Encerrando a nossa série
"Sobre o analfabetismo e suas variantes", trazemos à discussão o
analfabetismo digital. Segundo Ana Lúcia Lima, coordenadora do Indicador de
Analfabetismo Funcional (INAF), “Vivemos
em uma sociedade cada vez mais digital, e quem não domina minimamente esse
ambiente enfrenta desvantagens”.
O leitor certamente já
observou a dificuldade com que muitas pessoas têm ao acessar serviços bancários
no caixa eletrônico, quase sempre precisando da ajuda de funcionários do banco.
Seja para retirar dinheiro ou para votar, lá está a máquina eletrônica e, embora
as pessoas idosas (geralmente com menor escolarização) estejam entre as que
apresentam mais dificuldade em se inserir nesse mundo digital, o INAF revela
que há pessoas escolarizadas que não conseguem realizar tarefas básicas online.
"Saber ler e
escrever não garante a autonomia no uso do mundo digital" é o título da
reportagem de Ana Luísa D'Maschio que informa que mesmo entre os alfabetizados
em nível consolidado, quatro de cada dez pessoas apresentaram médio ou baixo
desempenho em tarefas digitais, cuja pesquisa envolveu pessoas na faixa etária
de 15 a 64 anos. A faixa etária que apresenta maiores dificuldades na
realização de tarefas digitais envolvem as pessoas com 40 anos de idade ou mais.
Segundo um estudo da
Anatel, 48% das pessoas não têm habilidades mínimas para interagir no mundo
digital, sendo 20% com desempenho muito baixo. A desigualdade social também
aparece como fator responsável pela falta de habilidades digitais, pois os
índices mais baixos em tais habilidades ocorrem na população de menor renda,
escolaridade, nas regiões rurais e na região Nordeste.
A falta de acesso à Internet
ou o acesso à Internet apenas pelo celular são fatores limitadores da
aprendizagem no mundo digital, e nem mesmo a posse de diplomas de ensino
superior livram muitas pessoas das dificuldades em realizar tarefas online,
seja no e-commerce ou no pagamento de impostos. Segundo os especialistas na
área, o combate ao analfabetismo digital passa por programas governamentais de
democratização do acesso à Internet de banda larga e dispositivos, a
implementação de programas de alfabetização digital para populações vulneráveis e a integração do
letramento midiático na educação básica e a capacitação dos professores.
Encerramos esta série, mas
não o assunto, afinal, muitas são as variantes do analfabetismo e, a nossa
pretensão foi tão somente trazer aos nossos leitores, as formas que mais nos
preocupam e que consideramos inadmissíveis em pleno século XXI. Vivemos um
tempo onde muitos têm respostas para tudo, mas esqueceram a arte de fazer as
verdadeiras perguntas. talvez a verdadeira sabedoria resida na humildade da
dúvida, especialmente quando tantos se agarram a certezas que alimentam apenas
próprio ego. Somos todos, de algum modo, em alguma medida, analfabetos. Que
possamos juntos buscar a luz.

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