Em meio à escalada de preços
dos combustíveis, sabendo que o Brasil é autossuficiente em petróleo,
perguntamos: por que sofremos com os efeitos da guerra? A resposta exige uma
retrospectiva histórica.
Após a campanha “O petróleo é nosso”, de Monteiro Lobato,
a Petrobras foi criada em 1953, por Getúlio Vargas, com monopólio estatal sobre
exploração, refino e transporte.
Nos anos 1990, foram impostas pelo FMI ao país (e
acolhidas pelos governantes e parlamentares) as regras neoliberais do Consenso
de Washington. No governo FHC, a quebra do monopólio e a abertura de capital da
Petrobras (1997) transformaram a empresa em estatal de capital misto. O marco
legal impede que a Petrobras descole seus preços do mercado internacional sob
alegação de concorrência desleal. É uma emenda constitucional, difícil de
mudar. Prova disso é que o governo Dilma foi processado no STF por praticar
preços baixos que supostamente reduziam lucros da estatal e de acionistas.
Nos governos Temer e Bolsonaro, os preços seguiram o
mercado internacional. A Petrobras importava mais combustível e subutilizava
refinarias. A privatização de refinarias e da BR Distribuidora não cumpriu a
promessa de reduzir preços. Enfraquecida, a Petrobras não conseguiu suprir o
mercado, e as estrangeiras seguem Preços de Paridade de Importação (PPI).
No governo Lula, o repasse do PPI não é instantâneo, e a
produção nas refinarias aumentou. Mas o Brasil carece de refinarias (a maioria
é do período da ditadura militar), exceto duas construídas no primeiro governo
Lula, depois privatizadas ou desinvestidas. Lula, em nosso ver, errou ao não
apresentar estudos de reestatização.
Parte do petróleo brasileiro é pesado: exportamos o óleo
pesado e importamos o leve, mais caro. A histórica escolha equivocada pelo
modal rodoviário nos força a importar 30% do diesel que não conseguimos suprir. Impostos estaduais variam de 22 a
34%; federais, 11%. Há ainda margens abusivas de distribuidoras e revendedoras,
possíveis práticas de cartelização, ações da OPEP, a inflação e a privatização
da BR Distribuidora, que tirou o governo da concorrência. Prova disso é
que mesmo com cortes na refinaria, o
preço nas bombas não caiu.
O Brasil sente os efeitos da guerra ao Irã, mas não é o
epicentro, graças à Petrobras e ao pré-sal. Enfrentamos dificuldades, porém
menores que outros países. Esse é o momento para estudos de reestatização da BR
Distribuidora e fortalecimento do parque de refino.
PS: O
Brasil tem a 38ª gasolina mais barata entre países, mas a segunda mais cara
entre os países produtores de petróleo.

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