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domingo, 24 de junho de 2012

A escrita como um campo de lutas – parte 1




      Nada mais indissociável da escrita do que a leitura, mesmo o maior dos gênios da humanidade sem o auxílio da leitura de obras de autores que o precederam nada seria, dessa forma faz todo o sentido a frase: "Gigantes são os mestres nos ombros dos quais eu me elevei." (ISAAC NEWTON (1642 - 1727), físico, astrônomo e matemático inglês). A verdade é que sem a incrível capacidade do ser humano de repassar o conhecimento para as gerações seguintes a humanidade permaneceria estacionada na idade da pedra lascada, habitando cavernas e comendo carne crua. Costumo falar aos educandos que sem o “inventor da escola”  (o qual alguns planejavam matar se o encontrassem! (risos)) esse seria o destino da humanidade.
           Todo professor vê em cada ex-aluno um pouquinho de si e carrega deste um pouco consigo, ensinamos muito, mas aprendemos também, a interação é muitas vezes dolorosa, mas gratificante como poucas profissões. Todo ex-aluno carrega dentro de si ecos de palavras de incentivo e inevitavelmente também de descrença de professores em sua capacidade e reage diferentemente, tive professores que me incentivaram a ler e a escrever e fiz disso um passatempo prazeroso. Também recebi palavras de desconfiança sobre a autoria de alguns trabalhos que fiz quando estudante e carrego comigo a lição: o meu educando pode sim ser acima da média por mim esperada, coisa que alguns professores que tive ignoraram. Com o tempo percebi que a desconfiança na autoria daqueles artigos é porque estes foram considerados muito bons e passei a considerar aquelas situações que me chatearam como elogios.
          As pessoas podem ter determinados dons naturais, mas isto não os dispensa da tarefa de aprimorá-los, certa vez ouvi que minha forma de escrever era muito poética, no entanto como amante da poesia que sou, tomei como elogio aquilo que estava sendo colocado num sentido negativo, não acho que ser excessivamente técnico e fazer uma escrita burocrática e fria traga prazer a quem lê. Também ouvi várias vezes que quem lê demais se torna uma pessoa sem idéia própria e fica apenas citando o que outros escreveram, penso e não estou enganado neste sentido que quem lê organiza seu pensamento e o constrói a partir da construção de outro, ou seja, vai além do senso comum. Se não houvesse a possibilidade da leitura estaríamos confinados na Pré-história.
            Escreve bem quem lê bastante e o faz com obras de boa qualidade, um povo culto é a pedra angular para um país desenvolvido e sustentáculo da democracia, da liberdade de expressão e da intolerância frente à corrupção, a miséria, a fome, enfim,  o subdesenvolvimento, verdadeira praga no seio da humanidade. Um povo culto lê, escreve, debate e se interessa pelas questões locais, nacionais e mundiais. Por mais que seu ofício seja de apertar ou vender parafusos, isso não o exime da necessidade enquanto ser humano de ser sempre melhor. E melhor nos tornamos entrando em contato com a genialidade das pessoas que escrevem obras para matar a fome da alma daqueles que têm ânsia de conhecer e que buscam na leitura viajar sem sair do lugar onde estão!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Soprando a poeira!

