Ao dar seguimento a essa
série abordando o analfabetismo e suas variantes, pesquisamos e descobrimos não
haver estudos que indiquem o percentual de pessoas analfabetas cartográficas.
No entanto, parcela dos especialistas consideram que tal número deve estar no
intermédio entre os dados do analfabetismo absoluto (7%) e do analfabetismo
funcional (30%). Há, entretanto, uma unanimidade em afirmar que o analfabetismo
cartográfico é resultante do analfabetismo funcional, sendo que vários são os
especialistas que consideram que o analfabetismo cartográfico supera os números
do analfabetismo funcional, dadas as especificidades estruturais e históricas
da Educação Básica brasileira.
O analfabeto cartográfico é a pessoa que não possui as
habilidades para ler, interpretar ou utilizar as representações espaciais como
mapas, gráficos, plantas e GPS. Essa incapacidade gera resistência ao uso de
mapas e limita a compreensão do espaço geográfico, de fenômenos no tempo e na
localização espacial, essenciais na vida cotidiana. A pessoa que não foi
devidamente alfabetizada cartograficamente tem incapacidade de leitura da
linguagem cartográfica, desorientação espacial, aversão a mapas e dificuldades
em converter a realidade espacial (3D) para uma representação plana (2D) e vice
versa. (CHIACHIO & BOMJARDIM in - Uma leitura desnorteada: a dificuldade na
alfabetização cartográfica - 2019).
Devido à inexistência de pesquisas na área e, dado o caráter de chão de escola de nossa atividade laboral, concluímos que citar nossa pesquisa no distante ano de 2002, por ocasião de nossa primeira especialização em Geografia intitulada "A alfabetização cartográfica nas séries iniciais do Ensino Fundamental no Município de Laranjeiras do Sul - PR" ainda tem caráter relevante. Naquela ocasião, afirmamos o caráter essencial da alfabetização cartográfica para um domínio significativo do conhecimento geográfico e para diversas situações da vida adulta que vão além de ler e interpretar os mapas temáticos (rodoviários, inclusive) e, de saber utilizar pontos de referência e os rumos (cardeais, colaterais e subcolaterais) no processo de orientação geográfica. Também dissemos que a alfabetização cartográfica é útil para adquirir, alugar ou construir imóveis para ter a melhor insolação evitando ambientes úmidos ou frios, nocivos à saúde, pois de posse de uma planta da cidade, podemos escolher o melhor lugar para investir quanto ao desenvolvimento e à segurança, evitando prejuízos e arrependimentos.
Em nossa pesquisa, verificamos as dificuldades dos
professores da Educação Básica devido: 1. Ao não domínio pleno da cartografia
por falhas no processo formativo; 2. À dificuldade de fazer a transposição
didática para que crianças e adolescentes consigam compreender conceitos
abstratos; 3. A ênfase dada a outras áreas do conhecimento, ficando a Geografia
relegada a um papel praticamente insignificante; 4. O pouco número de aulas de
Geografia e o extenso rol de conteúdos; 5. A dificuldade em compreender a
linguagem dos professores universitários que não conseguem ser inteligíveis
para os alunos (futuros professores) em aulas/cursos de formação, não raro, ter
professores de Geografia (inclusive), traumatizados com a disciplina de
Cartografia e que evitam tanto quanto possível, o trabalho com tal ferramenta
na Educação Básica devido às dificuldades imanentes da compreensão por parte
dos educandos de conceitos abstratos e de rudimentos matemáticos básicos (que
em nossa prática de sala de aula, demonstra-se cada vez maior).
Nossa pesquisa teve como intenção auxiliar professores,
pois como vimos, ao longo de nossa explanação, as falhas no processo de
alfabetização cartográfica são muitas e, saná-las exigiria que a ela também se
desse prioridade governamental, não é o caso. A história da Educação Básica
brasileira sempre foi a do "cobertor curto", descobre-se um santo
para cobrir outro, sempre no afã de "gastar" menos com educação e
priorizar aspectos que rendam marketing político ao governante de plantão. Em
nosso trabalho, sugerimos naquela época, muitas e variadas atividades práticas
para a transposição didática dos rudimentos da Cartografia e a sugestão de que
a alfabetização cartográfica deve ser constante e diluída ao longo de todo o
processo educativo básico.

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