Houve um tempo em que minhas
aulas de Geopolítica, ao denunciar o caráter imperialista dos Estados Unidos, causavam
desconforto. Lembro de alunos e, pasmem, até pais indignados, questionando minhas
críticas ao modus operandi da
superpotência. Expliquei que, como professor, tinha não só o direito, mas o
dever de esclarecer como agem as potências imperialistas. Hoje, tentativas de
censura surgem, mas a legislação na área da educação ainda garante a liberdade
de cátedra.
Certa vez, uma ex-aluna confessou a alguém próximo que
fui um bom professor, mas nunca entendeu o que os EUA me fizeram, tamanha minha
indignação. Na época, o cinema de Hollywood vendia uma imagem idílica do país,
dificultando que nosso discurso, por mais fundamentado, rompesse essa ilusão.
Atualmente, a sociedade é moldada pelas redes sociais,
plataformas que operam com filtros ideológicos claros, guiados pelos interesses
econômicos e políticos de seus proprietários. Já tive meu livre pensamento
cerceado por essas empresas. Recentemente, fui informado de que meu perfil não
seria mais recomendado por violar regras da comunidade, sem qualquer
esclarecimento. Ao questionar, não obtive resposta. Suspeito que o motivo seja
meu espectro político de esquerda ou as críticas à guerra de EUA e Israel
contra o Irã, que constitui uma clara violação ao Direito Internacional. Meu relato
pessoal é apenas um em meio a tantos.
Essa realidade me preocupa diante das próximas eleições.
Os EUA, que sempre enxergaram a América Latina como seu quintal (Doutrina
Monroe), têm grande interesse em ditar nossos destinos. Para conter o avanço
chinês, farão de tudo para eleger um presidente subordinado e entreguista de
nossos recursos. As redes sociais, cruciais nas últimas eleições, repetirão seu
papel. A grande questão é como seus algoritmos irão operar.
A via eleitoral é o caminho mais fácil para Washington
retomar o controle sobre o Brasil. As alternativas são a guerra híbrida ou até
uma intervenção militar, como Trump já levou a efeito na Venezuela e no Irã.
Como pseudo-justificativa, pode usar a pretensa reclassificação de facções como o
Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas. Some-se a isso a presença de
lideranças locais que, como verdadeiros "cavalos de Tróia", já
pediram intervenção estrangeira e celebraram taxações de Trump ao nosso país.
A história nos ensina que a extrema-direita no poder
frequentemente conduz do atraso social à barbárie. Que saibamos, como
sociedade, preservar nossa soberania, a democracia e o bem-estar coletivo.

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