem dita essas normas? Quem chega até você e diz que para ser bem aceito deve ter aquelas características?
A verdade é que ninguém chega até você e faz tal afirmação, no entanto, tal afirmação lhe chega de todos os cantos dos ambientes que você frequentar. A mídia e a moda são os principais algozes das pessoas que não se enquadram no padrão, fazendo-as não raras vezes comprometer a saúde para tentar alcançar a difícil meta e no caso de resultados negativos, tornando-as infelizes. Penso que ninguém sofre mais do que a mulher por não estar nos ditos padrões de normalidade, é extremamente cruel a cobrança subliminar que dela se faz quanto à sua aparência e ao seu comportamento, lembro-me de ter lido: “mulher se veste para mulher, por que se quisesse agradar homem, ela se despia”. Faz sentido, além de competitivas, muitas mulheres são cruéis nas observações que fazem sobre suas colegas. No entanto, ninguém é uma ilha, precisamos viver em sociedade e se os padrões de normalidade ditados são distantes de nossa realidade, estamos por acaso destinados ao ostracismo? Penso que devemos ouvir mais Raul Seixas que naquela época já entoava numa de suas canções: “Enquanto você se esforça pra ser um sujeito normal e fazer tudo igual..., eu do meu lado, aprendendo a ser louco, maluco total, na loucura real (...)”.
Vivemos em pleno século XXI, na era da informação, porém, do conhecimento fragmentado e não refletido, pouco avançamos na defesa dos direitos humanos, e precisamos quebrar correntes que prendem as almas ao preconceito e à alienação. Vemos a todo o momento, pessoas com mentalidade do século XIX assumindo cargos de representação da sociedade, fazendo esta, corar de vergonha. Na verdade quanto mais materialista é uma sociedade, a futilidade reina soberana, é o predomínio do “ter” em detrimento do “ser”, assim, sob qualquer circunstância, ter um corpo perfeito, dinheiro, carrão, mansão, etc. é mais importante do que ser uma pessoa de bom caráter, com cultura, ideais próprios, etc. Penso que no dia em que as pessoas passarem a cultivar sua personalidade e deixarem de se importar com padrões de normalidade impostos por seres eticamente irresponsáveis, e, demonstrarem indignação contra a beleza estereotipada patrocinada pela indústria da moda e da mídia, a humanidade será mais feliz e normose será uma coisa para estudar nos livros de história.
quinta-feira, 14 de março de 2013
Assistencialismo ou resgate social?
A Constituição da República Federativa do Brasil¹ em seu artigo 3°, inciso III estabelece dentre os objetivos fundamentais de nosso país: “erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais” e em seu inciso IV: “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.
Sabemos que nossa Carta Magna foi chamada pelo saudoso político Ulysses Guimarães (PMDB) de “Constituição Cidadã”, uma vez que saindo de uma cruel ditadura militar, nossos congressistas constituintes procuraram avançar rumo a uma nova sociedade, pois, o povo brasileiro estava sedento por democracia. No entanto, como o Brasil é Brasil, muitas destas leis maiores de nosso país não são respeitadas e cada governante procura adaptar a Constituição à sua forma de governar e não o que seria correto, ou seja, governar seguindo fielmente a Constituição, assim, nos questionamos: de que vale o juramento à Constituição feito por nossas autoridades quando da posse?
Há em nossa sociedade uma discussão sobre os programas sociais do Governo Federal, um debate que convenhamos pode e deve ser feito, mas não de forma inconsequente, apaixonada, manipulada e/ou desinformada, digo isso, porque para uma parte da sociedade, minoria é verdade, tais programas são assistencialistas.
Busquei o significado de assistencialismo e encontrei: “... é a doutrina ou prática política que defende a assistência aos mais carenciados da sociedade”². E nisso não vejo nada de errado, pois está expresso na própria Carta Magna que o Governo deve erradicar a miséria conforme já citado acima, mas há um emprego de tal termo no sentido pejorativo, afirmam tais vozes de nossa sociedade que trata-se da compra de votos, ou seja, uma medida eleitoreira.
