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domingo, 15 de março de 2026

O que os Estados Unidos da América fizeram para o professor?

 

      Houve um tempo em que minhas aulas de Geopolítica, ao denunciar o caráter imperialista dos Estados Unidos, causavam desconforto. Lembro de alunos e, pasmem, até pais indignados, questionando minhas críticas ao modus operandi da superpotência. Expliquei que, como professor, tinha não só o direito, mas o dever de esclarecer como agem as potências imperialistas. Hoje, tentativas de censura surgem, mas a legislação na área da educação ainda garante a liberdade de cátedra.

     Certa vez, uma ex-aluna confessou a alguém próximo que fui um bom professor, mas nunca entendeu o que os EUA me fizeram, tamanha minha indignação. Na época, o cinema de Hollywood vendia uma imagem idílica do país, dificultando que nosso discurso, por mais fundamentado, rompesse essa ilusão.

    Atualmente, a sociedade é moldada pelas redes sociais, plataformas que operam com filtros ideológicos claros, guiados pelos interesses econômicos e políticos de seus proprietários. Já tive meu livre pensamento cerceado por essas empresas. Recentemente, fui informado de que meu perfil não seria mais recomendado por violar regras da comunidade, sem qualquer esclarecimento. Ao questionar, não obtive resposta. Suspeito que o motivo seja meu espectro político de esquerda ou as críticas à guerra de EUA e Israel contra o Irã, que constitui uma clara violação ao Direito Internacional. Meu relato pessoal é apenas um em meio a tantos.

      Essa realidade me preocupa diante das próximas eleições. Os EUA, que sempre enxergaram a América Latina como seu quintal (Doutrina Monroe), têm grande interesse em ditar nossos destinos. Para conter o avanço chinês, farão de tudo para eleger um presidente subordinado e entreguista de nossos recursos. As redes sociais, cruciais nas últimas eleições, repetirão seu papel. A grande questão é como seus algoritmos irão operar.

     A via eleitoral é o caminho mais fácil para Washington retomar o controle sobre o Brasil. As alternativas são a guerra híbrida ou até uma intervenção militar, como Trump já levou a efeito na Venezuela e no Irã. Como pseudo-justificativa, pode usar a pretensa reclassificação de facções como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas. Some-se a isso a presença de lideranças locais que, como verdadeiros "cavalos de Tróia", já pediram intervenção estrangeira e celebraram taxações de Trump ao nosso país.

      A história nos ensina que a extrema-direita no poder frequentemente conduz do atraso social à barbárie. Que saibamos, como sociedade, preservar nossa soberania, a democracia e o bem-estar coletivo.

 

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