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sábado, 18 de julho de 2026

O guarani

 


        José de Alencar (1829-1877) foi um romancista, dramaturgo, jornalista, advogado e político brasileiro. Homem rico, latifundiário e defensor do sistema escravocrata, na política ficou reconhecido por sua atuação parlamentar na defesa de valores conservadores, patriarcais, mas também pátrios. A maturidade que adquiri ao longo da vida me permite separar José de Alencar, o homem (fruto de seu tempo), do talentoso escritor, que acreditava que sua obra deveria auxiliar na construção do mito fundador da pátria brasileira e do valor de sua gente. Os alicerces de sua obra descansam sobre a rocha matriz do Romantismo Brasileiro; dessa forma, há nela certo exagero dramático, vida e morte, paixão e ódio, mas também muito talento.

            A trama de O guarani, publicada por José de Alencar em 1857, conta uma história de amor ambientada no século XVII entre um indígena e a filha de um próspero colonizador português. Cecília (Ceci) é filha de D. Antonio Mariz (personagem inspirada em um dos fundadores do Rio de Janeiro). Em sua propriedade fortificada no alto de uma colina, vivem sua família, aventureiros, fidalgos e mercenários. A família de D. Antonio é composta pela esposa D. Lauriana, a bela filha Ceci, o filho D. Diogo e a filha mestiça Isabel, que D. Antonio teve com uma indígena.

            Peri é um índio goitacá inteligente e destemido que salvou Ceci de um ataque indígena e que, como missão de vida, se incumbiu da proteção dela. Na propriedade residem homens de má índole que não demoram a observar os dotes de Cecília. Isabel é apaixonada por Álvaro, capanga de D. Antonio, que por sua vez é apaixonado por Ceci, mas ela não o corresponde. Peri tem uma paixão platônica por Ceci. D. Lauriana se irrita com a presença do "selvagem" na propriedade, porém D. Antonio tem simpatia pelo indígena e o considera útil. D. Diogo sai para caçar e, não intencionalmente, mata uma indígena aymoré, isso se torna o estopim de um conflito feroz entre a tribo Aymoré e a família de colonizadores.

            O livro evidencia a fase nacionalista do Romantismo brasileiro, com forte influência europeia, mas é importante notar que Peri é mais um símbolo cavalheiresco do que uma representação realista do indígena. Mesmo assim, a obra prende o leitor do início ao fim, com cenas de ação, amor e tragédia que fazem jus ao talento de Alencar. Se você só leu O guarani na escola, vale a pena relê-lo agora, a experiência é completamente outra.

Sugestão de boa leitura:
Título: O guarani.
Autor: José de Alencar.
Editora: La Fonte, 2022, 304 p.

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