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quinta-feira, 27 de junho de 2013

Telhado de vidro

        Há alguns dias, a Presidenta Dilma foi vaiada em solenidade de abertura da Copa das Confederações. As imagens correram o mundo, representando um vexame para o país, um significativo constrangimento para a Presidenta e, um momento de êxtase para seus opositores. 
        Sobre as vaias teve quem mesmo se declarando opositor ao atual governo, achasse falta de educação por se tratar de representante eleita pelo povo, e também quem as apoiasse, entre estes, alguns políticos de direita ,sentiram um prazer orgástico pela vaia, mais tarde foram chamados à luz da razão pelo Senador paranaense Roberto Requião que afirmou: “os políticos da oposição não devem se sentir afagados com a vaia: a vaia foi para os políticos em geral. “sintam-se vaiados”, disse ele, incluindo-se na lista”. 
          Há um velho ditado que afirma: “se você possui telhado de vidro, não deve jogar pedras no telhado do vizinho” que por razões obvias irá revidar e também seu telhado será atingido. Em diversas oportunidades assisti políticos que faziam fila para aparecer na TV fazendo discursos contra a corrupção, e depois estes paladinos defensores da ética política e da moral societária nacional foram flagrados em atos de corrupção. 
            Não sabiam os mesmos que tinham telhado de vidro? Sabiam sim, mas dá Ibope falar contra a corrupção, houve até presidente que se elegeu com o apoio da mídia “Global” fazendo discursos pela caça aos “Marajás” e o fim da corrupção e, saiu do Governo no meio do seu mandato caçado por corrupção. Sim, é delle que estou falando. 
             Penso que além de um momento de reflexão da classe política como um todo, este deve ser um momento em que nós, povo brasileiro, devemos refletir sobre nossas práticas. Lembrei neste instante do craque da seleção brasileira Gérson que ao protagonizar um comercial de cigarros trouxe grandes prejuízos à sua imagem e cuja infeliz frase por ele proferida virou a famosa “Lei de Gérson”, a frase: “o importante é levar vantagem em tudo”.
         A frase demonstra a cultura brasileira, assim, parte dos brasileiros, entre várias outras atitudes condenáveis do ponto de vista ético, compram produtos falsificados, CDs e DVD’s piratas, fazem “gatos” para receber o sinal de TV por assinatura sem pagar (cuja empresa não recebe pela prestação de serviços e assim não contribui com impostos ao país), compram produtos no exterior e não pagam os impostos devidos, se recusam a dar nota fiscal ou recibo por serviços prestados, não declaram rendas extras ao imposto de renda, etc. 
        A sonegação em nosso país é tanta que o Sindicato dos Procuradores da Fazenda (Sinprofaz) lançou o “sonegômetro”, um placar semelhante ao famoso “impostômetro” (que marca quanto de impostos o país arrecada em tempo real), ao contrário deste, o “sonegômetro” irá marcar em tempo real os valores desviados da arrecadação pelos golpes para fugir de tributos. 
          Sabemos que a carga tributária Brasileira é alta (36%), porém, segundo o presidente do Sinprofaz Alan Titonelli Nunes, ela poderia ser reduzida em 20%, se houvesse uma diminuição da sonegação. Outro grave problema da tributação brasileira apontado por Nunes é que os mais pobres proporcionalmente pagam mais impostos que os mais ricos, pelo fato de a tributação ocorrer sobre o consumo e não sobre a renda, além disso, não são os pobres os que mais sonegam, mas os mais ricos*.         Dessa forma, acreditamos que deveria ser aberta a gaveta empoeirada e com teias de aranhas do Congresso Nacional e dela ser retirado o projeto para criação do Imposto sobre Grandes Fortunas, além disso, criar mais faixas de contribuição no Imposto de Renda (10 seria o ideal) de forma a tornar a arrecadação progressiva (mais renda, mais imposto) aliviando a carga tributária da população trabalhadora. 
         Enfim, se alguém perguntasse tal como na passagem bíblica: “atire a primeira pedra quem nunca “pecou” (utilizou o jeitinho brasileiro)? Muito possivelmente quase todas as pedras (senão todas) seriam soltas ao chão, no entanto, se grande parte dos políticos não estão à altura do povo brasileiro, este também não está à altura da imagem que pretende enquanto povo de país que se espera um dia desenvolvido. 
         Há alguns dias, afirmei para alguns colegas professores que desenvolver uma cultura anticorrupção é um exercício diário que implica abandonar o “jeitinho brasileiro”, pois como afirmou o Dalai Lama: “Seja a mudança que quer ver no mundo”! Assim, como telhados de vidro não são exclusividade dos políticos, precisamos verificar constantemente de que material é feito o nosso telhado e substituir as telhas que se fizerem necessárias.

