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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

De olho no ENEM e nos vestibulares– Parte 1

O Enem, o Exame Nacional do Ensino Médio inicialmente alvo de críticas de especialistas em educação esteve também envolvido em polêmicas por causa de vazamento de provas, no entanto, essa fase parece ter ficado definitivamente para trás e o referido exame cada vez mais se firma como um dos mais importantes passaportes para que milhões de jovens brasileiros tenham enfim o acesso ao curso universitário. O Enem é utilizado por várias instituições de ensino superior, e, pelo Programa Universidade para Todos (ProUni) é possível obter bolsas de estudo para cursos de universidades privadas. O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) utiliza a nota do exame para selecionar alunos para universidades públicas. O Enem/2014 se realizará nos dias 8 e 9 de novembro e somente poderão participar os candidatos devidamente inscritos até fins de maio passado. O número de inscritos esse ano supera o de 2013. A segurança do exame contra fraudes e vazamentos tem sido cada vez mais aperfeiçoada. Também é possível tirar o certificado do ensino médio, desde que o estudante consiga atingir a nota mínima de 450 pontos em cada uma das quatro provas objetivas (linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas) e 500 pontos na redação. A VEJA também publicou uma matéria sobre os temas da atualidade que poderão cair no Enem e nos vestibulares por meio de uma lista de temas fornecidos por especialistas em educação. A referida matéria registra que acompanhar assuntos discutidos no Brasil e no mundo é um fator importante para um bom desempenho no Enem e nos vestibulares e que embora o Enem ao contrário dos vestibulares, não cobra de seus candidatos informações pontuais sobre atualidades, possui questões que exigem do candidato conhecimentos básicos sobre o que está em debate no país e no mundo. Paulo Moraes, coordenador do Anglo Vestibulares afirma: “O Enem não é factual, não cobra do aluno detalhes de um assunto que ganhou as manchetes dos jornais às vésperas da prova, mas exige atenção a temas que pautaram as discussões no Brasil nos últimos doze meses”. Dentre os temas que podem cair no Enem e nos vestibulares estão a extração de gás e petróleo do xisto (tema já tratado nesse espaço com o artigo “O canto da sereia”), na verdade, folhelho betuminoso e que está gerando grande polêmica devido a difícil equalização entre benefícios econômicos e custos ambientais. A exploração de folhelho é conhecida há muito tempo, mas o processo não tinha a lucratividade da exploração tradicional de petróleo e jazidas profundas eram inacessíveis, então a exploração era realizada em depósitos superficiais, no entanto, a crescente necessidade de energia e o aumento da dependência externa de grandes potências como os Estados Unidos da América e a descoberta da técnica conhecida pelo termo em inglês “fracking” que se trata do fraturamento hidráulico em que é injetada água sob alta pressão com grande quantidade de componentes químicos para liberar o gás da camada de folhelho que pode estar em profundidades entre 1000 a 3000 metros. Trata-se da possibilidade de por um lado conseguir o suprimento de grande quantidade de energia que pode ser utilizada em indústrias, usinas termelétricas a gás, etc. O Brasil fez o leilão para a exploração de tal minério e o Paraná especialmente o terceiro planalto (Atenção: possível tema para vestibulares de universidades públicas paranaenses!) possui grandes reservas de folhelho betuminoso, porém, a técnica é considerada muito agressiva ao meio ambiente e vários problemas já foram reportados em países como os EUA, a Argentina, etc. O debate em questão é: O mundo precisa cada vez mais de energia e o folhelho betuminoso explorado pela técnica do “fracking” pode ser o passaporte para a autossuficiência energética, no entanto, seu custo ambiental é gigantesco e os riscos são exponenciais. O gás de xisto (folhelho) deve ser explorado imediatamente ou sua exploração deve ser suspensa até que novas pesquisas ou uma nova tecnologia menos agressiva sejam desenvolvidas? Pela autossuficiência energética vale a pena correr os riscos ambientais envolvidos? Ou deve a humanidade passar a contabilizar como custo de extração os prejuízos ambientais decorrentes e procurar desenvolver com o auxílio da ciência fontes alternativas e preferencialmente renováveis de energia? As questões ambientais costumam ser secundarizadas quando afetam as motivações econômicas e os especialistas pregam a necessidade do surgimento de uma nova sociedade, econômica e ambientalmente sustentável. Há nessa nova sociedade sustentável lugar para a exploração do gás de “xisto” levando em conta a ética na responsabilidade de preservação ambiental para as futuras gerações? Essas são algumas das questões que o postulante à vaga na Universidade deve refletir após se inteirar do tema. Referências: http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/enem-2014-prova-sera-realizada-nos-dia-8-e-9-de-novembro http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/temas-da-atualidades-que-podem-cair-no-enem-e-vestibulares-201415

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Longa vida aos sebos!

