Powered By Blogger

domingo, 10 de maio de 2020

Ensina-me a viver



.
               
         Colin Higgins (1941-1988) foi um roteirista, ator, diretor e produtor australiano-americano. Higgins ficou muito conhecido por seu primeiro romance intitulado “Ensina-me a viver”. Sua obra teve uma aceitação tamanha que em 1971 ganhou uma adaptação para o cinema. Este escriba teve contato com a obra quando adolescente por empréstimo-sugestão do livro por pessoas próximas. Ultimamente tenho adquirido livros que marcaram a minha vida no tempo em que somente podia ler por meio de empréstimos tendo em vista que comprar não era algo possível, dadas as minhas condições financeiras. Adolescente que fui, passei por grandes questionamentos sobre o mundo e a vida, nem sempre inspiradores, e nisso não mudei, digo sempre que vim ao mundo para incomodar e não se acomodar. Muitas pessoas sentem uma inadequação perante a sociedade, seus valores, suas regras, seus costumes nem sempre condizentes com a prática dos cidadãos, o que demonstra o oceano de hipocrisia em que está mergulhada a sociedade. Não por acaso, pessoas que a todo o momento discursam contra a corrupção praticam a corrupção diariamente e, sujeitos que se dizem cristãos, apesar do discurso religioso, promovem atos que nada têm a ver com os ensinamentos de Jesus Cristo.
            A inadequação perante a vida em sociedade leva muitas pessoas ao desespero, à depressão, pois, para elas nada faz sentido, e críticas, observam a falsidade que norteia as relações humanas. Faz pouco tempo que a sociedade passou a ter melhor compreensão sobre aquele que é considerado o mal do século. No entanto, ainda há quem fale que sentimentos negativos perante a vida ocorrem em pessoas de pouca fé ou porque querem ser mimadas pelas pessoas próximas. Não pretendo aqui escrever um artigo sobre depressão, que pode ter inúmeras causas psicológicas ou biológicas. Meu conhecimento acerca do tema é de quem há quinze anos a combate diariamente com medicamentos, embora ainda adolescente talvez a tivesse sem no entanto ter lhe sido  formalmente apresentada. Sempre tive um olhar crítico sobre o mundo, porém, digo: as pessoas simples, ou seja, com menor grau de reflexão sobre o mundo em que vivemos são mais felizes, pois, é impossível olhar criticamente para a realidade vivida e manter a alegria. Nesse sentido, um pouco de alienação (desde que em doses homeopáticas) é um analgésico para continuar vivendo.
Impossível contar a trama de “Ensina-me a viver” sem discorrer sobre o tema da inadequação perante a sociedade tal como constituída e no seu reflexo, a depressão que atinge parcela da população. A obra não é um livro de auto-ajuda, embora sua mensagem seja benfazeja. Trata-se da história de Harold, um rico jovem de dezenove anos obcecado pela ideia da morte. Harold sente-se pressionado por sua mãe controladora e por seu tio, um oficial do exército que deseja dar um rumo a sua vida errante levando-o para a carreira militar. Harold frequentemente vai a funerais de pessoas que não conhece e nos quais alimenta seu mórbido prazer. Encenou teatralmente sua própria morte tantas vezes que sua mãe não se impressiona mais. A mãe resolve arrumar uma noiva para Harold, mas, ele aterroriza todas as candidatas com encenações de acidentes trágicos. Apesar de poder comprar o carro que quiser, o modelo de seu carro é um rabecão, carro utilizado para funerais, inclusive na cor preta. Num desses funerais conhece Maude, uma viúva de quase oitenta anos, apaixonada pela vida, a qual desfruta loucamente, muitas vezes sem demonstrar juízo algum passando por cima de regras, valores e de toda a hipocrisia da sociedade. O convívio com Maude tem uma influência benfazeja para a vida do atormentado rapaz. Mais não posso contar sob pena de comprometer a leitura de quem assim deseja fazer. Trata-se de uma leitura leve, bem humorada e possível de ser feita em um dia. O filme também é uma ótima sugestão!

Sugestão de boa leitura:
Título: Ensina-me a viver.
Autor: Colin Higgins.
Editora: Bestbolso, 2012, 139 p.
Preço: R$22,40.

Nenhum comentário:

Postar um comentário