Dentre as formas de combate à miséria, três são as principais estratégias: políticas de transferência direta de renda; políticas de aumento do poder aquisitivo do trabalhador; políticas de geração de empregos e capacitação para o mercado de trabalho.
Qualquer um que estude a estratégia do Governo Federal para o combate à miséria observará que além dos programas de transferência direta de renda, houve com o passar dos anos nas gestões do ex-presidente Lula e agora na gestão de Dilma o aumento real do poder aquisitivo do salário mínimo de que vivem grande parte da classe menos favorecida. O Governo criou escolas técnicas e universidades e tem feito esforços fomentando a geração de empregos e temos atualmente o menor nivel de desemprego desde que se passou a registar tal índice.
Não assistir a população carente é o mesmo que jogar a criança junto com água do banho, pois não se resolve séculos de exclusão social com discursos eleitoreiros de governar para todos e continuar a velha prática de governar para a alta elite desse país e mais cito o saudoso intelectual Darcy Ribeiro quando afirmou: “O Brasil, último país a acabar com a escravidão tem uma perversidade intrínseca na sua herança, que torna a nossa classe dominante enferma de desigualdade, de descaso”³.
De minha parte penso que o atendimento às classes carentes de nossa população demorou demais e considero natural que um sobrevivente da seca nordestina, que veio num pau-de-arara para a região mais rica do Brasil, e, que mais tarde se transformou em operário, líder sindical, e presidente tomasse as rédeas da situação e sem esquecer suas raízes de miséria, buscasse dar um alívio para os pobres deste país. Não vejo oportunismo político, e, sim cumprimento da lei e penso que se FHC tivesse honrado o seu diploma de sociólogo, teria feito antes o resgate social da população pobre, o que só ocorreu a partir do Governo Lula.
Com o programa de combate à miséria, o Brasil e Lula têm ganhado prêmios internacionais e o próprio Banco Mundial vai copiar o modelo brasileiro para implantá-lo em outros países. FHC perdeu o trem, o bonde e até o jegue da história!
Referências:
¹BRASIL.Constituição da República Federativa do Brasil. 1988.
²http://pt.wikipedia.org/wiki/Assistencialismo. Acesso em 11 de março de 2013.
³Ribeiro, Darcy.http://frases.globo.com/darcy-ribeiro/5644. Acesso em 11 de março de 2013.
sábado, 9 de março de 2013
A Águia e a Galinha – Parte 2
Leonardo
Boff afirma: “a águia e a galinha convivem em nós”, afinal, somos águias transformadas
em galinhas e como o meio acaba influenciando nosso comportamento, levamos uma
vida no chão, por que viver “rasteiramente” é normal, e, ser “normal” em nossa
sociedade é ser discreto, passar em brancas nuvens, por que quem abre as asas
incomoda, e ninguém quer alguém diferente por perto. Assim, tal como a águia,
precisamos fazer uma escolha: arriscarmo-nos ao vôo ou vivermos no chão e sermos
sujeitos normais, alienados, massificados, cujas almas foram extorquidas pelo
sistema, pois, já não vivemos, sobrevivemos, já não sonhamos, pois nos tiraram
o direito de alimentar as nossas tão necessárias utopias. Tudo está contra nós,
pois, até entre nós há aqueles que não
alçam vôos e preferem viver uma confortável (ou talvez nem tão confortável
assim) vida de migalhas, e a nos aconselhar a fazermos o mesmo. E aí pensamos:
se eles não conseguiram, quem sou eu para arriscar um vôo mais alto? E ficamos
debicando o milho e aceitando a limitação da galinha! E esperamos por um
“naturalista” que talvez nunca venha para dizer: Ei, você é capaz! Você pode
conquistar muito mais!