            Penso que visitar sebos é uma atividade muito interessante, pois, lá podem ser encontrados livros raros (esta semana acrescentei mais dois ao meu acervo) sendo que um deles mesmo sendo usado não saiu exatamente barato, devido à famosa lei da oferta e da procura (não reclamo, pois, valeu cada centavo!). 
        Nos sebos encontramos livros fantásticos (e alguns nem sequer imaginávamos existir) e o atendimento é uma atração à parte, a impressão que dá é de que as pessoas que trabalham com sebos sentem-se felizes por dar ao velho livro ou nem tanto (há novos e seminovos) uma nova oportunidade, um novo lar, uma nova mente para iluminar. 
            Acredito que as pessoas que têm tem amor pela leitura, mesmo sabedoras das vantagens do livro digital, não abandonam o livro de papel, pois, o papel dá alma ao livro. O papel é a primeira paixão de um menino-homem ou de uma menina-mulher, que se aventura na vida em busca do saber, novos amores podem até acontecer, mas, o livro de papel terá sempre seu lugar no coração e na alma de um ancião e uma anciã.
         Não há como falar em amor, sem falar em Drummond e, é dele o texto aqui reproduzido, com vocês o poeta eterno: “O amigo informa que a cidade tem mais um sebo. Exulto com a boa-nova e corro ao endereço indicado. Ressalvada a resistência heroica de um Carlos Ribeiro, de um Roberto Cunha e pouco mais, os sebos cariocas foram se acabando, cedendo lugar a lojas sofisticadas, onde o livro é exposto como artigo de moda, e há volumes mais chamativos do que as mais doidas gravatas, antes objeto de decoração, do que de leitura. Para onde foram os livros usados, os que tinham na capa este visgo publicitário, as brochuras encardidas, as encadernações de pobre, os folhetos, as revistas do tempo de Rodrigues Alves? Tudo isso também é “gente”, na cidade das letras, e como “gente”, ninho de surpresas: no mar de obras condenadas ao esquecimento, pesca-se às vezes o livrinho raro, não digo raro de todo, pois o faro do mercador arguto o escondeu atrás do balcão, e destina-o a Plínio Doyle, ao Mindlin paulista ou à Library of Congress, que não dorme no ponto… mas pelo menos, o relativamente raro, sobretudo aquele volumeco imprevisto, que não andávamos catando, e que nos pede para tirá-lo dali, pois está ligado a circunstâncias de nossa vida: operação de resgate, a que procedemos com alguma ternura. Vem para a minha estante, Marcelo Gama, amigo velho, ou antes, volta para ela, de onde não devias ter saído; sumiste porque naqueles tempos me faltou dinheiro para levar a namorada ao cinema, e tive de sacrificar-te, ou foi um pilantra que me pediu emprestado e não te devolveu? Perdão, Marcelo, mas por 5 cruzeiros terei de novo a tua companhia. Matutando no desaparecimento de tantos sebos ilustres, inclusive o do Brasielas chego a este novo. É agradavelmente desarrumado, mas não muito, como convém ao gênero de comércio, para deixar o freguês à vontade. Os fregueses, mesmo não se dando a conhecer uns aos outros, são todos conhecidos como frequentadores crônicos de sebo. Caras peculiares. Em geral usam roupas escuras, de certo uso ( como os livros ), falam baixo, andam devagar. Uns têm a ponta dos dedos ressecada e gretada pela alergia à poeira, mas que remédio, se a poeira é o preço de uma alegria bibliográfica? Formam uma confraria silenciosa, que procura sempre e infatigavelmente uma pérola ou um diamante setecentista, elzeveriano, sabendo que não o encontrará nunca entre aqueles restos de literatura, mas qualquer encontro a satisfaz. Procurar, mesmo não achando, é ótimo. Não há a primeira edição dos Lusíadas, mas há do Eu, e cumpre negociá-la com discrição, para que o vizinho não desconfie do achado e nos suplante com o seu poder econômico. À falta da primeira, a segunda, ou outro livro qualquer, cujo preço já é uma sugestão: “Me leva”. Lá em casa não cabe mais nem aviso de conta de luz, tanto mais que as listas telefônicas estão ocupando lugar dos dicionários, mas o frequentador de sebo leva assim mesmo o volume, que não irá folhear. A mulher espera-o zangada: “Trouxe mais uma porcaria pra casa!”. Porcaria? Tem um verso que nos comoveu, quando a gente se comovia fácil, tem uma vinheta, um traço particular, um agrado só para nós, e basta. A inenarrável promiscuidade dos sebos! Dante em contubérnio com o relatório do Ministro da Fazenda, os eleatas junto do almanaque de palavras cruzadas, Tolstoi e Cornélio Pires, Mandrake e Sóror Juana Inés de La Cruz… Nenhum deles reclama. A paz é absoluta. O sebo é a verdadeira democracia, para não dizer: uma igreja de todos os santos, inclusive os demônios, confraternizados e humildes. Saio dele com um pacote de novidades velhas, e a sensação de que visitei não um cemitério de papel, mas o território livre do espírito, contra o qual não prevalecerá nenhuma forma de opressão”. (Carlos Drummond de Andrade – O sebo).

