Powered By Blogger

quarta-feira, 9 de março de 2011

Em TEMPO, sobre o TEMPO!


http://www.public-domain-photos.com/
Sempre que o final de um ano se avizinha as pessoas comentam a celeridade com que o TEMPO passou (“o TEMPO voou”, “nem bem o ano começou, quando vi estava terminando”), há inclusive aqueles que afirmam que de algumas décadas para cá o TEMPO passa mais rápido que no passado, pois segundo estes “os dias eram mais longos”! E pessoas idosas confirmam o veredicto. Eu também tive esta impressão, pois para mim, começou o ano de 2010 e junto com ele comecei a correr, mas ele foi tão rápido que muitas vezes pensei não ter fôlego para acompanhá-lo! Acredito que não são poucos os que também tiveram essa impressão! Sabemos que o TEMPO é algo muito difícil de explicar e que varia de pessoa para pessoa, de uma cultura para outra e de uma sociedade para outra em virtude do... TEMPO! Enfim, explicar o que vem a ser o TEMPO envolveria sérias discussões filosóficas e que eu por não ter TEMPO prefiro evitar a incursão nessa seara, pois confesso não me preparei lendo obras de referência a TEMPO!
            Certa vez resolvi comprar um livro sobre a Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein, isso foi no TEMPO em que cursava Geografia na Universidade em Guarapuava-PR e o fiz diretamente do vendedor, um viajante já idoso e que supus estar nessa lida de viajar e vender livros pelas Universidades há muito TEMPO! Expliquei-lhe que não era como ele pensara um estudante de Matemática ou Física, mas sim de Geografia e que apenas tinha curiosidade e uma ingênua vontade de entender a famosa teoria. Até me formar, nos anos seguintes, de TEMPOs em TEMPOs encontrei o vendedor idoso expondo seus livros e este sempre se dirigia a mim oferecendo livros da área de Matemática e Física, pois lembrava sempre que havia comprado em  TEMPOs passados o livro da famosa teoria. Eu achava aquilo engraçado, deveria ter-lhe explicado que era meio maluco ou estava querendo ficar! Como vida de acadêmico é corrida, me dirigia rapidamente para a sala, pois não havia TEMPO a perder e além disso fiquei com medo de insistir na leitura do tal livro que apesar de indicado para leigos, ainda assim me senti com dois neurônios e ambos dando “TILT” quando percebi que não conseguia compreender e que se insistisse por mais TEMPO meus neurônios acabariam por se suicidar e aí adeus canudo! Passei então a dedicar-me às disciplinas do curso! Nos últimos dias de Universidade, passei algum TEMPO no barzinho com os colegas formandos e também com os amigos que ainda iriam labutar mais um TEMPO! (estudantes não façam isso, estudem!) Após a formatura comecei a pensar sobre o que fazer do TEMPO que pensara ser imenso pela frente!
http://www.public-domain-photos.com/
            A verdade é que me preocupei desnecessariamente, o TEMPO se encarregou de preencher todo o TEMPO de que dispunha, tornei-me professor e professor mesmo em férias a cada 50 minutos pensa que está na hora de trocar de sala de aula. Casei, tornei-me pai, plantei árvores e estou escrevendo dois livros e não consigo concluir nenhum por falta de TEMPO, espero concluir pelo menos um ou não serei uma pessoa verdadeiramente realizada segundo um pensador que há algum TEMPO li. Conheço pessoas que afirmam que o TEMPO foi seu adversário, pois sentem saudades do TEMPO de juventude, penso estarem equivocadas, pois em sendo o TEMPO da vida uma viagem inevitável, melhor ocupar a direção determinando o rumo da vida e apreciando a paisagem das suas escolhas  a sentar-se no banco de trás e a lamentar que o TEMPO não o levou por outros caminhos ou ainda passar o TEMPO viajando no porta-malas por vontade própria com uma venda nos olhos privando-se assim do essencial, pois o que realmente importa não é a posição que chegamos na linha de chegada, mas sim o grau de percepção da paisagem que descortinamos pelo caminho!