Mas uma águia sempre será uma águia e
o coração da águia não aceita viver de migalhas e se o Sol por um breve
instante iluminar seus olhos e houver uma palavra de incentivo, ou mesmo que
esta palavra de incentivo jamais ocorra, a consciência de ser águia impele ao
alto. Lembremo-nos do doloroso processo de renovação da águia, quando por volta
dos 40 anos, suas penas pesadas dificultam o vôo, as garras compridas e
flexíveis não permitem fazer a captura das presas, o bico comprido e curvado a
impede que se alimente, a águia tem então apenas duas opções: morrer ou voar ao
alto de uma montanha, com toda a dificuldade que isto encerra neste momento
delicado de sua vida, para lá arrancar o bico batendo-o contra as pedras,
esperar nascer um novo bico, para então arrancar as unhas e após surgir as
novas unhas, arrancar as penas e quando as novas penas surgem, fazer o vôo de
renovação e viver como se fosse águia jovem por mais 30 anos. Assim, tal como a
águia, precisamos renovarmo-nos e despirmo-nos de tudo aquilo que impede que
levemos uma vida plena.
A quem interessa que levemos uma vida
de galinhas? Certamente ao sistema, pois, uma vez vivendo como águias, seremos mais combativos,
enxergaremos melhor o que se esconde por trás da aparência, não seremos
enganados tão facilmente pela classe política e/ou patronal e lutaremos por
melhores condições de trabalho, pois a águia tem grande autoconfiança e prefere
arriscar-se ao vôo contra a nuvem de tempestade mais escura que se lhe
apresenta, pois sabe que no alto há sempre calmaria. A águia admirada por grupos humanos de diferentes
dimensões espaço-temporais é o maior exemplo para que o ser humano se liberte
das correntes imaginárias que o prendem a uma vida medíocre e lute
incansavelmente por uma sociedade melhor, menos injusta e que a todos
proporcione a dignidade humana.
Que a águia existente em você caro(a)
leitor(a) alce vôo ao céu infinito e pelo seu exemplo liberte outras águias
transformadas em galinhas pelo sistema!
Sugestão de boa leitura:
BOFF,
Leonardo. A águia e a galinha: Uma metáfora da condição humana.
Petrópolis/RJ: Vozes.
BOFF,
Leonardo. O despertar da águia: o
dia-bólico e o sim-bólico na construção da realidade. Petrópolis/RJ: Vozes.
sexta-feira, 1 de março de 2013
A Águia e a Galinha – Parte 1
Leonardo Boff é na
atualidade um dos maiores intelectuais do Brasil, foi Frei da Igreja Católica,
da qual teve que se desligar devido o cerceamento imposto por setores
conservadores do Vaticano liderados pelo então Cardeal Joseph Ratzinger (atual
Papa Bento XVI) aos membros ligados à Teologia da Libertação. Em minha opinião,
a Teologia da Libertação foi o que de mais lindo e inspirador aconteceu na
referida Igreja, pois, interpretava os ensinamentos de Jesus Cristo em termos
de uma libertação das injustas condições econômicas, políticas ou sociais,
dessa forma, pregava a necessidade da Igreja estar do lado dos oprimidos
(trabalhadores, desempregados, pobres, sem teto, sem terra, etc.), participando
ativamente da luta em prol de uma sociedade que a todos oportunizasse a
dignidade humana.
No livro “A
águia e a galinha: uma metáfora da condição humana”, Boff narra a história
criada por James Aggrey, natural de Gana, pequeno país da África Ocidental. Eis
a história:
Era uma vez um
camponês que foi a floresta vizinha apanhar um pássaro para mantê-lo em sua
casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. Colocou-o no galinheiro junto com as
galinhas. Comia milho e ração própria para galinhas. Embora a águia fosse o
rei/rainha de todos os pássaros. Depois de cinco anos, este homem recebeu em
sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o
naturalista: -Esse pássaro aí não é galinha. É uma águia.
-De fato –
disse o camponês. É águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais uma
águia. Transformou-se em galinha como as outras, apesar das asas de quase três
metros de extensão.
- Não! Retrucou
o naturalista. Ela é e será sempre uma águia. Pois tem um coração de águia.
Este coração a fará um dia voar às alturas.
- Não, não! –
insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia!
Então decidiram
fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e desafiando-a
disse: - Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não a
terra, então abra suas asas e voe! A águia pousou sobre o braço estendido do
naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo,
ciscando grãos. E pulou para junto delas. O camponês comentou: - Eu lhe disse,
ela virou uma simples galinha!
-Não – tornou a
insistir o naturalista. Ela é uma águia. E uma águia será sempre uma águia.