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Todo o poder ao povo!

                A Constituição Federal (1988) em seu artigo 1º, parágrafo único estabelece “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos, ou diretamente nos termos desta Constituição”. Porém, em Junho de 2013, milhões de brasileiros saíram às ruas para protestar e dar o recado de que as Instituições bem como a classe política “não os representam”. 
                Não há nenhuma novidade em dizer que grande parte da população está descontente com a política e a forma como ela é conduzida em nosso país. As manifestações fizeram a alegria dos políticos oposicionistas, pois, pensavam que poderiam canalizar tais protestos para causar desgaste do governo federal, porém, a pauta das manifestações tinha as cores da esquerda, ou seja, ao invés do Estado Mínimo preconizado pela direita neoliberal, hoje, na oposição, os manifestantes ansiavam por uma maior presença do Estado, assim, desejavam mais Educação, mais Saúde, mais Segurança, etc.
                  Diante da força dos protestos, que pegou de surpresa o Governo Federal tirando-o da zona de conforto de sua alta aprovação nas pesquisas e, assimilando o recado dado nas ruas, a Presidenta Dilma se comprometeu em convocar um Plebiscito Constituinte para fazer a reforma política para que enfim, a sociedade se sinta representada, mas, setores conservadores de partidos da oposição e também da base de sustentação do Governo Federal no Congresso Nacional se opõem à iniciativa. 
                 Desde a época colonial, o Brasil é governado pela elite e para a elite, desta forma se construiu um dos países mais injustos do mundo, pois, apesar de sermos a sexta economia mundial dentre pouco mais de duzentos países, somos o 13º país com a pior distribuição de renda do mundo (isso que melhoramos dez posições nos últimos doze anos). 
                    O atual Congresso Nacional não representa a classe trabalhadora, pois, de seus membros (513 deputados e 81 senadores) apenas 91 são considerados representantes dos trabalhadores, da bancada sindical. Como a imensa maioria dos parlamentares no Congresso Nacional são representantes da minoria que se encontra no topo da pirâmide social, temos absurdos como a classe média e a classe baixa pagando proporcionalmente mais impostos do que a parcela privilegiada da sociedade, pois, em nosso país os impostos são regressivos.
                 É por causa do perfil do Congresso Nacional que não se vota o Imposto sobre Grandes Fortunas e que a reforma agrária não acontece; O mesmo se diz da reforma urbana. Recentemente se debateu no Congresso Nacional o aumento do investimento federal em Educação e Saúde, não sem muita resistência de políticos conservadores que, embora eleitos pelo povo, muitas vezes não o representa e agem em defesa de interesses particulares e em benefício da elite econômica do país.
                De 01 a 07 de Setembro de 2014 está se realizando o “Plebiscito Popular por uma Constituinte exclusiva e soberana do sistema político” organizado pelos movimentos sociais que embora não tenha poder legal para ocasionar mudanças, constitui uma importante ferramenta de pressão (principalmente se a votação por parte da sociedade for expressiva) para que um Plebiscito Constituinte seja legalmente instaurado pelo Congresso Nacional. 
                  Na possibilidade de a Constituinte da Reforma Política vir a ser instaurada, os representantes constituintes terão como tarefa única, a reforma do sistema político inversamente ao que ocorreu com os constituintes que elaboraram a Carta Magna de 1988. A Constituinte de 1988, apesar de alguns avanços, traz muitos ranços da ditadura militar, que impedem o país de avançar rumo a uma democracia plena e a uma sociedade menos injusta, mais solidária e fraterna. 
                    Há setores conservadores que não desejam mudanças, pois, o sistema político atual (que conta inclusive com partidos de aluguel) lhes é benéfico, assim, não querem acabar com o balcão de negócios, que se tornaram as eleições financiadas em grande parte pelo setor privado, que cobra caro depois da eleição, na forma de corrupção, fraudes nas licitações, favorecimentos pessoais ou de empresas, etc.
                     Quem é defensor da democracia, sabe que conceder mais espaço para o povo opinar sobre questões de grande relevância nacional, é fortalecer a democracia e, quem é contra, se for da elite econômica, é defensor de injustos privilégios e, se for do povo, é mal informado, se é da classe política é manipulador. 

