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sábado, 31 de janeiro de 2026

Sobre o analfabetismo e suas variantes - parte 1

 

        O analfabetismo (incapacidade de ler e escrever) é uma chaga que ainda atinge aproximadamente 800 milhões de pessoas no planeta, principalmente na Ásia e na África. No Brasil, o índice ainda atinge 9,1 milhões de habitantes (5,4% da população), o que equivale a aproximadamente a população do Ceará (2025). Como se o analfabetismo não fosse um mal suficiente, soma-se a ele, o analfabetismo funcional que atinge três a cada dez brasileiros. A Região Sul do Brasil apresenta o maior índice de analfabetos funcionais, que são aquelas pessoas que, apesar de saberem ler e escrever, possuem grandes dificuldades na interpretação de textos, operações matemáticas básicas e em utilizar a escrita e a leitura em situações do cotidiano.

            Nas últimas décadas, o analfabetismo vem declinando no Brasil, não se pode falar o mesmo do analfabetismo funcional que aumentou principalmente na faixa etária de 15 a 29 anos de idade ( de 14% para 16%) segundo o INAF 2024-2025. Segundo especialistas as causas do analfabetismo funcional são várias e não podem ser isoladas do conjunto, tais como a desigualdade social, falhas históricas e estruturais do modelo educacional brasileiro, a baixa qualidade da educação básica e a falta de estímulo à leitura e aos estudos.

            Monteiro Lobato (1882-1948) afirmou categórico: "Um país se faz com homens e livros". A correção da frase de Lobato é indiscutível, portanto, um projeto de país passa necessariamente por uma sociedade melhor, a qual somente é possível com pessoas instruídas, esclarecidas, críticas e atuantes. O analfabetismo foi erradicado em países latino-americanos tais como: Cuba (1961), Venezuela (2005), Bolívia (2008), Equador e Nicarágua (2009). Os países citados possuem PIB's muito inferiores ao PIB brasileiro. Sendo o Brasil, por seu PIB, um país tão rico, o que deu errado?

            A desigualdade social não é a única resposta, mas é a principal, o Brasil é a 11ª economia mundial, porém, possui a 84ª posição no IDH e historicamente figura entre as dez nações mais desiguais do planeta no Índice de Gini. Isso demonstra que o país foi pensado e construído por uma elite que jamais teve um projeto de desenvolvimento nacional, meramente atuando como representante nacional dos interesses do grande capital internacional em nossas terras, visando tão somente garantir seu quinhão na espoliação das riquezas nacionais (recursos naturais e trabalho humano).

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