http://www.public-domain-photos.com/

Em TEMPO, é madrugada e era TEMPO de estar dormindo, mas bateu-me a insônia e assim resolvi passar o TEMPO escrevendo estas linhas e posso dizer que ainda pretendo ler o referido livro assim que tiver TEMPO, talvez na aposentadoria, pois por ora preciso manter-me lúcido para continuar a lecionar, tenho ainda 15 anos pela frente! É muito TEMPO para que eu enfim, possa ter TEMPO!  Isso se nesse “meio TEMPO”  não mudarem as regras para a aposentadoria! Há algum TEMPO li que Einstein desejava estudar Geografia e desistiu ao considerar muito difícil, isso me redimiu, posso até se desejar, desistir de ler o livro, afinal... Empatamos! (rsrsrs...)

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Boas Festas e um feliz e próspero Ano Novo!

Neste mês (Dezembro) estamos republicando artigos anteriores embora inéditos neste endereço, breve estaremos escrevendo novos artigos. Leia e opine sua participação é importante!

A Vista de Meu Ponto! Temas atuais tratados sempre de forma crítica e independente!

Boas Festas e um feliz e próspero Ano Novo!

Osnélio.

Terceiro mandato: A oposição não dorme de touca!

A imprensa tem dado um enfoque muito grande à possibilidade de mudança nas regras do jogo, explico melhor, a atual legislação não permite um terceiro mandato, muito embora alguns políticos afirmem que ela não é clara quanto a tal impossibilidade, há dentro do Partido dos Trabalhadores (PT) vários representantes que defendem o terceiro mandato para o presidente Lula, estes o fazem embalados pelos altos índices de popularidade e de aprovação do Governo. A oposição juntamente com certos setores da elite não tem dormido direito ao pensar na possibilidade de uma consulta junto à população via plebiscito sobre tal intento, pois, já entendeu que bater no presidente não o derruba de sua elevada popularidade. Tal popularidade se deve à melhoria da qualidade de vida para a população mais pobre através dos programas sociais de distribuição de renda e a percepção por parte de pessoas de classes mais favorecidas de que o país vem melhorando de forma continuada, além do carisma próprio do presidente construído em sua longa carreira política. É o típico caso do feitiço que virou contra o feiticeiro, FHC fez aprovar uma virada de mesa em benefício próprio o que tornou possível sua reeleição em 1998 com denúncias não apuradas de compra de votos. Aproveitando-se de tal expediente aberto por FHC, Lula se reelegeu em 2006 e agora a oposição teme que o governo do PT siga seu próprio mau exemplo, mudando as regras em benefício próprio. O próprio presidente afirmou várias vezes que não tem tal pretensão e que a troca de mandatário é boa para a democracia, apesar de demonstrar gostar que o povo peça sua permanência (massagem no ego) não há nas ações do mesmo nada que aponte neste sentido, mas, a oposição amargando oito anos fora do Poder não dorme mais de touca e faz barulho. Parte do barulho é feito pela grande imprensa, que quer afastar qualquer mínima possibilidade de um terceiro mandato ou continuidade de Lula no Poder, pois sabe que apesar de o partido ter alguns bons nomes, Lula é maior do que o PT. O governo trabalha para chegar aos 70% de aprovação o que aumenta a possibilidade de fazer seu sucessor, a oposição por sua vez procura destruir qualquer nome que o governo cogite lançar e sabe que o deve fazer o quanto antes. Apesar da melhora das condições econômicas do país e de achar que Lula faz um bom governo, acredito que o mesmo não mancharia sua biografia a exemplo de FHC, e particularmente, sou contra tal expediente por considerar que o mesmo fere os princípios democráticos e pode se tornar futuramente um problema, pois permite o continuísmo, que certamente seria extendido a governadores e prefeitos. A continuidade de um bom governo não pode abrir espaço para um risco tão grande, assim, é melhor e mais democrático que a continuidade se faça através de um sucessor eleito pela vontade do povo, se esta for a vontade do mesmo. O governo tem dado elogios ao trabalho de Dilma Rousseff frente às obras do PAC, a oposição precavida bate firmemente em Dilma no caso do episódio do Dossiê FHC, cobrando a autoria da criação do dossiê, afirmando que o povo brasileiro quer saber quem o fez, acredito que a pergunta que o povo quer respondida é que dados (gastos) são estes que constam em tal dossiê? Se como já foi afirmado pelas autoridades, os dados não são mais sigilosos, por que não abrir uma discussão sobre os mesmos? Depois de Deputados proporem o auxílio funeral, ou seja, mordomias para o Além, certamente, nada mais surpreenderia a população, que se acostumou a esperar da classe política os piores exemplos, salvo raras exceções.

