Lembro que, em meus tempos de juventude, o dinheiro era item escasso. Dessa forma, a biblioteca da escola e os livros da Coleção Vaga-Lume eram a minha salvação para a sede literária. Algum tempo passou e eu me socorria com a farta biblioteca da Unicentro, em Guarapuava. Com o passar dos anos, quando comecei a ganhar algum dinheiro, passei a comprar livros do saudoso Renato César Klein, às vezes sob encomenda, por ocasião de suas viagens à capital do Estado. Renato era proprietário da Livraria e Papelaria Lorena e um grande incentivador da leitura em nossa cidade.
Nesse tempo, também adquiria livros por meio de catálogos da Editora Record, que depois eram enviados para casa pelos Correios. No entanto, grande foi minha satisfação quando assinei o Círculo do Livro da Editora Globo, que contava com grande variedade de títulos e excelente qualidade editorial (todas as obras com capa dura). Havia o Livro do Mês, uma obra selecionada pela curadoria da editora, a qual o assinante recebia pelos Correios caso não solicitasse outro título no prazo devido. A alegria durou pouco: o Círculo do Livro encerrou suas atividades (pouco tempo depois que nele ingressei) em meados dos anos 1990.
Naquele período entre esses fatos e a popularização da internet, dada a pouca variedade de títulos em nossa pequena cidade, eu aproveitava as viagens para cursos a fim de adquirir livros de vendedores presentes nos eventos ou ainda para visitar as livrarias de Curitiba. Nessas oportunidades, passava horas, geralmente à noite, "garimpando" livros na majestosa Livraria Cultura do Shopping Curitiba. Lamentei muito o fechamento da loja, sentindo-me órfão daquele templo dos livros.
A internet e o e-commerce facilitaram a vida dos bibliófilos. Hoje, mesmo na cidade mais interiorana do país, o leitor pode adquirir qualquer livro em catálogo e recebê-lo em casa. No entanto, nada supera o prazer de "garimpar" livros em uma livraria física, ainda que os preços no e-commerce sejam, via de regra, mais atrativos. Mas não é só de saudade que se faz um bibliófilo. Continuo buscando novas fontes de leitura, e foi assim que descobri um clube diferente de todos os que conheci antes.
Há alguns anos, um companheiro do sindicato dos professores (APP-Sindicato) me entregou um folheto sobre o recém-criado Clube do Livro da Editora Expressão Popular. Essa editora é uma iniciativa de vários movimentos sociais, dentre os quais o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A editora foi criada para publicar obras de ficção e não ficção a preços módicos, visando à formação militante de seus quadros e do público em geral. Esse objetivo só foi alcançado graças a parcerias generosas com editoras e autores que disponibilizam suas obras para capacitar pessoas interessadas na batalha das ideias por uma sociedade com justiça social.
Hoje, em nosso país, há vários clubes do livro com diferentes ênfases (literatura clássica, política, filosofia, etc.). O leitor pode escolher aquele com o perfil e os preços que julgar convenientes. Eu, tendo em conta meus interesses no preenchimento de lacunas de minha formação acadêmica e atuação sindical, indico o Clube do Livro da Expressão Popular (do qual sou assinante) pela formação militante de suas obras e preços módicos. A formação acadêmica, como sabemos, em qualquer área ou curso, é sempre superficial e generalista. A excelência é inatingível, mas a busca de um conhecimento minimamente razoável se faz com uma dedicação incessante ao longo da vida. E para essa busca, os livros (e um clube que os coloque a serviço da justiça social) são ferramentas imprescindíveis.

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