P.S. É possível votar eletronicamente no site: http://www.plebiscitoconstituinte.org.br/vote-no-plebiscito ou nas urnas através de cédulas de papel, informe-se sobre os pontos de votação de sua cidade. Vote Sim!!!

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O canto da Sereia!

Penso que o leitor certamente já ouviu falar ou então leu a respeito do mito das sereias cujos corpos eram parte mulher e parte peixe. Elas habitavam rochedos e ao avistá-las, os marinheiros eram por elas atraídos devido à sua beleza estonteante e por seu belíssimo e doce canto, assim, guiavam suas embarcações até elas e acabavam colidindo com os rochedos e naufragando. Os gregos relatam que apenas duas pessoas conseguiram escapar ilesos ao encanto das sereias, Orfeu que era o deus mitológico da música e da poesia e que para salvar a si próprio e aos que lhe acompanhavam na viagem de barco cantou mais divinamente do que as sereias superando-as com seu talento e sua voz. O outro vitorioso foi Ulisses que por não possuir o talento musical de Orfeu colocou cera de abelha em seus ouvidos e pediu que lhe acorrentassem ao mastro do navio e deus ordens que se caso implorasse para libertá-lo apertassem ainda mais as cordas que o prendiam. Ulisses quase enlouqueceu gritando para ser liberto e assim poder ir ao encontro das sereias, mas, passou ileso pela grande provação a que fora submetido. No primeiro caso Orfeu foi vencedor porque teve espírito de superação, autoconfiança e coragem de fazer ainda melhor e no segundo caso, Ulisses sobreviveu porque teve a consciência de sua fragilidade e tomou atitudes sábias para evitar o feitiço visual e musical das sereias. Mitologia é sempre um assunto interessante, muitos livros e filmes se produziram com tal temática, no entanto, neste artigo serve apenas para introduzir neste espaço a discussão que precisa ser feita por todos antes que seja tarde demais e não dê tempo para preparar a voz daqueles que talento possuírem ou na inexistência de tal dom para tapar os ouvidos com cera. Este escriba que redige estas linhas adotará por não haver outra possibilidade a estratégia de Ulisses. Há um debate que precisa ser urgentemente realizado, trata-se da exploração através do sistema de “fracking” do gás de xisto, na verdade, o termo correto seria gás de folhelho betuminoso. O Folhelho betuminoso é uma rocha sedimentar que se aquecida num processo antieconômico vira óleo e é possível obter dela os combustíveis normalmente obtidos do petróleo. O Brasil possui uma das dez maiores reservas de folhelho do mundo e há a intenção da Copel de explorar inicialmente uma região localizada no terceiro planalto paranaense entre Pitanga, Cascavel, Toledo e Paranavaí. O fracking, ou fraturamento hidráulico consiste numa nova técnica em que água com aditivos químicos cuja fórmula não é revelada por constituir segredo empresarial é injetada sob altíssima pressão por um furo vertical até atingir a camada de folhelho e após são feitas perfurações horizontais para liberar o gás presente na rocha que tem a mesma utilidade do gás natural obtido pelo método de perfuração tradicional com máquinas perfuratrizes de petróleo para libertar o gás do bolsão em que se encontra. Tanto o petróleo como o folhelho é encontrado em áreas sedimentares e no Terceiro Planalto Paranaense se encontra em profundidades de mil a dois mil metros. Lembro-me de ter lido certa vez um livro sobre os Estados Unidos da América que relatava os graves danos ambientais nas regiões de exploração por tal método, onde as compensações financeiras que alguns fazendeiros receberam foram insuficientes para cobrir os prejuízos, pois, tiveram que abandonar a prática da agropecuária porque a carne e os alimentos naquela região produzidos estavam contaminados e impróprios para o consumo, aliás, a saúde dos moradores da região também se deteriorou gravemente e a água de lençóis freáticos e rios contaminados não puderam mais ser utilizados para consumo humano. Atualmente não há como evitar a contaminação porque é impossível saber onde os gases podem ser liberados uma vez que as rochas do subsolo apresentam fraturas pelas quais as águas infiltram até camadas mais profundas. Nos EUA ocorreram casos de rios pegando fogo, e mais bizarro ainda, fogo saindo pela torneira. Há também registros naquele país de terremotos em áreas inusitadas que estão sendo investigados por sua possível relação com o método do fracking. A Argentina também enfrenta os problemas ecológicos e econômicos de tal exploração resultantes. Na atualidade, o canto da Sereia diz respeito a uma proposta extremamente vantajosa e que depois se mostra um engodo. As autoridades da Cantuquiriguaçu, os professores e estudantes do Ensino Básico e Superior, especialmente a UFFS, os agricultores, os pecuaristas, enfim, todo o povo paranaense precisa debater o tema e em meu ver combater essa monumental tragédia ecológica que se prenuncia, a possível morte por envenenamento do Aquífero Guarani e inviabilidade econômica da agropecuária nas regiões de exploração e circunvizinhas. P.S. Parabéns aos cidadãos de Toledo e Cascavel que resistem brava e heroicamente ao canto da Sereia!

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

De como ser uma pessoa bem sucedida!