A difícil missão da Educação

Acostumamo-nos com as notícias nos meios de comunicação retratando a crise na Educação, tais notícias tratam de temas como a evasão escolar, repetências, aprovações sem apropriação dos conhecimentos básicos, jovens formados semi-analfabetos.  Não pretendo fazer um diagnóstico do ensino brasileiro até por que não tenho espaço e mesmo conhecimento suficiente para tal! Assim, vou escrever algumas linhas a respeito do que humildemente penso! Para entender o que aconteceu, precisamos voltar um pouco no tempo, a escola pública já possuiu um status de qualidade bem melhor. O que aconteceu então? No passado, a Escola pública era elitista, grande parte do povo pobre não tinha acesso à mesma e outra parte era excluída no processo, assim, se formava somente quem atingia os critérios exigidos, os quais eram mais rigorosos que atualmente. Além disso, havia respeito pela figura do Professor por parte dos alunos, pais, enfim, de toda a sociedade! Ter um filho Professor era motivo de orgulho para os pais! Hoje, já não é assim! Certa vez, no início de minha carreira, minha Mãe comentou as profissões dos filhos com uma amiga e esta ao ouvir que eu era Professor, afirmou: “Mas ele tem estudo, com o tempo arranja uma coisa melhor”! Mais triste que os baixos salários são a falta de valorização e reconhecimento da sociedade para uma classe extremamente necessária e valiosa em qualquer país, afinal, sem o professor, não se formam o médico, o advogado, o engenheiro, o arquiteto, o farmacêutico, o agrônomo, o político, etc. Talvez, na formação deste último, esteja a nossa grande culpa! Já houve quem falasse em “qualidade total” em Educação, ora, isto é uma bobagem! Na Educação trabalhamos com seres humanos e não com mercadorias e a Educação é um processo em contínuo andamento, sem fim, portanto! Penso também que a crise é salutar para a Educação, pois é nas crises que buscamos as respostas para as indagações que nos afligem! A ausência de crise leva ao comodismo! Porém, isto não quer dizer que sejamos masoquistas! Os profissionais engajados na Educação lutam ardorosamente por dias melhores não somente para a Educação, como para todo o País. A verdade é que a missão do Professor é dificílima! Conversei com uma Pedagoga e ela em sua preocupação com os rumos da Educação fazia o seguinte questionamento: “Precisamos ensinar, porém, não o conseguimos fazer a quem não deseja aprender! Por outro lado, o Estado cobra bons índices de aprovação, mas muitos alunos não atingem os requisitos necessários para tal, e  mesmo que a aprovação por si só não basta ao Estado, é preciso que haja qualidade na formação”! O problema é que muita gente pensa que os problemas de aprendizagem se resumem ao fazer escolar, mas há outras situações que interferem, tais como famílias desestruturadas, desemprego dos pais, miséria, falta de sonhos, violência, drogas, etc. No Brasil, há o costume de achar um culpado para o caos para isentar os demais, quando na verdade, ele é a soma de vários equívocos cometidos por agentes diversos! A crise da Educação é a crise da Sociedade, esta sociedade que exclui, condena milhões à miséria, que semeia a violência nos lares e que se faz refletir no âmbito escolar. A crise da Educação se alimenta da falta de sonhos, os quais foram podados pela sociedade que se deixou construir! Precisamos formar políticos melhores, mas, sobretudo, cidadãos que saibam cobrar e tirar do poder os políticos que não estiverem trabalhando para construir a sociedade que permita às nossas crianças o direito de sonhar!

