A guerra híbrida é uma modalidade de soft power (poder suave) cada vez mais utilizada por potências como os Estados Unidos da América com o fim de derrubar governantes não alinhados com Washington. O hard power (poder duro) somente é utilizado quando as opções não militares fracassam. Outras opções do soft power são os embargos (econômicos/tecnológicos) e sanções econômicas e o isolamento diplomático. A Síria é alvo de grande interesse geoestratégico por ser um importante aliada da Rússia e do Irã. Derrubar o presidente sírio Bashar Al Assad e colocar um governo palatável aos Estados Unidos, à Europa/França e a Israel, isolando o país persa e enfraquecendo o poder da Rússia no Oriente Médio seria algo maravilhoso para as potências citadas. Além disso, se poderia cruzar o país com gasodutos para a Europa reduzindo a dependência do gás russo. Enfim, não faltam motivos para os Estados Unidos e a Europa com seus "ideais altruístas" desejarem levar a democracia para a Síria.
É dentro dessa trama geopolítica que ocorre a história de Doaa Al Zamel, cuja qualidade de vida da família despenca conforme a guerra civil síria se desenrola. O governo sírio faz forte repressão à população que adere aos protestos e grupos armados locais combatem as tropas governamentais. Aproveitando-se da instabilidade política síria, o grupo terrorista Estado Islâmico também entra no conflito com o objetivo de conquistar o país ou parte dele. Os bombardeios realizados pelas potências envolvidas (EUA, França e Rússia) e os confrontos nas ruas por diferentes facções e a destruição da infra-estrutura do país, leva a família de Doaa a fugir para o Egito, onde inicialmente foram bem recebidos, porém, logo passaram a ser hostilizados. Doaa resiste, mas é convencida pela família a tornar-se noiva de Bassem, um jovem sírio (que ganhou as graças da família) por ela apaixonado. Logo ela se vê correspondendo ao rapaz que a convence a ir para a Europa, devido às dificuldades da vida no Egito. Pagam contrabandistas para que os levem à Europa, sendo que várias tentativas são frustradas ainda em terra, nas quais se vêm em perigo, sendo inclusive presos.
A propaganda de um
barco em boas condições é enganosa. Quinhentas pessoas vão empilhadas. Após
vários reveses, quando se encontravam a menos de um dia de aportar na Europa,
traficantes de outro barco abalroam propositalmente o barco de Doaa causando
seu afundamento. Doaa ouviu os traficantes rindo e desejando que os peixes
devorassem a carne dos náufragos. Centenas de pessoas morrem afogadas, outras
tantas se agarram a bóias e destroços. Doaa sobrevive numa bóia durante quatro
dias e quatro noites (em meio a cadáveres estufados) segurando duas bebês
(Malek e Masa) cujas mães morreram. Um navio cargueiro japonês faz o salvamento
dela, das bebês e de algumas poucas pessoas que sobreviveram levando-os à
Grécia. A pequena Malek não sobrevive. Doaa é aceita como refugiada na Suécia (para
onde o casal de noivos pretendia se dirigir) e consegue a permissão de levar
sua família (pais e irmãs). Doaa que viu seu noivo morrer no mar, diz ter
sobrevivido porque dela dependia a vida das bebês. Ela já foi a vários
programas de TV nos quais afirma sempre que as pessoas deixam seu país de
origem por não ter outra opção. História real, triste e comovente! De grande
valia para que as pessoas tenham mais empatia e combatam a xenofobia!
Sugestão
de boa leitura:
Título: Uma esperança mais
forte que o mar.
Autor: Melissa Fleming.
Editora: Rocco, 2017, 1ª edição, 272 pág.

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