Fonte: * http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2013/06/05/sonegometro-vai-calcular-quanto-o-brasil-deixa-de-arrecadar-em-impostos.htm - acesso em 22 de junho de 2013.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

A difícil escalada!

Karl Marx afirmou que precisamos entender a sociedade como se estivéssemos escalando uma montanha, faz todo o sentido, pois, quanto mais tento entendê-la, mais cansado fico e com vontade de desistir, pois, a montanha que Marx falou certamente é a mais íngreme. Entendo que faz parte do jogo político fazer oposição e isso é salutar para a democracia, no entanto, o que me entristece é ver pessoas defendendo a volta dos militares ao poder sob o argumento de que há muita corrupção, como se no período militar não houvesse, a diferença é que hoje existe investigação, e, no tempo da ditadura os meios de comunicação eram censurados, deputados e senadores bem como os ministros do Supremo Tribunal Federal estavam de mãos atadas, nada podiam fazer contra a autoridade militar sob pena de correr riscos, portanto, não se trata de considerar a corrupção natural, mas, afirmar que nos governos militares não havia corrupção é próprio de alguém mal informado, quando não, mal intencionado. Penso que se ainda hoje pessoas que viveram a ditadura militar a defendem, o fazem por sua ideologia, endossando a exclusão social, os desaparecidos políticos, as torturas e as mortes e em nada são diferentes aos líderes estadunidenses que afirmam que danos colaterais (mortes de inocentes) se fazem necessários em suas guerras intervencionistas mundo afora (para que seus privilégios sejam mantidos). No entanto, preocupa-me haver jovens que eram crianças demais ou nem mesmo eram nascidos à época da ditadura militar defendendo a sua volta, certamente, o leitor já chegou à conclusão que os mesmos devem estar contaminados pelo meio em que vivem e por má informação acerca do período. Isto me fez lembrar um curso em que o palestrista, um grande amigo e lutador incansável pela causa da Educação Pública proferiu uma frase marcante, disse ele: “tem alunos que aprendem com o professor, sem o professor e apesar do professor”. Nada mais verdadeiro! Grande é a nossa culpa como professores se jovens que passaram pela escola, ainda hoje têm essa deformada visão do período militar e consideram que a solução para tudo aquilo que discordam está na absoluta ausência de democracia. Estes jovens esquecem, ou melhor, desconhecem a história nacional e por assim o fazer não reconhecem os esforços daqueles que prestaram anos de suas vidas lutando e muitas vezes derramando o próprio sangue para que pudéssemos hoje viver num país democrático. Em nossa sociedade há pessoas que acreditam serem críticos os que se posicionam contrariamente às decisões governamentais e alienados aqueles que as apoiam, no entanto, ser crítico é ter a capacidade de ler as entrelinhas, ver para onde o país está caminhando, que tipo de sociedade se quer formar, acompanhar os dados estatísticos e compará-los com períodos anteriores, e, de posse de tal fundamentação, apoiar o que é digno de ser apoiado e criticar aquilo que deve ser combatido. É pena que nem todo mundo leia a Constituição Federal, pois a mesma estabelece que o combate à miséria e às desigualdades regionais é obrigatoriamente prioridade de qualquer governo que cumpra a Carta Magna. Reafirmo isso, pois, há em nossa sociedade pessoas que nasceram em berços confortáveis que entendem que o país deve ser lar para alguns e não como de fato deve ser, para todos, sem discriminação de qualquer espécie. O Brasil somente será um país desenvolvido no dia em que conseguir reformar toda a sua estrutura social, fazer a reforma agrária por que nasceu latifúndio, redistribuir a renda porque nasceu Casa Grande e senzala, enquanto algumas pessoas não entenderem isso, continuarão defendendo ideias que exalam o odor de suas mentes impuras.

sábado, 15 de junho de 2013

É tempo de CONAE!

