A
Geopolítica é um ramo da ciência que aborda a relação entre a Geografia,
acontecimentos históricos e políticos, com o objetivo de interpretar fenômenos
globais. A ideia é entender como os humanos interagem com seu ambiente,
considerando as relações de poder, para então compreender suas posições
políticas e impactos das ações a nível global (CNN Brasil 08/02/2023). O
objetivo é compreender o tabuleiro global das nações para melhor administrar o
país, seu território e suas potencialidades, visando suprir suas necessidades
ao inseri-lo da forma mais satisfatória possível nas relações internacionais.
O analfabetismo geopolítico é a
incapacidade de compreender as dinâmicas, conflitos e relações de poder no cenário
internacional. O analfabetismo geopolítico decorre de uma carência em sua
formação nas áreas de Geografia e História e isso, nem sempre é culpa do
indivíduo, pois o estudo de História e Geografia foram sempre negligenciados
por governos autocráticos e neoliberais. As ciências humanas formam seres
críticos e pensantes, os quais são mais difíceis de serem dominados, por isso,
as aulas de humanidades estão minguando nos currículos escolares. Não podemos
excluir a culpa dos mestres, pois, tal como o geógrafo e geopolítico francês
Yves Lacoste (1929) em sua obra "A Geografia, isso serve em primeiro
lugar, para fazer a guerra" sentenciou que "os professores (mesmo
inconscientemente) quase sempre apresentam a Geografia como um saber inútil, ao
mascarar seu verdadeiro significado por meio de um discurso inócuo em classe,
omitindo seu grande valor estratégico e de poder, seja para fazer a guerra ou
para desenvolver uma nação".
Se é facilmente verificável a condição
de analfabetismo político quando constatamos que uma pessoa ou grupo de pessoas
pede mais investimentos públicos em educação e saúde, mas apoia e vota em
partidos e candidatos da extrema-direita que, historicamente e até por seus
estatutos partidários e ideologias professadas defendem o Estado Mínimo e a
consequente privatização dos serviços públicos que deixam de ser direitos
sociais e passam a ser mercadorias remuneradas pelos seus consumidores. Da
mesma forma, ou seja, por meio do discurso fica latente o analfabetismo
geopolítico de parcela significativa da sociedade, pois sua análise geopolítica
denota um maniqueísmo (a divisão em bem x mal / nós x eles), pois na Geopolítica,
a análise superficial e apaixonada não tem lugar afinal, os países além de
amizades, têm interesses.
É verdade que as verdadeiras
intenções das potências imperialistas agressoras sempre são ocultadas por um
"verniz" moral. A colonização da África se fez com o "fardo do
homem branco" onde a Europa alegava levar a civilização aos povos
"atrasados" da África enquanto se apropriava de suas riquezas. Hoje,
a China atua fortemente na África e, embora os africanos prefiram o modus
operandi chinês, a reflexão sobre os interesses chineses no continente africano
não pode ser analisada de forma superficial.
Recentemente, os Estados Unidos da
América ao invadir a Venezuela, um país soberano, afirmaram ter o objetivo de
levar a democracia. Houve parcela significativa da sociedade brasileira que
acreditou, sem refletir e questionar sobre seus verdadeiros objetivos, apesar
de seu mandatário (Trump) falar abertamente sobre os grandes negócios que
poderão fazer com o petróleo venezuelano. Não há um país no mundo que, tendo
sido invadido pelos Estados Unidos da América, as condições de vida de sua
população tenha melhorado em decorrência disso. Há muitos países que possuem
governos autocratas, mas que não possuem recursos naturais cobiçados pela
potência americana e que não fazem parte do rol de países para os quais desejam
exportar a sua democracia. Repito: países têm interesses e não apenas amizades
com outros países e isso vale para os Estados Unidos e vale para a China.
O analfabetismo geopolítico leva as
pessoas a terem uma visão rasa e ingênua da realidade em que estão inseridas e
acarreta-lhes a falta de consciência de pertença à América Latina, ao Sul
Global, portanto aos países subdesenvolvidos. Ao modelo educacional deficiente
na oferta das humanidades, o trabalho inócuo de parcela significativa dos
mestres da área, soma-se as informações parciais e manipuladas da mídia
tradicional e a profusão de fake news além do fanatismo ideológico que causa
uma cegueira à razão, o que dificulta o entendimento do complexo jogo de xadrez
das nações.
Concluímos que o analfabetismo geopolítico, a
exemplo do analfabetismo político, é também consequência do analfabetismo
funcional. A recente reforma do Ensino Médio foi pautada sob os interesses
empresariais capitalistas visando mão de obra barata, eficiente e alienada,
indo na contramão de uma formação integral para a vida em sociedade. Com o Novo
Ensino Médio e, falando do chão que piso, o Estado do Paraná, teremos mais
analfabetos políticos e geopolíticos, dada a carga insignificante das
humanidades no novo currículo educacional revisado (2026). A reforma do Ensino
Médio piorou o que anteriormente havia e terá que ser não apenas revista, mas
totalmente reformulada no futuro.

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