Vamos experimentar novamente amanhã.
No dia
seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa. Sussurrou-lhe: -
Águia, já que você é uma águia, abra as suas asas e voe! Mas quando a águia viu
lá embaixo as galinhas, ciscando o chão, pulou e foi para junto delas.
O camponês
sorriu e voltou à carga: - Eu lhe havia dito, ela virou galinha!
-Não –
respondeu firmemente o naturalista. Ela é águia, possuirá sempre um coração de
águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar. No dia
seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia,
levaram para fora da cidade, longe das casas dos homens, no alto de uma
montanha. O sol nascente dourava os picos das montanhas. O naturalista ergueu a
águia para o alto e ordenou-lhe: - Águia, já que você é uma águia, já que você
pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe! A águia olhou ao redor.
Tremia como se experimentasse uma nova vida. Mas não voou. Então o naturalista
segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos pudessem
encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte. Nesse momento, ela
abriu suas potentes asas, grasnou com o típico kau-kau das águias e ergueu-se,
soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez
mais para o alto. Voou..., voou..., até confundir-se com o azul do
firmamento...
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
O dragão chinês – Parte 3
A moda das cirurgias plásticas também chegou entre as chinesas, e quem pensa que a implantação de prótese de silicone nos seios é a campeã de preferências se engana, a cirurgia mais procurada é a de olhos, para deixar as pálpebras arredondadas como as mulheres ocidentais. O símbolo de beleza entre as mulheres de maior poder aquisitivo é a atriz Audrey Hepburn do filme Bonequinha de Luxo, sendo que estas desejam ficar parecida com ela. Enquanto no Brasil as mulheres “torram” ao sol na praia, na piscina ou mesmo na laje para adquirir um bronzeado, na China ter a pele muito branca é sinônimo de saúde e beleza, tanto que um ditado chinês afirma “quando a pele da mulher é branca qualquer outro defeito estético é perdoado”, dessa forma haja protetores solares, cremes embranquecedores e sombrinhas. As mulheres chinesas por uma questão cultural são discretas, delicadas e gostam de vestir roupas com estampas de personagens infantis, sejam os da Disney, Hello Kitty, etc. Embora seja comum observar nas ruas de Pequim, homens trajando camisas com bermudas e sapatos com meia soquete, com o enriquecimento de parte da população há aqueles que buscam seguir os últimos ditames da moda internacional.
A China é considerada o país das bicicletas e imagens com ciclistas realizando um verdadeiro balé pelas ruas das grandes cidades chinesas povoa a mente das pessoas que sobre tal país pensam, mas embora todos os anos milhões de novas bicicletas sejam postas em circulação devido ao seu preço irrisório, o novo sonho de consumo da classe média em expansão é o automóvel. Um leve ou nem tão leve enxugamento do orçamento familiar e os financiamentos o tornaram cada vez mais acessível à população que aproveita a oportunidade para ter o carro da família, pois no passado ter um automóvel dependia da autorização do Governo e que não era concedida tão facilmente. Ser proprietário de um automóvel é o maior símbolo de status para uma família, pois é sinal de enriquecimento, porém, como nada neste mundo é perfeito, muitos felizes proprietários ficam presos aos congestionamentos e há mesmo entre os novos donos de automóveis quem ainda se desloca de bicicleta para evitar aborrecimentos.
Além da questão envolvendo Taiwan, a China ocupou o Tibete obrigando o Dalai Lama a se exilar na Índia, desde 1950 a maior autoridade do budismo tenta sem sucesso a independência da terra de sua gente e afirma já não mais ter a esperança de ver o Tibete livre. A China construiu uma ferrovia que transpõe altitudes elevadas sendo que esta fenomenal obra de engenharia tem como objetivo integrar aquela região ao país e sobre a qual as autoridades chinesas já avisaram não aceitar oferecer um modelo de autonomia semelhante à concedida a Hong Kong. Outra questão polêmica foi o massacre da Praça da Paz Celestial em que as tropas do governo chinês marcharam contra os jovens reunidos neste local em 1989 e que protestavam exigindo reformas políticas. Todos os anos, no aniversário do ocorrido o policiamento no local é reforçado embora parte dos jovens chineses tenha sido “silenciada” pelo sucesso do governo na área econômica.
