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segunda-feira, 21 de março de 2022

A Rússia na Guerra Fria 2.0 - parte 2

 

                A desintegração da URSS trouxe para as pessoas ingênuas, a falsa impressão de um mundo mais seguro. Foi o "equilíbrio do terror", ou seja, a impossibilidade de um confronto direto entre as superpotências que evitou a Terceira Guerra Mundial/Guerra Nuclear, dado o fato que implicaria na destruição mútua assegurada (MAD). A Rússia, como dissemos, abriu mão da disputa pela hegemonia mundial, afinal, o desmantelamento territorial e econômico do país exigiam a atenção total de seus governantes que precisavam conter novos focos separatistas. A transição do país para o capitalismo foi traumática, com ela veio o fim de vários serviços públicos gratuitos oferecidos pelo Estado socialista, fato que muito desagradou a população. A Rússia é hoje um país capitalista e, como tal possui os problemas característicos deste sistema.

            Moscou é atualmente, a capital de país com o maior número de bilionários. Significativa parcela dessas fortunas são de antigos burocratas soviéticos, que, por suas relações de proximidade com o poder (corrupção) se tornaram proprietários de empresas e detentores de direitos que os tornaram em magnatas. O povo em geral, não teve a mesma sorte. O poder aquisitivo e a qualidade de vida despencaram com o fim do socialismo e da política de pleno emprego do país. Inúmeras reportagens foram realizadas no país e nelas, pessoas choravam pelo fim do socialismo, enquanto outras (em pequeno número) exibiam-se com seus iates, helicópteros e carros de luxo. A miséria, a fome, o desemprego reinaram forte nos anos que se seguiram ao fim da URSS. A situação começou a melhorar com a ascensão de Vladimir Putin ao poder no ano de 1999. Ainda assim, a Rússia é hoje um país com uma das maiores desigualdades sociais do mundo, embora esteja melhor neste quesito do que o Brasil.

            A Rússia (herdeira da URSS) foi admitida ainda nos anos 1990 no G7 (sete nações mais ricas do mundo) e que passou a se chamar G8, no qual a Rússia, fazia um papel de primo pobre, sendo considerada apenas pelo fato de ainda manter um poderoso arsenal nuclear. A Nova Ordem Mundial pós Guerra-Fria se fez unipolar do ponto de vista militar, pois, contava com uma única superpotência militar (EUA) e multipolar na esfera econômica, com a forte ascensão da União Europeia, do Japão e mais recentemente da China. Houve muitas reuniões entre os EUA e a Rússia tendo como tema o desarmamento nuclear e o fim das hostilidades entre os países.

            Os Estados Unidos e a OTAN se comprometeram verbalmente de não pressionar/encurralar a Rússia em suas fronteiras (países limítrofes). No entanto, a OTAN que nasceu como uma aliança político-militar de proteção contra um eventual ataque de país/países socialistas a algum de seus membros, não cumpriu a promessa e em ondas sucessivas de ampliação de sua área de atuação foi incorporando novos aliados demonstrando aplicar a teoria geopolítica clássica da Heartland (coração da Terra) do geógrafo inglês Halford Mackinder (1861-1947) segundo a qual "quem controlar o leste europeu controlará toda a Eurásia e, quem controlar a Eurásia, governará o mundo". O leitor já deve ter percebido que há muitas fichas sobre a mesa de jogo referente à Guerra na Ucrânia e elas não são resultantes apenas das apostas de Rússia e Ucrânia, mas, principalmente dos Estados Unidos da América e dos países da OTAN que têm mais a ganhar com a referida  guerra do que os referidos contendores.

 

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