Dentro de alguns dias completarei quatro anos à frente do espaço “A Vista de Meu Ponto!” e, posso dizer ao fazer um balanço que é com grata satisfação que chego à constatação de ter colhido mais elogios do que críticas, no entanto, elogios e críticas são úteis, pois, se os elogios nos dão o estímulo para continuar, as críticas nos apontam direções as quais após reflexão podemos ou não tomar. Lembro-me daquele Maio de 2008, em que após muito pensar resolvi criar o blog, tinha vontade de conversar sobre temas que as pessoas torciam o nariz nas conversas informais e também queria fazer um contraponto à importantes figurões da grande mídia. Lógico que sabia o meu lugar no mundo e que o alcance de minhas reflexões e questionamentos jamais chegaria a tal patamar, mas eu precisava mostrar mesmo que para poucos que certa revista não era a “bíblia” da notícia, que nela crer com uma fé inabalável cheirava à Idade Média. Nessa revista havia um colunista que após anos lendo seus artigos, lembro-me que UMA vez eu concordei com a sua argumentação e o estranho é que não lembro qual a temática que uma vez nos uniu, talvez não tenha ido além do senso comum. Outro fator que me levou a escrever foi o Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE) do Governo do Paraná, do qual fiz parte já na sua primeira edição, aliás, através do PDE me senti motivado a escrever, a perder o medo de participar de debates e de auxiliar na condução de cursos de formação. Também contribuiu para tal as minhas leituras, penso que uma pessoa é como um dínamo que vai carregando a bateria da máquina, como sabemos há a necessidade da liberação dessa energia, assim, buscar a luz é uma obrigação, mas, também o é repassá-la para os outros. Algumas pessoas têm me abordado e elogiando os artigos, afirmam que os levo a pensar, fico muito feliz com isso, pois, como o próprio nome da coluna já afirma, é a minha visão das coisas e não a verdade suprema, e também não tenho outra intenção que não a de provocar a reflexão. Uma professora de outro município, por e-mail, deu-me os parabéns pelos artigos e elogiou-me pela coragem ao publicá-los, pensei: por que coragem? E após alguma reflexão cheguei à constatação que tal como o prego que se destaca leva martelada, ser discreto e não chamar a atenção conduz a uma vida mais simples e tranqüila. Quem expõe seu pensamento está sujeito a ganhar simpatizantes de um lado e opositores de outro, também está sujeito a ganhar rótulos como o de radical, por que para algumas pessoas qualquer um que defenda posições em contrariedade ao que estas pensam é um radical. Radical vem de raiz, penso que ir à raiz dos fatos é um bom início para uma reflexão e discussão de uma determinada temática. Acontece que muitas vezes a colocação de radical se faz na forma de adjetivo, ou seja, se rotula a pessoa tal como arrogante, prepotente, “ditador” de idéias, etc. Como já o afirmou o Príncipe Philip, duque de Edimburgo, consorte da rainha Elizabeth: “É impossível soprar a poeira sem que um bom número de pessoas comece a tossir”, sabemos que muitas questões não se resolvem pela observância do certo ou errado, mas pelo aspecto moral e ético, ou seja, ideológico, assim, muitas vezes agradamos parte de nossos leitores e desagradamos outro tanto, mas, continuaremos a cumprir nosso papel, soprando a poeira enquanto a saúde nos permitir e a observação nos mostrar que estamos contribuindo mesmo que minimamente para a reflexão sempre com vistas a uma sociedade mais justa, solidária e fraterna.

Pão, pão! Queijo, queijo!

           
             Era o mês de julho de 2011, mais especificamente às 15 horas do dia 8, encontrava-me numa clínica em Curitiba, tendo pela frente uma cirurgia oftálmica; na parte da manhã deixei no mural de recados na sala do curso de formação político sindical que fazia, a seguinte mensagem: “Amigos: Obrigado pela força! Espero “vê-los” em breve!” (risos). E de fato, apesar do erro de ver alguns dias antes no site You Tube como a cirurgia é feita, estava muito confiante, pois, após ter muito hesitado estava convencido dos avanços da medicina oftalmológica, e, até havia escolhido na antevéspera um livro leve para ler após a recuperação (que eu sabia era questão de alguns pares de horas) que tinha por título “Quem mexeu no meu queijo?”. 
        Os leitores que fazem parte da Educação com certeza já assistiram o vídeo que pode ser acessado no referido site, trata-se da história de quatro personagens, dois ratos e dois humanos, sendo estes últimos do tamanho dos roedores e leva à reflexão sobre a necessidade de observar o ambiente à procura de mudanças e adaptar-se rapidamente a elas, pois muitas vezes as coisas mudam e nunca mais serão as mesmas. Como grande parte das pessoas tem medo de mudanças e têm em si cristalizada a ideia de que mudança é algo ruim, ficam paralisadas num momento em que deviam agir. O medo pode ser algo bom quando evita que a pessoa corra perigos, porém, não pode ser um medo paralisante que a impeça de se movimentar em busca de novos horizontes, para que uma vez vencido o medo, se torne verdadeiramente livre. Trata-se de uma obra que convida à reflexão e que nos provoca a todo o momento a descobrir em qual personagem nos encaixamos, ou seja, percebemos instintivamente as mudanças? Adaptamo-nos rapidamente? Somos resistentes às mudanças? Somos capazes de sacrificar o conforto atual em busca de uma recompensa maior, mas para a qual não há garantia da conquista? 
        O livro nos instiga a procurar um “novo queijo”, que podemos interpretar como “novos horizontes” ele coloca que este “novo queijo” pode estar em outro lugar ou onde você está, bastando que você mude, para que as coisas mudem, pois, se você está fazendo algo da mesma forma há anos, com certeza não obterá resultados diferentes daqueles habituais. “O maior obstáculo à mudança está dentro de você mesmo e nada muda até você mudar”, assim, o “novo queijo” pode estar em seu atual ambiente de trabalho, bastando que você mude comportamentos improdutivos, ou em outro lugar, outra empresa ou quem sabe abrindo um negócio próprio. Também se refere aos relacionamentos em que o “novo queijo” não necessariamente é um(a) novo(a) companheiro(a), mas uma nova postura quanto a este relacionamento. Segundo o livro há pessoas que nunca mudam e pagam um preço alto por isso, pois elas pensam que não precisam mudar e têm como certa a recompensa de seu “merecido queijo”, são estas pessoas que se irritam se algo acontece e repentinamente ficam sem “queijo”. 
           A obra é um convite à reflexão, mas, não espere nela encontrar respostas para suas questões existenciais, para estas siga sua intuição, leia-a, ela pode ajudar a tornar claros alguns de seus anseios mais profundos, porém, saiba, nem o autor do livro e nem eu temos qualquer responsabilidade por suas decisões, por isto o título: Pão, pão! Queijo, queijo! Uma coisa é uma coisa! Outra coisa é outra coisa! ATENÇÃO: A leitura desse livro, apesar de leve, traz o inconveniente de causar água na boca! (risos) 