A HISTERIA DA ELITE

         Saíram na imprensa nacional algumas reportagens sobre a educação que merecem algumas considerações. Tais reportagens criticam os livros didáticos, acusando-os de terem uma linha de esquerda, marxista, e que, portanto estariam fazendo apologia ao socialismo. Numa destas reportagens cita uma ONG que defende o ensino “neutro”! Ora, neutralidade científica não existe, toda criação literária ou didática é ideológica, seja de esquerda ou de direita. A pretendida neutralidade é também um discurso de direita, uma vez que favorece a classe privilegiada, ou seja, a elite. A verdade é que se tais livros tivessem um posicionamento de direita, ou seja, se o discurso de tais obras fosse neoliberal, a grande imprensa não teria se posicionado, uma vez que sua única preocupação é defender o livre mercado, o Estado mínimo, e de preferência, um certo controle mesmo que indireto sobre este último. E para esta defesa consideram perigosas, obras que mostram que o capitalismo é sim um sistema injusto, que se alimenta da desigualdade social. O professor não é um doutrinador, e até mesmo se fosse, não alcançaria os resultados esperados, uma vez que a televisão ao propagar a todo o momento o “American way of life” obtém melhores resultados. Acredito ainda ser muito mais preocupante a péssima qualidade de muitos programas de TV que além de mau gosto, apresentam sérias distorções informacionais e éticas com objetivo ideológico. Certa vez li que “a elite brasileira é a melhor do mundo, pois uma minoria conseguia dominar uma imensa massa de excluídos e ditar os rumos do país”! Entendo que o momento atual com a eleição, reeleição de Lula, Chavez na Venezuela e Morales na Bolívia preocupem a elite, pois de certa forma, o controle sobre os rumos do país já não é tão absoluto, porém, a censura que ora se pretende fazer a obras didáticas tem um cheiro de Índex, ou seja, o livro que registrava as obras proibidas aos católicos, sendo que importantes obras e cientistas foram proibidos, acontece que não vivemos mais na Idade Média, e está na hora de parte da elite se atualizar, digo isso por que acredito que parte dela tem uma cabeça mais aberta e entende que se o capitalismo é hegemônico, para sua análise Marx é fundamental. Mesmo o mais ferrenho defensor do capitalismo, ao se despir de seus pré-conceitos e analisar a obra de Marx o considerará genial, pois uma coisa é a obra de Marx, outra o Capitalismo de Estado da ex-URSS, China, etc. Enquanto professores, desejamos sim formar cidadãos conscientes, críticos, assim sendo, não os doutrinamos, nem mesmo os autores dos livros intencionalmente o fazem, uma vez que apenas mostram certas verdades embaraçosas para os neoliberais de plantão, os quais reagem erguendo o tom da voz. É verdade que nossos salários tiveram perda de poder aquisitivo com o passar do tempo, mas a nossa solidarização com os excluídos não ocorre por causa disso e sim porque ao trabalhar com o povo, as mazelas sociais deste nos ferem a alma. E concluo dizendo que não aceitamos censura sobre o nosso trabalho, até porque para emitir parecer técnico sobre trabalho médico é necessário ser médico, assim para fazer uma discussão fundamentada sobre a educação é necessário ser Educador. A Educação não é uma coisa à toa, ela obedece a diretrizes, normas, e enquanto um governo trabalha a serviço do povo é a serviço do povo que a Educação deve estar e não em conformidade com os interesses de uma minoria.

