O
analfabetismo (incapacidade de ler e escrever) é uma chaga que ainda atinge
aproximadamente 800 milhões de pessoas no planeta, principalmente na Ásia e na
África. No Brasil, o índice ainda atinge 9,1 milhões de habitantes (5,4% da
população), o que equivale a aproximadamente a população do Ceará (2025). Como
se o analfabetismo não fosse um mal suficiente, soma-se a ele, o analfabetismo
funcional que atinge três a cada dez brasileiros. A Região Sul do Brasil
apresenta o maior índice de analfabetos funcionais, que são aquelas pessoas
que, apesar de saberem ler e escrever, possuem grandes dificuldades na
interpretação de textos, operações matemáticas básicas e em utilizar a escrita
e a leitura em situações do cotidiano.
Nas últimas décadas, o analfabetismo
vem declinando no Brasil, não se pode falar o mesmo do analfabetismo funcional
que aumentou principalmente na faixa etária de 15 a 29 anos de idade ( de 14%
para 16%) segundo o INAF 2024-2025. Segundo especialistas as causas do
analfabetismo funcional são várias e não podem ser isoladas do conjunto, tais
como a desigualdade social, falhas históricas e estruturais do modelo educacional
brasileiro, a baixa qualidade da educação básica e a falta de estímulo à leitura
e aos estudos.
Monteiro Lobato (1882-1948) afirmou
categórico: "Um país se faz com homens e livros". A correção da frase
de Lobato é indiscutível, portanto, um projeto de país passa necessariamente
por uma sociedade melhor, a qual somente é possível com pessoas instruídas,
esclarecidas, críticas e atuantes. O analfabetismo foi erradicado em países
latino-americanos tais como: Cuba (1961), Venezuela (2005), Bolívia (2008),
Equador e Nicarágua (2009). Os países citados possuem PIB's muito inferiores ao
PIB brasileiro. Sendo o Brasil, por seu PIB, um país tão rico, o que deu
errado?
A desigualdade social não é a única
resposta, mas é a principal, o Brasil é a 11ª economia mundial, porém, possui a
84ª posição no IDH e historicamente figura entre as dez nações mais desiguais
do planeta no Índice de Gini. Isso demonstra que o país foi pensado e
construído por uma elite que jamais teve um projeto de desenvolvimento
nacional, meramente atuando como representante nacional dos interesses do
grande capital internacional em nossas terras, visando tão somente garantir seu
quinhão na espoliação das riquezas nacionais (recursos naturais e trabalho
humano).

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