Sugestão de boa leitura:

JOHNSON, Spencer. Quem mexeu no meu queijo? Rio de Janeiro, Editora Record, 2010.

domingo, 6 de maio de 2012

Os Órfãos e o Filho Pródigo

    Aos 28 anos de idade, naquele fatídico dia 9 de Novembro de 1989 ele se foi para nunca mais. Falo acerca do Muro de Berlim que separava a capitalista Berlim Ocidental (República Federativa da Alemanha ou Alemanha Ocidental) da socialista Berlim Oriental (República Democrática da Alemanha ou Alemanha Oriental). O muro de Berlim mais do que a separação de uma cidade em duas partes, simbolizava a divisão bipolar do mundo (capitalismo x socialismo) liderada por EUA (capitalista) e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (socialista). 
        Era o maior símbolo da Guerra Fria (1945-1991) que ruiria por completo com o fim da URSS em 1991. Muitos aclamaram aquele momento histórico como o início de uma nova era, onde enfim haveria paz, sendo que a fome, a miséria e o analfabetismo seriam erradicados do planeta e a prosperidade seria levada aos mais longínquos rincões deste planeta. 
        Mas (sempre há um mas!), o mundo não se tornou mais seguro, a violência ainda prolifera, bem como as guerras e a onipresença de um inimigo silencioso chamado terrorismo. No campo da alimentação, nunca se produziu tanto alimento e apesar disso a fome permanece, é que alimento é mercadoria e quem tem mercadoria quer vender, o problema é que há pessoas que precisam do alimento mas não têm dinheiro para pagar por ele. 
        Na área da educação, em muitos países, o analfabetismo (sobrevivente da Guerra Fria) faz parceria com o analfabetismo funcional produzido com a política de baixo investimento em educação via neoliberalismo e engordado com a política de resultados (mera estatística publicitária) em que mais importante que a boa qualidade da formação é a quantidade de formados para compor a multidão de excluídos na vida.
        A era de progresso para toda a humanidade não passava de ilusão nas mentes ingênuas de boa parte da população e jamais chegará. O Capitalismo por muitos considerados a única alternativa após o fim do socialismo real vide queda do muro de Berlim vive a mais severa crise desde 1929, porém, esta crise é mais complexa, pois é econômica, política, social (civilizacional) e ambiental. 
       Há na sociedade, muitas pessoas que preocupados com o destino do Titanic que se tornou o sistema econômico mundial abalroado pelo iceberg imobiliário estadunidense se vê à beira de um abismo, não podendo retornar, pois todas as pontes e viadutos na estrada percorrida desabaram por falta de manutenção e o caminho alternativo (socialismo real) não existe mais com o fim da URSS e do socialismo no leste europeu. Essa geração de pensadores anônimos e intelectuais notórios se sente órfã da única experiência alternativa ao capitalismo, o socialismo que ruiu prematuramente ante a estratégia estadunidense via corrida armamentista para determinar seu ocaso. 
     Além de órfãos, assistem passivamente as farras do Filho Pródigo (Capital) que se aventura na jogatina do Mercado, buscando os prazeres mundanos que o dinheiro (seu e alheio) proporciona e que em tempos de vacas gordas privatiza os lucros para uma minoria deixando aos seus irmãos de sangue o mero sobreviver à custa de muito trabalho e pouco resultado, para em tempos de vacas magras e após torrar todos os recursos nas mais inimagináveis orgias financeiras, retornar, não com a humildade que a ocasião exigiria, mas com a arrogância que lhe é própria, determinando que o Pai (Estado) cubra os cheques sem fundos e salde todas as dívidas contraídas por ocasião das festanças. 
        Ocorre que a volta do Filho Pródigo a que me refiro não é a da passagem bíblica, portanto, não é a volta de um filho que se perdeu, mas que retornou ao lar e ao bom caminho, mas de um filho ou irmão que vive os prazeres mundanos à custa de nosso sacrifício, pois, nós contribuintes através dos impostos fornecemos ao Estado o dinheiro para bancar a farra dos grandes capitalistas que somente reconhecem o valor do Estado nos momentos de vacas magras e que são cíclicas e rotineiras. 
    As crises cíclicas do capitalismo são de sua própria natureza e não algo externo, portanto demonstram que o mesmo está funcionando em sua “normalidade”. As crises do capitalismo são o momento da distribuição dos lucros para alguns e da socialização dos prejuízos para muitos, que o sistema espera sejam cobertos pelo Estado via mais impostos, menos Saúde, Educação, infraestrutura, etc. 
      Dói ver esse “Filho Pródigo” de maus costumes fazer festa com o dinheiro dos irmãos e o Pai (Estado) bancá-lo nos momentos de apuros, afirmando, talvez com razão, ser o melhor para todos, nesse momento sentimos o quanto somos órfãos de um outro mundo possível.