A POBREZA E A política

            Estamos em ano eleitoral, daqui há alguns meses estaremos escolhendo  Presidente, senadores, deputados estaduais e federais. Questiono-me: qual a porcentagem dos brasileiros que ainda lembram em qual deputado (estadual e federal) votaram? Qual o nível de satisfação com a atuação de seus representantes na Assembléia Legislativa e no Congresso Nacional?
 Certo, os problemas estaduais e nacionais são muitos e ninguém que tenha um pouco de conhecimento há de esperar que em quatro anos sejam resolvidos, aliás esse é um grande mal do brasileiro, o “imediatismo”, a verdade é que não há mágica, temos um longo caminho a trilhar, apesar de que algum tempo atrás um certo candidato a presidência prometeu colocar o Brasil no Primeiro Mundo em 5 anos e muita gente acreditou, não os condeno o marketing era bom e havia o apoio do mais importante meio de comunicação de massa do país.
            Somos hoje o quinto pior país do mundo em distribuição de renda (já fomos o pior!) e segundo a ONU neste andar da carruagem somente em 2310 teremos uma distribuição de renda comparável aos países desenvolvidos. Pensar em sermos país desenvolvido até o final do século XXI não é de todo impossível (embora difícil), mas precisaremos avançar muito nas políticas sociais e não estou falando de assistencialismo que minora mas não resolve o problema. Há vários séculos atrás, Confúcio, filósofo chinês, já afirmava: “Se alguém te pede um peixe, ensine-o a pescar, pois, se você der um peixe o terá alimentado por um dia. Se você ensiná-lo a pescar, o terá alimentado pela vida inteira”. Precisamos gerar empregos, aumentar o poder aquisitivo do trabalhador, reduzir a carga tributária, reduzir a desigualdade social (vergonha nacional), combater o analfabetismo, aumentar a média de escolaridade, melhorar e muito o nosso Sistema Único de Saúde e, a não ser que o Brasil prove o contrário, precisamos investir de fato em Educação e Ciência, pois nenhum país do mundo até hoje, se tornou desenvolvido sem que fizesse pesados investimentos nesta área.
Enquanto o cenário é o que vemos, o Governo Federal acerta em não deixar o paciente morrer, mas é necessário tirá-lo da UTI, pois, ter meios de ganhar o próprio pão é mais dignificante para qualquer pessoa e está comprovado: a redução da miséria traz consigo a redução da violência.
Nós brasileiros, precisamos participar mais da vida política do país. O nosso dever ou seria direito? não se encerra na cabine de votação!  Aprender a não acreditar em promessas fantasiosas e principalmente cobrar as promessas feitas. Devemos lembrar sempre que a pessoa eleita não é o patrão do povo e sim seu empregado e como sabemos empregado que não cumpre bem com suas funções fica desempregado, mesmo que leve quatro anos para isto.
Muitos políticos não gostam de serem cobrados, acham inconveniente o eleitor que exige o cumprimento das promessas. Há políticos que realizam obras apenas em ano eleitoral, devem pensar que o povo tem memória curta e não se lembrarão das obras realizadas durante o mandato e é possível que tenham razão afinal muitos se reelegem sem que tenham feito um bom trabalho. Enquanto quem está no poder deixa as realizações para o último ano, há sempre a oposição que procura barrar orçamentos, impor dificuldades para a realização de obras, pois trata-se de um “pacote eleitoreiro”, é até possível que muitas vezes isto seja verdade, mas onde está escrito que quem foi eleito deve governar três e não quatro anos? E que pensar de um certo deputado que afirmou que “político ganha mal no Brasil” quando grande parte dos trabalhadores ganha salário mínimo?
Para alguns políticos, a perpetuação da miséria não é de todo ruim, aliás, é  algo bom, porque quem está passando necessidade, é sempre mais fácil de ser manipulado, como exigir criticidade de quem passa fome diante da oferta de uma cesta básica?
As mulheres ainda pouco participam na carreira política, lamentavelmente, pois, acredito que com uma maior participação destas haveria menos corrupção e mais investimentos em educação e saúde, pois são estas as primeiras a saber a importância de um bom atendimento escolar e médico a seus filhos. As mulheres certamente transformariam a política, mas por gerações ficaram relegadas a um papel de submissão e um certo tempo ainda será necessário.
Precisamos de pessoas (homens ou mulheres) que incomodem e não se acomodem..., já dizia Bertolt Brecht: “O pior analfabeto é o analfabeto político. (...) ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão...dependem de decisões políticas..., (...) o analfabeto político é tão burro que estufa o peito, dizendo que odeia a política... ”
Vivemos uma época de incertezas, o socialismo ruiu, também o Estado de bem-estar social (Welfare State) e vemos o avanço do neoliberalismo (e a conseqüente perda de direitos trabalhistas) e da Globalização (e aumento da desigualdade entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos).Paira no ar, um clima de preocupação (talvez, exagerada) com a maior economia do planeta, os Estados Unidos, uma crise econômica grave por lá seria uma hecatombe mundial e sepultaria nossos sonhos de chegarmos ao final do século XXI numa posição razoável no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), atualmente, estamos atrás do  Chile, Argentina, Uruguai, Venezuela...
Em tempo, uma boa leitura é o livro de Pedro Demo “Pobreza Política”, segundo ele a mais grave de todas as pobrezas é a da pessoa privada de sua cidadania, que vive em estado de manipulação, ou destituída da consciência de sua opressão, ou coibida de se organizar em defesa de seus direitos.