          Há algum tempo uma pessoa me disse que se eu fosse rico, um empresário, teria opiniões diferentes a respeito da realidade nacional e mundial, afirmei ser isto impossível, pois, não tenho vocação empresarial e que se tivesse não seria “eu mesmo”, ou seja, quis dizer-lhe que teria que morrer e nascer outra pessoa, pois, não tenho nem mesmo a ambição acumulativa que move as pessoas em busca do “vil metal”. 
                Disse ao meu interlocutor que havia inúmeras formas de ser rico, para alguns era ter muito dinheiro, para outros era ter muitos amigos, e que havia ainda aqueles que julgavam que a riqueza estava em ter muita saúde enquanto para outros, como era o meu caso, a riqueza estava em buscar a cada dia se apropriar de tanto conhecimento produzido pela humanidade quanto me fosse possível. 
                Para ilustrar um caso de pessoa bem sucedida, vou contar um singelo fato ocorrido em nossa região, no qual um senhor com idade bastante avançada e que se recusava a parar de trabalhar, sendo que ultimamente estava plantando mudas de erva-mate e também de espécies destinadas ao aproveitamento madeireiro em sua propriedade rural. Uma de suas filhas lhe questionou por que continuava trabalhando em vez de descansar, afinal, talvez ele nem pudesse aproveitar aquelas árvores que estava plantando, pois, elas levariam muitos anos para estarem prontas para o aproveitamento e ele com toda a tranquilidade, amor de pai e a sabedoria que a vida dá às pessoas independentemente do nível de estudo lhe disse: Mas, vocês irão aproveitar filha! É para vocês que estou plantando! Diante do exemplo e da fala deste senhor qualquer comentário é meramente acessório! 
              Certa vez li a seguinte frase: “a pessoa era tão pobre, mas tão pobre, que somente tinha dinheiro”, faz todo sentido, a pobreza não é apenas uma questão material, mas, também de estado de espírito, exemplifico: Pepe Mujica é o atual presidente do Uruguai, foi preso e torturado durante a ditadura militar implantada naquele país com o apoio dos Estados Unidos da América, e, apesar do alto cargo que ocupa leva uma vida muito simples e doa boa parte do salário que recebe a instituições de caridade, dirige um fusca de sua propriedade e vive numa pequena chácara com a esposa que também foi prisioneira política no mesmo período. Pepe não gosta que falem ser ele o presidente mais pobre do mundo, afirma que “não é pobre, pois, não precisa de muito para viver”.
                 Penso que tem toda a razão, pobres são as pessoas que vivem tristonhas por não ter o dinheiro que gostariam e por não estarem na classe social compatível com a mentalidade que expressam em suas ideias e ações, pois, muitos são os que falam e agem como se ricos fossem e apesar de enganarem a alguns e até mesmo a si próprios são desmentidos pela conta bancária e pelo ponto que têm que bater na firma na qual trabalham sob o olhar atento do patrão. 
                 Há alguns dias em visita a alguns parentes de outra cidade, aproveitei a oportunidade para levar o carro para a revisão e decidi visitar uma loja de motocicletas que me informaram ficar a dois quilômetros da concessionária onde estava, resolvi ir caminhando, passados 25 minutos não encontrei a loja, perguntei a uma pessoa que afirmou ficar ainda mais a frente, no caminho, encontrei uma loja de livros, entrei e comprei alguns que desconhecia, mas que se encaixavam perfeitamente como fontes de pesquisa para um artigo que precisaria escrever e ao caminhar mais um pouco e em não encontrando a loja, pedi informações a um frentista que alegremente cantarolava uma música e este afirmou que a referida loja ficava na metade do caminho que já havia percorrido, voltei e descobri que para escapar da chuva que começava a cair naquele trecho quando ali passei, corri para me abrigar sob uma marquise e por isso não vi a referida loja do outro lado da rua e também que a pessoa que me deu informações confundiu-se com a loja de automóveis da mesma marca e que ficava mais no centro da cidade, mas, que, sem estes enganos não teria encontrado aqueles preciosos livros e nem visto o alegre trabalhador do posto de combustíveis que me levou a pensar que, por sua forma de agir deve ser uma pessoa melhor sucedida do que algumas do topo da pirâmide social que passam o tempo a lamuriar o “infortúnio” de suas vidas!
 
 P.S. Penso que uma pessoa bem sucedida é aquela que ajuda a transformar o mundo fazendo do local onde vive um lugar melhor através da dedicação de seu tempo, de suas ideias e de sua prática.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Educação com compromisso social! – parte 2

