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estas linhas recordando uma triste, porém verdadeira constatação do desenhista,
humorista, dramaturgo, escritor, poeta, tradutor e jornalista brasileiro Millôr
Fernandes (1923-2012) quando disse: "O maior erro da natureza é a burrice
não doer". Faz muito sentido, caso a burrice causasse dor, para
erradicá-la, a pessoa buscaria ler, estudar, enfim, pensar. Chamo aqui também o
escritor, filósofo, professor, semiólogo, linguista e bibliófilo italiano
Umberto Eco (1932-2016), internacionalmente reconhecido pela sua
intelectualidade, que em certa ocasião disse: "A Internet deu voz a uma legião de
imbecis".
É estarrecedor a mediocridade
intelectual de parcela significativa dos internautas. A burrice é tamanha que
não lhes permite sequer reconhecer a grande defasagem intelectual da qual são
portadores. Dessa forma, ignorantes de sua própria ignorância, comentam temas
cujo escopo está muito além de sua capacidade cognitiva, sempre embasados em
fake news, preconceitos, estereótipos e ódio. Não conhecem termos, significado
de palavras elementares do vocabulário, mas, de posse de seu celular/computador
conectado a Internet se julgam capazes de se contrapor intelectualmente à
pessoas da ciência, da academia, etc.
Sabemos que nenhum de nós é portador
de todo o conhecimento, mas sabemos também que quanto mais conhecimento tem uma
pessoa, mais discernimento ela tem em reconhecer a insuficiência de
conhecimentos acerca de alguma área, portanto ela, não tendo a formação
específica, não irá debater especificidades da medicina com um médico, da
ciência com um cientista, ou ter a pretensão de ensinar a projetar prédios a um
engenheiro civil. No entanto, o ignorante não sabe que nada sabe, e dotado de
sua mera opinião embasada em fake news, senso comum e muito ódio, arrota
asneiras pensando dizer algo útil.
Ele é fruto dessa triste época, em
que mais importante do que o fato em si, é a opinião e na qual as fake news
repetidas milhares de vezes tornam-se verdades. Para essa parcela débil
cognitivamente, falar e escrever é mais importante do que estudar, buscar o
conhecimento, refletir previamente sobre o que se fala. Para encerrar lembro
uma frase, cuja autoria exata, a Internet não crava (Maurice Switzer, Mark
Twain ou Abraham Lincoln) e que seria de grande importância para essa parcela
de internautas que diz: "É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem
que você é um idiota do que falar e acabar com a dúvida"! Encerro estas
linhas sugerindo humildade, checagem de
fontes de informação e a leitura de bons livros para o combate à ignorância.

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