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sábado, 7 de fevereiro de 2026

Sobre o analfabetismo e suas variantes - parte 2

 

        Os profissionais da educação são sempre apontados como os culpados pelos insucessos da educação brasileira, porém, a escola não é uma bolha separada da sociedade, o seu entorno e suas mazelas sociais afetam os resultados escolares. Reduzir as causas do insucesso dos estudantes unicamente ao trabalho dos profissionais da educação é resultado de uma análise não apenas equivocada, mas desonesta. Roberto Catelli (coordenador da área de educação de jovens e adultos da Ação Educativa) citado pela Agência Brasil corrobora essa tese ao apontar que "resultados melhores somente serão alcançados com políticas públicas significativas no campo da educação e também na redução das desigualdades e na melhoria das condições de vida da população".

            Sabemos que os problemas estruturais da educação brasileira e a desigualdade social constituem entraves nacionais a impedir a melhora dos índices de analfabetismo funcional nas faixas etárias mais jovens. No entanto, se engana o leitor que pensa isso ser problema da educação pós ditadura militar (1964-1985), pois na faixa etária de 50 a 64 anos, o índice de analfabetismo funcional atinge 51% dos indivíduos e historicamente o Brasil esteve sempre entre os dez piores colocados do planeta no quesito.

            O analfabetismo funcional é quase tão grave quanto o analfabetismo absoluto, um analfabeto funcional é alguém que não sabe interpretar o contexto que permeia a realidade vivida. É vítima fácil das fake news, pois é incapaz de ler/interpretar as entrelinhas das informações que recebe e, dessa forma, muitas vezes age contra seus próprios interesses, sem disso ter consciência.

            O educador e filósofo Paulo Freire (1921-1997) afirmou que a alfabetização vai muito além da decodificação dos códigos escritos, sobre isso, é mundialmente conhecida sua frase "Não basta saber ler que 'Eva viu a uva'. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho".

            A Pedagogia Crítica desenvolvida por Paulo Freire não somente era muito eficaz no combate ao analfabetismo funcional, como também na formação da consciência crítica, algo considerado "perigoso e subversivo". Por ousar ensinar o pobre a ler o livro da vida e a interpretar as relações de trabalho nas quais estava inserido, foi preso e exilado durante a ditadura militar  (1964-1985) e ainda hoje é odiado por ricos e também por pessoas não conscientes de sua própria condição de classe social dado o seu analfabetismo funcional.

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