A violência como espetáculo

            Vivemos um momento que, para alguns, sugere que a sociedade está em profunda crise, crimes hediondos cometidos nos mais diversos cantos do planeta, são mostrados pelos meios de comunicação como parte do espetáculo que a sociedade da informação, ou seja, a sociedade atual produz.
             O caso Isabella no Brasil e, na Áustria, o pai que aprisionou e estuprou sua filha por mais de duas décadas, nos levam a refletir que sociedade é esta que estamos construindo? Será que a humanidade na busca do conhecimento e da riqueza para alguns, o que para outros nunca passou da mera sobrevivência, perdeu o rumo?
        Sabemos que a sociedade é dinâmica, se transforma a todo o momento, e não poderíamos querer que se mantivesse igual! O conhecimento, o modo de viver, enfim, a própria cultura evolui. Há quem diga que a sociedade atual perdeu os valores morais, éticos, fala-se em crise da família, da Igreja, da sociedade... Estão errados? Não! E sim! Acredito que a crise da família é o gatilho que impulsiona as demais crises, mas, é importante que se diga que vivemos a sociedade – espetáculo, tudo o que acontece, passa na mídia, o bom e o ruim, principalmente este último.
            Assim a mídia faz uma exaustiva exploração de temas que chocam as pessoas, pois atraem audiência, o “combustível” da TV aberta, e o termo é exaustiva mesmo, pois, muitas pessoas não agüentam mais ligar a TV e ver as mesmas manchetes. Sabemos que o que é divulgado pelos meios de comunicação não significa a enésima parte do que ocorre anonimamente no Brasil e no Mundo.
            Tais crimes emocionam as pessoas e não raro surgem aquelas que defendem a Pena Capital como solução! Compreendo as pessoas que fazem a defesa da mesma, motivos para a indignação, não faltam! Porém, sou contrário à idéia da Pena de Morte, pois alguns estados americanos a adotam e uma pesquisa mostrou que os condenados à mesma, eram na maioria negros e latino-americanos pobres, sendo que apenas uma vez um branco rico, foi executado!
            No Brasil, acredito que os pobres não teriam as mesmas condições para a defesa que os ricos! Além disso, no caso da Pena de Morte, os custos judiciais são altíssimos e há a necessidade do processo se arrastar por vários anos para assegurar a necessária defesa, o que aumenta o desgaste emocional da sociedade. Pesquisas mostram que a adoção da pena capital em alguns estados americanos não os faz menos violentos do que outros que não a adotam!
      Ainda, utilizando os Estados Unidos da América, como exemplo, o que reduz a criminalidade é a certeza da punição! O programa de segurança pública de Nova Iorque, intitulado, segundo artigo que li “tolerância zero” é uma mostra disso! Precisamos, portanto de melhores condições de trabalho, treinamento e melhores salários para os profissionais que fazem a segurança pública, a contratação de um número maior de juízes e promotores para agilizar o andamento dos processos criminais, pois, a lerdeza dos trâmites no judiciário, é motivo de alegria para aqueles que têm dívidas para com a sociedade.
       Enfim, humanista que sou, considero a Pena de Morte um absurdo, e penso que ninguém sendo religioso, pode ser a favor da mesma, assim, acredito na frase cuja autoria não recordo: “educai os jovens e não precisarás punir os adultos”. Além disso, discutir a Pena Capital, é trabalhar nas consequências e não nas causas, é preciso trabalhar na prevenção: Inclusão social, Educação, e lógico, no fim da impunidade!