domingo, 29 de abril de 2012

Casa Grande e Senzala

No final do ano de 2011 o PIB do Brasil superou o PIB da Toda Poderosa Inglaterra e alcançou, portanto o sexto lugar entre as nações que mais produzem riquezas. O PIB é o Produto Interno Bruto, ou seja, a soma monetária dos bens e serviços finais produzidos por um país num prazo determinado que pode ser como no caso, anual (o ano de 2011). Não sabemos se o país manterá a posição conquistada, e nem mesmo se as projeções de que o Brasil futuramente se tornará a quinta potência econômica se confirmarão. No entanto, sabermos que o país no IDH 2011 (Índice de Desenvolvimento Humano) da ONU encontra-se apenas no 84º lugar atrás de países muito mais pobres faz com que coremos de vergonha. Seria melhor que não constássemos entre os 10 maiores PIB’s e estivéssemos entre os 10 países melhor colocados na lista de desenvolvimento humano. É o que acontece com a Noruega, o melhor país do mundo em IDH e cujo PIB (1/5 do PIB Brasileiro) encontra-se no 24º lugar (FMI 2011). Se acrescentarmos à análise a posição brasileira no Índice de Gini cujo coeficiente verifica a desigualdade na distribuição da renda de países, estados e municípios e os classifica num ranking, chegamos à constatação de que vivemos num país extremamente desigual, portanto, perversamente injusto. Somos o terceiro pior colocado segundo a ONU (2010). Há no Brasil um Apartheid¹ social, uma diminuta parcela da população (os 10% mais ricos) com nível de vida e renda que supera em apropriação da riqueza nacional a parcela correspondente nos demais países desenvolvidos e na outra ponta da corda, os 10% mais pobres, fadados à miséria e ao não recebimento de sua justa fatia no bolo da riqueza nacional e que não lhe permite uma sobrevivência digna. Durante a Ditadura Militar se tornou famosa a frase de um Ministro da Fazenda que sempre ao ser questionado sobre a desigualdade social afirmava: “É necessário fazer o bolo crescer para depois dividir!”, pois bem, o bolo cresceu, mas a divisão não ocorreu, pois, aos verdadeiros ricos (os 10%) no período se destinou aproximadamente a metade do bolo e migalhas aos 10% mais pobres. Após a criação do Plano Real e, sobretudo a partir do Governo Lula (2003 -2010) a desigualdade social começa a declinar lentamente, através da política de Estado de aumento real do poder aquisitivo do salário mínimo e de programas de transferência de renda, porém, continua sendo destinado uma fatia gigantesca da renda nacional (42%) para os mais aquinhoados tupiniquins. Os programas sociais de transferência de renda e a política de valorização do salário mínimo fazem com que haja uma percepção pela sociedade de que parcela da população (os mais pobres) avança mais rapidamente na participação na renda nacional como se tivessem índices de crescimento do PIB comparáveis aos da China e índices oficiais para os demais. A parcela mediana da sociedade fica então com a impressão de que seu status social se encontra em queda ao entrar no avião e verificar nele embarcados pessoas de classes sociais mais baixas. Sim, as classes C e D estão em ascensão e entraram para valer no mercado de consumo e isso é ótimo para toda a população, pois, a economia de um país é como um organismo, se um órgão está doente, todo o organismo funciona mal. Se observarmos a distribuição da renda nos países desenvolvidos, verificamos que a desigualdade social é muito menor, como também menor é a mendicância, a violência, o analfabetismo, a mortalidade infantil, etc. Precisamos entender que há uma grande diferença entre ser uma potência econômica e um país desenvolvido, o Brasil caminha a passos largos consolidando cada vez mais sua posição como uma das nações mais importantes do mundo no que tange à economia, porém, se queremos ser um país desenvolvido devemos refletir seriamente sobre uma frase de Augusto Cury que afirma: “No meu mundo os mais fortes servem os mais fracos, diferentemente do seu mundo onde os mais fracos servem aos mais fortes. Qual é o mais justo?” *1. Foi um regime de segregação racial adotado de 1948 a 1994 pelos sucessivos governos do Partido Nacional na África do Sul, no qual os direitos da grande maioria dos habitantes foram cerceados pelo governo formado pela minoria branca. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Apartheid - acesso em21/04/2012.