        Em todo o Brasil, estão sendo realizadas as etapas municipais e intermunicipais da CONAE (a etapa intermunicipal da microrregião da Cantuquiriguaçu se realizará em Laranjeiras do Sul na data de 20 de Junho), por sua vez, a etapa estadual se dará em Curitiba (24 a 26 de Setembro). 
          Após os debates nestas fases, Brasília sediará a etapa nacional (17 a 21 de Fevereiro de 2014) com delegados de todas as Unidades Federativas para dar prosseguimento aos trabalhos de discussão na busca dos consensos. 
        Se você caro leitor, não trabalha na Educação, e não sabe do que se trata, não se culpe por isso, pois, penso que a divulgação está sendo aquém do esperado tendo em vista a importância destes eventos. 
        Em 2010, realizou-se a I CONAE (Conferência Nacional de Educação) e foram mobilizados 3,5 milhões de brasileiros (2% da população nacional à época) e 450 mil delegadas(os) representando suas bases, nesta segunda edição, a CONAE que “caracteriza-se como espaço democrático de debate, proposição e acompanhamento da política educacional brasileira” tem como desafios “a promoção de uma ampla participação e envolvimento social e ser instrumento social de gestão das políticas públicas em educação no Brasil”. 
        O documento-referência da CONAE está sendo debatido e ao mesmo estão sendo apresentadas emendas conforme o entendimento da maioria dos debatedores para posterior apreciação nas fases seguintes. O documento-referência tem os seguintes eixos: eixo I – O Plano Nacional de Educação e o Sistema Nacional de Educação: Organização e Regulação; eixo II – Educação e Diversidade: Justiça Social, Inclusão e Direitos Humanos; Eixo III – Educação, Trabalho e Desenvolvimento Sustentável: Cultura, Ciência, Tecnologia, Saúde, Meio Ambiente; eixo IV – Qualidade da Educação: Democratização do Acesso, Permanência, Avaliação, Condições de Participação e Aprendizagem; Eixo V – Gestão Democrática, Participação Popular e Controle Social; eixo VI – Valorização dos Profissionais da Educação: Formação, Remuneração, Carreira e Condições de Trabalho; eixo VII – Financiamento da Educação, Gestão, Transparência e Controle Social dos Recursos. 
          Todo país, como já afirmei em outras oportunidades, precisa ter claro um projeto para a Educação por ser esta uma pedra basilar da segurança estratégica nacional, pois, nenhum país hoje desenvolvido galgou os obstáculos da estrada que conduz ao desenvolvimento sem ter uma estratégia coerente que perseguiu obstinadamente e sem ter clara a ideia de país que pretendia ser no teatro das nações. 
        Sendo o Brasil um país que passou por uma ditadura militar onde os direitos básicos do cidadão foram tolhidos podemos afirmar que vivemos um momento ímpar, pois, a sociedade ao ser chamada para debater o Plano Nacional de Educação (PNE), contribui para a cimentação da democracia nacional. 
         A CONAE é um espaço de luta por uma Educação que além de pública, gratuita, laica, tenha a qualidade necessária aos nossos sonhos mais utópicos quanto ao futuro do país.

sábado, 8 de junho de 2013

É muito pano para a manga!