A Gazeta do Povo veiculou em 20/07/2014 um artigo de autoria do jornalista José Maria e Silva, Mestre em Sociologia pela UFG com o título “Escola não pode ter partido” e nele o autor afirma que “educar é um ato formativo que fala à consciência através da liberdade. Quando isso não ocorre tem-se a doutrinação” e cita a “ONG Escola Sem Partido” com a qual compartilha ideias. Concordo com ele que educar é um ato formativo e que a liberdade é necessária, no entanto, o referido autor que diz defender a liberdade, na verdade, apoia a censura, ou seja, a restrição à liberdade do professor defendendo uma suposta neutralidade que é também um posicionamento ideológico que contribui para a conservação do status quo da sociedade, pois, a apregoada neutralidade é manipuladora e beneficia os privilegiados. Silva nada falou sobre os dois projetos existentes para a Educação brasileira quais sejam: a educação economicista que visa tão somente formar o estudante para compor as fileiras do mercado de trabalho nele se inserindo de forma acrítica, portanto, alienada bem ao gosto de parte da classe empresarial (parece ser esta a preferência do jornalista) e a formação humana que visa emancipar o estudante, indo além do mercado de trabalho, contribuindo na sua conscientização objetivando a sua inserção na sociedade de forma crítica e atuante na construção de uma sociedade menos injusta, mais solidária e cooperativa. A denominação “Escola Sem Partido” foi uma escolha sagaz, qualquer um concorda (até eu) que na Escola os partidos não devem interferir, porém, a intenção é silenciar, amordaçar a Escola, os/as professores(as) e condenar os livros que trazem uma conotação marxista, ou seja, aqueles cujas páginas trazem a preocupação do autor com as questões sociais e que ousam discutir as mazelas de nossa sociedade causadas pelo modelo econômico vigente. José Maria e Silva também critica o fato de que na “Universidade impera o socialismo apesar do mundo ser capitalista”, nesse caso há três observações a serem feitas: 1. Enquanto houver capitalismo o marxismo que defenestra é a principal ferramenta para a análise crítica do status quo societário e também para humanizá-lo, pois, o capitalismo em si constitui darwinismo social em estado bruto, ou seja, a “lei da selva” onde somente os mais fortes sobrevivem, apesar disso, em nossa sociedade contraditoriamente existe muitos gatos pensando serem leões, defendendo-a. 2. O ingresso na carreira do Magistério no Ensino Superior Público ocorre através de concursos e não é critério para aprovação ser marxista e nem de reprovação ser neoliberal, pois, são aprovados(as) os/as