domingo, 22 de abril de 2012

Arcabouço ou calabouço teórico?

            Sócrates, famoso filósofo grego, real ou criado por Platão, não importa, “vive” ainda hoje, através de seus inestimáveis ensinamentos e certa vez enunciou: "A vida não examinada não vale a pena ser vivida", nada mais verdadeiro, pois sabemos, o conhecimento amadurecido e bem utilizado pode libertar uma pessoa e inversamente torná-lo seu prisioneiro.
         Durante nossa efêmera existência, na escola, na coletividade e na individualidade estamos o tempo todo construindo um arcabouço teórico que dita a forma como pensamos e agimos em sociedade. Este conjunto de valores, crenças e idéias nos dão a individualidade que ora nos aproxima, ora nos afasta de outros indivíduos da sociedade. 
      Esta individualidade tem um caráter enriquecedor quando agrega à coletividade valores que auxiliam a dar ao grupo majoritário a definição de um rumo na busca da evolução societária, portanto, um indivíduo pode mudar toda a forma de pensar e agir de uma coletividade, mas nem sempre a coletividade pode mudar a forma de pensar e agir de um indivíduo, principalmente quando este se arraigou ao conhecimento que desenvolveu de tal forma que transformou seu arcabouço teórico num calabouço teórico
         O arcabouço teórico de um indivíduo é construído através da experiência de vida e principalmente das inúmeras leituras realizadas sobre os ensinamentos deixados por grandes pensadores e que possibilita ao mesmo conseguir analisar o mundo e a sociedade de uma forma racional, compreendendo a realidade em suas particularidades, superando dessa forma o senso comum
       No entanto, o arcabouço teórico de um estudioso não é algo imutável, pois o mundo está em constante evolução e as informações se acumulam de forma titânica e delas não damos mais conta, se ontem estávamos atualizados, hoje, podemos estar defasados perante a capacidade do mundo e da sociedade de se reinventar, porém, precisamos manter um Norte, não podemos ser tragados pela evolução dos acontecimentos que nem sempre levam ao melhor, é necessário que preservemos um conjunto de idéias, valores e crenças para sabermos se os rumos tomados pela coletividade levam a algum lugar ou a lugar nenhum. 
     Vivemos um momento em que as ideologias caem por chão, a atual sociedade neoliberal, globalizada e pós-moderna nivela a todos por baixo e não há teoria para sustentar o arranha-céu de cartas que se construiu, dentro desse cenário é muito difícil para um indivíduo abandonar idéias, valores ou crenças que por muito tempo considerou corretas, mas, que aparentemente não correspondem mais à realidade diante da mutação societária em curso, este se vê algemado a um conjunto de pensamentos que se tornaram seu calabouço. Não poucas pessoas encontram-se neste estágio, penso que evoluir não significa abandonar a sua causa e abraçar a bandeira do momento, isso é alienação, mas também, não é algemar-se a uma estratégia, que com o tempo, mostrou-se ineficaz, infrutífera.
         Como o conhecimento verdadeiro é libertador, há que se pensar a realidade com as ferramentas necessárias para tal. Preservar sua individualidade, ou seja, aquilo que lhe dá identidade e que o torna único numa sociedade doente como a que vemos tornou-se uma atitude heróica, pois, pensar a realidade é fazer o que nem todos desejam. 
           Para grande parte da sociedade, seguir o curso do rio causa menos exaustão, remar contra o rumo dos acontecimentos para quê? E eu fico aqui pensando se tudo aquilo em que acredito constitui um arcabouço teórico para a minha libertação ou se estou preso em um calabouço de idéias que jamais me levarão a lugar algum.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Com que livro eu vou?