Quando jovem acadêmico, este humilde escriba, assistiu na Universidade a palestra de um médico a qual rememorou por ocasião do debate que se desenvolveu nos últimos dias, opondo de um lado pessoas que se pronunciam favoravelmente à vinda de médicos estrangeiros para suprir a falta destes tão necessários profissionais, e, de outro, os que à vinda destes se opõem. Recordo-me que o palestrista em questão, afirmou ser o curso de medicina que frequentou muito materialista e que os próprios professores incutiam isso em seus alunos como ordem primeira da profissão. Este médico discordava desta visão extremamente capitalista e durante as aulas debatia com professores e colegas exaltando o caráter humanitário acima de qualquer outra coisa, era por isso chamado de “comunista” chegando a ganhar o apelido de “Fidel Castro”. Este profissional afirmou que na porta de seu consultório colocou a palavra “Médico”, pois era contra a elitização da profissão e por entender que “Doutor” era quem fazia doutorado. Durante a sua fala declarou que além do trabalho rotineiro de consultório e hospital, reservava parte de seu tempo para atender gratuitamente pacientes em comunidades carentes, como nos acampamentos de sem terras. Isto é o que me lembro da referida palestra, mais, com certeza havia, mas perdeu-se nas brumas do tempo que corrói a memória. Como professor não aceito que a Educação seja considerada missão, pois isto enfraquece a luta por melhores condições de trabalho, assim, incoerente seria, se o fizesse de outra forma com a medicina, penso que médicos devem ser bem pagos, pois, sob suas mãos está uma grande responsabilidade, a vida humana. No entanto, muitos municípios do interior oferecem bons salários e mesmo assim fracassam na tentativa de suprir tais vagas, pois, os profissionais da área reclamam das condições de trabalho no interior e preferem trabalhar no setor privado (clínicas particulares) e em grandes cidades, onde a clientela pode arcar por tais serviços. Sabemos que neste país as questões sociais, dentre as quais se inclui o acesso dos pobres à medicina foi sempre relegado a um segundo plano, e, não é possível esperar mais, até que as condições de trabalho no interior sejam tão boas quanto nas capitais, pois, a doença não espera, e, comparando com a Educação, se professores esperassem por boas condições de trabalho e alunos ideais, a quase totalidade da população brasileira seria ainda hoje analfabeta. A vinda de cerca de seis mil médicos estrangeiros pouco mexeria na extrema carência destes profissionais estimada em cerca de 54 mil no setor público, além disso, defender a reserva de mercado à custa do sofrimento, doença e/ou da morte de pessoas necessitadas é algo que certamente vai contra a ética médica e ao juramento de Hipócrates que todo profissional faz por ocasião de sua formatura. Concordo que os médicos estrangeiros passem por um exame para comprovar a qualidade de sua formação (Revalida), porém, não estamos livres da formação deficitária que alguns alegam haver apenas longe das terras tupiniquins, pois, já há inclusive discussões para a implantação de exames de proficiência em Medicina, ao qual o recém-formado se submeterá, para se aprovado, exercer a profissão. Depois de tudo isso, o leitor poderia supor que a solução é criar mais cursos de medicina, não necessariamente, o Brasil possui mais cursos de medicina do que os EUA ou a China, o ingresso de médicos no mercado de trabalho vem aumentando nos últimos anos, e o número de médicos no país é razoável (1/511 habitantes). Mas, então porque toda essa gritaria de falta de médicos? A explicação é uma só: a má distribuição dos profissionais pelo país, pois há uma forte concentração nas capitais e nas regiões Sudeste e Sul e uma grande carência principalmente no interior das Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O país possui quase 400 mil médicos, destes apenas cerca de 55% atuam pelo SUS, pois muitos preferem trabalhar no setor privado, talvez fosse o caso de criar uma lei em que o médico formado por curso de Universidade Pública teria que obrigatoriamente exercer parte de sua carga horária no setor público por alguns anos. O Estado Brasileiro não pode, porém, fugir à responsabilidade urgente de levar a medicina para todos os rincões deste gigantesco país, seja com profissionais brasileiros ou estrangeiros, o que não pode continuar é a situação em que pacientes doentes se deslocam centenas de quilômetros para realizar consultas e internamentos. De qualquer forma, sei que tal temática necessita uma longa pesquisa e reflexão maior ainda, e, resultaria numa monografia, o que está muito além do alcance das minhas sempre contadas palavras.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Dentre os seixos, piritas, ouro e diamantes!

