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sábado, 7 de março de 2026

Sobre o analfabetismo e suas variantes - Parte 6 - O analfabetismo digital

 

        Encerrando a nossa série "Sobre o analfabetismo e suas variantes", trazemos à discussão o analfabetismo digital. Segundo Ana Lúcia Lima, coordenadora do Indicador de Analfabetismo Funcional (INAF), “Vivemos em uma sociedade cada vez mais digital, e quem não domina minimamente esse ambiente enfrenta desvantagens”.

            O leitor certamente já observou a dificuldade com que muitas pessoas têm ao acessar serviços bancários no caixa eletrônico, quase sempre precisando da ajuda de funcionários do banco. Seja para retirar dinheiro ou para votar, lá está a máquina eletrônica e, embora as pessoas idosas (geralmente com menor escolarização) estejam entre as que apresentam mais dificuldade em se inserir nesse mundo digital, o INAF revela que há pessoas escolarizadas que não conseguem realizar tarefas básicas online.

            "Saber ler e escrever não garante a autonomia no uso do mundo digital" é o título da reportagem de Ana Luísa D'Maschio que informa que mesmo entre os alfabetizados em nível consolidado, quatro de cada dez pessoas apresentaram médio ou baixo desempenho em tarefas digitais, cuja pesquisa envolveu pessoas na faixa etária de 15 a 64 anos. A faixa etária que apresenta maiores dificuldades na realização de tarefas digitais envolvem as pessoas com 40 anos de idade ou mais.

            Segundo um estudo da Anatel, 48% das pessoas não têm habilidades mínimas para interagir no mundo digital, sendo 20% com desempenho muito baixo. A desigualdade social também aparece como fator responsável pela falta de habilidades digitais, pois os índices mais baixos em tais habilidades ocorrem na população de menor renda, escolaridade, nas regiões rurais e na região Nordeste.

            A falta de acesso à Internet ou o acesso à Internet apenas pelo celular são fatores limitadores da aprendizagem no mundo digital, e nem mesmo a posse de diplomas de ensino superior livram muitas pessoas das dificuldades em realizar tarefas online, seja no e-commerce ou no pagamento de impostos. Segundo os especialistas na área, o combate ao analfabetismo digital passa por programas governamentais de democratização do acesso à Internet de banda larga e dispositivos, a implementação de programas de alfabetização digital  para populações vulneráveis e a integração do letramento midiático na educação básica e a capacitação dos professores.

            Encerramos esta série, mas não o assunto, afinal, muitas são as variantes do analfabetismo e, a nossa pretensão foi tão somente trazer aos nossos leitores, as formas que mais nos preocupam e que consideramos inadmissíveis em pleno século XXI. Vivemos um tempo onde muitos têm respostas para tudo, mas esqueceram a arte de fazer as verdadeiras perguntas. talvez a verdadeira sabedoria resida na humildade da dúvida, especialmente quando tantos se agarram a certezas que alimentam apenas próprio ego. Somos todos, de algum modo, em alguma medida, analfabetos. Que possamos juntos buscar a luz.

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