Enfim, escrever sobre este curioso “planeta” chamado China resultaria num livro e foi o que fez Gilberto Scofield Jr. e cuja obra indico abaixo.
Sugestão de boa leitura:
SCOFIELD JUNIOR, Gilberto. Um brasileiro na China, O olhar de um jornalista estrangeiro sobre o país que mais cresce no mundo. Rio de Janeiro: Ediouro: O Globo, 2007.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
O dragão chinês – Parte 2
No país que mais cresce no mundo, outra coisa que chama atenção é o sistema: Socialismo? Capitalismo? Socialismo de Mercado segundo as autoridades chinesas. Em 1949, sob a liderança do “timoneiro” Mao Tse-Tung a China fez a Revolução Comunista, nessa época a divergência com o capitalista Chiang Kai Shek fez com que este último derrotado se exilasse em Formosa (Taiwan) tida pelo governo chinês como parte de seu território e portanto uma província rebelde. A China adotou o socialismo e tentou copiar o modelo soviético, mais tarde rompeu com a União Soviética e também por este fato o “grande salto adiante”, iniciativa de Mao Tse-Tung para modernizar a economia e distribuir igualitariamente a renda fracassou com o fim do apoio técnico soviético. Na década de 1980, Deng Xiaoping cria a economia socialista de mercado e afirma que “enriquecer pode ser glorioso” e desde então a China vem crescendo vertiginosamente, porém, muitos problemas acompanham este crescimento célere, danos ao meio ambiente como a poluição do ar devido à grande industrialização e a desigualdade social entre os trabalhadores do campo mais pobres e os da cidade que têm padrão de vida melhor apesar dos baixos salários se comparados ao padrão ocidental, o que obriga o governo chinês a trabalhar para a redução dessa desigualdade com políticas em benefício dos camponeses.
Os baixos custos para a produção em terras chinesas e a abertura econômica levaram várias empresas transnacionais a mudarem suas plantas industriais para o referido país, os salários apesar de ainda muito baixos, vêm crescendo e dando origem a uma nova classe média, o país retirou mais de 100 milhões de pessoas da linha da miséria na última década, e isso é um número fantástico, embora o trabalho seja ainda grande diante da enorme população. Além dos problemas ambientais, o país lida agora com outro problema capitalista, o consumismo. Na verdade, ao incorporar ferramentas de mercado no sistema socialista, as autoridades chinesas desagradaram os socialistas convictos do mundo inteiro bem como aos capitalistas que se recusam a reconhecer na China uma economia de mercado. Socialistas não se sentem à vontade para falar dos progressos chineses e nem os capitalistas, a despeito disso é o país que mais cresce no mundo e é junto com o Brasil, Rússia, Índia e África do Sul, um membro importante do grupo de países emergentes conhecidos como “BRICS”, que adquiriram uma importância maior nas decisões mundiais após a crise mundial de 2008 originada nos Estados Unidos.