Neste dia 31 de maio de 2013 completo cinco anos escrevendo artigos sobre temáticas as mais diversas, porém, sem nunca perder o foco naquilo que fizemos nossa profissão de fé, a Educação. Como educador, muitas vezes utilizei este espaço para liberar meu grito angustiado, pois, tal como meus pares, anseio por um mundo melhor, justo, humano e solidário, algo muito diferente daquilo que vemos nas ruas e com que somos bombardeados a todo o momento pelos jornais e pela TV, e que se reflete no fazer escolar, onde muitos educandos alienados pelo sistema já não possuem sonhos, buscam viver o prazer imediato sem nutrir esperanças de que esforços adicionais possam lhes trazer recompensas futuras. Penso e nisso meus colegas não o fazem de forma diferente, de que este mundo melhor, passa pela sala de aula, embora não seja nesta o local do parto dessa nova sociedade, porque como já o vaticinou o Mestre Paulo Freire: “Se a Educação não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Talvez seja por isso, que professores críticos sejam comumente interpretados como “doutrinadores” pelos reacionários de plantão, é que não interessa aos mesmos que as mazelas da sociedade sejam expostas, pois a “harmonia” do sistema pode ser quebrada. Em nosso primeiro artigo “A histeria da elite” (31 de maio de 2008) discorremos sobre as fortes críticas aos livros didáticos principalmente de Geografia e História praticamente considerados “subversivos”, pois segundo seus detratores tinham conotação marxista e isto incomodava alguns representantes da sociedade obviamente conservadores, e, na ocasião, mostrei que a neutralidade científica inexiste, e, que mesmo a neutralidade é conservadora, sendo portanto, um posicionamento político que não tem por objetivo transformar a sociedade, favorecendo desta forma a classe privilegiada e endossando a desigualdade social. Na ocasião, como pai que também sou, afirmei desejar que meu filho (na época só tinha um) tenha conhecimento da obra de Karl Marx e também de Adam Smith, David Ricardo, etc. Relatei que a escola pública tem professores de diferentes ideologias e isso enriquece o aprendizado dos alunos, que podem refletir sobre as diferentes opiniões acerca da problemática nacional e mundial. Mencionei que professores não são doutrinadores, porém, pensam por si próprios e nisso reside seu maior perigo, pois controlar a mente dos professores é um “sonho de consumo” de muitos reacionários. Nesses cinco anos, com satisfação digo que recebi mais elogios do que críticas, os elogios foram incentivos para continuar e as críticas instrumentos de reflexão, no entanto, nem todas as críticas foram edificantes, entendo, se você não quer ser alvo de críticas, não faça nada, não fale nada, não escreva nada e de preferência, não pense! Existem pessoas que se comparam às outras (penso ser isso um desperdício de tempo e de energia), por exemplo, conheço muita gente melhor que eu, isso não me diminui e nem me desanima, pois busco aprender com elas. No entanto, assim como há pessoas que ao se comparar com outras, concluem que precisam melhorar e o fazem, outras, passam a desqualificar as pessoas que lhe incomodam, e o motivo do incômodo é muitas vezes as supostas qualidades que alguém possa ter. Dentre os seixos, pode se encontrar o ouro e/ou a pirita (ouro de tolo), também se pode encontrar diamantes, porém, estes últimos só adquirem a beleza que lhes é característica após serem lapidados. Meus artigos talvez sejam piritas e não tenham o valor que penso, porém, lhes trato como diamantes garimpados dentre os seixos de minha vivência, e que ao lapidá-los para a posterior publicação, afirmo ser a minha própria personalidade lapidada a cada artigo escrito, e devo isto a uma psicóloga com quem fiz análise, pois segundo esta: “máquina que carrega energia precisa ser descarregada ou explode”, e por assim ser, sugeriu-me escrever para passar adiante a energia que adquiria com as leituras. O pouco conhecimento que possuo, eu reparto com aqueles que o quiserem, pois como alguém já disse: “é um grande privilégio encontrar a luz, e uma obrigação maior ainda, compartilhá-la”!

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Anos 90: o condutor perdeu a charrete!

