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sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Infância, adolescência e juventude

Há uma discussão entre os bibliófilos (amantes ou colecionadores de livros) sobre a existência ou não de uma alta literatura. Sobre tal questão como disse, não há consenso. No entanto, há obras e autores que são expoentes da literatura mundial. Nesse quesito a literatura russa é muito rica. Há diversos autores russos entre os maiores do planeta e como não poderia ser diferente, a literatura russa ocupa um lugar de destaque no coração e nas mentes de grande parte da humanidade, obviamente, refiro-me àquelas/àqueles que fazem da leitura uma atividade imprescindível. O autor russo Lev Tolstói (1828-1910) é um dos grandes nomes da literatura mundial. Não por acaso, suas obras são presença constante nas estantes dos bibliófilos. É de Tolstói a célebre obra Guerra e Paz, a qual foi retratada em filmes e séries sempre com grande sucesso de público. Outra obra de Tolstói adaptada com sucesso para o cinema foi Anna Kariênina.

            Ontem concluí a leitura de "Infância, adolescência e juventude" de Lev Tolstói. Trata-se de uma obra que traz em único volume três livros do autor, sendo "Infância" publicado originalmente em 1852, "Adolescência" (1854) e "Juventude" de 1856. Tais publicações são difíceis de serem classificadas, mas penso que pertencem ao gênero romance autobiográfico, no qual o autor produz uma ficção baseada em fatos por ele vivenciados. Não se pode tomar tais produções como biografias e nem considerá-las puramente ficcionais. O volume é dividido em três partes (infância, adolescência e juventude) e o autor foi muito cobrado por seu editor para que fizesse novo volume sobre a velhice, no entanto, por motivos ignorados, Tolstói não deu prosseguimento ao projeto.

            Em "Infância" o escritor retrata a vida de Nikolai Irtêniev (alter ego de Lev Tostói). Tal como o autor, o menino é nascido em uma família da elite rural do Império Russo. Sendo a família abastada (proprietária de grandes fazendas e com imóveis em diferentes lugares da Rússia), o menino Nikolai têm privilégios inalcançáveis para grande parte da população russa. Nesta parte da obra, o autor relata histórias da infância, amizades e brincadeiras demonstrando grande saudosismo daquela que ele define como a melhor fase da vida de uma pessoa. O menino Nikolai (tal como Tolstói) perde a mãe muito cedo e embora não relate qual a doença que a levou à morte, fica nítida o amor que nutria pela mãe e a saudade que desta sentia. Criança, Nikolai era muito atento aos adultos e procurava imitá-los. Quando enfim se tornou adulto, gostaria de voltar a ser criança.

            Na parte referente à "Adolescência", a obra prossegue exatamente do ponto em que terminou em "Infância", dando a impressão de ter sido escrita em contínuo, porém as datas das publicações desmentem tal fato. Com a morte da mãe, a família passa a residir na casa da avó materna que não se conforma com a morte da filha. A avó faz alterações na educação dos netos, substituindo o preceptor (tutor ou professor encarregado da educação e/ou instrução de uma criança ou de um jovem na casa deste). Nikolai não gosta da troca do preceptor e passa a odiar o substituto. Nikolai como todo adolescente pensa que as pessoas (inclusive da família) não gostam dele e, somada à sua baixa auto-estima, há ainda o fato de seu irmão mais velho sobressair-se nos exames escolares. Nikolai aparenta (pela descrição feita pelo autor) possuir depressão, pois quando o tempo não está bom fica melancólico. O menino se interessa por conversas mais adultas e pensa que mudar o mundo não é difícil, basta ter vontade para que a sociedade seja consertada. Ao final dessa parte a avó também falece.

            Em "Juventude", Nikolai (Tolstói) tenta entrar para a Universidade e a prova de admissão é oral sobre um tema sorteado na hora e sobre o qual terá que apresentar perante uma banca de professores. Nikolai consegue entrar com méritos para a Universidade. Nesta parte da obra, a vida universitária, as amizades e as farras dos colegas são relatadas. Nikolai não é muito popular, mas, tenta se inserir no círculo de amigos, embora não frequente muito as festas regadas a álcool. Alguns de seus colegas passam a se envolver com mulheres, porém,  Nikolai, também não leva muita sorte no amor e algumas de suas paixões juvenis são frustradas. O jovem possui muitas amarras (sociais e religiosas) e preocupa-se muito em fazer o que é certo e estar à altura de sua posição social. Sua preocupação com a auto-imagem é grande. Buscando se relacionar melhor com as mulheres aprende a tocar piano, embora não seja bom nisso e nem mesmo aprecie tanto assim, mas quer impressioná-las. Nessa fase da vida, Nikolai fala sobre as obras literárias que lê e relata a sua vida universitária, na qual tal como o autor não era dedicado. Ao fazer sua primeira prova sobre Cálculo Diferencial e Integral (disciplina que desperta ódio ou paixão, jamais indiferença para o pessoal da área de Ciências Exatas) leva bomba. Psicologicamente abalado e com sua imagem arranhada, seu pai lhe sugere fazer nova tentativa em outra instituição. A personagem do pai de Nikolai (alter ego de Lev Tolstói) é ficcional, pois o escritor perdeu a mãe e também o pai muito cedo, dessa forma a passagem em que este tendo ficado viúvo, resolve se casar com uma jovem que não é bem recebida pelos irmãos não corresponde à história da família. Na fase de juventude, Nikolai demonstra ser uma pessoa narcisista e pouco afeita à amizades com pessoas que não estejam no mínimo em igualdade quanto à sua condição social. Paro aqui. Fica a dica!

Sugestão de boa leitura:

Título: Infância, adolescência e juventude.

Autor: Liev Tolstói.

Editora: L&PM, 2013, 400 pág.

 

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