Existe uma preocupação relacionada à China, pois este país é uma potência nuclear e somente é superado pelos EUA no que se refere a gastos militares, o principal incomodado é o Japão, país que invadiu a China e cometeu atrocidades contra a população local no século XX e que entre outros crimes de Guerra tomou milhares de mulheres chinesas como escravas sexuais para atendimento de suas tropas de soldados. China e Japão também têm áreas territoriais em litígio, e navios militares chineses têm navegado próximo às ilhas japonesas Senkaku chamadas de Diaoyu pelos chineses. Há na população chinesa grande ressentimento pela forma como o Japão agiu nos episódios anteriores e durante a Segunda Guerra Mundial. Os Estados Unidos também têm uma grande preocupação com a China, pois o país já é a segunda economia mundial e mantendo este ritmo de crescimento poderá se tudo correr bem se tornar a maior economia do planeta. Mas há uma ameaça chinesa real e imediata, refiro-me aos produtos chineses baratos e com qualidade cada vez melhores que invadiram os mercados ocidentais obrigando as empresas que não conseguem se adequar à concorrência implorar salvaguardas para os governos, ou seja, mecanismos de proteção para a iniciativa local para preservar empresas e empregos, algo que nem sempre é possível.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
O dragão chinês – Parte 1
Os chineses sempre consideraram seu país como o “império do meio ou o país do centro do planeta” e nunca ele esteve tão no centro das atenções mundiais como nas últimas duas décadas. A China também era historicamente conhecida como o “Reino do Dragão” e “Dragões ou dragos (do grego drákon, δράκων) são criaturas presentes na mitologia dos mais diversos povos e civilizações. São representados como animais de grandes dimensões, normalmente de aspecto reptiliano (semelhantes a imensos lagartos ou serpentes), muitas vezes com asas, plumas, poderes mágicos ou hálito de fogo. A palavra dragão é originária do termo grego drakôn, usado para definir grandes serpentes. Na China, a presença de dragões na cultura é anterior mesmo à linguagem escrita e persiste até os dias de hoje, quando o dragão é considerado um símbolo nacional chinês. Na cultura chinesa antiga, os dragões possuíam um importante papel na previsão climática, pois eram considerados como os responsáveis pelas chuvas. Assim, era comum associar os dragões com a água e com a fertilidade nos campos, criando uma imagem bastante positiva para eles, mesmo que ainda fossem capazes de causar muita destruição quando enfurecidos, criando grandes tempestades”. ¹
Atualmente um dragão assombra o mundo e ele é chinês e faz mágica, consegue fazer com que a nação mais populosa do mundo cresça há mais de uma década a taxas anuais próximas de dois dígitos e se mantém assim mesmo em época de crise mundial. As taxas não chegam aos dois dígitos somente com muito esforço do governo local para evitar o crescimento desordenado. O país possui uma história milenar, pois é uma das mais antigas civilizações do planeta, inventores da bússola, da pólvora, dos fogos de artifício e de tantas outras coisas copiadas pela civilização ocidental. No século XIX, a então toda poderosa e inescrupulosa Inglaterra impôs ao Reino Chinês a Guerra do Ópio, pois o Imperador chinês ao observar a degradação da sociedade e o empobrecimento do país com o consumo da referida droga comercializada pelos ingleses, resolveu proibir a entrada da mesma no seu território. Os britânicos venceram, cobraram indenizações e tomaram para si a ilha de Hong Kong, devolvendo-a apenas em 1997. Atualmente, Hong Kong é regida pelo sistema “um país, dois sistemas”, assim o capitalismo na ilha foi mantido.
A primeira coisa que chama a atenção sobre a China é a sua população (1,3 bilhão de habitantes), que não é maior graças ao controle de natalidade, em que cada mulher residente em área urbana somente pode ter um(a) filho(a). A exceção é para as que moram no campo que podem ter uma segunda gravidez caso o primeiro nascimento seja de uma menina. Na China as moças quando de seus casamentos acompanham a família dos maridos e por isso a tentativa de um menino para ajudar os pais na lida da roça e amparar os pais na velhice. Devido à política do filho único, infelizmente, existem casos de infanticídios e abortos de bebês do sexo feminino, o que levou as autoridades a proibir os médicos de divulgarem o sexo do bebê quando de exames ecográficos e de fazer campanhas de conscientização e valorização do sexo feminino. Existe até uma preocupação por parte das autoridades referente ao descompasso entre a população feminina e masculina, faltam mulheres e muitos pais se preocupam em acertar casamentos para seus filhos homens. Embora não seja Brasil, as chinesas que desejam ter mais de um filho também dão seu “jeitinho”, o governo descobriu que muitas mulheres estão fazendo tratamentos de fertilidade sem que houvesse necessidade, pois assim aumentam a possibilidade de terem gêmeos. Com o enriquecimento da população chinesa existe outra possibilidade de ter um segundo filho, basta que uma taxa “salgada” para os padrões chineses seja paga ao Governo e que todas as despesas de saúde, educação, etc. sejam arcadas pelos pais, ou seja, o segundo filho nada receberá do Estado.
Referência:
¹. http://pt.wikipedia.org/wiki/Drag%C3%A3o – Acesso em 05 de fevereiro de 2013.
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