A música “aluga-se” gravada no ano de 1980 e cujos compositores são Raul Seixas e Claudio Roberto Andrade de Azevedo parece ter “ares” de profecia, pois, antecipou em mais de 10 anos o que ocorreria nos anos 1990 quando o Governo Brasileiro sob a batuta de Fernando Henrique Cardoso (FHC) resolveu colocar a teoria da obra musical na ordem do dia, o que ocorreu a partir daí todos sabemos, ou seja, a orquestra desafinou. Em sua música Raul canta: “ A solução pro nosso povo eu vou dá, negócio bom assim ninguém nunca viu, tá tudo pronto aqui, é só vim pegar, a solução é alugar o Brasil! (...) Vamo embora, dá lugar pros gringos entrar, esse imóvel tá prá alugar”(...). E sob os auspícios de dias melhores para o país, via entidades tais como o FMI, que propagavam aos quatro cantos do mundo subdesenvolvido a receita “infalível” do neoliberalismo para os países que quisessem ingressar no primeiro mundo, FHC embarcou naquele que foi o maior “conto do vigário” do século. A equipe de FHC montou o maior programa de privatização da história deste país com o objetivo de arrecadar dólares para a combalida economia nacional, reduzir ou eliminar a dívida externa, tornar as empresas mais competitivas e assim gerar serviços melhores e tarifas mais baixas para os cidadãos. O programa de privatizações pela sua complexidade, não poderia ter sido levado a cabo, sem um amplo debate pela sociedade e sem o instrumento de consulta à população (referendum), no entanto, FHC esqueceu possuir um diploma de sociólogo ao não agir desta forma. Aproveitando-se do fato de que tinha o apoio da grande mídia e a maioria no Congresso Nacional, naquele recinto fechado, porém, sob os holofotes de uma grande mídia entreguista e antipatriótica, “a qual pensava antecipadamente aquilo que o povo obrigatoriamente teria que pensar” decidiu-se o que na prática já estava decidido, ou seja, num processo que já nasceu eivado de vícios, a ampla maioria conservadora dos representantes políticos brasileiros doou (e a palavra é exatamente esta!), um patrimônio que foi duramente construído durante décadas através do suor do povo brasileiro. E este processo de privatizações “viciado” beneficiou prioritariamente os interesses de uma minoria nacional e estrangeira, representantes do grande capital. Tal ato de improbidade administrativa jamais foi investigado pelo Congresso Nacional cuja maioria apoiava o Governo FHC, sequer pelo Ministério Público, apesar das tentativas da oposição neste sentido que reclamava que o Procurador Geral da República da época (Geraldo Brindeiro) era na verdade um “Engavetador Geral da República”, nada adiantou, nem mesmos os protestos da parcela esclarecida da população. A verdade é que uma coisa é ser favorável ao Estado mínimo, ao modelo neoliberal, outra é defender um processo de privatização corrupto, entreguista, impatriótico, enfim, lesa-pátria (nesse caso não há redundância possível em virtude do que foi praticado!). Qualquer pessoa que sair do senso comum e estudar com afinco a forma como foram conduzidas as privatizações do período FHC entenderá porque ficaram conhecidas como “privataria” (privatização+pirataria). No processo privatizante, estatais foram subavaliadas, supostamente de forma mal intencionada, e, como se não bastasse isso, o governo via BNDS forneceu o dinheiro, para grupos empresariais comprarem as estatais, o que inibiu a vinda de capital estrangeiro, endividou ainda mais o país, que ainda forneceu empréstimos para muitas empresas se modernizarem, adquirirem concorrentes e assim ganharem competitividade (ou seria para formarem monopólios privados?) e isso é parte da explicação das altas tarifas de muitos serviços pagos pela população. O que ocorreu no governo FHC não encontra paralelo no mundo desenvolvido, até mesmo a “Dama-de-Ferro” Margareth Thatcher (1925-2013) com toda a truculência que lhe era habitual, neoliberal até o último fio de cabelo, soube conduzir o processo de privatização inglês com mais competência e sensatez, pulverizando as ações das estatais nas mãos da sociedade inglesa, evitando assim beneficiar interesses espúrios. O mais neoliberal dos brasileiros, munido de bom senso, ao estudar a forma como foi conduzido o processo de privatizações brasileiro do período FHC cora de vergonha, pois, não há como defender o moralmente indefensável. P.S. O título parafraseia a música gravada por Raul Seixas: “Anos 80”, que numa de suas estrofes diz: “Hey, anos 80 charrete que perdeu o condutor”.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Cuidado com o senso comum!