mais preparados(as) independentemente de sua ideologia. Já li/ouvi críticas quanto à Universidade Pública ser uma instituição onde se concentram docentes marxistas e pergunto: onde estão as pesquisas que comprovam isso? Já conversei com vários professores universitários e estes afirmam que os/as conservadores(as) são a maioria e isto se observa também na Educação Básica, então, o que incomoda é na verdade a força dos argumentos dos(as) professores(as) marxistas. 3.O autor do artigo também critica a quantidade de teses e dissertações sobre Marx, no entanto, a verdadeira questão é porque os autores do liberalismo clássico e do neoliberalismo têm sido tão pouco pesquisados? O problema está no objeto de estudo (liberalismo/neoliberalismo) que exerce pouca atração para o desenvolvimento de pesquisas ou estariam sendo os/as professores(as) conservadores(as) menos eficientes no desenvolvimento de pesquisas em tal área? A grande quantidade de pesquisas em Marx é algo positivo, pois, o conhecimento desenvolvido auxilia cidadãos comuns e bilionários como George Soros que afirmam ler Marx para entender o sistema socioeconômico vigente e o mundo atual. Silva afirma [...]“é preciso – com urgência – resgatar a escola dessa ideologia que a torna refém do ódio de classes”, ou seja, não se trata de partidos, mas sim da ideologia marxista, pois, nada fala da ideologia liberal conservadora da maioria dos(as) mestres(as), porém, a Escola não é refém do ódio de classes e pretende tão somente emancipar o/a estudante a fim de que não se torne mera peça de reposição do sistema (mão de obra alienada e sem capacidade crítica) na manutenção da sociedade injusta que temos. Concluindo, concordo com o autor quando afirma que “Educar é um ato formativo, que fala à consciência através da liberdade. Quando isso não ocorre, tem-se a doutrinação”, porém, negar o acesso ao conhecimento humano ou parte deste (impedir a liberdade) é um ato que fortalece a ideologia contrária, ou seja, também constitui doutrinação e amordaçar o/a professor(a) é algo comum nos regimes ditatoriais por isso, defendo a liberdade para que o/a professor(a), intelectual que é possa livremente expressar a sua visão de mundo e o/a aluno(a) possa tomar conhecimento da produção marxista e também liberal e defender a visão de mundo, de sociedade e de cidadão que julgar ser a melhor, pois, segundo a belíssima letra de “Tocando em Frente” de Almir Sater e Renato Teixeira, citada por José Maria e Silva, “cada um de nós compõe a sua história/ cada ser em si/ carrega o dom de ser capaz”.

sábado, 2 de agosto de 2014

Ariano Suassuna um brasileiro!

