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sábado, 10 de janeiro de 2026

O maior erro da natureza

 

          Inicio estas linhas recordando uma triste, porém verdadeira constatação do desenhista, humorista, dramaturgo, escritor, poeta, tradutor e jornalista brasileiro Millôr Fernandes (1923-2012) quando disse: "O maior erro da natureza é a burrice não doer". Faz muito sentido, caso a burrice causasse dor, para erradicá-la, a pessoa buscaria ler, estudar, enfim, pensar. Chamo aqui também o escritor, filósofo, professor, semiólogo, linguista e bibliófilo italiano Umberto Eco (1932-2016), internacionalmente reconhecido pela sua intelectualidade, que em certa ocasião disse: "A Internet deu voz a uma legião de imbecis".

            É estarrecedor a mediocridade intelectual de parcela significativa dos internautas. A burrice é tamanha que não lhes permite sequer reconhecer a grande defasagem intelectual da qual são portadores. Dessa forma, ignorantes de sua própria ignorância, comentam temas cujo escopo está muito além de sua capacidade cognitiva, sempre embasados em fake news, preconceitos, estereótipos e ódio. Não conhecem termos, significado de palavras elementares do vocabulário, mas, de posse de seu celular/computador conectado a Internet se julgam capazes de se contrapor intelectualmente à pessoas da ciência, da academia, etc.

            Sabemos que nenhum de nós é portador de todo o conhecimento, mas sabemos também que quanto mais conhecimento tem uma pessoa, mais discernimento ela tem em reconhecer a insuficiência de conhecimentos acerca de alguma área, portanto ela, não tendo a formação específica, não irá debater especificidades da medicina com um médico, da ciência com um cientista, ou ter a pretensão de ensinar a projetar prédios a um engenheiro civil. No entanto, o ignorante não sabe que nada sabe, e dotado de sua mera opinião embasada em fake news, senso comum e muito ódio, arrota asneiras pensando dizer algo útil.

            Ele é fruto dessa triste época, em que mais importante do que o fato em si, é a opinião e na qual as fake news repetidas milhares de vezes tornam-se verdades. Para essa parcela débil cognitivamente, falar e escrever é mais importante do que estudar, buscar o conhecimento, refletir previamente sobre o que se fala. Para encerrar lembro uma frase, cuja autoria exata, a Internet não crava (Maurice Switzer, Mark Twain ou Abraham Lincoln) e que seria de grande importância para essa parcela de internautas que diz: "É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do que falar e acabar com a dúvida"! Encerro estas linhas sugerindo humildade,  checagem de fontes de informação e a leitura de bons livros para o combate à ignorância.

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