Há alguns dias soube que algumas pessoas se demonstraram interessadas no livro “A Arte da Guerra” após lerem o artigo “Leia antes que seja tarde” veiculado por este jornal no qual teço comentários sobre a obra de Sun Tzu. Porém, fiquei particularmente feliz ao conversar com uma Professora de Educação Física que é também minha amiga que afirmou ter adorado o referido livro, e, que dele estava extraindo importantes ensinamentos para a prática desportiva. Disse que comprou o livro após dele tomar conhecimento através desta coluna. Segundo a professora algumas vezes ela quer ler algo diferente daquilo que está na onda do momento, os tradicionais Best Sellers (livros mais vendidos) ou da área específica e gosta de minhas sugestões. Então sempre que gostar muito de uma obra vou indicá-la aqui como “Sugestão de Boa Leitura”.
Lembrei-me de Noel Rosa quando compôs o famoso samba “Com que roupa?” no qual entoava: (...) “E eu pergunto: com que roupa? Com que roupa que eu vou?” e, parafraseando-o criei o título do presente artigo, pois, saber que livro comprar é algo muitas vezes difícil, é necessário ver se o livro em questão agradará ao seu “paladar literário”, e, mesmo agradando existe a questão do momento, eu sou muito atento a isso, compro muitos livros, sem ligar para a classificação dos mais vendidos, mas apenas aqueles que  tenho real interesse, algo não muito difícil, pois, sou bastante eclético, leio sobre quase tudo e não apenas obras da minha área de formação, costumo ler ao mesmo tempo dois e até três livros, intercalando-os conforme meu estado de espírito, sublinho e faço anotações naquilo que acho importante e que possa me ser útil noutro momento.
No entanto, ter vários livros empilhados para ler, não te dispensa da tarefa de analisar seu momento para escolher a leitura adequada, nesse instante penso no dilema das mulheres para escolher a roupa e tento decidir o  livro que vou ler. Penso tal como Monteiro Lobato que “um país se faz com homens e livros”, infelizmente nós brasileiros lemos muito pouco, e, esta é a causa para o preço “salgado” do livro, eterna reclamação de muitos leitores e também nem tão leitores assim. Segundo pesquisa que fiz, mais uma vez a explicação está no Capitalismo, como o mercado é pequeno, a produção se realiza numa pequena escala o que encarece o exemplar, se a procura fosse grande a escala de produção seria maior e o preço por exemplar seria mais baixo.
Para mim livros são como troféus, leio-os e talvez não os releia, mas adoro vê-los em minha estante, emprestar somente sobre juramento (de tratá-lo bem, com lealdade, retidão de caráter, gratidão, etc.) com a mão sobre a Bíblia e com entrega de cópia autenticada em cartório da certidão de bons antecedentes (criminais)... (risos), sou realmente ciumento, já perdi livros que não me foram devolvidos e tive de readquirir e também já recebi livros com manchas que inexistiam. Não gosto de fotocópias e até o momento resisto ao modelo digital, sei das vantagens do e-book (livro digital) e das desvantagens da versão tradicional, porém, penso que a alma do livro está nas folhas de papel que manuseio.  Ao ler sinto grande prazer, esqueço dos problemas, das chateações e viajo nas linhas e entrelinhas que vislumbro a cada página virada, fazendo as inter-relações do que leio com leituras anteriores e ao concluir a leitura de um livro jamais sou o mesmo de antes e a satisfação é tal como se conquistasse mais um troféu e estivesse diante de um novo amigo de cuja amizade sempre vou poder contar, pois, livros são amigos eternos.
     Nesta semana, 14/15 de Abril ocorre o centenário do choque com iceberg/naufrágio do famoso transatlântico Titanic, aproveitando o ensejo, deixo a dica:

Sugestão de Boa Leitura:
FARACO, S. O Crepúsculo da arrogância, RMS TITANIC minuto a minuto. L&PM editores, Porto Alegre, 2006.