        Sou admirador do filósofo Sócrates, o qual sabemos há dúvidas se de fato existiu ou se é uma criação do filósofo Platão, enfim, real ou ficção, Sócrates adorava conversar com as pessoas e dizia que aprendia muito com elas independentemente da condição social a que estas pertenciam, assim, penso que podemos aprender muito e também ensinar as pessoas com as quais convivemos. 
       Há muitas qualidades a admirar em Sócrates, destaco entre elas a humildade no trato com as pessoas em que demonstrava não ter preconceito de classe e o seu compromisso inquebrantável com aquilo em que acreditava, uma vez que sua sentença foi a morte por envenenamento, pois ao dizer verdades incomodava o status quo estabelecido. 
        No entanto é impossível deixar de notar o “senso comum” que predomina nas conversas entre as pessoas ao tratar de temas que merecem estudo e reflexão aprofundada. Por senso comum entenda-se a interpretação espontânea acerca de um fato e que nasce da experiência cotidiana das pessoas podendo esta forma de pensar e agir ser passada de geração em geração e tornar-se tradição. O senso comum carece de investigação e reflexão aprofundada e pode muitas vezes conduzir a interpretações equivocadas da realidade e isso é algo que pode trazer prejuízo para uns e benefícios para outros.
         Certa vez li que duvidar de tudo ou acreditar em tudo são atitudes igualmente cômodas, pois, nos dispensam do ato de pensar, nada mais verdadeiro! Instituiu-se em nosso país a crença (senso comum) que todo político é desonesto e somente quer fazer o seu “pé de meia” à custa do erário público, verdade seja dita, que muitos de nossos representantes não contribuem para melhorar a imagem da classe política, no entanto, por trás dessa “verdade” aceita por boa parte da população se esconde o fato de que aos maus políticos interessa que a sociedade pense assim, pois esta não vai procurar separar o joio do trigo escolhendo entre os candidatos aqueles que são ficha-limpa e que têm de fato o interesse em fazer algo pelo bem da coletividade acima dos interesses individuais.Também é senso comum que se propaga aos quatro cantos desse país que pessoa de bem não pode ingressar na política, pois se não entrar no “esquema” não consegue vencer, isso também interessa aos maus políticos, pois assim, muitas pessoas bem intencionadas deixam de disputar cargos políticos favorecendo aos mau intencionados que nadam de braçadas na carreira. 
         Também já ouvi críticas a respeito de algumas mulheres feministas pelo fato de as mesmas se produzirem com maquiagem e roupas provocantes. Há uma crença que pelo fato de a mulher ser feminista ela deva abolir o sutiã e de preferência queimá-lo, usar roupas de homem, não cuidar da aparência e principalmente, não gostar de homem. Nada mais absurdo, o movimento feminista tem como objetivo a igualdade entre homens e mulheres no que se refere aos salários, à dignidade, à valorização, às oportunidades (no trabalho e na política), e pelo fim do machismo que também é mais um comportamento arraigado na sociedade baseado no senso comum. O movimento feminista existe também para que a mulher não seja refém do seu próprio corpo e para que possa se vestir como se sentir melhor, com roupa de homem ou com roupas que evidenciem a beleza de seu corpo, com o rosto lavado ou maquiado, se deixarmos o senso comum prevalecer não será difícil algum “fundamentalista” religioso (e há vários) em nossa sociedade propor que as mulheres devam usar a burca em terras tupiniquins. 
         Outra fala “senso comum” é a de que se o sujeito é defensor do socialismo, ele deve viver na miséria, não possuir bens e não consumir produtos de marca. Se possuir algum bem, ou utilizar algum produto fabricado por multinacional, está então em contradição. Ora, vivemos num mundo capitalista, o Brasil é um país capitalista, não existe uma redoma de vidro para proteger a pessoa do contato com o capitalismo, até afirmei certa vez a um sobrinho, a única solução é ir embora para Marte e este me avisou que é melhor pensar num plano “B”, pois a NASA a agência espacial do país mais capitalista do mundo (EUA) já tem planos para colonizar o planeta vermelho. 
           Ocorre que muitas pessoas já chegaram à conclusão que não é possível resolver as contradições do capitalismo com mais capitalismo (neoliberalismo), pois o capitalismo é o veneno que intoxica a sociedade através da acumulação excessiva e da exclusão em massa, dessa forma, a economia capitalista tal como um organismo moribundo vive de crise em crise, sendo estas cada vez mais duradouras. O objetivo do socialismo não é distribuir a miséria e sim a riqueza, pois pretende o melhor dos mundos, um mundo sem miséria, sem fome, uma irmandade de homens. Utopia? Convencionou-se (senso comum) chamar de utópica qualquer pessoa que deseje um mundo melhor para todos e não apenas para a minoria da qual faz parte. Enfim, tenha cuidado com o senso comum, pois discursos nele embasado refletem a preguiça de pensar, estudar e debater.