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domingo, 1 de março de 2026

Sobre o analfabetismo e suas variantes - Parte 5 - o analfabetismo cartográfico

 

          Ao dar seguimento a essa série abordando o analfabetismo e suas variantes, pesquisamos e descobrimos não haver estudos que indiquem o percentual de pessoas analfabetas cartográficas. No entanto, parcela dos especialistas consideram que tal número deve estar no intermédio entre os dados do analfabetismo absoluto (7%) e do analfabetismo funcional (30%). Há, entretanto, uma unanimidade em afirmar que o analfabetismo cartográfico é resultante do analfabetismo funcional, sendo que vários são os especialistas que consideram que o analfabetismo cartográfico supera os números do analfabetismo funcional, dadas as especificidades estruturais e históricas da Educação Básica brasileira.

            O analfabeto cartográfico é a pessoa que não possui as habilidades para ler, interpretar ou utilizar as representações espaciais como mapas, gráficos, plantas e GPS. Essa incapacidade gera resistência ao uso de mapas e limita a compreensão do espaço geográfico, de fenômenos no tempo e na localização espacial, essenciais na vida cotidiana. A pessoa que não foi devidamente alfabetizada cartograficamente tem incapacidade de leitura da linguagem cartográfica, desorientação espacial, aversão a mapas e dificuldades em converter a realidade espacial (3D) para uma representação plana (2D) e vice versa. (CHIACHIO & BOMJARDIM in - Uma leitura desnorteada: a dificuldade na alfabetização cartográfica - 2019).

            Devido à inexistência de pesquisas na área e, dado o caráter de chão de escola de nossa atividade laboral, concluímos que citar nossa pesquisa no distante ano de 2002, por ocasião de nossa primeira especialização em Geografia intitulada "A alfabetização cartográfica nas séries iniciais do Ensino Fundamental no Município de Laranjeiras do Sul - PR" ainda tem caráter relevante. Naquela ocasião, afirmamos o caráter essencial da alfabetização cartográfica para um domínio significativo do conhecimento geográfico e para diversas situações da vida adulta que vão além de ler e interpretar os mapas temáticos (rodoviários, inclusive) e, de saber utilizar pontos de referência e os rumos (cardeais, colaterais e subcolaterais) no processo de orientação geográfica. Também dissemos que a alfabetização cartográfica é útil para adquirir, alugar ou construir imóveis para ter a melhor insolação evitando ambientes úmidos ou frios, nocivos à saúde, pois de posse de uma planta da cidade, podemos escolher o melhor lugar para investir quanto ao desenvolvimento e à segurança, evitando prejuízos e arrependimentos.

            Em nossa pesquisa, verificamos as dificuldades dos professores da Educação Básica devido: 1. Ao não domínio pleno da cartografia por falhas no processo formativo; 2. À dificuldade de fazer a transposição didática para que crianças e adolescentes consigam compreender conceitos abstratos; 3. A ênfase dada a outras áreas do conhecimento, ficando a Geografia relegada a um papel praticamente insignificante; 4. O pouco número de aulas de Geografia e o extenso rol de conteúdos; 5. A dificuldade em compreender a linguagem dos professores universitários que não conseguem ser inteligíveis para os alunos (futuros professores) em aulas/cursos de formação, não raro, ter professores de Geografia (inclusive), traumatizados com a disciplina de Cartografia e que evitam tanto quanto possível, o trabalho com tal ferramenta na Educação Básica devido às dificuldades imanentes da compreensão por parte dos educandos de conceitos abstratos e de rudimentos matemáticos básicos (que em nossa prática de sala de aula, demonstra-se cada vez maior).

            Nossa pesquisa teve como intenção auxiliar professores, pois como vimos, ao longo de nossa explanação, as falhas no processo de alfabetização cartográfica são muitas e, saná-las exigiria que a ela também se desse prioridade governamental, não é o caso. A história da Educação Básica brasileira sempre foi a do "cobertor curto", descobre-se um santo para cobrir outro, sempre no afã de "gastar" menos com educação e priorizar aspectos que rendam marketing político ao governante de plantão. Em nosso trabalho, sugerimos naquela época, muitas e variadas atividades práticas para a transposição didática dos rudimentos da Cartografia e a sugestão de que a alfabetização cartográfica deve ser constante e diluída ao longo de todo o processo educativo básico.