Na última semana a humanidade perdeu um ser iluminado Ariano Suassuna (16/06/1927– 23/07/2014) que dispensa qualquer apresentação e que é lembrado menos por ser membro da Academia Brasileira de Letras e de seus títulos Doutor Honoris Causa, mas, principalmente por ser o autor de o “Auto da Compadecida” dos inesquecíveis personagens João Grilo representado por Matheus Nachtergaelle e Chicó (Selton Mello) em minissérie da Rede Globo que contou com um elenco de grandes estrelas. Escrevo neste espaço há seis anos e sempre foi meu propósito inarredável de que tudo o que aqui postasse fosse algo resultante da minha reflexão sobre a contribuição de outros autores/pensadores e/ou criação própria, mas, como aprendemos na escola que “para toda a regra existe a exceção” resolvi quebrar meu intento original e partilhar um texto do inesquecível e imortal Ariano Suassuna. O texto ora partilhado é semelhante a uma ideia que anotei há alguns anos para um dia escrever e que na ocasião de sua passagem para a eternidade ao aprofundar as leituras sobre artigos publicados e entrevistas por ele dadas constatei que Ariano já havia escrito sobre o tema com uma abordagem condizente com o que pretendia, mas, com o aprofundamento e brilhantismo que lhe era característico e que eu jamais alcançaria lograr. Nada mais há para ser dito, o texto de Ariano Suassuna é irretocável bem como sua obra. Ariano Suassuna não pode ser ressuscitado pela flauta de João Grilo, porém, sempre que alguém tocar uma flauta vai trazer mais próxima a sua luz para iluminar as mentes e os corações desse povo tão especial e sofrido que é o brasileiro, principalmente, o pobre. Esquerda e Direita - Por Ariano Suassuna Não concordo com a afirmação, hoje muito comum, de que não mais existe esquerda e direita. Acho até que quem diz isso normalmente é de direita. Talvez eu pense assim porque mantenho, ainda hoje, uma visão religiosa do mundo e do homem, visão que, muito moço, alguns mestres me ajudaram a encontrar. Entre eles, talvez os mais importantes tenham sido Dostoievski e aquela grande mulher que foi Santa Teresa de Ávila. Como consequência, também minha visão política tem substrato religioso. Olhando para o futuro, acredito que enquanto houver um desvalido, enquanto perdurar a injustiça com os infortunados de qualquer natureza teremos que pensar e repensar a história em termos de esquerda e direita. Temos também que olhar para trás e constatar que Herodes e Pilatos eram de direita, enquanto o Cristo e são João Batista eram de esquerda. Judas inicialmente era da esquerda. Traiu e passou para o outro lado: o de Barrabás, aquele criminoso que, com apoio da direita e do povo por ela enganado, na primeira grande “assembleia geral” da história moderna, ganhou contra o Cristo uma eleição decisiva. De esquerda eram também os apóstolos que estabeleceram a primeira comunidade cristã, em bases muito parecidas com as do pré-socialismo organizado em Canudos por Antônio Conselheiro. Para demonstrar isso, basta comparar o texto de são Lucas, nos “Atos dos Apóstolos”, com o de Euclydes da Cunha em “Os Sertões”. Escreve o primeiro: “Ninguém considerava exclusivamente seu o que possuía, mas tudo entre eles era comum. Não havia entre eles necessitado algum. Os que possuíam terras e casas vendiam-nas, traziam os valores das vendas e os depunham aos pés dos apóstolos. Distribuía-se, então, a cada um, segundo a sua necessidade”. Afirma o segundo, sobre o pré-socialismo dos seguidores de Antônio Conselheiro: “A propriedade tornou-se-lhes uma forma exagerada do coletivismo tribal dos beduínos: apropriação pessoal apenas de objetos móveis e das casas, comunidade absoluta da terra, das pastagens, dos rebanhos e dos escassos produtos das culturas, cujos donos recebiam exígua quota parte, revertendo o resto para a companhia” (isto é, para a comunidade). Concluo recordando que, no Brasil atual, outra maneira fácil de manter clara a distinção é a seguinte: quem é de esquerda, luta para manter a soberania nacional e é socialista; quem é de direita, é entreguista e capitalista. Quem, na sua visão do social, coloca a ênfase na justiça, é de esquerda. Quem a coloca na eficácia e no lucro é de direita. Fonte: http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/A-esquerda-e-a-direita-segundo-Ariano-Suassuna/4/31455 - Acesso em 27 de Julho de 2014.